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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Sequesso

Fabuloso texto sobre o estado da educação e as responsabilidades dos pais na situação actual.

A pátria adora conversar sobre professores. A pátria, porém, nunca fala sobre educação. Portugal ainda não arranjou coragem para lidar com este facto: os alunos acabam o secundário sem saber escrever. Parece que os professores vão fazer uma 'marcha da indignação'. Pois muito bem. Eu também vou fazer uma marcha indignada. Vou descer a avenida com a seguinte tarja: 'os alunos portugueses conseguem tirar cursos superiores sem saber escrever'.

A coisa mais básica - saber escrever - deixou de ser relevante na escola portuguesa. De quem é a culpa? Dos professores? Certo. Do Ministério? Certo. Mas os principais culpados são os próprios pais. Mães e pais vivem obcecados com o culto decadente da psicologia infantil. Não se pode repreender o "menino" porque isso é excesso de autoridade, diz o psicólogo. Portanto, o petiz pode ser mal-educado para o professor. Não se pode dizer que o "menino" escreve mal porque isso pode afectar a sua auto-estima. Ou seja, o rapazola pode ser burro, desde que seja feliz. O professor não pode marcar trabalhos de casa porque o "menino" deve ter tempo para brincar. Genial: o "menino" pode ser preguiçoso, desde que jogue na consola. Ora, este tal "menino" não passa de um mostrengo mimado que não respeita professores e colegas. Mais: este mostrengo nunca reconhece os seus próprios erros; na sua cabeça, 'sexo' será sempre 'sequesso'. Neste mundo Peter Pan os erros não existem e as coisas até mudam de nome. O "menino" não escreve mal; o "menino" faz, isso sim, escrita criativa. O "menino" não sabe escrever a palavra 'recensão', mas é um Eça em potência.

Caro leitor, se quer culpar alguém pelo estado lastimável da educação, então, só tem uma coisa a fazer: olhe-se ao espelho. E, já agora, desmarque a próxima consulta do "menino" no psicólogo.
imagem e texto: http://aeiou.expresso.pt

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

PARABÉNS!!!!

Hoje os meus pais fazem anos!!!
Cada vez que digo isto, pensam que fazem anos de casados.
Mas não, até porque estão separados há muitos anos e finalmente divorciados!

Hoje é o dia de aniversário dos meus pais!

E se forem necessárias provas sobre o facto de nascer no mesmo dia, mês, ano, não significar que as pessoas tenham feitios semelhantes, basta olharem para os meus pais.

Tenho muito orgulho nos meus pais, com os seus defeitos e qualidades, e nas diferenças entre eles que fizeram com que eu e a minha irmã crescêssemos as pessoas que somos hoje (será que é um elogio?).
Cada um com o seu feitio e maneira de ser, não posso dizer que algum deles não tenha sido presente (à sua maneira) ou procurado sempre o melhor para os(as) filhos(as).
Costumo dizer que herdei os piores defeitos de cada um deles e que quando fizerem a distribuição das qualidades e defeitos dos pais se esqueceram que eles também têm qualidades, mas a verdade é que as suas qualidades e defeitos, os seus valores e as suas crenças, as suas personalidades, tão diferentes e tão vincadas, é que me tornaram a pessoa que sou hoje, com as minhas próprias convicções, mas profundamente apegada à família (mesmo que não o demonstre).

Do meu pai herdei a independência, mas ao mesmo tempo herdei a impaciência e o desapego (aparente) das pessoas e família. E o consumismo exagerado, dizem-me aqui ao lado (exagerado não, moderado, digo eu). E o prazer de oferecer prendas (será uma forma de compensar o aparente "desapego"?

Da minha mãe a força por lutar para que nada falte aos que amo, contra qualquer adversidade. O amor á família, a capacidade de fazer tudo com as minhas próprias mãos, ... e a humildade.

Dos dois herdei a vontade de tentar ser feliz, seja a que preço for.

Claro que tudo tem o seu lado bom e o seu lado mau, mas no seu aniversário, o que interessa e quero aqui transmitir publicamente é que são os pais que tenho, não os trocava por nada no mundo (mesmo que às vezes o pareça sentir) e... hoje são oficialmente IDOSOS!!!

Ninguém o diria, olhando para qualquer um deles, que são oficialmente TERCEIRA IDADE (hehehe), pois cada dia que passa tem o espírito mais jovem (por vezes em demasia).

A separação fez-lhes bem aos dois e conseguiu fazer com que duas pessoas profundamente infelizes conseguissem viver felizes, à sua maneira, sem o sacrifício diário de terem de lidar uma com a outra e com as suas personalidades e formas de encarar a vida.

E como a idade está no espírito e não no BI (ao contrário do que as pessoas possam pensar), só tenho a dizer que espero chegar a ser uma "idosa" tão em forma e jeitosa como os meus pais, e ter um dia de aniversário rodeada pela família, filhos e aqueles que realmente são importantes para mim, como eles tiveram!!!

E como "idosos" já são e o dia está a acabar... é começar a planificar a dos 70 anos!!! Em grande!!!

Parabéns papá e mamã!!!!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Família e coragem

Desculpem não traduzir, mas não podia deixar de partilhar estes dois casos de coragem, de uma avó e de um pai que vivem para a sua família, com uma força e uma coragem inimitáveis.
A avó que educou o seu neto, actualmente com 16 anos, que tem paralisia cerebral e que superou todas as dificuldades de habitação e trabalho para que ele tivesse tudo, e o pai que decidiu fazer um triatlo Iron Man (o mais difícil no mundo, com 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida) porque os olhos do seu filho brilhavam ao ver na TV os atletas.
Verdadeiros exemplos para cada um de nós!!!



terça-feira, 17 de junho de 2008

O meu nome é Sara

Este é um anúncio que sempre me emocionou profundamente (nunca consegui ler o poema sem chorar), e que é premiado internacionalmente (crianças abusadas):


O MEU NOME É SARA

O meu nome é ''Sara''
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis
palavras...

'Eu lamento muito!', eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
'Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!'

E finalmente ele pára, e vai para a porta,
Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é 'Sara'
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.
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