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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

9/365 - As mães são bipolares, não são?

Já muita gente falou neste tema, é algo em que penso recorrentemente e só posso concluir que a verdade é que, como mães, só podemos ser esquizofrénicas ou bipolares. Senão, usando apenas um "suponhamos" e ignorando o óbvio, que somos as melhores mães do mundo, que só usamos disciplina positiva e parentalidade positiva, nunca gritamos e acima de tudo nunca damos uma palmada no rabo, mesmo a sério, claro.... vejamos alguns exemplos:
Num momento estamos a gritar " Ou arrumas já tudo ou vai direitinho pela janela fora!!!". No momento seguinte estamos a abraçar e a dar beijinhos e a ajudar a arrumar porque ficaram a fazer beicinho ou a chorar por estarmos zangadas ou tristes!
Num momento estamos a dizer, com a nossa cara de bruxa má "Vais já para a cama e nem quero ouvir mais um pio!" e logo a seguir estamos a ajudar a deitar, a dar beijinhos, a ler uma historia e a dizer "amo-te muito, sonhos cor-de-rosa!" com a voz mais melosa do mundo!
Num momento estamos em profundo stress e completamente descabeladas, para sair de casa de manhã com mil e um sacos e mochilas, aos gritos que estamos atrasados (como sempre). A seguir estamos a sentar com cuidado no carro, a dar um beijo e vamos a cantar todo o caminho até à escola!
Num momento fugimo para a casa de banho, porque precisamos de respirar e de um tempo para nós, no momento seguinte depois da porta se abrir e entrarem "para não estarmos sozinhas", estamos a contar-lhes histórias enquanto a nossa privacidade foi, literalmente, pelo cano.
Num momento estamos a dizer que não podem comer chocolates, gomas ou bolachas porque está na hora de comer, mas nós estamos escondidas na cozinha a "preparar" a comida e a enfardar pão com manteiga, batatas fritas ou bolachas às escondidas!
Num momento só queremos um dia de descanso, um fim de semana de paz e sossego, mas na mesma tarde em que o conseguimos já estamos mortas de saudades e ansiosas por um telefonema!
Num momento ansiamos pelo tempo em que eram bebés e dependiam de nós, no seguinte pelo momento em que serão crescidos para programas a dois.
Num momento não os deixamos levar aquela roupa porque é simplesmente horrível, no seguinte estamos a comprar-lhes os sapatos de brilhantes mais pirosos do mundo só porque... são tão giros e ela adora!
Num momento estamos irritadíssimas porque fazem caretas com a comida e não querem comer, demoram horas ou, sem provar, olham e dizem que não gostam. No momento seguinte estamos a tentar controlar o riso (por os genes serem tão fortes), já que quando lhes dizemos que tem de comer tudo, "pois há muitas crianças que não tem nada para comer e deviam agradecer por ter comida", eles respondem o mesmo que nós respondíamos na sua idade "Mamã, mas se tem fome podes dar a minha comida que eu não quero!" 
Como estes há tantos, mas tantos mais exemplos a dar... que podíamos estar aqui a noite toda.
O top dos tops é acabar de gritar/zangar/castigar/aborrecer com algo e logo a seguir dar abraços, carinhos, beijinhos, miminhos e dizer palavras de amor para os deixar a descansar tranquilos, sabendo que por mais asneiras que façam vamos sempre amá-los mais que à vida!
Quem é que também acha que é bipolar em relação aos filhos?


