Um blogue criado para partilhar pensamentos, alegrias, tristezas... o que acontece quando se vive numa nuvem... e por vezes se cai ao chão.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
3/365 - A solidão
"Talvez fosse o final da solidão, pensei, não sabendo ainda que era apenas o princípio" - João Tordo.
Guerra antiga, esta. Uma vida inteira sozinha. Sem amarras. Sem pertencer a lado nenhum. Sem me sentir suficiente para fazer ninho. Um coração sedento de carinho, vazio de tudo. Ainda assim, um coração disposto a dar. Um coração disposto a partir-se em milhares de bocadinhos. Prefiro isso a não sentir. Até podia resguardar-me e defender-me e montar toda uma muralha à minha volta, tornar-me inatingível, inalcansável, impenetrável. Mas, e depois? Isso é viver? Isso é alguma coisa? Para mim, não. E sei que esta falta de defesas me torna um alvo fácil. Sei que estou mesmo a jeito de me estraçalhar em menos de nada. Já aconteceu. E depois? Depois juntei os bocadinhos e colei-os como pude. Ficaram resquícios, claro que sim. Ficou aquela certeza de que nunca serei suficiente. De que haverá sempre um "mas" guardado para mim.Tenho sido talvez demasiado transparente nesta fase que estou a passar. Não tenho escondido os danos. Não tenho fugido do mundo. Não tenho fingido. Dei o corpo às balas. E morri.Tenho tentado conhecer-me neste processo. Sempre disse que era bicho do mato, solitária e abandonada. Demorei a perceber que sou eu que afasto as pessoas. Que sou eu que não me apego. Não me agarro. Porque não acredito que alguém queira agarrar-se a mim. E deixo-me ficar. Sossegada e sozinha no meu canto. Agora, talvez demasiado transparente, tenho recebido coisas de sítios que eu achava que nem sabiam que eu existia. Amigos antigos, que o tempo e a vida levaram para longe, voltaram para me dar um carinho. Para me dar força. Para me dizer que vale a pena. E eu... eu fujo. Aceito o que me dão, mas não me deixo ficar. Finjo que está tudo bem, não quero que as pessoas se incomodem comigo e saio de cena. Porque acho sempre que não mereço que percam tempo comigo. Porque nunca ninguém me olhou nos olhos para me dizer "quero-te aqui comigo". Seja de que forma for. Ou talvez o tenham feito e eu não tenha visto. Ou talvez eu tenha tanto medo de ser abandonada, deixada para trás, rejeitada que não faço casa em lado nenhum.Sou a pessoa mais carente que conheço. E tudo o que eu queria era aprender a aceitar o que me dão e a não pedir nada. Mãos abertas para aceitar o que chega, mãos abertas para deixar voar o que não quer ficar. E um abraço apertado no final da solidão.
A verdade é que, como ela, com o tempo aprendi a fingir cada vez melhor. Mesmo aqueles que me conhecem bem (ou pensam que sim) dificilmente conseguem perceber se estou bem ou mal. Aprendi que é melhor estar sempre bem, aprendi que não está lá ninguém quando preciso de ajuda, porque aprendi que tenho de ser a força motor que puxa tudo e todos.
E não faz mal.
Faz parte da vida (pelo menos da minha).
Como ela, nunca consegui fazer parte de nenhum grupo, nunca consegui sentir que me integrava, saltitava de lado para lado como borboleta - e sempre acharam que era uma fantástica RP :)
Sempre ouvir que "és tão forte", ou "aceitas tudo tão bem", ou "não sei como consegues"... sem mostrar absolutamente nada se me estão a magoar ou a deitar abaixo com negativismos e toxicidade é uma arte que fui aperfeiçoando ao longo dos anos!
Talvez seja assim, talvez sejam fases, talvez seja necessário ser assim... quando se tem filhos não nos podemos ir abaixo, quando temos um pai em constante depressão e que depende de nós para (quase) tudo não podemos fraquejar, quando a super-mulher que é a nossa mãe já está cansada de levar o mundo aos ombros e mostra claros sinais de depressão, temos de a apoiar e não sobrecarregar mais...
