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03 fevereiro 2010

Pinheiro

Hoje fazemos o elogio do Pinheiro, da foto que Eduardo Rebelo nos fez chegar como curiosidade, um pinheiro? porque não!

Um pinheiro

árvore com história

desde o pinhal de Leiria

quem diria, que serviu,

de matéria para caravelas

para escorar terra
para suster o vento

e no entanto

o vento forçou a forma

que este pinheiro toma

ousada, retorcida

escultórica quase labiríntico

mas cresce e mantém a caruma

erecta para o céu

de onde vem alguma

da energia que aterra

com a chuva.

O sol virá depois

e fará o pinheiro


parecer dois.



At Ento

08 janeiro 2009

Escritos da nossa gente sobre a nossa terra

Hoje divulgamos mais um escrito, que fala de Parambos, num poema recebido por e-mail, do nosso conterrâneo João de Seixas


" É aqui, onde as montanhas

de ricas cepas pejadas,

p´ra cá das ondas tamanhas,

se erguem engalanadas

num louvor ao Céu, sem manhas!

Parambos é bela aldeia

que cumpre a sua missão

de alegrar o coração

por estar de vida cheia!

Sobre a vastidão serrana

onde a fé supera a dor,

se deleita a alma humana

p’la obra do Criador!

Há sinais de nostalgias

no orvalho das manhãs

e marejam sinfonias

entre doces malvasias

de louvor às almas chãs,

sendo isto natural

nesta terra especial

de emoções reais e sãs!

No sentir da sua Gente

aqui tudo é bom e puro;

e se o seu sofrer é duro

deve-se à terra inclemente

a quem tem de pagar juro!

Mas disso faz um dever,

pois trabalha p’ra viver

sem que sussurre uma queixa,

e nunca vencer se deixa,

porfiando até morrer! "

João de Seixas



Juntamos à palavra/poema esta bela imagem do tempo actual, frio mas com esta beleza que brilha, como promessa de um Bom Ano 2009, esperamos para todos.



At Ento

30 julho 2008

Escritos das Gentes de Parambos

Voltamos hoje ao tema que muito nos preocupa, a situação do Rio Tua, com a ajuda da inspiração sentida, de João José de Seixas, que clama versejando o que o Rio diz a quem o quer ouvir.





Que se faça o caminho e que a luz mostre a beleza que pode desaparecer se não despertar a sensibilidade de quem decide para que entendam que o futuro não pode acontecer sobre o cadáver de uma paisagem, e de todo um património modelado pelo homem, que se afoga.
O nosso reconhecimento ao contributo do poeta.
At Ento

14 julho 2008

O que a História diz de Parambos

Hoje vamos deixar as provas que a história tem da nossa aldeia e que diz da sua importância ao longo dos tempos. muitos saberemos mas muitos desconhecerão, agora todos podemos ficar a saber.

Parambos


Localização física

"Situada na margem esquerda do rio Tua, em ambiente físico de grande beleza, Parambos é constituída pelos lugares de Misquel, S. Pedro e Venda Nova. Encontra-se a sete quilómetros de Carrazeda de Ansiães.

História

O curioso nome da freguesia relaciona-se com o português antigo. Segundo Pinho Leal, Paramo significava lugar, povo, quinta, casal ou herdade que tinha os privilégios de honra, por nele se haver criado aos peitos de alguma mulher casada, o filho legítimo de um rico-homem, ou fidalgo honrado. Era este um dos grandes abusos que os fidalgos cometiam, e que se opunham aos interesses do estado”.
O abade de Baçal tem, no entanto, uma teoria diferente, e coloca a hipótese, entre várias, de Paramos (Paramio) significar campo inculto e desabitado.


A Lenda
Em redor da sua fundação, “gravita” uma teoria segundo a qual uma praga de formigas teria obrigado os seus habitantes a abandonar o local de origem da povoação e a deslocar-se para o sítio onde se encontra hoje. Uma lenda, igual a tantas que por esse País fora continuam a circular, mas que infelizmente ainda é adoptada como verdadeira nos nossos dias, por autores que deveriam distinguir convenientemente a realidade da lenda: “A formiga branca, terrível térmita que tudo devora e se alimenta da celulose concentrada na madeira, é irresistível e, daí, a impotência e o desespero dos habitantes da antiga Parambos”.

