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11.7.11

Casa Arrumada....

Bom dia!!!


Dia desses me peguei pensando na minha infância, na doce rotina de ser criança e como era gostoso ouvir estórias da minha avó! Eu estudava pela manhã, mas era a tarde a minha hora preferida do dia todo!!!

E era esperada com bastante ansiedade desde 11:00h, que era a hora que sinalizava que o material escolar deveria ser guardado e a hora de partir estava próxima.... e tinha tanta coisa boa esperando por mim nAQUELA casa.... que eu não podia me conter de tanta felicidade! E ainda tinha direito a alguns luxos: era minha avó quem me pegava na escola!!! A "dona" do meu dia inteiro vinha pessoalmente me pegar na escola....


Mas toda essa saudade de cheiro de avó - uma casa que cheirava a cera poliflor e bolo de fécula de batata e que tinha muitos paninhos de crochê e bordados enfeitando a casa inteira - foi acordada quando recebi de uma amiga querida (Fi) uma poesia de Carlos Drummond de Andrade.... E uma das poesias preferidas da "dona da minha infância".... não pude deixar de me emocionar e de lembrar da doçura de minha infància.... hoje reprisada com meus filhos (mas sem a presença da personagem principal).

Vou transpor essa poesia tão doce quanto bonita e que me traz sentir de novo aquele cheirinho de bolo pelo ar.... e que pensando bem, moldou o meu modo de pensar de hoje...


Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Abraço,
Re Villa Pano
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