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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

3/365 - A solidão

Poderia escrever muito sobre isto, mas a Lénia, no seu Not So Fast, escreveu tão melhor do que eu, parecia que me estava a retratar:

"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.
Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.

A verdade é que, como ela, com o tempo aprendi a fingir cada vez melhor. Mesmo aqueles que me conhecem bem (ou pensam que sim) dificilmente conseguem perceber se estou bem ou mal. Aprendi que é melhor estar sempre bem, aprendi que não está lá ninguém quando preciso de ajuda, porque aprendi que tenho de ser a força motor que puxa tudo e todos.
E não faz mal.
Faz parte da vida (pelo menos da minha).

Como ela, nunca consegui fazer parte de nenhum grupo, nunca consegui sentir que me integrava, saltitava de lado para lado como borboleta - e sempre acharam que era uma fantástica RP :)

Sempre ouvir que "és tão forte", ou "aceitas tudo tão bem", ou "não sei como consegues"... sem mostrar absolutamente nada se me estão a magoar ou a deitar abaixo com negativismos e toxicidade é uma arte que fui aperfeiçoando ao longo dos anos!

Talvez seja assim, talvez sejam fases, talvez seja necessário ser assim... quando se tem filhos não nos podemos ir abaixo, quando temos um pai em constante depressão e que depende de nós para (quase) tudo não podemos fraquejar, quando a super-mulher que é a nossa mãe já está cansada de levar o mundo aos ombros e mostra claros sinais de depressão, temos de a apoiar e não sobrecarregar mais...

Mas se pensar bem, a verdade é só uma: não vale a pena que se incomodem comigo, eu estou bem, estou sempre bem - são 33 anos de aprendizagem :)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Pensamentos

Perguntam-me porque não peço ajuda...
Mas ajuda pede-se?
Como se faz isso?
Diz-se... estou triste, ajuda-me?
Estou doente, apoia-me?
Ou espera-se que as pessoas que nos rodeiam e conhecem percebam os sinais?
E nos ajudem porque gostam de nós e se preocupam e não porque lhes pedimos!
Assumo que não sei pedir ajuda, nunca soube!
Sou melhor a ver os problemas dos outros e a ajudar, porque não preciso que me digam que estão mal... observo e "ofereço-me", arranjo maneira de estar presente.
Talvez seja educação, talvez seja sentimento, talvez seja feitio ou defeito.
Mas nunca consegui pedir ajuda, porque nunca ninguém precisou de ma pedir para a obter.
Há alturas em que uma pessoa se sente sozinha, se sente em baixo, cansada, doente.
Há outras em que está cheia de energia, sorridente, confiante.
Se não precisamos anunciar ao mundo que estamos bem e felizes, se não precisamos pedir aos amigos e a quem nos rodeia que esteja connosco quando estamos bem, porque o devemos fazer quando estamos mais em baixo?
Porque estamos rodeados de pessoas quando estamos felizes e bem, mas quando estamos cansados ou doentes ficamos sozinhos e nos cobram o facto de não pedirmos ajuda?
Porque nos aceitam quando estamos bem e nos criticam quando estamos mal?
Porque não precisamos dizer estou feliz para estarem connosco, mas precisamos dizer estou mal preciso de ti?
Se calhar devia ter seguido outra área de estudos/profissional, ou se calhar sou egoísta demais e prefiro resolver os meus dias maus sozinha.
Se calhar estou tão habituada a ajudar os outros sem que mo peçam ou precisem de sinalizar que me esqueço de mostrar os sinais de cansaço.
Não sei...
Mas sei que quando uma pessoa está em baixo, a solução não é nem nunca foi perguntar o que se pode fazer!
É como vermos que uma pessoa não parece estar bem e insistirmos "Estás bem?", "O que tens?", etc...
Isso não ajuda, pois se a pessoa estava bem ou mais ou menos, estas perguntas só pioram.
Perguntar "O que posso fazer?" não é nem nunca foi a solução para nada.
Quando se quer ajudar alguém, ou apoiar, ou seja o que for, basta estar presente!
Basta não julgar, não criticar, estar presente!
Apoiar ou ajudar alguém que não esteja bem é, simplesmente, fazer algo, dizer algo, mostrar que se está lá e se aceita que a pessoa não esteja bem, ou cansada, ou triste, ou doente, ou o que for!
Porque qualquer pessoa que não esteja feliz (alguém é verdadeiramente feliz?) só precisa de saber que a aceitam como é. E quando quiser falar, melhorar, superar... é ela que toma a iniciativa de falar, ou superar, ou esquecer.
Porque, simplesmente, algumas pessoas conseguem superar as coisas que sentem ou vivem sem precisar de falar delas, só por saberem que estão rodeadas de pessoas que as amam como são, com dias bons e dias maus, com doenças ou saudáveis, tristes ou felizes.
Superar as coisas não é dizer "ajuda-me" ou "faz isto"!
É saber que nos podemos apoiar em alguém sem sermos julgados, analisados, criticas, censurados, apiedados, por isso!
E mais importante que aquele que nos aprecia pelo nosso lado bom, é aquele que está presente quando o nosso lado mau se revela!
Para isso é importante acompanhar as pessoas que amamos. Saber como estão, ultrapassar pequenas questões que se calhar nos afectaram em momentos em que nós também não estávamos bem.
Para se ajudar e apoiar alguém que esteja triste, cansada, doente... se calhar é preciso esquecer coisas que nos magoaram, nos afectaram... porque o importante é que a pessoa que amamos, o amigo, a família... precisa de nós!
E mais importante que tudo - seja quem for que esteja nessa situação, não precisa falar!!!
Porque sabemos o que fazer para que se sinta melhor!!!
Sem julgar, sem criticar, sem pensar!
Já dizia o poeta "Ama-me quando eu menos o merecer, pois será quando mais precisarei".
É só o que uma pessoa precisa!
E isso, não se pede - sente-se!
Porque sabem o que é mais triste do que estar triste, cansado, em baixo?
É perguntarem-nos o que podem fazer para melhorar, voltarmos a ser o que éramos!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Cansada