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Maternidade



Este texto poderia ser meu....
Eu já fui a mãe que chega com as unhas feitas, cabelo penteado e outfit impecável.
E já fui a mãe que chega atrasada com calça de ginástica, cabelo oleoso e blusa manchada (e a mancha pode ser desde restos de comida até excressões de um mini corpo humano).
Eu já fui a mãe que amamenta feliz, e já fui a mãe que levanta resmungado porque teria que dar de mamar.
Eu já fui a mãe que cozinha tudo em casa, apenas com ingredientes orgânicos, e já fui a mãe que pede fast food por pura e absoluta preguiça.
Eu já fui a mãe que se voluntaria para ir ao passeio com a turma da escola, e já fui a mãe que esquece de mandar o lanche do filho.
Eu já fui a mãe que leva ao parquinho e inventa brincadeiras, e já fui a mãe que liga a televisão para ter sossego.
Eu já fui a mãe que contou até 10 e manteve a calma, e já fui a mãe que tem ataques estéricos.
Eu já fui a mãe que guardou para o filho a última e melhor colherada da sobremesa, e já fui a mãe que comeu chocolate escondido para não ter que dividir.
Eu já fui a mãe que conta os segundos para colocar as crianças para dormir, e já fui a mãe que fica pedindo mais um beijinho.
Eu já fui a mãe que trabalha, cuida da casa, e dos filhos, e já fui a mãe que não tem forças para sair do sofá.
Eu já fui a mãe que mantém a lucidez mesmo em situações enlouquecedoras, e já fui a mãe que grita com os filhos.
Eu já fui a mãe que cede aos pedidos de “mais 5 minutinhos”, e já fui a mãe que levou o filho embora arrastado e gritando.
Eu já fui a mãe que precisou de conselhos, e já fui a mãe que deu abraços apertados.
Eu já fui a mãe que faz cabanas na sala, e já fui a mãe que fingiu que estava dormindo só para não ter que responder.
Eu já fui a mãe que salvou o filho de um tombo, e já fui a mãe que perdeu o filho de vista em pleno parque temático.

Eu já fui todas estas mães e muitas outras. Muitas vezes fui várias delas em um dia só. Talvez você tenha me visto no meu melhor momento, e acreditou que eu era uma mãe exemplar, que tem tudo sob controle.
Talvez você tenha me visto em um momento ruim, e por isso pensa que sou um total fracasso.
Pouco importa. A vida não é perfeita, nem mesmo são as mães, nem mesmo são os filhos.
Todas nós já estivemos dos dois lados. Um momento, ou um dia, não define ninguém. Caso você esteja precisando saber: Você é uma excelente mãe e está fazendo um fantástico trabalho.

Por um mundo com menos dedos indicadores, e mais "eu sei que é difícil"!
(A Maternidade por Rafaela Carvalho)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Antes de Ser Mãe

Porque sou mãe, porque me identifico com tudo (ou quase, que a minha pipoquinha ainda é muito pequenina para algumas das situações aqui ilustradas) que este texto reproduz, mas simplesmente... porque o acho lindo.
Dedicado a todas as mães:

Antes de ser mãe, 
eu fazia e comia os alimentos ainda quentes.
Eu não tinha roupas manchadas, tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe, 
eu dormia o quanto eu queria,
Nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes

Antes de ser mãe,
eu limpava minha casa todo dia.
Eu não tropeçava em brinquedos e nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe, 
eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas então, eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe,
ninguém vomitou e nem fez xixi em mim,
Nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe,
eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,
e dormia a noite toda.

Antes de ser mãe, 
eu nunca tive que segurar uma criança chorando, para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injecções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
Nem fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe, 
eu nunca segurei uma criança, só por não querer afastar meu corpo do dela.
Eu nunca senti meu coração se despedaçar, quando não pude estancar uma dor.
Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina, pudesse mudar tanto a minha vida 
e que pudesse amar alguém tanto assim.
E não sabia que eu adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe, 
eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo.
Não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.
Não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.
E não imaginava que algo tão pequenino, pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe, 
eu nunca me levantei à noite toda, cada 10 minutos, para me certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus,
Por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada meu Deus, por permitir-me ser Mãe!
Silvia Schmidt

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Coisa mais linda...

E ainda dizem que no ventre não se criam laços?
Adorei este vídeo e tinha e o partilhar... coisa mais linda, mesmo que os cépticos achem que foi involuntário.
Ando uma lamechas... fiquei logo de lagrimita ao canto do olho com o vídeo...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mães de antigamente!

