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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Katharine “Katy” Barnwell e seu gigantesco impacto na obra missionária moderna

 


A Dra. Katharine “Katy” Barnwell faleceu em 29 de setembro de 2025, aos 87 anos. Descrita por muitos como a “mãe da tradução bíblica moderna”, a metodologia de tradução e o programa de treinamento de Katy capacitaram milhares de tradutores, muitos sem formação acadêmica em linguística. Por meio de sua orientação gentil e vasta experiência, ela apoiou líderes locais, incentivando-os a prosseguir com a tradução da Bíblia para seus idiomas.

Após concluir o mestrado em Língua e Literatura Inglesa, Katy iniciou seus estudos linguísticos com a SIL em 1960. Desde então, sua alegria em servir às comunidades que amava por meio da tradução tem sido inegável. Ela atuou na SIL como linguista na Nigéria, formadora de tradutores locais e coordenadora internacional de tradução, entre outras funções. Essa mesma alegria a acompanhou em sua "aposentadoria", onde continuou como bolsista da SIL e consultora sênior de tradução da Seed Company.

O impacto de Katy em sua área continua a crescer. O livro didático de tradução que ela escreveu — Tradução da Bíblia: Um Curso Introdutório em Princípios de Tradução — foi desenvolvido inicialmente em uma época em que linguistas expatriados não conseguiam mais trabalhar na Nigéria. Agora, meio século depois e em sua 4ª edição, o livro é considerado o manual de referência para a formação de tradutores nativos e é amplamente utilizado em treinamentos ao redor do mundo.  

Além da liderança de Katy por meio da pesquisa e do ensino, ela é lembrada com carinho por alunos, colegas e amigos em todo o mundo como uma mentora atenciosa e influente, dedicada humildemente a capacitar os outros e a vê-los crescer e ter sucesso. 

O Dr. Johnstone Ndunde, Diretor Executivo da SIL, reflete: “A imensa contribuição de Katy para o movimento de tradução da Bíblia por meio de estudos acadêmicos, publicações, ensino e do Projeto Filme de Jesus só é comparável ao seu cuidado e impacto na vida de inúmeras pessoas. Em minhas visitas à Nigéria, conheci pessoas de todas as classes sociais que atribuem seu crescimento — pessoal e profissional — à 'Mamãe Katy' e guardam consigo lembranças muito queridas dessa mulher especial.”

Via SIL (Summer Institute of Linguistics)

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Sobre Katherine, o site Baptist Press publicou um artigo poucos meses antes de sua morte, o qual reproduzimos:


Diana Chandler

BRENTWOOD, Tennessee (BP) – “As mulheres se casam”, teria sido a resposta de seu pai quando a missionária e tradutora da Bíblia Katharine “Katy” Barnwell lhe disse que queria se matricular na universidade em Londres, na década de 1950.

Mas, à medida que seu pai cedeu, Barnwell desafiou as convenções. Ela estudou linguística e acabou trilhando um caminho até a Nigéria, onde se falam mais de 520 línguas. Lá, ela desenvolveu um método de tradução da Bíblia que, segundo seu biógrafo Jordan K. Monson, em entrevista à Baptist Press, levou mais pessoas a Jesus do que as cruzadas do falecido Billy Graham.

“A Lifeway (Research) estima que Billy Graham tenha convertido entre 2,2 e 3 milhões de pessoas ao cristianismo durante todo o seu ministério”, disse Monson. “É claro que isso é incrível, são números impressionantes. É como se um pequeno estado dos Estados Unidos tivesse se convertido ao cristianismo sob sua influência.”

Para chegar à sua conclusão comparativa, ele levou em consideração que os métodos de tradução de Barnwell são usados ​​no projeto do filme Jesus, que, segundo ele, ela reescreveu "do zero".

“E desde que ela fez isso, 400 milhões de pessoas se tornaram cristãs depois de assistirem ao filme Jesus. E esse era o trabalho paralelo dela. Nem era sua carreira principal”, disse Monson. “Então, quando você compara isso com os 3 milhões de conversões de Billy Graham, estamos falando de uma influência, às vezes, 100 vezes maior ou mais em termos de conversões globais ou pessoas se tornando cristãs no mundo todo.”