Hoje estou particularmente cansada
Estou cansada de tentar resolver os problemas de todos
Estou cansada de ser optimista
Estou cansada de "apanhar" pelos erros dos outros
Estou cansada de ter de andar felliz
Estou cansada de ser compreensiva
Estou cansada de ser um ombro e não ter nenhum
Estou cansada de ser a confidente/a melhor amiga
Estou cansada de ser compreensiva
Estou cansada de de procurar a felicidade
Estou cansada de me sentir sozinha
Estou cansada de "tapar-buracos"
Estou cansada de ser usada
Estou cansada de estar sempre disponível
Estou cansada de me sentir sozinha
Estou cansada de não ter ninguém à minha espera quando volto
Estou cansada de me desgastar para que tudo esteja bem
Estou cansada de ser invisível
Estou cansada de viver pelos outros e para os outros
Estou cansada de guerras, intrigas
Estou cansada de invejas, desunião
Estou cansada de perdoar e esquecer
Estou cansada que as pessoas só olhem para elas
Estou cansada de me sentir egoísta quando quero mais ou penso em mim
Estou cansada de ser aquilo que todos esperam que seja
Estou cansada de mentiras, fingimento
Estou cansada de trabalhos que não me dizem nada
Estou cansada de "ter" de ser mulher, amiga, amante
Estou cansada de viver para pagar contas
Estou cansada de tentar mudar o mundo
Estou cansada de lutar contra obstáculos imbecis
Estou cansada de burocracia, de aparências
Estou cansada de guerras pelo poder, ambição, politicas sujas
Estou cansada de querer sonhar e viver presa na realidade
Estou cansada de cair da minha nuvem
Estou.... simplesmente cansada!
imagem Gettyimages

domingo, 5 de outubro de 2008

A solidão

[Verse 1]
Im sitting here
Thinking bout
How im gon-na do without
You around in my life and how am I
I gon' get by
I ain't got no days
Just lonely nights
You want the truth
Well girl im not alright
Feel out of place and out of time
I think im gonna lose my mind

[Chorus]
So tell me how you feel (im lonely)
Are you for real (so lonely)
Do you still think of me (i think of you)
Baby still (are you lonely)
Do you dream of me at night (like i dream of you all the time)
So let me tell you how it feels (its like everyday i die)
Wish i was dreaming but its real (when i open up my eyes)
Let me tell you how it feels (and don't see your pretty face)
I think that i will never love again

[Verse 2]
I miss your face
I miss your kiss
I even miss the arguments
That we would have from time to time
I miss you standing by my side
I'm dying here its clear to see
There ain't no you, God knows there ain't no me
Don't wanna live, I wanna die
If I cant have you in my life

[Chorus (repeat till end)]
So tell me how you feel (im lonely)
Are you for real (so lonely)
Do you still think of me (i think of you)
Baby still (are you lonely)
Do you dream of me at night (like i dream of you all the time, so lonely)
Oh let me tell you how it feels (its like everyday i die)
Wish i was dreaming but its real (when i open up my eyes)
Let me tell you how it feels (and don't see your pretty face)
I think that I will never love again

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Tristeza

Tristeza, que me inunda a alma e o coração!
Tristeza de me entender sozinha...
Tristeza de compreender quão fugaz é o amor...
Tristeza de perceber que não adianta lutar quando se está sozinha na luta...
Tristeza de não ser capaz de sonhar...
Tristeza por estar numa nuvem negra e não branca...
Tristeza por querer dormir e não conseguir...
Tristeza por continuar a lutar contra moinhos de vento...
Tristeza pelas injustiças do mundo e da vida...
Tristeza pela ausência de palavras...
Tristeza pelas palavras que são só... palavras...
Tristeza pela dor que me atravessa o coração e a alma...
Tristeza pela hipocrisia e mentira que me rodeia...
Tristeza por ter de "crescer" e encarar a realidade...
Mas acima de tudo
tristeza por amanhã ser um novo dia sem ti!

domingo, 14 de setembro de 2008

Are you Lonesome tonight

Gracias B, é mesmo uma das minhas músicas preferidas do Rei.
E perfeita para estes dias.

Are You Lonesome Tonight?
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray
To a bright summer day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep
And picture me there?
Is your heart filled with pain,
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?

I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And we each must play a part.
Fate had me playing in love with you as my sweet heart.
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your lines so cleverly and never missed a cue
Then came act 2, you seemed to change, you acted strange
And why I've never known.
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you.
But I'd rather go on hearing your lies
Than to go on living without you.
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then they can bring the curtain down.


Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vazio

Hoje pensava escrever, partilhar mais alguns sentimentos ou emoções, mas a verdade é que não consigo!
Escrever sempre foi uma terapia, uma forma de exorcizar fantasmas e pensamentos, mas quando começa a ser demasiado analisado por quem me está mais próximo, quando constantemente procuram ler nas entrelinhas, procuram agir em função do que imaginam que está escrito e não se diz... torna-se uma prisão maior do que não escrever!
Mas a verdade é que, para além de não me apetecer ser analisada, me sinto vazia!!!
Vazia de sentimentos, de emoções, de vontades, ... de tudo!
Talvez seja cansaço (de não fazer nada, como dirão alguns, com razão), talvez seja tristeza de não ser correspondida, desilusão de ser sempre a última prioridade para todos, raiva de dar tudo e ficar com os restos, tristeza de esperar retornos que nunca chegam, de ser demasiado idealista e/ou romântica...
Pode ser de não dormir o suficiente... ou de dormir demais!
Não sei....
Mas... sinto-me oca, vazia, fútil.
Será que cansei de estar sempre a dar e não receber?
Será que me apercebi que sou egoísta e não o quero assumir?
Não sei...
Sei que não consigo encontrar um rumo, que não consigo encontrar paz, e que não consigo sentir uma emoção correcta ou verdadeira.
Sei que me sinto sozinha, abandonada... que queria ter alguém que se preocupasse comigo, que procurasse estar comigo, que sentisse quando preciso estar com ele...
Sei que um dia vai aparecer, mas neste momento sinto-me sozinha, mais sozinha que nunca!
Talvez seja por isso que hoje me sinto tão oca, tão sem sentir, tão.... falsa nas minhas convicções e paixões.
Talvez por ter compreendido que na verdade não tenho os amigos que queria ou pensava e que os verdadeiros amigos, aqueles que não me abandonavam, estão a milhares de quilómetros.
Talvez por sentir que não sei amar ninguém, ou sentir amada...
Também não importa, porque amanhã será outro dia, a véspera de mais um fim de semana sozinha no meio da multidão!
O sol vai brilhar e os sentimentos vão mudar, a vida continuar.
Amanhã vou sentir de novo, mas hoje.... não consigo!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fugir

Às vezes só me apetecia que fosse possível realmente fugir e estar na minha nuvem, sozinha, a ver o mundo e as pessoas que passam dentro dos aviões, algumas fugindo também para locais exóticos ou diferentes, outras fugindo de si, dos seus problemas, da sua vida.
Gostava de poder realmente fugir deste mundo terreno, que apesar de ter tanta beleza está repleto de falsidade, de hipocrisia, de interesses pessoais, políticos, ambições desmedidas.
Um mundo onde não se sabe amar, onde se procura o interesse, o prazer imediato e instantâneo e se evitam discussões, comunicar, partilhar.
Tal como muitas outras pessoas, eu também tenho os meus momentos.
Aqueles em que acho que sou forte, invencível, linda, "poderosa", mas depois há os outros, de solidão, de fraqueza, de tristeza, de doença, em que descubro os verdadeiros amigos ou a força de um amor.
Tenho os momentos em que adoro o que faço, acho que nada me consegue derrubar, e depois tenho os outros, em que me encontro caída no chão, a odiar o que tenho de fazer para sobreviver.
E nesses momentos gostava de estar na minha nuvem, aquecida pelo calor do sol na ausência de braços que me confortem, observando as coisas, mas distante, sem as sentir, sem as viver.
Mas como não se pode viver numa nuvem, fica a intenção de fuga, uma e outra vez adiada, uma e outra vez superada pela força de viver, de ser mais forte que o cinismo e mentira que me rodeiam.
A cada vontade de fugir fica o optimismo que amanhã será um dia melhor, que amanhã o sol brilhará e vai conseguir aquecer-me, mesmo estando longe da minha nuvem, mesmo sem observar os aviões que passam, mesmo sem conseguir fugir...
E a cada grito de liberdade, a cada grito de "Foge!" vai renascer a esperança de encontrar aqueles braços que me vão fazer querer ficar e enfrentar a vida, como ela é em vez de como eu gostava que fosse!!!

sábado, 30 de agosto de 2008

Solidão

Como há quem fale melhor do que eu, aqui vos deixo as palavras do Francisco Buarque de Hollanda (conhecido simplesmente por Chico Buarque), pois não precisam de tradução, explicação... dizem tudo!

SOLIDÃO não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…
ISTO É CARÊNCIA

SOLIDÃO não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
ISTO É SAUDADES

SOLIDÃO não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos...
ISTO É EQUILÍBRIO

SOLIDÃO não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsóriamente para que revejamos a nossa vida...
ISTO É UM PRINCÍPIO DA NATUREZA

SOLIDÃO não é o vazio de gente ao nosso lado…
ISTO É CIRCUNSTÂNCIA

SOLIDÃO É MUITO MAIS DO QUE ISTO.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA…..

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Imortal

Mais uma das minhas músicas preferidas.
Sem nenhuma intenção especial, apenas porque gosto muito dela.
E apesar de a letra ter muito significado, não é dedicada a ninguém em especial e simultâneamente é dedicada a .....


I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase

When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have
All of me

You used to captivate me
By your resonating life
Now I'm bound by the life you've left behind
Your face it haunts
My once pleasant dreams
Your voice it chased away
All the sanity in me

I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sózinha no meio da multidão

Será do sol?
De estarem todos a trabalhar?
Será de ontem me terem dito que eu era uma pessoa boa e todos deviam ser como eu?
Ou ainda, de dizer à amiga(?) do homem que me despedaçou o coração que ele é boa pessoa e nunca lhe fará isso a ela?
De apoiar os familiares que precisam?

Não sei...
Mas cada vez mais me apercebo de quão pouco as pessoas me conhecem!
Ou de como me tornei especialista a disfarçar o que sinto e penso, e que as pessoas só conseguem ver realmente uma minúscula parte de mim, tal como no icebergue, em que a grande massa está escondida por baixo de água.
Cada vez me sinto mais sozinha, no meio de um imenso oceano de pessoas, de conhecidos, de amigos, família, colegas ou ex-colegas, que flutuam à minha volta sem realmente me conhecer.