Recebi hoje este mail, que acho espectacular e que não resisto a partilhar convosco, até porque eu ouvi da minha mãe muitas das frases aqui citadas... e ela é a MELHOR MÃE DO MUNDO!!!
E eu não sou assim tão mal, pois não?

Mães de Antigamente!!!

Coisas que as nossas Mães diziam e faziam... Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos, mas funcionou com as gerações anteriores. Talvez se não tivessem mudado tanto, o nosso mundo estivesse melhor... (Até a tabuada foi abolida...)

A Minha Mãe ensinou-me a VALORIZAR O SORRISO...
' RESPONDE-ME DE NOVO OU LEVAS NOS DENTES!'

A Minha Mãe ensinou-me a RECTIDÃO.
'EU AJEITO-TE NEM QUE SEJA PRECISO UMA CARGA DE PORRADA!'

A Minha Mãe ensinou-me a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...
'SE TU E O TEU IRMÃO QUEREM MATAR-SE, VÃO PARA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!'

A Minha Mãe ensinou-me LÓGICA E HIERARQUIA..-.
'PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?'

A Minha Mãe ensinou-me o que é MOTIVAÇÃO...
'CONTINUA A CHORAR QUE EU VOU DAR-TE UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA CHORAR!'

A Minha Mãe ensinou-me a CONTRADIÇÃO...
'FECHA A BOCA E COME!'

A Minha Mãe ensinou-me sobre ANTECIPAÇÃO...
'ESPERA SÓ ATÉ QUE O PAI CHEGAR A CASA!'

A Minha Mãe ensinou-me sobre PACIÊNCIA...
'CALMA!... QUANDO CHEGARMOS A CASA VAIS VER ...'

A Minha Mãe ensinou-me a ENFRENTAR OS DESAFIOS...
'OLHA PARA MIM! E RESPONDE QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!'

A Minha Mãe ensinou-me sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...
'SE CAIRES DESSA ÁRVORE VAIS PARTIR O PESCOÇO E EU AINDA TE DOU UMA SOVA!'

A Minha Mãe ensinou-me MEDICINA...
'DEIXA DE REVIRAR OS OLHOS MENINO! PODES APANHAR UMA CORRENTE DE AR QUE TE VAI DEIXAR VESGO PARA TODA A VIDA.'

A Minha Mãe ensinou-me sobre o REINO ANIMAL...
'SE NÃO COMERES ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA TUA BARRIGA VÃO COMER-TE A TI!'

A Minha Mãe ensinou-me GENÉTICA...
'ÉS IGUALZINHO AO TEU PAI!'

A Minha Mãe ensinou-me acerca das minhas RAÍZES...
'PENSAS QUE NASCESTE NUMA FAMÍLIA RICA É?'

A Minha Mãe ensinou-me sobre a SABEDORIA DE IDADE...
'QUANDO TU TIVERES A MINHA IDADE, VAIS ENTENDER E JÁ SERÁ TARDE DEMAIS.'

A Minha Mãe ensinou-me sobre JUSTIÇA...
'UM DIA TERÁS FILHOS, E ELES VÃO FAZER CONTIGO O MESMO QUE TU FAZES COMIGO! AÍ VAIS VER O QUE É BOM!'

A Minha Mãe ensinou-me RELIGIÃO...
'REZA PARA QUE ESSA MANCHA SAIA DO TAPETE!'

A Minha Mãe ensinou-me o BEIJO DE ESQUIMÓ...
' SE VOLTAS A ESCREVER DE NOVO, EU ESFREGO O TEU NARIZ CONTRA A PAREDE!'

A Minha Mãe ensinou-me CONTORCIONISMO...
'OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!'

A Minha Mãe ensinou-me DETERMINAÇÃO...
'VAIS FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER A COMIDA QUE TENS NO PRATO !'

A Minha Mãe ensinou-me habilidades como VENTRÍLOQUO.
'NÃO RESMUNGUES! CALA ESSA BOCA E ME DIZ-ME POR QUE É QUE FIZESTE ISSO?'

