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terça-feira, 28 de julho de 2009

Simplex

Pois é... eu até acreditava que seria possível simplificar todo o processo administrativo e burocrático que envolve qualquer tarefa que o contribuinte tenha de fazer junto de qualquer entidade governamental...
Acreditava na boa vontade do governo em querer acelerar e simplificar a vida dos simples mortais que pagam impostos...
Bolas... eu até sou uma pessoa que acredito no Pai Natal!!!

Mas depois de vários exemplos que a única coisa "Simplex" foi a mente que criou uma forma de ganhar dinheiro "à pála" de um sistema informático que não funciona e funcionários sem conhecimentos, capacidade e vontade de dar andamento aos processos... deixo-vos o último exemplo de simplex "sentido na carne"...

Como me encontro a recuperar de uma intervenção cirúrgica mal sucedida, quando a minha avó adoeceu e foi internada, eu estava em casa de baixa, o que limita um pouco os movimentos, horários e, especialmente, viagens.
Liguei para a Segurança Social onde, amavelmente, me indicaram que poderia fazer a alteração de morada no site Internet da Segurança Social Directa (ao qual, por acaso, já tinha acesso), em vez de ter de me deslocar a uma delegação da SS.
Claro que não referiram que essa alteração, por via informática, só funciona de 2ª a 6ª, pois os computadores e servidores também são funcionários do Estado e não trabalham ao fim de semana (ou depois das 20h)... enfim...
Simplesmente... eu não conseguia fazer a alteração no site e decidi (já sei,... ingenuamente) preencher um formulário que se encontra no site para apresentar este tipo de situações e obter uma resposta - um mail directo para os serviços correctos (visto termos de escolher o tipo de situação que queremos reportar, etc...).
A mensagem foi enviada no dia 28/05/2009 (e veio no seguimento de uma anterior, que tinha enviado a 24/05 a solicitar esclarecimentos sobre o procedimento a adoptar - sim, porque eu sabia aceder ao site e até, vejam a loucura, compreender os passos a adoptar...), e era muito simples:

Boa noite

Já tinha enviado um pedido para alteração de morada, enquanto acompanho a minha avó que está doente.
Tinham-me indicado que o poderia fazer através da segurança social directa, mas não o consigo fazer.
Como proceder para alterar a minha morada?

Cordialmente,
Paula Cruz

A verdade é que bem podia esperar sentada pela resposta...
No dia seguinte a minha avó piorou e fomos para cima (por coincidência, depois do envio do mail, tinha conseguido aceder ao site e efectuar a alteração de morada).

Mas não temais... o SIMPLEX existe e é real...

Recebi a resposta que abaixo transcrevo (devidamente editada, claro, pois vivo numa linda nuvem... mas chega como informação pessoal, não?)....

De: via-seguranca-social@seg-social.pt [mailto:via-seguranca-social@seg-social.pt]
Enviada: terça-feira, 21 de Julho de 2009 18:53
Para: nuvem@vivernumanuvem.pt
Assunto: RE: DADOS PS-Consultar Dados de Identificação

cbrext0133

Exma. Sra. Nuvem,

Relativamente ao seu contacto, que desde já agradecemos, informamos que, caso não consiga efectuar o pedido de alteração de morada via Segurança Social Directa, pode solicitar a mesma por carta enviada aos serviços da Segurança Social, juntando:
- Formulário Mod. MG 02- DGSS - Alteração de morada ou de outros elementos
- Fotocópia de documento de identificação civil válido do beneficiário (cartão do cidadão, bilhete de identidade, certidão de registo civil, passaporte, etc.)
- Cartão de Identificação da Segurança Social ou documento onde conste o número de beneficiário.

Pode ainda enviar o pedido através do link: http://www.seg-social.pt/contact_center/mensagem.asp

Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em contactar-nos.

Com os melhores cumprimentos,

VIA SEGURANÇA SOCIAL

808 266 266, dias úteis das 8h00 às 20h00
Estrangeiro: +351 272 345 313x
E-mail em www.seg-social.pt
Fax: (+351) 272 240 900

A distância mais curta para a Segurança Social.

O serviço Segurança Social Directa, disponível em www.seg-social.pt, permite aos Cidadãos e Empresas um relacionamento com a Segurança Social rápido, simples, seguro, sem filas de espera e sem sair de casa ou do escritório.