Não esquecer também o aspecto masoquista da questão, em que apesar de sofrer, de estar em baixo, de tantas coisas que me fazem ou fizeram e que me magoaram, não consigo deixar de tentar ajudar as pessoas que me pedem ajuda. Mesmo as que me magoaram, mesmo as que me usaram de alguma forma.
Não tenho nem nunca tive, como já referi anteriormente, vocação para santa!
Só pode ser doença, patologia, masoquismo do mais puro!
Que outra forma de explicar esta mania de esquecer as minhas mágoas, disfarçar com um sorriso e uma piada a dor que vai na alma, esquecer as facadas e as cicatrizes e continuar a tentar ajudar os outros?
Ou pelo menos tentar consolá-los, não lhes dar preocupações, facilitar a vida, ...
Estar disponível sempre que necessário, prescindir do meu tempo ou vida para apoiar quem precisa, mesmo que não me seja próximo...

Talvez seja esta mania de resolver sozinha as minhas coisas, de esconder o que sinto, as cicatrizes ou as facadas, as desilusões que me fazem sentir tão sozinha no meio da multidão.
Talvez seja esta mania de ignorar o que sinto para ajudar quem precisa que faz com que não me sinta realmente próxima de ninguém ou de nada.
Ou talvez seja o facto de me aperceber que as poucas vezes que deixo cair a "mascara" acabo mais magoada ainda, e que realmente a maioria das pessoas não vale esse esforço nem se preocupa em saber o que há por trás...
Mas o mais provável é que seja algo que está tão enraizado, que vem de há tantos e tantos anos, que já nem sei reconhecer o que sou.
Já não sei mostrar os sentimentos reais, a dor ou a mágoa.
Já são tantos anos de atirar para trás das costas as coisas que magoam ou fazem sofrer, tantos anos a prescindir do que quero para que todos estejam bem... que se calhar o meu icebergue já só tem a ponta fora de água, o resto já só é um imenso vazio oco, sem sensações, sem pensamentos!
Tantos anos a mostrar uma imagem de força, de independência, que ela se tornou parte de mim.
E a verdade é que as poucas vezes, as raras vezes, que deixei esse papel de "forte", acabei por sofrer mais do que se o tivesse mantido - o que prova que mais vale estar só e não me magoar, do que mostrar a realidade!

Vou conhecendo pessoas, tendo novas experiências, aprendendo novas coisas, mas a sensação persiste.
O isolamento, a solidão no meio de tanta gente, a sensação de ser um fantasma que atravessa a vida sem que nunca olhem bem para ele, é algo que ciclicamente aparece.

E tudo isto é a enorme contradição que me caracteriza enquanto pessoa!
Pois enquanto me sinto sozinha no meio da multidão, enquanto represento o meu papel de forte e independente, enquanto escondo as fraquezas e receios submersos num oceano de água, acredito e vivo a minha vida ao máximo, em que cada oportunidade é única e deve ser explorada e vivida ao máximo!
E quando vivo as coisas que me acontecem... não penso na mágoa que podem trazer, nem na dor que podem causar - simplesmente vivo.

Não penso nisto como sendo depressão, não é algo que se trate com comprimidos e se envie a pessoa de volta para o "mundo". É algo que já é intrínseco a mim. Faz parte de mim, do que eu sou.
Não sei se esta "dor", esta sensação de solidão algum dia desaparecerá.
Não sei se algum dia o icebergue terá mais fora de água que aquilo que está submerso.
Mas sei que cada vez mais aprendo a viver com isso, com esta sensação, aproveitando os momentos que posso, ignorando os que magoam e tentando ser feliz, de alguma forma!

Porque apesar de tudo, desta solidão, desta sensação de "invisibilidade", de não me conhecerem pelo que sou e como sou, sou feliz!
Ou quero ser feliz!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Depressão - a doença mais comum nas mulheres?

Como tanta gente me diz ultimamente que sofro de depressão (pelos meus ocasionais momentos de tristeza... ok... um pouco mais frequentes nestes últimos tempos, mas perfeitamente superáveis), fui novamente ver o que se chama de depressão (neste caso seria por "amor") no meu blog de psicanálise preferido (e eu que até nem acredito muito nisso e penso que cada um deve ter a força de sair de seus "buracos" ou tristezas por si e para si...).
Mais uma vez vou tentar adaptar o texto brasileiro (e para ti B, que achas que os brasileiros tem uma visão simplista das coisas... eles também são os que mais pensam nisto...)

Depressão... onde está o desejo?
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a depressão é o mal mais comum entre as mulheres, superando o câncer de mama e doenças cardíacas (Revista Veja de Março de 1999 - Brasil).
O peso da depressão na ocorrência de enfarte é tão grande que ela passou a ser factor de risco isolado pela Federação Mundial de Cardiologia (Revista Veja de Maio de 2002 - Brasil)
Comparando essas informações constatamos que a depressão é um mal que cresce diariamente, isso quer dizer que a cada hora mais pessoas deixarão de fazer as suas actividades, de concluir tarefas, seus actos diários, não encontrando mais prazer em seu quotidiano.
E será que isso aparece de um momento para outro?
Não!
O deprimido é aquele que vai ao longo de sua vida cedendo em seu desejo, abrindo mão de seu prazer até o ponto onde, para muitos, não é possível levantarem-se da cama;
aliado a isso tem também emagrecimento, dores e muita tristeza, mais do que tristeza, nos dizem sentir "uma dor profunda na alma, que não sei de onde vem"; "tudo é cinza, e não importa se o dia está ensolarado"; "eu não vivo, me arrasto a cada dia"; esses são os ditos que escutamos dos pacientes que nos procuram.