A Minha Mãe ensinou-me a SER OBJECTIVO...
'EU CORRIJO-TE DE UMA SÓ VEZ!

A Minha Mãe ensinou-me a ESCUTAR ...
' SE NÃO BAIXAS O VOLUME, EU VOU AÍ E PARTO ESSE RÁDIO!'

A Minha Mãe ensinou-me a TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
'SE EU FOR AÍ E NÃO TIVERES TERMINADO A LIÇÃO, ESPERA PARA SABER!...'

A Minha Mãe ensinou-me a COORDENAÇÃO MOTORA...
'AGORA ARRUMA TODOS OS BRINQUEDOS!!! APANHA UM POR UM!!!'

A Minha Mãe ensinou-me os NÚMEROS...
'VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER AINDA LEVAS UMA SOVA!

Obrigada Mãe!!!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A mãe invisível

Um texto lindíssimo dedicado a todas as mães, em especial à minha!

The Invisible Mother......

It all began to make sense, the blank stares, the lack of response, the way one of the kids will walk into the room while I'm on the phone and ask to be taken to the store.
Inside I'm thinking, 'Can't you see I'm on the phone?

Obviously, not.

No one can see if I'm on the phone, or cooking, or sweeping the floor, or even standing on my head in the corner, because no one can see me at all.

I'm invisible.

The invisible Mom.


Some days I am only a pair of hands, nothing more: Can you fix this? Can you tie this? & Can you open this?
Some days I'm not a pair of hands; I'm not even a human being. I'm a clock to ask, 'What time is it?'; I'm a satellite guide to answer, 'What number is the Disney Channel?' ;I'm a car to order, 'Right around 5:30, please.'

One night, a group of us were having dinner, celebrating the return of a friend from England . Janice had just gotten back from a fabulous trip, and she was going on and on about the hotel she stayed in. I was sitting there, looking around at the others all put together so well. It was hard not to compare and feel sorry for myself. I was feeling pretty pathetic, when Janice turned to me with a beautifully wrapped package, and said, 'I brought you this.'
It was a book on the great cathedrals of Europe . I wasn't exactly sure why she'd given it to me until I read her inscription: 'To Charlotte , with admiration for the greatness of what you are building when no one sees.'

In the days ahead I would read - no, devour - the book.
And I would discover what would become for me, four life-changing truths, after which I could pattern my work:

- No one can say who built the great cathedrals - we have no record of their names.

- These builders gave their whole lives for a work they would never see finished.

- They made great sacrifices and expected no credit.

- The passion of their building was fueled by their faith that the eyes of God saw everything.

A legendary story in the book told of a rich man who came to visit the cathedral while it was being built, and he saw a workman carving a tiny bird on the inside of a beam. He was puzzled and asked the man, 'Why are you spending so much time carving that bird into a beam that will be covered by the roof? No one will ever see it.' And the workman replied, 'Because God sees.'


I closed the book, feeling the missing piece fall into place.
It was almost as if I heard God whispering to me, 'I see you, Charlotte . I see the sacrifices you make every day, even when no one around you does. No act of kindness you've done, no sequin you've sewn on, no cupc ake you've baked, is too small for me to notice and smile over. You are building a great cathedral, but you can't see right now what it will become.'


At times, my invisibility feels like an affliction. But it is not a disease that is erasing my life. It is the cure for the disease of my own self-centeredness. It is the antidote to my strong, stubborn pride.


I keep the right perspective when I see myself as a great builder. As one of the people who show up at a job that they will never see finished, to work on something that their name will never be on.


When I really think about it, I don't want my daughter to tell the friend she's bringing home from college for Thanksgiving, 'My Mom gets up at 4 in the morning and bakes homemade pies, and then she hand bastes a turkey for three hours and presses all the linens for the table.' That would mean I'd built a shrine or a monument to myself. I just want her to want to come home. And then, if there is anything more to say to her friend, to add, 'you're gonna love it there.'