Mas se pensar bem, a verdade é só uma: não vale a pena que se incomodem comigo, eu estou bem, estou sempre bem - são 33 anos de aprendizagem :)
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Pensamentos
Como se faz isso?
Diz-se... estou triste, ajuda-me?
Estou doente, apoia-me?
Ou espera-se que as pessoas que nos rodeiam e conhecem percebam os sinais?
E nos ajudem porque gostam de nós e se preocupam e não porque lhes pedimos!
Assumo que não sei pedir ajuda, nunca soube!
Sou melhor a ver os problemas dos outros e a ajudar, porque não preciso que me digam que estão mal... observo e "ofereço-me", arranjo maneira de estar presente.
Talvez seja educação, talvez seja sentimento, talvez seja feitio ou defeito.
Mas nunca consegui pedir ajuda, porque nunca ninguém precisou de ma pedir para a obter.
Há alturas em que uma pessoa se sente sozinha, se sente em baixo, cansada, doente.
Há outras em que está cheia de energia, sorridente, confiante.
Se não precisamos anunciar ao mundo que estamos bem e felizes, se não precisamos pedir aos amigos e a quem nos rodeia que esteja connosco quando estamos bem, porque o devemos fazer quando estamos mais em baixo?
Porque estamos rodeados de pessoas quando estamos felizes e bem, mas quando estamos cansados ou doentes ficamos sozinhos e nos cobram o facto de não pedirmos ajuda?
Porque nos aceitam quando estamos bem e nos criticam quando estamos mal?
Porque não precisamos dizer estou feliz para estarem connosco, mas precisamos dizer estou mal preciso de ti?
Se calhar devia ter seguido outra área de estudos/profissional, ou se calhar sou egoísta demais e prefiro resolver os meus dias maus sozinha.
Se calhar estou tão habituada a ajudar os outros sem que mo peçam ou precisem de sinalizar que me esqueço de mostrar os sinais de cansaço.
Não sei...
Mas sei que quando uma pessoa está em baixo, a solução não é nem nunca foi perguntar o que se pode fazer!
É como vermos que uma pessoa não parece estar bem e insistirmos "Estás bem?", "O que tens?", etc...
Isso não ajuda, pois se a pessoa estava bem ou mais ou menos, estas perguntas só pioram.
Perguntar "O que posso fazer?" não é nem nunca foi a solução para nada.
Quando se quer ajudar alguém, ou apoiar, ou seja o que for, basta estar presente!
Basta não julgar, não criticar, estar presente!
Apoiar ou ajudar alguém que não esteja bem é, simplesmente, fazer algo, dizer algo, mostrar que se está lá e se aceita que a pessoa não esteja bem, ou cansada, ou triste, ou doente, ou o que for!
Porque qualquer pessoa que não esteja feliz (alguém é verdadeiramente feliz?) só precisa de saber que a aceitam como é. E quando quiser falar, melhorar, superar... é ela que toma a iniciativa de falar, ou superar, ou esquecer.
Porque, simplesmente, algumas pessoas conseguem superar as coisas que sentem ou vivem sem precisar de falar delas, só por saberem que estão rodeadas de pessoas que as amam como são, com dias bons e dias maus, com doenças ou saudáveis, tristes ou felizes.
Superar as coisas não é dizer "ajuda-me" ou "faz isto"!
É saber que nos podemos apoiar em alguém sem sermos julgados, analisados, criticas, censurados, apiedados, por isso!
E mais importante que aquele que nos aprecia pelo nosso lado bom, é aquele que está presente quando o nosso lado mau se revela!
Para isso é importante acompanhar as pessoas que amamos. Saber como estão, ultrapassar pequenas questões que se calhar nos afectaram em momentos em que nós também não estávamos bem.
Para se ajudar e apoiar alguém que esteja triste, cansada, doente... se calhar é preciso esquecer coisas que nos magoaram, nos afectaram... porque o importante é que a pessoa que amamos, o amigo, a família... precisa de nós!
E mais importante que tudo - seja quem for que esteja nessa situação, não precisa falar!!!