Mas para Monson, que narra o trabalho de Barnwell no livro recém-lançado pela B&H Publishing, "Katherine Barnwell: Como uma mulher revolucionou as missões modernas", sua influência não para por aí.

Barnwell, agora com 86 anos e trabalhando remotamente de sua casa em Londres, exala humildade. Como é ser tema de uma biografia?

"Que vergonha!", escreveu ela em um e-mail para a Baptist Press, com um ponto de exclamação incluído. Mas ela considerou Monson gentil.

Ele “escreveu sobre as conquistas, em vez dos fracassos – as vezes em que perdi uma oportunidade ou permaneci em silêncio quando deveria ter me manifestado”.

Nesta fase da vida, ela destaca o trabalho em equipe como o maior objetivo de seu ministério.

“Reconhecendo que precisamos trabalhar juntos como uma equipe, compartilhando talentos e habilidades, tentando ajudar os outros a desenvolver seus dons e habilidades, trabalhando em parceria com amigos de todas as nacionalidades e origens”, disse ela à Baptist Press.

Ela ainda não terminou. Do computador de casa, ela trabalha com tradutores de Mbembe no sudeste da Nigéria, onde começou sua missão com o Projeto de Língua Mbembe, interagindo com líderes religiosos locais, treinando e incentivando tradutores.

Antes de partir para o campo missionário, ela frequentava a All Souls Langham Place, pastoreada por John Stott, e hoje frequenta a Igreja Livre de Goring, não denominacional, em Thames Valley, que a tem apoiado ao longo de seu ministério.

Ela anseia por um tempo "em que pessoas de todas as línguas terão pelo menos algumas, e depois mais, Escrituras em seu próprio idioma".

Monson conta a história de Barnwell sobre o desenvolvimento de um método de tradução que valorizava e apreciava o conhecimento e as capacidades das populações locais que ela servia, começando no sudeste da Nigéria.

“Então, foi ela quem realmente abriu essa porta para ensinar as pessoas a enxergarem sua própria língua de uma perspectiva mais linguística e a partir de uma metodologia de tradução, para que pudessem traduzir as Escrituras fielmente para o seu próprio idioma”, disse Monson à Baptist Press. Ele compara isso à maneira como o apóstolo Paulo plantava igrejas em suas viagens missionárias: estabelecendo igrejas, treinando líderes locais que falavam os idiomas e conheciam a cultura, e seguindo em frente.

Assim como Paulo, Barnwell enfrentou dificuldades e provações no campo missionário enquanto trabalhava na tradução da Bíblia.

“Após meio século em missões, Katharine Barnwell não era estranha ao perigo. Seis vezes foi assaltada à mão armada, duas vezes atacada por ladrões armados. Fugiu de uma guerra civil a pé e rio acima sem documentos”, escreveu Monson em seu livro. Em uma ocasião, ela e uma equipe de tradutores foram assaltados à mão armada por um grupo de saqueadores na Nigéria, que roubaram vários laptops. “Ela suportou ameaças constantes de terroristas e o perigo constante da malária. Era conhecida por abrir mão de comida e sono para que outros pudessem comer e ter uma cama quente.”

Ao considerar a influência de Barnwell, Monson vai além de seu trabalho de tradução no projeto do filme Jesus, abrangendo também as traduções bíblicas concluídas nas últimas quatro décadas.

“Então, se você consultar qualquer Bíblia impressa ou gravada em MP3 no mundo, que tenha sido parcial ou totalmente concluída nos últimos 30 ou 40 anos”, disse ele à Baptist Press, “praticamente todas foram feitas de acordo com o treinamento, os métodos, os ensinamentos e os discípulos dela. E é isso que a torna uma das missionárias ou cristãs mais influentes de toda a história.”

À medida que a igreja global compartilha o Evangelho, ela está usando Bíblias e Escrituras traduzidas por métodos desenvolvidos por Barnwell, disse Monson.

“Então, em termos de número de pessoas que se dizem cristãs”, disse ele, “(ela) pode ser mais de cem vezes mais influente do que Billy Graham.”