Legados do que foi

Parambos foi uma vigairaria da apresentação da nutum do reitor de Linhares, tendo posteriormente passado a reitoria. Tinha de rendimento anual oito mil e seiscentos réis, quantia que, embora muito diminuta, era completada com o rendimento do pé-de-altar.
Do século XVIII é uma excelente pedra de armas que se encontra numa das mais importantes casas senhoriais da freguesia. Apresenta as armas dos Ferreiras.

Personalidades
....


Nasceu nesta freguesia Manuel de Morais Magalhães Borges - ilustre personalidade do concelho, foi fidalgo da casa real e escritor da sua terra. Deixou uma obra fundamental sobre o concelho, “Notabilidades Antigas e Modernas da Vila de Ansiães”.


Padre António de Sousa Pinto e Magalhães - nasceu em Parambos, concelho de Ansiães, foi co-autor das "Memórias de Ansiães" em 1721. "



Porque é importante sabermos da importância que a nossa aldeia teve ao longo da história. Aqui ficam estes escritos que nos dizem de gente importante que deixou marca nesta aldeia e em Portugal.

At Ento



10 junho 2008

Escritos das Gentes de Parambos

Hoje vamos apresentar a visão de alguém que pertence à nova geração que se está a formar para a vida. É importante ver como a juventude de hoje sente Parambos.


Divulgamos hoje a escrita de quem se assina "morenita" e que aqui se estreia, o que só enriquece ainda mais este espaço que é nosso


"Parambos!!!

Parambos...apenas oito letrinhas para o nome escrever e necessárias infinitas palavras para o descrever.

Uma aldeia, uma história, uma alma escondida a cada recanto que nos apareça à vista.

Lugar onde reina o verde, a alegria, a harmonia, a liberdade e a paz. Sentimentos tantas vezes transmitidos por um simples sorriso de uma criança.

Parambos, terra de lendas e cheia de tradições, onde o mais pequeno chilrear de um passarinho se torna numa coisa grandiosa para quem sabe dar valor à natureza.

Inverno é sinónimo de silêncio onde somente damos conta do ruído da chuva ou das folhas que cobertas de geada, estalam a cada passo que por cima delas se dá.

Na Primavera o amor é muito e transparece uma paz de espírito sem igual.

É com o calor do Verão que chegam os imigrantes saudosos da família e do lugar que melhores recordações se lhes guardam na memória.

No Outono o brilho da natureza esconde-se e depois das férias volta-se ao trabalho com grande motivação. É também altura das vindimas tão divertidas que são durante a sua elaboração.

O tempo passa e o orgulho que se tem por pertencermos a esta terra aumenta.

Parambos é a minha casa, o refúgio das minhas tristezas, origem da minha alegria, a minha vida e a minha maior paixão.

Por mais que digamos, por mais que façamos ou por mais que pensemos nada é mais importante do que sentir dentro de cada um que tudo nesta terra faz parte de nós, que influencia a pessoa que somos e que principalmente, nos mostra a utopia de como o mundo seria perfeito se todos os lugares do planeta fossem como este."

Morenita
Para nós foi muito importante este momento, esperamos que todos sintam que os mais novos também têm uma palavra, ou muitas para a sua terra o que mostra que a nossa aldeia continuará a crescer. Estaremos sempre à espera que outros nos mostrem como sentem Parambos. Fica o desafio.
At Ento

02 junho 2008

Escritos das Gentes de Parambos, Marcelina.

Vamos continuar a apresentar os verso de Marcelina, como iniciamos em Maio vamos ilustrar este momento com as papoilas que inundam os campos verdes de Parambos e de Portugal


XI
Os meninos da quarta classe,

Já tinham que colaborar,

Ensinar os mais pequenos,

Para a professora ajudar.


XII
Chegamos a ser sessenta,

Só com uma professora,

Ainda aprendíamos mais,

Do que aprendem agora.


XIII
Depois vieram as regentes,

Para poder ajudar,

E a senhora professora ,

Dividiu o seu lugar.


XIV
Já não era preciso,

Os meninos Contribuir,

Veio a senhora regente,

Para os substituir.

XV
Na limpeza da escola,

Tínhamos que a esfregar,

Não havia mulher-a-dias,

Nem dinheiro para pagar.