Porque sabemos o que fazer para que se sinta melhor!!!
Sem julgar, sem criticar, sem pensar!
Já dizia o poeta "Ama-me quando eu menos o merecer, pois será quando mais precisarei".
É só o que uma pessoa precisa!
E isso, não se pede - sente-se!
Porque sabem o que é mais triste do que estar triste, cansado, em baixo?
É perguntarem-nos o que podem fazer para melhorar, voltarmos a ser o que éramos!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Cansada
Estou cansada de tentar resolver os problemas de todos
Estou cansada de ser optimista
Estou cansada de "apanhar" pelos erros dos outros
Estou cansada de ter de andar felliz
Estou cansada de ser compreensiva
Estou cansada de ser um ombro e não ter nenhum
Estou cansada de ser a confidente/a melhor amiga
Estou cansada de ser compreensiva
Estou cansada de de procurar a felicidade
Estou cansada de me sentir sozinha
Estou cansada de "tapar-buracos"
Estou cansada de ser usada
Estou cansada de estar sempre disponível
Estou cansada de me sentir sozinha
Estou cansada de não ter ninguém à minha espera quando volto
Estou cansada de me desgastar para que tudo esteja bem
Estou cansada de ser invisível
Estou cansada de viver pelos outros e para os outros
Estou cansada de guerras, intrigas
Estou cansada de invejas, desunião
Estou cansada de perdoar e esquecer
Estou cansada que as pessoas só olhem para elas
Estou cansada de me sentir egoísta quando quero mais ou penso em mim
Estou cansada de ser aquilo que todos esperam que seja
Estou cansada de mentiras, fingimento
Estou cansada de trabalhos que não me dizem nada
Estou cansada de "ter" de ser mulher, amiga, amante
Estou cansada de viver para pagar contas
Estou cansada de tentar mudar o mundo
Estou cansada de lutar contra obstáculos imbecis
Estou cansada de burocracia, de aparências
Estou cansada de guerras pelo poder, ambição, politicas sujas
Estou cansada de querer sonhar e viver presa na realidade
Estou cansada de cair da minha nuvem
Estou.... simplesmente cansada!
domingo, 5 de outubro de 2008
A solidão
Im sitting here
Thinking bout
How im gon-na do without
You around in my life and how am I
I gon' get by
I ain't got no days
Just lonely nights
You want the truth
Well girl im not alright
Feel out of place and out of time
I think im gonna lose my mind
[Chorus]
So tell me how you feel (im lonely)
Are you for real (so lonely)
Do you still think of me (i think of you)
Baby still (are you lonely)
Do you dream of me at night (like i dream of you all the time)
So let me tell you how it feels (its like everyday i die)
Wish i was dreaming but its real (when i open up my eyes)
Let me tell you how it feels (and don't see your pretty face)
I think that i will never love again
[Verse 2]
I miss your face
I miss your kiss
I even miss the arguments
That we would have from time to time
I miss you standing by my side
I'm dying here its clear to see
There ain't no you, God knows there ain't no me
Don't wanna live, I wanna die
If I cant have you in my life
[Chorus (repeat till end)]
So tell me how you feel (im lonely)
Are you for real (so lonely)
Do you still think of me (i think of you)
Baby still (are you lonely)
Do you dream of me at night (like i dream of you all the time, so lonely)
Oh let me tell you how it feels (its like everyday i die)
Wish i was dreaming but its real (when i open up my eyes)
Let me tell you how it feels (and don't see your pretty face)
I think that I will never love again
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Tristeza
Tristeza de compreender quão fugaz é o amor...
Tristeza de perceber que não adianta lutar quando se está sozinha na luta...
Tristeza de não ser capaz de sonhar...
Tristeza por estar numa nuvem negra e não branca...
Tristeza por querer dormir e não conseguir...
Tristeza por continuar a lutar contra moinhos de vento...
Tristeza pelas injustiças do mundo e da vida...
Tristeza pela ausência de palavras...
Tristeza pelas palavras que são só... palavras...
Tristeza pela dor que me atravessa o coração e a alma...
Tristeza pela hipocrisia e mentira que me rodeia...