===========================================================================
De: nuvem@vivernumanuvem.pt
Recebida: 2009-07-15 07:55:40
Assunto: RE: DADOS PS-Consultar Dados de Identificação


SSDirecta: Pedido Autenticado
NISS:12345678910

Distrito:Céu

Boa noite

Já tinha enviado um pedido para alteração de morada, enquanto acompanho a minha avó que está doente.
Tinham-me indicado que o poderia fazer através da segurança social directa, mas não o consigo fazer.
Como proceder para alterar a minha morada?

Cordialmente,
Nuvem

Como podem ver... a resposta veio!!!

Ainda bem que foi atempadamente... mas, reparem na quantidade de dias que o meu mail andou "perdido" nos servidores Simplex.... só deu entrada nos serviços no dia 15/07, a julgar pelo que aparece no cabeçalho da mensagem "enviada" a que eles, de forma célere, responderam!
E há que admitir que, se na realidade tivesse enviado o mail no dia 15, aresposta nem tinha demorado muito, especialmente atendendo a que era uma 4ª-feira e a resposta veio na 3ª-feira seguinte!

Vocês não querem ver que o Simplex não passou de mais um logro?!

Ou melhor, como estamos no verão, será que os funcionários e servidores e sistema informático também estão de férias (ou será que são em número insuficiente para responder a tudo?) e as coisas demoram mais um pouco e há que ter paciência?

Sim, porque não podemos esperar que um sistema informático, criado para facilitar a vida aos contribuintes e diminuir o fluxo nas delegações, demore menos tempo a dar resposta ou resolver problemas do que faltar ao trabalho e passar um dia sentado na sala de espera de uma delegação da SS para ser atendido como todos os outros, certo?

Isso não seria Simplex!!!

Daqui a nada vão dizer que o Pai Natal também não existe?!
imagem tirada da Internet

sábado, 25 de julho de 2009

Fotografia Viagens - Portugal

Claro que não podia acabar esta série sem deixar algumas fotografias das minhas viagens "cá dentro".
Adoro viajar, conhecer novos países, novas gentes, novas culturas..., mas nada como viajar pelo nosso belo país, conhecer os cantinhos, os recantos, as zonas perdidas e escondidas, até àquelas mais turísticas a que nunca dedicámos a devida atenção...

Nesta série existem fotos de Lisboa e do seu lindíssimo castelo, de Cinfães e das montanhas onde se insere, de Sintra e do Palácio da Pena, de Resende, da Serra de Castro d'Aire e dos seus postes de iluminação "pela metade"...
Mas tenho tantas, milhares...
Porque se adoro e amo com paixão os países que já visitei, ainda amo mais o nosso!
As nossas aldeias com as suas pessoas tão pitorescas, os nossos cantinhos à beira-mar, as nossas cidades...

Reconheço que ficam a faltar as fotos da cidade que mais me toca ... O Porto!
(Neste momento tenho toda a família a dizer... mas como é possível?! como podes gostar de lá estar?! daquela cidade feia.... por favor, como consegues?)
Mas a verdade é que só para o Porto tenho de fazer um álbum especial (e digitalizar as muitas fotos), pois é uma cidade única, em que a beleza da cidade, com as suas ruas de pedra e a sua paisagem património mundial, com a sua ribeira... só se compara à beleza do espírito das pessoas que a habitam, ao espírito tripeiro, há honestidade e sinceridade das gentes do Porto.
E já nem falo na comida... aiaiai, que é deliciosa e tão mais barata que aqui na "mouraria"!
Mas... como agora é para partilhar as mais recentes fotos e viagens... aqui fica um pouco do nosso Portugal.

Como sempre, basta carregarem na bandeira para acederem ao álbum completo

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Foi descoberto o "S" desaparecido

Há um "mistério" que me tinha intrigado nos últimos tempos...

No caminho para casa passamos por uma localidade chamada... Sande!Sempre me tinha interrogado se era chamada Sande por as pessoas de lá usarem um "lápi" para escrever ou calçarem um "téni" em cada pé... ou se na realidade a localidade se chamava Sandes e o S tinha desaparecido misteriosamente...

E eis que na véspera de S. João o mistério foi resolvido!

O S de Sande tinha simplesmente ido passear à terrinha e celebrar o S. João a ver o Tony Carreira.