Via Baptist Press


A Sociedade Bíblica do Brasil publicou o livro Tradução Bíblica - Um curso introdutório aos princípios básicos de tradução, de Katherine Barnwell. Confira AQUI.


sábado, 22 de maio de 2021

Em suas próprias línguas: Uma meditação missionária sobre o Pentecostes


Martin Horton 

- Wycliffe Bible Translators

 Houve um tempo em que todos falavam a mesma língua. A vida era muito mais fácil então. Não havia falha de comunicação, nenhum mal-entendido. Era tudo muito mais simples.  Nenhum de nós sabe como era essa primeira língua. Incluía os cliques da língua! Xun de Angola ou os assobios do kuş dili - linguagem dos pássaros - do norte da Turquia, ou talvez a deliciosa cadência musical do galês? Ou talvez todos os três?    

A hora deles chegaria, mas primeiro havia o problema do orgulho. As pessoas queriam mostrar que eram maiores do que Deus, e tentaram construir uma torre para o céu para provar isso (Gênesis 11). Deus teve que agir para lidar com esse orgulho e 'confundir a linguagem deles'. Infelizmente, as pessoas não falavam mais a mesma língua, mas da confusão da humanidade que pensava que conhecia melhor, Deus criou línguas de cores e diversidade. 

 Algumas pessoas têm uma aptidão natural para aprender a compreender e falar línguas diferentes; para outros, é um desafio muito maior. Você já parou para pensar como será no céu, quando encontraremos e saudaremos pessoas 'de todas as nações, tribos, povos e línguas' (Apocalipse 7:9)? Vamos entender cada palavra! Seja falando com o povo Fini da Eurásia, o povo Koma dos Camarões ou o Leoma do Sul da Ásia, não haverá barreiras para a comunicação. 

 O dia de Pentecostes deu uma amostra disso. Um dia tremendo, quando Deus não apenas reverteu a confusão criada em Babel, mas o Espírito Santo veio, capacitando seus discípulos a compartilhar o evangelho 'até os confins da terra' (Atos 1:8). A maioria das pessoas reunidas ali provavelmente poderia entender grego - então por que Deus capacitou os discípulos a falar nas muitas línguas diferentes dos povos que estavam lá, deixando-os 'maravilhados e perplexos' (Atos 2:12)? 

 Quando as pessoas finalmente têm a palavra de Deus no idioma que melhor entendem, costumam dizer algo como "Agora Deus fala minha língua!" A questão é que Deus sempre falou a língua deles. Podemos ficar ao mesmo tempo humilhados e maravilhados por Ele ter nos convidado para fazer parte de seu trabalho. Que coisa incrível! Deus desceu para caminhar e falar conosco e nos capacitar a trabalhar ao lado dele, convidando mais pessoas para sua família. 

 E é isso que precisamos fazer. Hoje, 255 milhões de pessoas ainda não têm um único versículo da Escritura na língua que melhor entendem. 1,5 bilhão de pessoas não têm a Bíblia inteira. Isso é 1 em cada 5 pessoas, em todo o mundo, que ainda estão esperando a Bíblia ser traduzida para seu próprio idioma. 

 Louve a Deus pela incrível diversidade de idiomas que existe ao redor do mundo. 

 Ore por um povo que está em seu coração, para que eles possam se envolver melhor com a palavra de Deus. 

 Ore por aqueles povos onde a tradução ainda nem começou, e que no tempo perfeito de Deus eles conheçam o amor de Deus por eles, no idioma que melhor entendem. 


sábado, 27 de julho de 2019

1ª Conferência A BÍBLIA PARA TODOS OS POVOS - Participe!

Sobre o Evento
Nessa 1º Conferência compartilharemos formas de como indivíduos e igrejas podem se integrar à tarefa inacabada de levar o evangelho a todos os povos, tribos e nações, por meio do movimento de tradução da Bíblia. 

Você pode contribuir de maneira direta ou indireta, por poucos dias ou muitos anos, em atividades simples ou complexas.

“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo”. Apocalipse 14.6

*O evento terá início no dia 29/08 às 20:00 e encerramento no dia 31/08 às 22h00 (vide programação completa abaix0).

Localização
Igreja Batista do Bacacheri - Rua Amazonas de Souza Azevedo, 134 - Bacacheri, Curitiba – PR

Investimento
R$ 70,00 por pessoa. Inclui coffee break e material
*Almoço e jantar é por conta do participante. Há restaurantes com preços econômicos nas proximidades e haverá food truck na igreja.