As mothers, we are building great cathedrals. We cannot see if we're doing it right. An d one day, it is very possible that the world will marvel, not only at what we have built, but at the beauty that has been added to the world by the sacrifices of invisible women.


Great Job, MOM!


Hope this encourages you when the going gets tough as it sometimes does. We never know what our finished products will turn out to be because of our perseverance.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Para a minha mãe

Obrigado porque tiveste na tua vida um lugar para a minha vida, renunciando a tantas coisas boas que poderias ter saboreado. Porque - mais do que isso - fizeste da tua vida um lugar para a minha. E de muitas maneiras morreste para que eu pudesse viver.
Porque não eras corajosa, mas tiveste a coragem de embarcar numa aventura que sabias não ter retorno.
Porque não fizeste as contas para avaliar se a minha chegada era conveniente: abriste simplesmente os braços quando eu vim.
Porque não só me aceitaste como era, como estavas disposta a aceitar-me fosse eu como fosse. Porque dirias "o meu filhinho" mesmo que eu tivesse nascido deformado e me contarias histórias ainda que eu tivesse nascido sem orelhas. E me levarias ao colo mesmo que eu fosse leproso. E, mesmo com tudo isso, me mostrarias com orgulho às tuas amigas. Porque seria sempre o teu bebé lindo.
Devo-te isso, embora não tenha acontecido, porque o farias.
Obrigado porque não tiveste tempo para visitar as capitais da Europa. Porque as tuas amigas usavam um perfume de melhor qualidade que o teu. Porque, sendo mulher, chegaste a esquecer-te de que havia a moda.
Porque não te deixei dormir e estavas sorridente no dia seguinte. Porque foste muitas vezes trabalhar com manchas de leite na blusa. Porque me sossegaste dizendo "não chores, filho, que a mãe está aqui", e estar no teu regaço era tão seguro como dormir na palma da mão de Deus.
Obrigado porque é pensando em ti que posso entender Deus.
Obrigado porque não tiveste vergonha de mim quando eu fazia birras nos museus, ou me enfiava debaixo da mesa do restaurante porque queria comer um gelado antes da refeição. E porque suportaste que eu, na adolescência, tivesse vergonha de que os meus amigos me vissem contigo na rua.
Obrigado porque fizeste de costureira e aprendeste a fazer bolos. Porque fizeste roupas e máscaras para as festas da escola. Porque passaste uma boa parte dos fins de semana a ver jogos de rugby ou de futebol para que - quando eu perguntasse "viste-me, mãe, viste-me?" - pudesses responder com sinceridade e orgulho "é claro que te vi!".
Obrigado por o teu coração ser do tamanho de me teres dado irmãos. Como eu seria pobre se não os tivesse!
Obrigado pelas lágrimas que choraste e nunca cheguei a saber que choraste.
Obrigado porque me ralhaste quando me portei mal nas lojas, quando bati os pés com teimosia, quando "roubei" batatas fritas antes de o jantar estar servido, quando atirei a roupa suja para um canto do quarto. Obrigado por me teres mandado para a escola quando não me apetecia e inventava desculpas. E por me teres mandado fazer tarefas da casa que tu farias bem melhor e muito mais depressa.
Obrigado por teres mantido a calma quando eu num dia de chuva fui consertar a bicicleta para a cozinha, ou quando arranjei uma namorada de cabelo verde...
Obrigado por teres querido conhecer os meus amigos, e por todas as vezes que não me deixaste sair à noite sem saberes muito bem com quem ia e onde ia.
Obrigado porque eu cresci e o teu coração parece ter também crescido. Porque me deste coragem. Porque aprovaste as minhas escolhas, e te mantiveste a meu lado apesar de ter passado a haver a distância. Porque levantas a cabeça - mesmo sabendo que eu estou muito longe - quando vais na rua e ouves alguém da multidão chamar: "mãe!".
Obrigado por guardares como tesouros os desenhos que fiz para ti na escola quando era, como hoje, o Dia da Mãe. E por ficares à janela a ver partir o carro, quando me vou embora, comovendo-te com os meus sinais de luzes.
Obrigado - já agora... - por não teres esquecido quais são os meus pratos favoritos; por o sótão da tua casa poder ser uma extensão do sótão da minha casa; por teres ainda no mesmo lugar a lata dos biscoitos...