Tristeza por ter de "crescer" e encarar a realidade...
Mas acima de tudo
tristeza por amanhã ser um novo dia sem ti!
domingo, 14 de setembro de 2008
Are you Lonesome tonight
E perfeita para estes dias.
Are You Lonesome Tonight?
Do you miss me tonight?
Are you sorry we drifted apart?
Does your memory stray
To a bright summer day
When I kissed you and called you sweetheart?
Do the chairs in your parlor seem empty and bare?
Do you gaze at your doorstep
And picture me there?
Is your heart filled with pain,
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?
I wonder if you're lonesome tonight
You know someone said that the world's a stage
And we each must play a part.
Fate had me playing in love with you as my sweet heart.
Act one was when we met, I loved you at first glance
You read your lines so cleverly and never missed a cue
Then came act 2, you seemed to change, you acted strange
And why I've never known.
Honey, you lied when you said you loved me
And I had no cause to doubt you.
But I'd rather go on hearing your lies
Than to go on living without you.
Now the stage is bare and I'm standing there
With emptiness all around
And if you won't come back to me
Then they can bring the curtain down.
Is your heart filled with pain?
Shall I come back again?
Tell me, dear, Are You Lonesome Tonight?
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Vazio
Mas a verdade é que, para além de não me apetecer ser analisada, me sinto vazia!!!
Vazia de sentimentos, de emoções, de vontades, ... de tudo!
Talvez seja cansaço (de não fazer nada, como dirão alguns, com razão), talvez seja tristeza de não ser correspondida, desilusão de ser sempre a última prioridade para todos, raiva de dar tudo e ficar com os restos, tristeza de esperar retornos que nunca chegam, de ser demasiado idealista e/ou romântica...
Pode ser de não dormir o suficiente... ou de dormir demais!
Não sei....
Mas... sinto-me oca, vazia, fútil.
Será que cansei de estar sempre a dar e não receber?
Será que me apercebi que sou egoísta e não o quero assumir?
Não sei...
Sei que não consigo encontrar um rumo, que não consigo encontrar paz, e que não consigo sentir uma emoção correcta ou verdadeira.
Sei que me sinto sozinha, abandonada... que queria ter alguém que se preocupasse comigo, que procurasse estar comigo, que sentisse quando preciso estar com ele...
Sei que um dia vai aparecer, mas neste momento sinto-me sozinha, mais sozinha que nunca!
Talvez seja por isso que hoje me sinto tão oca, tão sem sentir, tão.... falsa nas minhas convicções e paixões.
Talvez por ter compreendido que na verdade não tenho os amigos que queria ou pensava e que os verdadeiros amigos, aqueles que não me abandonavam, estão a milhares de quilómetros.
Talvez por sentir que não sei amar ninguém, ou sentir amada...
Também não importa, porque amanhã será outro dia, a véspera de mais um fim de semana sozinha no meio da multidão!
O sol vai brilhar e os sentimentos vão mudar, a vida continuar.
Amanhã vou sentir de novo, mas hoje.... não consigo!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Fugir
Um mundo onde não se sabe amar, onde se procura o interesse, o prazer imediato e instantâneo e se evitam discussões, comunicar, partilhar.
Tal como muitas outras pessoas, eu também tenho os meus momentos.
Aqueles em que acho que sou forte, invencível, linda, "poderosa", mas depois há os outros, de solidão, de fraqueza, de tristeza, de doença, em que descubro os verdadeiros amigos ou a força de um amor.
Tenho os momentos em que adoro o que faço, acho que nada me consegue derrubar, e depois tenho os outros, em que me encontro caída no chão, a odiar o que tenho de fazer para sobreviver.
E nesses momentos gostava de estar na minha nuvem, aquecida pelo calor do sol na ausência de braços que me confortem, observando as coisas, mas distante, sem as sentir, sem as viver.
Mas como não se pode viver numa nuvem, fica a intenção de fuga, uma e outra vez adiada, uma e outra vez superada pela força de viver, de ser mais forte que o cinismo e mentira que me rodeiam.