Dúvidas
Sobre o evento: traducaodabiblia@amtb.org.br
Sobre formas de pagamento: contato@amtb.org.br

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Revista Passatempos Missionários #6: A Tradução da Bíblia para todos os Povos - Baixe grátis


Deus, ao revelar à humanidade seu plano salvador ao longo da história, escolheu assegurar e compartilhar sua revelação através da palavra escrita. De todas as necessidades do esforço missionário de Cristo, a maior delas é por tradutores bíblicos. O trabalho abnegado e metódico de um tradutor exige dedicados servos de Deus.
Nesta edição de Passatempos Missionários, aprenda um pouco sobre essa que é a mais magnífica das tarefas que um ser humano pode realizar – levar a Palavra de Deus a todos os povos da Terra, de uma forma que eles entendam! São caça-palavras, cruzadas e quizz em 12 páginas com muita informação.
Ore, contribua, invista tempo e recursos em vocacionados que você conheça. E seja você mesmo o próximo missionário tradutor.

PARA BAIXAR A REVISTA PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI
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A revista Passatempos Missionários objetiva transmitir informações relevantes, direta e indiretamente ensinando e despertando a Igreja para a importância e a urgência da causa missionária, tudo isso através de divertidos passatempos.
Este é um material totalmente gratuito, sem cores denominacionais, concebido para ser livremente distribuído entre a membresia de igrejas, seminários, classes de escola dominical, grupos e células, cultos e eventos de Missões etc.


sábado, 21 de outubro de 2017

A Reforma Protestante e a Tradução da Bíblia



Norval Silva

Introdução


A Reforma Protestante do século XVI foi sem sombra de dúvidas um movimento sócio-político. Como tal representou o rompimento com os poderes absolutos de Roma. Porém, mais que um movimento sócio-político, foi um movimento de renovação espiritual, de retorno aos princípios ensinados por Jesus e seus apóstolos.

Os clássicos sola (sola Scriptura, sola gracia, sola fide, etc.), marcaram os pilares do movimento da Reforma. Neste artigo, quero enfocar um destes pilares e afirmar a sua importância para o movimento missionário subseqüente. Trata-se de Sola Scriptura. 

1. A tradução da Bíblia antes da Reforma

Traduzir a Bíblia de suas línguas originais para línguas vernáculas sempre foi uma prática do povo de Deus. Antes mesmo de o Novo Testamento ser escrito, o povo judeu já havia traduzido o Velho Testamento para a língua Grega. Esta tradução ficou conhecida como Septuaginta ou versão dos setenta. Nos primeiros séculos da igreja cristã a Bíblia inteira foi traduzida para línguas como siríaco, armênio, latim, gótico, etíope, etc.
Com o fortalecimento da igreja no ocidente e a adoção do latim como língua da igreja, o processo de tradução ficou esquecido. Anglada, falando sobre o assunto diz: "A Igreja Católica havia se dado por satisfeita com a versão latina de Jerônimo e não estimulava sua tradução para outros idiomas, por considerar a Bíblia um livro obscuro e não apropriado para ser lido por leigos"1

Assim, a Igreja Católica passou a usar quase que exclusivamente o latim. Como o povo comum não falava esta língua nem a entendia, a compreensão do texto bíblico passava totalmente pelas mãos do clero. Os padres liam e interpretavam, à sua maneira, os ensinos sagrados. Nesse período, o que a igreja dizia tinha peso igual ou maior ao que a Bíblia dizia.

2. A Reforma e novas traduções

Lutero, Calvino e outros defendiam as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática para todos os cristãos. Havia porém um problema. Como o povo poderia ler e interpretar as Escrituras se elas estavam acessíveis quase que somente em latim ou em suas línguas originais? Foi então que um esforço enorme pela tradução da Bíblia foi feito. Neste período inúmeras traduções surgiram. Lutero mesmo traduziu as Escrituras para o alemão. A sua tradução foi tão importante para o povo do seu país que estudiosos têm considerado Lutero como o pai da língua alemã. Um primo de Calvino traduziu a Bíblia para o Francês. A famosa versão King James foi produzida na Inglaterra, o sínodo de Dort, na Holanda, promoveu a tradução para o holandês. Meio século mais tarde, mas ainda como fruto da Reforma, João Ferreira de Almeida traduziu a Bíblia para a língua Portuguesa. Desde então, centenas de línguas têm recebido o texto sagrado.