Existe algo que caracteriza a depressão que é uma tristeza imensa e o fato de que o sujeito abandonar o que fazia diariamente, não encontrando forças para seus afazeres do dia-a-dia.
Até chegar ao consultório de um psicanalista, o sofredor se entupiu de medicamentos - alguns com eficácia e outros não – sendo tratados organicamente para equilibrar a química cerebral que estava desregulada, mas a maioria das vezes não falaram sobre a dor e angústia do que sentem, e alguns médicos são unânimes em reconhecer que os pacientes não podem ser tratados somente com medicamentos, precisam falar e descobrir o sentido do que lhe aconteceu.
Essa doença da alma, como é chamada, é a quinta maior questão de saúde pública e em 2020 segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) deverá ser a segunda causa de morte.
Podemos dizer que a depressão é uma das patologias do dizer.
O psicanalista francês Jacques Lacan diz que se trata de uma cobardia do desejo frente a seu desejo.
Mas será que existem no mundo 330 milhões de cobardes, sendo destes 10 milhões somente no Brasil?
Não é dessa cobardia que falamos, mas da dificuldade que o sujeito tem diante de seu desejo, esse que é inconsciente e difere da vontade consciente.
Se o desejo não fosse enigmático como poderíamos explicar o fato das pessoas dizerem que querem que tal coisa aconteça e que trabalham totalmente no caminho contrário disso?
E aqueles sujeitos que adoecem justamente no momento que conseguem realizar algo em sua vida?
Escutamos dos pacientes que chegam com a queixa de depressão, que caíram nessa doença num momento significativo de suas vidas: morte de um parente, perda ou ganho de um amor, emprego, nascimento de um filho, saída dos filhos de casa, etc.
Nunca é sem um entrelaçamento com algo acontecido.
Também verificamos, que ao longo do tempo esses sujeitos se foram calando, fazendo o que os outros queriam, pediam ou determinavam, e que em relação ao desejo deles se foram amortecendo, usando uma mordaça invisível em sua boca, mas visível quanto às consequências mostradas em seu corpo.
Alguns até se apresentam como "depressivos crónicos" onde dizem que nada , nem ninguém poderá tirar isso dele, sendo às vezes a única coisa que sobrou, pois já perderam todo o resto: trabalho, namorado, estudos etc.
E existem saídas?
É possível que o sujeito retome sua vida, seu desejo?
O que vimos na clínica é que, à medida que esses pacientes vão falando do "mal-dito" se vão encontrando em seus dizeres, vão mudando o seu discurso e "desenlouquecendo" a química cerebral.
Onde podem articular o seu corpo à sua fala, não mais se colocando como massa corporal orgânica, mas como um corpo que é afectado pelo dizer, pelo discurso, ou de outra forma, pelo simbólico, esse registro que nos tira da animalidade.
É falando que esses pacientes descobrem o curto - circuito de suas falas e colocam seu corpo em outro lugar, no verbo.
Dra_Andreneide DantasPsicanalista
in: http://psycneuro.blogspot.com/

Bem... se analisar muitas das coisas ditas... eventualmente até terei passado por uma fase de depressão. A perda de peso, a tristeza, a vontade de não fazer nada...
Mas fazendo uma análise racional (e não emocional... que é o que faço na maior parte das vezes... de forma impulsiva)... até foi/é bom que isso tenha acontecido!

  • A perda de peso foi ideal (estava a precisar e pela primeira vez fiquei sem apetite em vez de me enterrar em comida rápida);
  • A vontade de não fazer nada fez com que percebesse que não era feliz com o que fazia e me levasse a procurar novas alternativas (se não de trabalho ou de profissão, pelo menos de algo que me fizesse feliz, ocupasse o meu tempo e a minha cabeça - a escrita)
  • A tristeza - faz parte da vida. Todos tem altos e baixo. O que interessa é terem a força de sair deles. E mesmo que sejam como eu (uma pessoa que não fala dos seus problemas ou tristezas), a escrita permite "desabafar", permite que os outros saibam o que sentem, sem aquela pressão do "Estás bem?", "Vamos falar disso", "Tens de falar para resolver". É perfeito poder escrever... ajuda a tristeza a voltar para o fundo do coração, permite analisar o porquê de existir e procurar a cura... e se forem como eu e escreverem no vosso blog... permite que os outros a partilhem de forma indirecta convosco, sem terem de a reviver a cada vez que falam nela.

Por isso, se pensarmos bem... uma depressão de vez em quando até faz bem! Faz-nos crescer, ficar mais fortes - sermos melhores pessoas no futuro!
Viver sempre felizes e satisfeitos, não será uma forma de utopia maior do que viver numa nuvem?
Não são "as coisas que não matam, engordam" que nos fazem ficar mais fortes, crescer como pessoas? E reconhecer as nossas fraquezas não nos ajuda a aprender a superá-las (ou aceitá-las)?
Por isso digo e confirmo...depois de uma tempestade, devemos olhar para as nuvens e o céu azul, pois há sempre nuvens livres para onde subir! Há sempre o sol e o mar! De que adianta ficar triste ou deprimido quando há tanta coisa bonita para se ver e viver?

Sozinha no meio da multidão

Tenho frio!
Muito frio... daquele frio que está nos ossos, no coração, na alma... que não sai... que nem o sol consegue aquecer.

E estou cansada! Tão cansada!
Estou cansada de se idealista, de confiar nas pessoas, de acreditar... de lutar... de ser forte... de ser "extrovertida"... uma querida... aceitar todos pelo que são.

Sinto-me vazia, esgotada... no limite das minhas forças.
Mas não posso nem vou ceder!

E é triste sentir isto e perceber... que ninguém me conhece verdadeiramente.
Por vezes, se penso nisso... é incrível como as pessoas "compram" a imagem que lhes vendo.
Como se podem enganar sobre aquela imagem de força... de alegria... o famoso sorriso que encerra o não menos famoso mau-feitio.