Paulo Geraldo

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Feliz Dia Mamã

Porque o Dia da Mãe é quando um homem quiser, e para mim, é todos os dias, aqui vos deixo este anúncio da ETB, dedicado à minha mãe e a todas as mães do mundo!

sábado, 3 de maio de 2008

Feliz Dia Da Mãe

Hoje é dia da MÃE!!!

E digo MÃE porque não há nada melhor nem maior realização no mundo do que ser MÃE!

Apesar da tristeza de não ser mãe (e não dar netos à minha), queria aqui deixar um enorme beijo a todas as mães que conheço, amigas, primas, tias, irmã, avó, mãe, etc.

Mas em especial, não podia deixar de falar das MÃES que marcaram a minha vida.

  1. A minha avó.
    Com o seu feitio, a sua maneira de pensar de há quase dois séculos, todos os seus defeitos e virtudes. Mas que é e sempre foi uma mulher de coragem, que mudou de país e conseguiu construir uma fortuna ao lado do marido, criar 3 filhos e um futuro para os netos. E quando lhe retiraram tudo à força, já com mais de meio século de vida, regressou e reconstruiu uma vida, com coragem, força e determinação.
    Que tem as suas manias (não as temos todos), com os seus santos (ok… exagera por vezes), com as suas crenças e doenças (já tem idade para isso), com os seus favoritismos (conhecidos de todos e que já fazem parte dela), mas é um exemplo de como sobreviver a todas as dificuldades que a vida nos coloca e mesmo assim manter a coragem e ter uma família que se reúne à sua volta.
    E que, com aquela idade (quase 88 anos)já usa as calças e roupa mais desportiva (a vitória do conforto ou do frio?), com sabe trabalhar o telemóvel, dvd, cartão Multibanco e só não trabalha com um computador porque é… casmurra (mas isso é de família e sai à neta - a mais nova, claro)!

  2. A minha madrinha.
    Que esteve sempre a meu lado quando precisava.
    Que superou um cancro com coragem, força e determinação.
    Que luta pela sua família e que procura superar todas as pedras que lhe colocam no caminho com cara alegre.
    Que também teve de reiniciar a sua vida, depois de ter crescido noutro continente e com outras condições. E que apesar de tudo o que passou, sofreu, sofre… ainda escreve, se dedica às netas e sofre em silêncio pelo que a fazem viver.
    Enfim, que … é a minha madrinha, um exemplo.