A cada vontade de fugir fica o optimismo que amanhã será um dia melhor, que amanhã o sol brilhará e vai conseguir aquecer-me, mesmo estando longe da minha nuvem, mesmo sem observar os aviões que passam, mesmo sem conseguir fugir...
E a cada grito de liberdade, a cada grito de "Foge!" vai renascer a esperança de encontrar aqueles braços que me vão fazer querer ficar e enfrentar a vida, como ela é em vez de como eu gostava que fosse!!!
sábado, 30 de agosto de 2008
Solidão
SOLIDÃO não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…
ISTO É CARÊNCIA
SOLIDÃO não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
ISTO É SAUDADES
SOLIDÃO não é o retiro voluntário que a gente se impõe às vezes, para realinhar os pensamentos...
ISTO É EQUILÍBRIO
SOLIDÃO não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsóriamente para que revejamos a nossa vida...
ISTO É UM PRINCÍPIO DA NATUREZA
SOLIDÃO não é o vazio de gente ao nosso lado…
ISTO É CIRCUNSTÂNCIA
SOLIDÃO É MUITO MAIS DO QUE ISTO.
SOLIDÃO É QUANDO NOS PERDEMOS DE NÓS MESMOS E PROCURAMOS EM VÃO PELA NOSSA ALMA…..
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Imortal
Sem nenhuma intenção especial, apenas porque gosto muito dela.
E apesar de a letra ter muito significado, não é dedicada a ninguém em especial e simultâneamente é dedicada a .....
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone
These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase
When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have
All of me
You used to captivate me
By your resonating life
Now I'm bound by the life you've left behind
Your face it haunts
My once pleasant dreams
Your voice it chased away
All the sanity in me
I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Sózinha no meio da multidão
De estarem todos a trabalhar?
Será de ontem me terem dito que eu era uma pessoa boa e todos deviam ser como eu?
Ou ainda, de dizer à amiga(?) do homem que me despedaçou o coração que ele é boa pessoa e nunca lhe fará isso a ela?
De apoiar os familiares que precisam?
Não sei...
Mas cada vez mais me apercebo de quão pouco as pessoas me conhecem!
Ou de como me tornei especialista a disfarçar o que sinto e penso, e que as pessoas só conseguem ver realmente uma minúscula parte de mim, tal como no icebergue, em que a grande massa está escondida por baixo de água.
Cada vez me sinto mais sozinha, no meio de um imenso oceano de pessoas, de conhecidos, de amigos, família, colegas ou ex-colegas, que flutuam à minha volta sem realmente me conhecer.
Não esquecer também o aspecto masoquista da questão, em que apesar de sofrer, de estar em baixo, de tantas coisas que me fazem ou fizeram e que me magoaram, não consigo deixar de tentar ajudar as pessoas que me pedem ajuda. Mesmo as que me magoaram, mesmo as que me usaram de alguma forma.
Não tenho nem nunca tive, como já referi anteriormente, vocação para santa!
Só pode ser doença, patologia, masoquismo do mais puro!
Que outra forma de explicar esta mania de esquecer as minhas mágoas, disfarçar com um sorriso e uma piada a dor que vai na alma, esquecer as facadas e as cicatrizes e continuar a tentar ajudar os outros?
Ou pelo menos tentar consolá-los, não lhes dar preocupações, facilitar a vida, ...
Estar disponível sempre que necessário, prescindir do meu tempo ou vida para apoiar quem precisa, mesmo que não me seja próximo...
Talvez seja esta mania de resolver sozinha as minhas coisas, de esconder o que sinto, as cicatrizes ou as facadas, as desilusões que me fazem sentir tão sozinha no meio da multidão.
Talvez seja esta mania de ignorar o que sinto para ajudar quem precisa que faz com que não me sinta realmente próxima de ninguém ou de nada.
Ou talvez seja o facto de me aperceber que as poucas vezes que deixo cair a "mascara" acabo mais magoada ainda, e que realmente a maioria das pessoas não vale esse esforço nem se preocupa em saber o que há por trás...
Mas o mais provável é que seja algo que está tão enraizado, que vem de há tantos e tantos anos, que já nem sei reconhecer o que sou.