E sinto-me sozinha! Mais sozinha do que nunca!
Cansei de ser quem os outros pensam que sou, ou querem ver:

A pessoa forte e em quem toda a família pode confiar para ajudar nos problemas, apoiar, estar lá quando mais ninguém está.
A filha, irmã, neta, sobrinha que está sempre bem... que aceita as "bofetadas", maus tratos e más disposições de toda a gente e ainda dá a outra face e o chicote se for preciso... e que nunca se queixa de ser a última prioridade de todos (porque os outros tem muito mais problemas... ou se calhar é porque vivem para eles e eu não...), que não se importa de ser a menos importante... afinal é para isso que sou tão indepente e forte, certo?
A funcionária exemplar, que se mata a trabalhar para que tudo esteja feito (e bem feito, que se é para fazer, mais vale fazer bem) a horas, mesmo que para isso se sacrifique a vida pessoal.
A líder exemplar, que consegue formar equipas, levar as pessoas a darem o melhor de si... e mesmo assim respeitar a sua individualidade e carácter, pondo-se em primeiro lugar para poupar quem ainda tem vida e é mal pago (eu sei que assim nunca irei a lugar nenhum).
A responsável que cumpre e supera objectivos, mas que é penalizada porque não era o modelo e chefe que se queria - uma pessoa que não faz nada e diz sim a tudo...
A desportista que quer fazer algo pelo desporto que ama... e que só tropeça em pedras e obstáculos... que é usada e abusada sem sequer um agradecimento, mas persiste no seu idealismo.
A amiga que está lá quando precisam... mas que quando precisa descobre que está sozinha... pois parece que se não se for dizer às pessoas que se está mal... eles não conseguem ver isso.
A pessoa que se apaixona perdidamente e acredita em tudo o que lhe dizem... e que é atirada para o meio duma auto-estrada, de um carro em movimento, como um animal que se abandona porque já não temos tempo ou paciência para gostar dele.
A namorada que aceita os defeitos e as dificuldades, que está lá para apoiar... que é magoada mas compreende que as pessoas são diferentes... que luta pelo amor que sente... e perde sempre...
A pessoa que é pior que os palhaços do circo, que vai a eventos sorrir e animar os outros, quando tem a alma a sangrar.
A idealista que acha que as pessoas são boas e que com comunicação tudo se resolve. Apenas para se aperceber que embora ela comunique... os outros não o fazem e ela é que fica mal...

Cansei de ser assim... da dor que implica... do frio que se sente. E o pior é que não sei mudar.
Faz parte de mim... esta coisa de pensar nos outros para evitar pensar em mim. De encontrar quem precisa de ajuda para evitar pensar que eu queria era ter alguém que o fizesse por e para mim.
Cansei de acreditar ... de sonhar... e de acordar sempre com a realidade...quem precisa de espaço... acaba sozinha no meio da multidão, pois ninguém presta atenção aos seus gritos surdos... estão todos demasiado distraídos e absorvidos nos seus problemas.

Eu sei que passa... sempre passou...
Mas com o passar dos anos e as nódoas negras... vai custando mais e mais a passar...
A multidão é cada vez maior... e eu sinto-me cada vez mais pequena... cada vez com mais frio... cada vez mais sem voz...

E não há lareira ou aquecedor que me tire este frio da alma, dos ossos, do corpo...

Só me resta esperar que venha o calor... e que consiga enterrar novamente este frio... e voltar a ser aquela pessoa que esperam que seja... que não dá problemas a ninguém... que está sempre a rir... que está sempre disponível, mesmo que implique ser pisada uma e outra vez.

Há sempre a esperança de um dia a minha nuvem ficar mais perto do sol... e assim poder estar sempre quente... mas cada vez duvido mais...
E a cada dia... a cada nova desilusão... a cada nova "facada"... a cada nova descoberta da realidade... sinto que ela em vez de ir em direcção ao sol... vai em direcção ao pólo norte... e eu estou só de calções e t-shirt...