  3. A minha irmã.
    Que apesar das dificuldades, vive a vida que escolheu, a fazer o que sempre disse que faria.
    Com os “filhos” que sempre escolheu ter e junto do homem que a consegue “aturar” e a compreende e com quem partilha a paixão.
    E que apesar do seu mau feitio e de estar sempre às “turras” comigo é e será sempre… a minha irmã – uma mãe dedicada aos seus “filhos” - e em breve netos.
  4. E por último, mas mais importante que todas as outras, à minha mãe!
    Não há palavras para descrever o quanto me serve de exemplo!
    A importância que tem e terá na minha vida.
    A coragem que teve e tem… Uma pessoa que tinha tudo e que se viu forçada a mudar de país e recomeçar do zero, com 2 filhos pequenos e outra quase a nascer.
    Que passou dificuldades e privações para dar aos filhos tudo o que podia.
    Que trabalhava noite e dia para que nada faltasse.
    Que sofreu a perda do único filho e apesar de nunca ter superado a dor (tal como o meu pai – mas que pais superam a dor de perder um filho, especialmente de forma brutal?) conseguiu seguir e esconder a dor pelas filhas e continuar com coragem.
    Que voltou a estudar depois dos 50 e que se licenciou, fez uma tese fabulosa e tirou um mestrado enquanto trabalhava e cuidava das filhas.
    Que não deixa de trabalhar para garantir que nada falta às filhas, apesar de poder estar a gozar a sua reforma e fazer o que quiser.
    Que está lá sempre que preciso dela (ou quando acha que posso precisar) e que me apoia e incentiva em tudo o que faço (mesmo que não o diga directamente).
    Que nunca me disse “eu avisei” quando eu caía da minha nuvem e que sempre me deixou fazer as minhas asneiras (de qualquer forma eu sempre as faria).
    Que tem pavor que ande de mota, mas nunca disse nada!
    Que finalmente chegou ao divórcio e pode seguir com a sua vida, sempre tentando não falar ou influenciar opiniões e incentivando contacto com o meu pai (não que fosse importante para mim, pois para mim pais são pais e um divorcio implica sempre “culpa” dos dois lados...).
    Que me faz muitas vezes sentir pena de não lhe dar os netos que gostava de ter e mesmo assim diz que não se importa, pois “adopta” netos nas crianças que ensina!
    Que sofre com as carências dos miúdos que ensina e que os ajuda não só em termos de ensino mas com apoio mais “material” (roupas, equipamentos, livros e acima de tudo muito amor).
    Que passou de “Sra. directora”, com as suas saias e saltos altos, para uma mãe moderna e desportiva (só tem de parar de ter a roupa igual à minha e mais pares de ténis que eu), jovial, que não parece ter a idade que tem (mas nisso os meus pais são iguais).
    Que gostava de me ver feminina de saias e saltos altos, mas que não critica o andar de roupa larga.
    Que é brutalmente honesta quando não estou bem vestida – sim… que mãe (a não ser a minha) se vira para a filha e diz “Estás gorda. Está na hora de fazeres dieta!”? E que sabe o que dizer quando não quer que eu compre algo que me fica mal mas que eu adoro…
    Que me conhece melhor que qualquer outra pessoa (e eu sou muito difícil de conhecer… escondo bem as minhas cartas) e me defende com unhas e dentes, apesar de todos os defeitos.
    Que teve uma grande paralisia facial e que teve de fazer meses e meses de tratamento e mesmo assim se recusou a faltar às aulas para os alunos não perderem! E suportou em silencia a mágoa de ser ver “transfigurada” (apesar de para mim continuar e ter sempre sido a mais bonita mãe do MUNDO).
    Que sofre da Doença de Meunier (será que é assim que se escreve?) mas se recusa a deixar abater por isso… (apesar das casmurrice e dos sustos que por vezes me dá).
    Tanta, tanta coisa que podia dizer sobre a minha mãe…
    Mas basta dizer que, sem o seu apoio (mesmo à distância, muitas das vezes), sem o seu exemplo, sem a força serena e sofrida que sempre me transmitiu, sem os seus conselhos (muitas vezes depois da queda – mas eu também só os ouço nessa altura), sem a sua presença – não seria metade da pessoa que me orgulho de ser hoje!

Em homenagem a todas as que me marcaram, aqui vos deixo algumas fotos para verem como são lindas as mães da minha família (Mana… como sei que detestas…estive quase para não colocar nenhuma tua… mas não resisti a colocar esta do ano passado dos meus anos em que estávamos a “conspirar – assim tenho todas as mães que me marcam”).
E como poderão ver pela sequência "desfocada" em que tentei apanhar avó e filhas juntas… quando estamos em frente de um bom almoço… ninguém para quieto!!!
Saliento o facto de verem como a minha mamã foi e é sempre a mãe mais linda do MUNDO E ARREDORES!

Espero que gostem e, novamente, para todas estas MÃES que estão presentes na minha vida, mas muito especialmente para a MINHA – um grande beijo e que tenham um dia muito, muito feliz, junto dos filhos, netos, amigos, família!

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