3. A tradução da Bíblia e a expansão do Evangelho

Foi o acesso à Bíblia traduzida e sua comparação com os ensinos da igreja de Roma que provocaram as maiores perdas no rol de membros da Igreja Oficial. À medida em que as pessoas descobriam o verdadeiro ensino bíblico se rebelavam contra todo e qualquer ensino que o contradissesse. Não é à toda que a igreja de Roma tenha feito um esforço enorme para destruir cópias das Escrituras traduzidas. A tradução para línguas de povos considerados não-cristãos, também provocou um grande avanço do evangelho em países como Índia, China, Coréia, etc.

Mais recentemente, as organizações Wycliffe para tradução da Bíblia (fundada por um presbiteriano) e as diversas Sociedades Bíblicas têm produzido traduções em muitas outras línguas do mundo. 
A Reforma mostrou que não pode haver verdadeiro cristianismo sem acesso às Escrituras. Mostrou também que somente as Escrituras devem ser a regra de fé e prática para o cristão.

4. Povos sem a Bíblia

Apesar de todo o esforço por parte dos Reformadores, hoje, em pleno século vinte e um, há ainda mais ou menos 3 mil línguas sem qualquer tradução das Escrituras, nem sequer João 3:162. Creio piamente que é tarefa da nossa igreja traduzir e promover as Escrituras para essas línguas. Aliás, isso está assegurado na nossa Confissão de Fé, que diz:

"O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, não sendo estas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las, estes livros têm de ser traduzidos nas línguas vulgares de todas as nações aonde chegarem..." (Art. VIII).

Meu coração se alegrou sobremaneira ao ver a Agencia Presbiteriana de Missões Transculturais reconhecer a importância desse ministério e considerar a tradução da Bíblia como um dos pilares de atuação da nossa igreja. 

5. Projeto Na'iruz

Cumprindo a nossa Confissão de Fé, estamos envolvidos na área de tradução da Bíblia. O nosso projeto chama-se projeto na'iruz (lê-se nairúi). Esta é uma palavra que vem da língua Guajajara, falada pelo povo do mesmo nome, tribo indígena do Maranhão. Ela significa simplesmente "três". Nosso projeto tem esse nome porque queremos promover as Escrituras na língua de três povos indígenas na divisa dos estados Pará e Maranhão. O leitor que desejar uma descrição detalhada do projeto pode nos escrever solicitando uma cópia ( lauenorval@hotmail.com )

6. Plantação de igrejas e a tradução da Bíblia

A ênfase que os Reformadores deram ao uso das Escrituras nas línguas vernáculas pode ser considerada como um dos maiores ganhos para a cristandade, tanto do ponto de vista educacional e cultural, como de uma perspectiva missionária. Quantos não aprenderam a ler porque queriam ler as Escrituras. Quantos não se tornaram crentes ao lerem alguma porção bíblica. Quantas não são as histórias de colportores no Brasil que ganharam centenas de pessoas para o Senhor simplesmente por venderem-lhes a Bíblia.

Finalmente, promover o acesso do povo à Bíblia em sua língua materna deve ser uma tarefa prioritária em nosso empreendimento missionário. Plantar uma igreja e não promover o acesso dessa igreja às Escrituras na língua materna do povo é correr o risco de ver essa igreja nunca amadurecer, ou ainda pior, enveredar por tradições e costumes que não só não estão contidos no texto bíblico, mas ainda o contradizem. Portanto, para cada programa de plantação de igreja, deve haver um programa simultâneo de tradução das Escrituras. 