sábado, 12 de abril de 2008

Medo

Hoje tive, talvez não pela primeira vez... mas mais uma vez, noção do quanto é efémera a nossa vida… e do peso que as nossas acções (ou ausência delas) pode ter nas pessoas que nos rodeiam.
Do medo que sentimos com a hipótese de perder alguém que nos é muito querido ou próximo!
E de como é difícil viver sozinho, ou estar perto de alguém que viva sozinho.
Apercebi-me do medo, do receio que a minha família (especialmente a minha mãe e madrinha) têm por a minha avó morar sozinha.
A ansiedade que se gera quando não há resposta no telefone, quando não sabem onde ela está ou o que está a fazer... pois vive sozinha, tem uma certa idade (apesar de ela só usar esse argumento quando lhe convêm mais... é esperta a minha avó) e se lhe acontece alguma coisa... como é que os outros vão saber?
Também eu tenho a minha mãe e o meu pai a viverem sozinhos... e detesto pensar que algo lhes pode acontecer e eu não sei ou não posso ajudar!
É verdade que nunca tinha pensado muito nisso até hoje (estou tão habituada a viver sozinha, a andar sempre com o telefone, ...), mas a verdade é que quem mora sozinho deve ter algumas precauções - para não causar MEDO aos seus próximos.
O meu pai... está sempre a ser contactado por amigos, conhecidos, alguém próximo. Mas tem a mania que é forte, que não precisa de ajuda... Mas também não reconhece que está em depressão, não se trata (é sempre mais fácil diagnosticar os outros)... mas será que toma providências para estar sempre contactável, ou se poder chegar a ele se um dia lhe acontecer alguma coisa? Sei que tem uma boa amiga que se preocupa com ele... mas será o suficiente? E ele nunca fala... acha sempre que está tudo bem e que vai ficar bem!
A minha mãe preocupa-me bastante mais, pois ela nunca diz nada!
Fala da minha avó (mãe dela)... mas ela está cada vez mais surda, fecha-se no seu escritório, sem telefone, sem ouvir a campainha, ... nada. Pior, de chave na porta - o que inviabiliza toda e qualquer assistência se um dia lhe acontecer algo, pois há que chamar bombeiros (mais tempo que se perde), médicos... família!
Devo assumir que eu também tenho esse mau hábito de ter sempre a chave na porta de casa (como talvez o tenha a maior parte das pessoas que moram sozinhas)... mas será que estou a ser idealista quando digo que ainda sou nova, ouço bem e ando sempre de telemóvel? Que nada me vai acontecer em casa?
De que serve as pessoas tomarem medidas de precaução (darem as chaves a porteiros, amigos, vizinhos... terem telefones, colocarem campainhas audíveis, etc.), se depois as inviabilizam?
Lembro-me perfeitamente do stress que é para a minha mãe ou madrinha quando a minha avó não consegue ouvir a campainha da porta e deixou o telefone noutra divisão!
Para solucionar isso, colocámos telefones em todas as divisões e uma campainha com um som bem alto no escritório, onde passa os dias. Mas a seguir, "inteligentemente", deu-se-lhe um telefone sem fios... e ela ficou só com esse e desligou os outros! Voltámos a ter mais do mesmo, pois ela esquece-se de o levar consigo!
Tinha (e têm um telemóvel)... mas são mais as vezes que não o ouve ou que se esquece do que as que o leva com ela.
Ou seja... há um problema, soluciona-se... mas depois inviabiliza-se a solução!
No caso da minha mãe é exactamente a mesma coisa (é tão verdadeira aquela expressão do "tal mãe, tal filha")!
Em vez de ter um telefone em cada divisão, tem um telefone sem fios que nunca leva com ela para onde vai... e que fica sempre esquecido numa qualquer divisão!!!
Tem um telemóvel que, quando está carregado... é mais frequente ficar esquecido num casaco ou numa mala do que andar perto dela (para não dizer... noutra divisão da casa). E se andar com ela... pode ser que se tenha sorte e ela ouça!
E não tem uma campainha audível (pelo menos por uma pessoa com problemas de audição), num apartamento em que a porta de entrada fica distante da outra ponta da casa onde ela está... de porta fechada!
Ahhhh ... e já me ia esquecendo - voltamos ao tal mãe, tal filha -, tanto a minha avó como a minha mãe têm sempre a chave na porta (o que no caso da minha mãe inviabiliza a entrada em casa).
Se aliarmos a isto anti-histamínicos, surdez, cansaço... que tipo de sentimentos pode/deve ter uma pessoa que não consiga contactar com ela(e)(s)?!
Todas estas "reflexões" são destinadas a reflectir sobre como devemos agir quando se mora sozinho - usando a minha experiência pessoal!
Se não queremos colocar em pânico os nossos familiares, vizinhos ou amigos mais próximos... ou gastar dinheiro em bombeiros, INEM ou estar a fazer perder tempo ao 112... podemos tomar algumas medidas simples (isto na minha maneira simplista de ver as coisas, assumo):
==> Se um telefone sem fios é manifestamente insuficiente (as pessoas mais distraídas esquecem-se de andar com ele) - coloquem um telefone sem fios em cada uma das divisões que costumam utilizar mais (quarto, cozinha, sala, casa de banho, ...). Hoje em dia é muito fácil ter uma rede de telefones sem fios ligada entre si.
==> Se tem um telemóvel... tentem andar sempre com ele, ou colocar no sítio da casa que mais frequentarem. Coloquem campainhas de porta a tocar nas divisões que mais utilizam, ou mais distantes da porta da entrada (no meu caso pessoal - escritório e casa de banho)
==> Nunca coloquem a chave na porta se estão em casa (pelo menos durante o dia), se a vossa porta impedir o acesso exterior quando a chave está na porta - para facilitar o acesso a família ou socorro.
==> Tenham o hábito de comunicar sempre com alguém a horas mais ou menos certas (a ausência desse contacto vai alertar as outras pessoas para a possibilidade de se passar algo). Se algum dia estiverem indisponíveis, avisem o vosso contacto com antecedência.
Se tem problemas de audição ou de memória ou se vivem sozinhos, estas são algumas coisas simples que podem ajudar a que estejam sempre contactáveis (ninguém está livre de escorregar na casa de banho, de se sentir mal, ter uma paragem digestiva, etc., etc. - e estou a bater em madeira quando digo isto, por isso não se preocupem que não estou a agoirar ninguém) e a tranquilizar aqueles que vos são próximos (muitas vezes os vossos próprios vizinhos, se tiverem a sorte de viver numa casa, prédio ou zona com uma boa vizinhança).
Todas estas pequenas coisas evitarão que passem pelo susto que passei hoje, sintam o MEDO que senti... a sensação de vazio, de perder alguém querido... quando no fundo a pessoa pode só estar... a dormir!
E se as pessoas que conhecem e que moram sozinhas não tiverem estes hábitos, ou medidas de segurança (especialmente se já tiverem uma certa idade (sim... quando estão quase a ter direito ao cartão do idoso é pior) e/ou forem casmurros ou teimosos como os meus pais e avó) - "Batam-lhes"!!! Até perceberem que escusam de assustar os outros! Pode ser que "à bruta" percebam :-)

domingo, 6 de abril de 2008

Sozinha no meio da multidão?