Eis onde estava o malfadado S (e assim as pessoas de Sande, quando ele regressar, podem voltar a escrever com lápis e calçar um ténis)!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Atestado Médico

O Prof. José Ricardo Costa escreve uma coluna semanal no jornal "Torrejano".
Não resisto a publicar aqui este texto, até porque sei, por experiência própria, que esta é a realidade do nosso país!

O atestado médico - por José Ricardo Costa


Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância.
Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida. A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.

Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados.
Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o 'ET', que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões. O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D.Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados.
Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade. Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho.
Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico. É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.

O Norte

Amei este texto do MEC!!!
Eu sempre me identifiquei mais com o Norte, com as pessoas do Norte, com a sua sinceridade, com tudo!!!
E é a terra onde ainda hei-de viver e trabalhar.
Podem não ter o sol de Lisboa, o calor e o bom tempo, mas as pessoas compensam tudo isso!
Aqui vos deixo o texto - e se não concordarem com o que ele diz... não me digam, pois eu concordo plenamente com ele.

O Norte - por Miguel Esteves Cardoso

'Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.

As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.

Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o 'O Norte'.

Defendem o 'Norte' em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?
Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer 'Portugal' e 'Portugueses'. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como 'Norte'. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

domingo, 21 de dezembro de 2008

História de Portugal (ultra-condensada)

Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo. Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu. Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor. Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que, ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo. Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomar conta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos. Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas. Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios. A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães. Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos.
Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Comunistas dum camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho cravos em cima do assunto. Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final.

FIM
Imagem: www.mapas-portugal.com

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Precisa-se de matéria prima para construir um País

E agora um artigo que me enviaram hoje, publicada no Público e que além de bastante interessante faz pensar!!!

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.

E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.

Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós.

Nós como povo Nós como matéria-prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre
valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão
ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram
lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens
dizem que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para
aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações
médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.

- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com
uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e
não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
- Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de
Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
- Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não.

Já basta.


Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o
suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...

Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas
enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve
Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a
força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima,
ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português.
Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às
nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam
um messias.

Nós temos que mudar.

Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro...

Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos.


Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e,
francamente, tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o
responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O
ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ.

NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.


E você, o que pensa?.... MEDITE!


Eduardo Prado Coelho "

sábado, 19 de julho de 2008

Portugal em Cartoons

Aqui vos deixo uma colecção de cartoons que recebi da minha madrinha, que representam o estado em que está o nosso belo país, à beira-mar plantado.
Espero que apreciem tanto como eu, que já me fartei de rir (não sei se de tristeza...).

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Vivemos num país anedótico?

Apesar de ser completamente "ignorante" em termos de política e ser mesmo desligada, não posso deixar de partilhar a mensagem que o B. me enviou, pois mostra muitas das coisas que se quiseram implantar ou criar, sem pensar nelas ou no respeito pelas pessoas (sem querer entrar em demagogias ou politiquice).

A ANEDOTA em que se transformou o País:

- Uma adolescente de 15 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.

- Um cônjuge para se divorciar, basta pedir….
- Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.

- Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.

- Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar;
- Um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.

- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
- O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.

- O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.

- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.

- Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.
- Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar.

- Um cão ataca uma criança e o Governo diz que vai fazer uma lei.
- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.

- O IVA de um preservativo é 5%.
- O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, assim como o das fraldas descartáveis, é 21%.

- Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como 'A Arte de aprender a viver com a decepção'.

- Um polícia bate num negro é uma atitude racista, um bando de negros mata 3 polícias, não estão inseridos na sociedade.

- Um presidente de um clube de futebol, fala com o árbitro para favorecer a sua equipa, esta desce de divisão, se lhe der dinheiro são subtraído 6 pontos.
- Um clube inscreve um jogador mal, são-lhe retirados 6 pontos. Um clube suborna um arbitro são-lhe retirados 6 pontos.

- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados;
- No Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100mts e nem tem local para lavar mãos.

- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

- O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível, no edifício do ministério do ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utiliza a bicicleta.

- Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como entra droga nas prisões?

- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.

- Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal, um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica.

- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem.
- 6 presos que mataram e violaram idosos numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

- Militares que combateram em África a mando do governo da época não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra; o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estas a pagar juros.

- Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal; constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia, ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.

- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas tomadas está mais prático e eficiente, não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.
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