Já não sei mostrar os sentimentos reais, a dor ou a mágoa.
Já são tantos anos de atirar para trás das costas as coisas que magoam ou fazem sofrer, tantos anos a prescindir do que quero para que todos estejam bem... que se calhar o meu icebergue já só tem a ponta fora de água, o resto já só é um imenso vazio oco, sem sensações, sem pensamentos!
Tantos anos a mostrar uma imagem de força, de independência, que ela se tornou parte de mim.
E a verdade é que as poucas vezes, as raras vezes, que deixei esse papel de "forte", acabei por sofrer mais do que se o tivesse mantido - o que prova que mais vale estar só e não me magoar, do que mostrar a realidade!
Vou conhecendo pessoas, tendo novas experiências, aprendendo novas coisas, mas a sensação persiste.
O isolamento, a solidão no meio de tanta gente, a sensação de ser um fantasma que atravessa a vida sem que nunca olhem bem para ele, é algo que ciclicamente aparece.
E tudo isto é a enorme contradição que me caracteriza enquanto pessoa!
Pois enquanto me sinto sozinha no meio da multidão, enquanto represento o meu papel de forte e independente, enquanto escondo as fraquezas e receios submersos num oceano de água, acredito e vivo a minha vida ao máximo, em que cada oportunidade é única e deve ser explorada e vivida ao máximo!
E quando vivo as coisas que me acontecem... não penso na mágoa que podem trazer, nem na dor que podem causar - simplesmente vivo.
Não penso nisto como sendo depressão, não é algo que se trate com comprimidos e se envie a pessoa de volta para o "mundo". É algo que já é intrínseco a mim. Faz parte de mim, do que eu sou.
Não sei se esta "dor", esta sensação de solidão algum dia desaparecerá.
Não sei se algum dia o icebergue terá mais fora de água que aquilo que está submerso.
Mas sei que cada vez mais aprendo a viver com isso, com esta sensação, aproveitando os momentos que posso, ignorando os que magoam e tentando ser feliz, de alguma forma!
Porque apesar de tudo, desta solidão, desta sensação de "invisibilidade", de não me conhecerem pelo que sou e como sou, sou feliz!
Ou quero ser feliz!!!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Depressão - a doença mais comum nas mulheres?
Depressão... onde está o desejo?
Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a depressão é o mal mais comum entre as mulheres, superando o câncer de mama e doenças cardíacas (Revista Veja de Março de 1999 - Brasil).
O peso da depressão na ocorrência de enfarte é tão grande que ela passou a ser factor de risco isolado pela Federação Mundial de Cardiologia (Revista Veja de Maio de 2002 - Brasil)
Comparando essas informações constatamos que a depressão é um mal que cresce diariamente, isso quer dizer que a cada hora mais pessoas deixarão de fazer as suas actividades, de concluir tarefas, seus actos diários, não encontrando mais prazer em seu quotidiano.
E será que isso aparece de um momento para outro?
Não!
O deprimido é aquele que vai ao longo de sua vida cedendo em seu desejo, abrindo mão de seu prazer até o ponto onde, para muitos, não é possível levantarem-se da cama; aliado a isso tem também emagrecimento, dores e muita tristeza, mais do que tristeza, nos dizem sentir "uma dor profunda na alma, que não sei de onde vem"; "tudo é cinza, e não importa se o dia está ensolarado"; "eu não vivo, me arrasto a cada dia"; esses são os ditos que escutamos dos pacientes que nos procuram.
Existe algo que caracteriza a depressão que é uma tristeza imensa e o fato de que o sujeito abandonar o que fazia diariamente, não encontrando forças para seus afazeres do dia-a-dia.
Até chegar ao consultório de um psicanalista, o sofredor se entupiu de medicamentos - alguns com eficácia e outros não – sendo tratados organicamente para equilibrar a química cerebral que estava desregulada, mas a maioria das vezes não falaram sobre a dor e angústia do que sentem, e alguns médicos são unânimes em reconhecer que os pacientes não podem ser tratados somente com medicamentos, precisam falar e descobrir o sentido do que lhe aconteceu.