Recebi estas imagens de uma pessoa especial e, ao mesmo tempo, hoje li uma das crónicas do António Lobo Antunes em que ele falava de uma relação de amizade com um amigo que tinha morrido.
E as duas coisas fizeram-me pensar no quanto as pessoas são ou se sentem diferentes daquilo que os outros observam ou acreditam.
Nestas imagens, que adoro... e não coloquei pela minha ordem de preferência, podemos ver animais que se fazem passar por outros.
Tirando a piada das fotos e o trabalho feito, faz-me pensar que é uma realidade que se aplica à nossa vida diária.
Quanto de nós não conhecemos dezenas de pessoas (no trabalho, na nossa vida diária) que procuram passar por algo que não são?
Quantos conhecem pessoas que projectam uma imagem completamente diferente daquilo que são... muitas vezes apenas por uma questão de se integrarem no grupo?
Claro que muitas o fazem para se integrarem, para fazerem parte de algo. Outras para se esconderem numa realidade que não e a sua e assim não assumirem os seus problemas ou "limitações". E existem as que encaram este "personagem" como um desafio, uma forma de conhecerem novas realidades.
Na crónica do Lobo Antunes, ele falava de como o amigo dele (de infância) o conhecia bem e convivia com isso. Fala de como o amigo era sociável, extrovertido e de como ele próprio se sentia um bicho-do-mato, sem gosto pelas grandes reuniões sociais, pelo convívio com as multidões. E da inveja que sentia de não conseguir ser assim.
As duas coisas fazem-me reflectir na minha própria maneira de ser...e na ilusão que as pessoas que não me conhecem (quase todas) têm.
A maioria das pessoas conhece-me na minha função social/profissional. Ou no trabalho (como Responsável de Comunicação ou como Chefe de Vendas, Formadora...), ou em provas desportivas e Torneios (como treinadora, jogadora, RP, locutora, guia, ....). Tudo isto são actividades em que eu "visto a pele" da pessoa que tenho de ser. A pessoa extrovertida, alegre, que procura que tudo corra pelo melhor, que se alcancem os objectivos, que nada falhe, todos estejam bem, etc. Ahhh... e tudo isto porque... estou no meu mundo. Naquilo que me apaixona. No que gosto de fazer.
Depois há a outra pessoa. A que tem de lidar com os grandes grupos de gente desconhecida, as festas de amigos em que não se conhece metade deles... e aí... tenho muita inveja de pessoas como a minha amiga Clara. A Clara é uma das minhas amigas mais cultas, mais inteligentes, mais amiga das pessoas de quem gosta. No entanto, num primeiro contacto muitas pessoas acham que é uma pessoa fria, distante... por vezes até pretensiosa (se estiveres a ler Clarinha, desculpa). Apesar disso, é uma pessoa que está à vontade em qualquer situação, consegue manter uma conversa com qualquer pessoa e está... bem. Em pouco tempo consegue saber tudo sobre a pessoa com quem está a falar e mostra verdadeiro interesse por elas (mesmo que não o tenha).
Eu não sou assim. Eu sou um "Lobo Antunes". Uma pessoa que está sozinha no meio da multidão. Uma pessoa que é extremamente tímida (sim... eu sei... sou uma excelente actriz) e que se sente extremamente desconfortável no meio de uma multidão de pessoas ou em situações desconhecidas. Fico sem saber do que falar... não me lembro de nada de relevante que a pessoa tenha dito... e ou "visto novamente a pele" daquela pessoa extrovertida e comunicativa e sociável... ou acabo por ficar sozinha e sem graça.
Parece muito contraditório (sim... eu sei que sou assim)... ou que faço um esforço quando estou a fazer locuções, ou a vender as minhas ideias ou projectos, etc. Na realidade não custa nada. É algo que faço com paixão e que gosto. E que, mesmo que não seja a minha maneira de ser... é algo que já sai naturalmente.
As imagens (algumas) fazem-me sentir exactamente como aqueles animais... tentando ou mostrando ser uma pessoa que nem sempre sou eu... para não destoar... para me integrar (na empresa... no grupo onde estiver na altura)... mas sempre mostrando que não é um elemento daquele grupo... que só está a usar algum tipo de disfarce para se integrar.
E a verdade é que... se a pessoa não se sente bem na sua pele e se está a esforçar por ser algo que não é... ao fim de um certo tempo a realidade ganha e a pessoa acaba por se revelar na sua verdadeira natureza.
Uma vez perguntaram-me, na fase final para um emprego, como eu me descreveria. Foi fácil :-)Depois perguntaram como os meus amigos e colegas me descreveriam. Fácil na mesma... mas completamente diferente do que eu disse de mim (sim... também sei que sou muito exigente e critica comigo mesma... é feitio, não defeito). A seguir ele disse-me uma coisa que nunca mais esqueci e que procuro aplicar cada vez mais na minha vida:
"Paula, já percebeu a energia que gasta a projectar essa imagem que não é a sua? A energia a transmitir uma coisa que no fundo não e a Paula? Não é um desgaste enorme ao fim do dia, da semana?"
A realidade é que nunca tinha, até essa data, percebido as coisas dessa forma.
E no entanto, com a idade (a PDI não perdoa a ninguém) percebo o desgaste que é tentar agradar a toda a gente... e assumo que é melhor ser eu (única, diferente, criança, adulta, madura, imatura, forte, fraca, exigente, perfeccionista, mau -feitio, sorridente, ...), com tudo de mau e de bom... do que tentar ser outra coisa que não... sozinha na multidão!
Por isso... agradeço o texto do Lobo Antunes, que me acordou de novo, e as imagens lindíssimas que me fizeram sorrir (rir algumas) e perceber que... cada um é como cada qual... vestimos é a pele que nos convêm, quando precisamos :-)
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