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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Balanço? Vida? Caos? Eu?

Será do Verão e de se ter a cabeça mais leve?
Será bloqueio de "escritora", mesmo sabendo que não o sou nem nunca serei?
Olho para os últimos posts e as palavras não fazem sentido, não ligam com as ideias que queria e quero transmitir.
As palavras sucedem-se na minha cabeça, milhares e milhares de ideias e palavras, que não conseguem sair e passar para a tela do computador.
Escrevo, reescrevo, quero escrever!
Leio, apago, escrevo de novo e novamente apago, releio tudo o que escrevi e... continua a não fazer sentido, a estar tudo misturado!
É a confusão total!!!
Fechado para balanço, diz a minha imagem no messenger.
Balanço de quê?
De uma vida que teima em não acontecer?
De uma existência em que não há nada para mostrar ao fim de tantos anos de vida?
De anos e anos a ser o que os outros esperam de mim, sempre com a mesma máscara, sempre colocando os outros em primeiro lugar, ignorando o que quero, gosto, me apaixona?
Olho para o passado em busca de um caminho que me ajude a percorrer o futuro de cabeça erguida... mas não consigo vislumbrar nada, o nevoeiro é muito denso!
Olho em frente e vejo montanhas, vales, e nenhuma seta, nenhuma placa que me indique qual a melhor estrada para poder atravessar aqueles precipícios pela melhor estrada, aquela com menos curvas.
Será a isto que se resume a minha existência?!
Uma confusão de palavras e ideias, de percursos, de caminhos que se cruzam e descruzam sem nunca dar sentido à minha vida e ao porquê da minha existência?
Quero fazer um balanço, parar para analisar o que está feito em quase metade da minha vida (sim, ainda faltam uns anos para lá chegar, mas está mais perto do que nunca), mas... tal como as reticências e parêntesis que marcam os meus posts, também o meu balanço me mostra que não há nada para analisar e ao mesmo tempo há tanto que nem sei por onde começar.
Os caminhos partem em todos os sentidos e vão sempre ter a becos sem saída.
Uma vida feita de começos e recomeços, é esse o balanço?
É assim que vou viver toda a minha existência?!
Como as palavras e ideias que teimam em não sair, em se confundir, em criar o caos nos posts e nas ideias que quero transmitir?!
E no entanto sinto-me bem, ousaria até dizer feliz (numa felicidade roubada, transitória, indevida, quem sabe perene e simultâneamente com data de validade, aparente e simultâneamente profunda...).
Porque não consigo pensar claro?
Porque as ideias e palavras teimam em não fazer sentido?
Penso, analiso... leio o que escrevi, uma, duas vezes... o caos de sempre.
Um dos teus piores posts dirão alguns, ao nível dos últimos.
Penso em apagar tudo, recomeçar, mas ao fim de três tentativas a impaciência que me caracteriza (e que há anos digo que vou trabalhar) volta a ganhar - "que se lixe... é assim que penso, é assim que vou escrever e quem não gostar, não leia!".
Mas quem sou eu? Quem é a pessoa que se esconde por trás destes posts e destas palavras?
Mas "isto" sou eu, procurando o sentido em palavras, letras que se atropelam para tentar dar sentido a um qualquer texto!
Uma pessoa que olha para os rebanhos e gostava de fazer parte de um deles, mas que quando está integrada num rebanho se sente como o patinho feio, como a ovelha negra, sempre diferente, sempre insatisfeita, sempre recusando seguir com a manada cegamente, sem nexo, sem sentido... porque sim e porque todos vão para onde mandam!
Eu sou a tempestade que se ergue por trás da calma aparência de um mar sereno, um turbilhão de emoções que se escondem por trás da tranquilidade de um sorriso, a paixão ardente que se esconde por trás da tranquila aparência da indiferença!
E só consigo pensar que quando as letras se unirem e conseguirem formar palavras com sentido, frases com nexo, textos com coerência... quando o rebanho estiver novamente ao alcance do meu olhar... quando o mar voltar a serenar, então é porque o meu "balanço" acabou e consegui novamente encontrar o rumo, o sentido, a direcção, a paixão que me move.
Até lá, vou continuar a procurar nas palavras que se atropelam na minha cabeça e coração as que mais se adequam às ideias que querem sair e não sabem como!
E vou continuar a olhar e caminhar em direcção às montanhas do meu futuro ignorando o intenso nevoeiro que se forma nas minhas costas, escondendo o pouco que o passado tem para mostrar de mim!
Se cair, se for ter novamente a um beco sem saída.... só tenho de procurar nova direcção no labirinto que é e será sempre a minha vida!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A efemeridade das coisas

Antes de mais... será que se pode dizer efemeridade? Não tenho dicionário, estou a escrever num computador que não é o meu e sem dicionário português e, sinceramente, não me apetece ir buscar.

Ontem escrevia sobre estar feliz. Hoje escrevo sobre quão curtos esses momentos podem ser e como o destino tem a mania de nos lançar rasteiras quando menos esperamos.

Estava feliz, estou feliz, já não sei!
É uma confusão.

Fiquei sozinha de novo, trocada por um computador e pelo messenger.
Recebi uma mensagem do além, indicando que estavam sozinhos, com algum sentimento de arrependimento em relação ao passado...

E a conjugação dos dois factores conseguiu criar um enorme desiquilibrio naquele sentimento de felicidade que acreditava estar a viver.
Especialmente quando do além me indicam que estão longe do amor, que se sentem sós e arrependidos e que não querem falar pois isso levaria a horas de conversa e preferem proteger-se.
Proteger-se?
De quê?!
Se alguém se devia proteger era eu. Se alguém se devia afastar era eu. Se alguém devia ter um sentimento de solidão, de incompreensão era eu.
Mas acho que é mesmo karma e não fui destinada para estar feliz.
A cada momento de felicidade parece que as forças do destino se juntam e enviam algum sinal que estou a viver algo que não me pertence, que não é feito para mim.
E por mais que lute, que acredite que vou ser feliz, que mereço ser feliz... existirá sempre alguém ou alguma coisa para provar que estou errada.

Também acreditava que estava bem, que estava a viver uma felicidade emprestada, mas mesmo assim era feliz.
Mais uma vez se provou que estava errada.
Porque me deixaram só. Por um computador.
Propuseram sair, mas com tal convicção e vontade que a única resposta possível foi "já é tarde". A velocidade com que concordaram com a afirmção só me fez pensar que realmente foi a resposta certa.
E a noite passada ao computador, a trocar mensagens pelo messenger, fez-me perceber quão superficial era aquela felicidade que acreditava viver.

Mas enfim... tudo no mundo tem uma conclusão.
O que interessa é aproveitar e saborear cada momento ao máximo.

Ontem estava feliz!
Hoje... não sei!
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