Essa doença da alma, como é chamada, é a quinta maior questão de saúde pública e em 2020 segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) deverá ser a segunda causa de morte.
Podemos dizer que a depressão é uma das patologias do dizer.
O psicanalista francês Jacques Lacan diz que se trata de uma cobardia do desejo frente a seu desejo.
Mas será que existem no mundo 330 milhões de cobardes, sendo destes 10 milhões somente no Brasil?
Não é dessa cobardia que falamos, mas da dificuldade que o sujeito tem diante de seu desejo, esse que é inconsciente e difere da vontade consciente.
Se o desejo não fosse enigmático como poderíamos explicar o fato das pessoas dizerem que querem que tal coisa aconteça e que trabalham totalmente no caminho contrário disso?
E aqueles sujeitos que adoecem justamente no momento que conseguem realizar algo em sua vida?
Escutamos dos pacientes que chegam com a queixa de depressão, que caíram nessa doença num momento significativo de suas vidas: morte de um parente, perda ou ganho de um amor, emprego, nascimento de um filho, saída dos filhos de casa, etc.
Nunca é sem um entrelaçamento com algo acontecido.
Também verificamos, que ao longo do tempo esses sujeitos se foram calando, fazendo o que os outros queriam, pediam ou determinavam, e que em relação ao desejo deles se foram amortecendo, usando uma mordaça invisível em sua boca, mas visível quanto às consequências mostradas em seu corpo.
Alguns até se apresentam como "depressivos crónicos" onde dizem que nada , nem ninguém poderá tirar isso dele, sendo às vezes a única coisa que sobrou, pois já perderam todo o resto: trabalho, namorado, estudos etc.
E existem saídas?
É possível que o sujeito retome sua vida, seu desejo?
O que vimos na clínica é que, à medida que esses pacientes vão falando do "mal-dito" se vão encontrando em seus dizeres, vão mudando o seu discurso e "desenlouquecendo" a química cerebral.
Onde podem articular o seu corpo à sua fala, não mais se colocando como massa corporal orgânica, mas como um corpo que é afectado pelo dizer, pelo discurso, ou de outra forma, pelo simbólico, esse registro que nos tira da animalidade.
É falando que esses pacientes descobrem o curto - circuito de suas falas e colocam seu corpo em outro lugar, no verbo.
Dra_Andreneide DantasPsicanalista
in: http://psycneuro.blogspot.com/
- A perda de peso foi ideal (estava a precisar e pela primeira vez fiquei sem apetite em vez de me enterrar em comida rápida);
- A vontade de não fazer nada fez com que percebesse que não era feliz com o que fazia e me levasse a procurar novas alternativas (se não de trabalho ou de profissão, pelo menos de algo que me fizesse feliz, ocupasse o meu tempo e a minha cabeça - a escrita)
- A tristeza - faz parte da vida. Todos tem altos e baixo. O que interessa é terem a força de sair deles. E mesmo que sejam como eu (uma pessoa que não fala dos seus problemas ou tristezas), a escrita permite "desabafar", permite que os outros saibam o que sentem, sem aquela pressão do "Estás bem?", "Vamos falar disso", "Tens de falar para resolver". É perfeito poder escrever... ajuda a tristeza a voltar para o fundo do coração, permite analisar o porquê de existir e procurar a cura... e se forem como eu e escreverem no vosso blog... permite que os outros a partilhem de forma indirecta convosco, sem terem de a reviver a cada vez que falam nela.
Viver sempre felizes e satisfeitos, não será uma forma de utopia maior do que viver numa nuvem?
Sozinha no meio da multidão
sábado, 12 de abril de 2008
Medo
E se as pessoas que conhecem e que moram sozinhas não tiverem estes hábitos, ou medidas de segurança (especialmente se já tiverem uma certa idade (sim... quando estão quase a ter direito ao cartão do idoso é pior) e/ou forem casmurros ou teimosos como os meus pais e avó) - "Batam-lhes"!!! Até perceberem que escusam de assustar os outros! Pode ser que "à bruta" percebam :-)