XVI
Os rapazes iam à água

Nós a esfregar o chão,

Os pequenos a brincar,

Era uma animação


XVII
Iam à água ao Fundo do Povo,

Iam todos a correr,

Para ver quem chegava primeiro,

Depois da viagem fazer.


XVIII
Eramos todos felizes,

Eramos todos iguais,

Agora que têm tudo,

Ainda querem muito mais.

XIX
Para podermos ir ao quadro,

E recebermos algum caderno,

Tínhamos que o pagar,

Tudo durante o ano.

XX

Era um escudo por mês,

Era uma grande maquía,

Quantos não tinham em casa,

Para comer durante o dia.


::::::
Escritos em Parambos por: Marcelina Santos


Para a autora este belo vermelho papoila para que a inspiração continue e os versos apareçam com a naturalidade que este revelam.
Para nós foi um prazer divulgar para o mundo estas memórias de um tempo muito próprio e que muitos ainda recordam.

At Ento

29 maio 2008

Escritos das Gentes de Parambos

Hoje fazemos a apresentação mundial de alguém que escreve sobre o seu tempo, e nos conta, de uma forma rimada e muito sentida, as memórias sobre uma época, que muitos se vão identificar e sentir como sua esta experiência, narrada pela nossa conterrânea, Marcelina:
"A vida na Escola"
I

Escola da minha vida,
Mereces honra e louvor.
Tantos meninos ensinaste,
Pelo meio algum doutor.

II
Já tens as portas fechadas,
Já não voltas a ensinar,
Se tuas paredes falassem,
Muito tinha que contar.
III
Contavam muitas histórias,
Dos meninos a brincar,
Das réguadas que apanhávamos,
Que ficavamos a chorar.
IV
A senhora Professora,
Não sabia o que fazer,
Deixava-os lá fechados,
Para poderem aprender.
V
Quem não fizesse os deveres,
Não podia ir almoçar
Ficavam lá de castigo,
Para poderem estudar.
VI
Eu nunca fiquei de castigo,
Pois não era das piores,
Só não continuei a estudar,
Porque não tinha condições.
VII
Era tempo de miséria,
Que a ditadura resumiu,
Só depois da Revolução dos Cravos,
É que o pais floriu.
VIII
Tínhamos na minha escola,
Um fogão de lenha a arder,
Quem não a levasse de casa,
Não se podia aquecer.
IX
A sala estava fria,
Não havia aquecimento,
Estava cheia de crianças,
Era o melhor desse tempo.
X
Chegávamos a estar sentados,
Três na mesma carteira,

Com os pequenos à frente,
E os grandes na cabeceira.
...

... Continua...


Fizemos hoje a Estreia Mundial, da nossa escrevente e conterrânea Marcelina, ficamos na quadra X, depois continuamos até à quadra XX

Uma saudação especial à autora por nos ter feito chegar este escrito. Para nós é um prazer divulgá-lo.

At Ento


15 abril 2008

Escritos sobre Parambos

Vamos hoje divulgar um escrito, que nos chegou por e-mail, de um conterrâneo, João José de Seixas, sobre a Aldeia de Parambos. Um retrato escrito que nos fala de pertença, de identidade e das características que nos identificam como um povo.


Hino a Parambos!

Parambos, pacata aldeia

do nordeste transmontano;

do que é bom ela é cheia,

e de ar puro todo o ano!

Toda escancarada ao sol,


tem prados de encher a vista;

mas também há nesse rol

o verde sportinguista!

Sua gente hospitaleira

e franca, leal, bondosa!

Nada tem de interesseira

e cheira a cravo e a rosa!

Num planalto, entre os montes,

deixa as almas agradadas!

Nela murmuram nas fontes

mouras tristes, encantadas!

Lá se crê, com devoção,

que no Cabeço apar’ceu

a Senhora da Assunção

como um milagre do Céu!

Na tua doce alvorada,

a minha fronte eu reclino

e d’alma transfigurada

aqui te entoo este hino!

Ó Parambos, terra minha,

não tenho prazer igual

quando rezo na igrejinha

junto à pia baptismal!

À Virgem Santa Maria

quero agradecer o Bem

de lá ter uma ermidinha

nesta escondida Belém!

João José de Seixas


É um prazer para nós divulgarmos obra de gente da nossa terra. Esperamos que seja um incentivo para outros se tentarem a divulgar algo que tenha Parambos como referência e que seja um ponto de partilha.


At Ento