"A fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus". Rom. 10:17. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Cristo coloca em primeiro lugar a evangelização - Luis M. Ortiz


Cristo coloca em primeiro lugar a evangelização
Luis M. Ortiz
A rápida evangelização do mundo é a tarefa suprema da igreja, e por isso, para este fim devem concorrer todas as suas atividades e esforços. Qualquer igreja ou indivíduo cujo objetivo principal não seja a evangelização do mundo e a obra missionária, está defraudando ao Senhor e enganando-se a si mesmo. O Senhor coloca a evangelização do mundo e a obra missionária em primeiro lugar.
A primeira mensagem no nascimento de Cristo foi uma mensagem missionária (Lc 2:10). A primeira oração que Cristo ensinou a seus discípulos foi uma oração missionária (Mt 6:10). O primeiro discípulo, André, foi o primeiro missionário (Jo 1:41). A primeira mensagem do Cristo ressuscitado foi uma mensagem missionária (Jo 20:17). O primeiro mandamento de Cristo ressuscitado foi um mandamento missionário (Jo 20:21). O último desejo de Cristo na terra foi um desejo missionário (Mt 28:19). O primeiro sermão apostólico foi um sermão missionário (At 2:17-39). A primeira vinda de Cristo foi uma obra missionária (Lc 4:18,19). A segunda vinda de Cristo será apressada pela obra missionária (Mt 24:14).
Irmão, os sinais que Cristo nos deu para sua Segunda Vinda são história contemporânea, tudo está pronto, o palco está pronto para a ação e o domínio do Anticristo. A noite vem, vamos redimir o tempo, avancemos.
No mundo, toda empresa e atividade humana – seja social, econômica, política, tecnológica, científica – está saturada, e se move com um sentido de urgência e rapidez. Mas, sem dúvida, para a grande empresa, para a grande tarefa da Igreja, a evangelização do mundo, a Igreja mantém um criminoso passo de tartaruga, falando no geral. O que Deus terá que fazer conosco para sairmos dessa inércia e desse estado de autocomplacência? Que surpresa ou comoção teremos que experimentar para despertar para nossa suprema responsabilidade?
Se o materialismo ateu pode comunicar-se a milhões tão rapidamente, por que a Igreja não pode evangelizá-los com a mesma rapidez? Se em alguns países os chamados Testemunhas de Jeová ganham tantos adeptos tão rapidamente, por que a Igreja não ganha convertidos com a mesma rapidez?
Amados, para que a Igreja, em sua tarefa de evangelizar o mundo, possa mover-se com a rapidez com que se move esta presente geração e também as doutrinas materialistas em sua diabólica propaganda, necessário é que caia fogo de Deus em cada coração; tem que acender-se o fogo da evangelização em cada crente e em cada Igreja, preciso é que o fogo do Espírito Santo venha a arder vivamente em cada cristão, dotando-o de poder sobrenatural e fazendo-o compreender a brevidade do tempo e a urgência da tarefa.
Porém este fogo de Deus sempre tem descido unicamente para consumir um sacrifício. Para que saia fogo de Deus e desça tem que haver um sacrifício. Diz a Bíblia: “Então, caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.” (1Re 18:38). “Então, Davi edificou ali um altar ao SENHOR, e ofereceu nele holocaustos e sacrifícios pacíficos, e invocou o SENHOR, o qual lhe respondeu com fogo do céu sobre o altar do holocausto.” (1 Cr 21:26). “E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa.” (2 Cr 7:1).
E no Novo Testamento, o fogo caiu unicamente quando aquela companhia de crentes, deixando tudo, sacrificando tudo, “...entrando, subiram ao cenáculo... Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas... Cumprindo-se o dia de Pentecostes... de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo...” (At 1:13,14; 2:1-4).
E essa pequena companhia, com o fogo de Deus ardendo em suas vidas, compreendeu que a evangelização está em primeiro lugar, e evangelizou a quase todo o mundo conhecido e em muito pouco tempo. Todavia, hoje em dia, a única maneira de o fogo de Deus cair sobre o crente e sobre a Igreja, capacitando-os para a rápida evangelização do mundo é apresentando nosso corpo em sacrifício vivo, santo, aceitável a Deus, por meio de um culto racional (Rm 12:1).
Somente assim o fogo de Deus descerá e não estaremos preguiçosos, mas ardentes em espírito e servindo ao Senhor, e conheceremos que é já o tempo de levantarmos do sonho e nos vestirmos com a armadura de luz, ou seja de fogo, para combater as trevas e evangelizar o mundo (Ro 12:11; 13:11,12).
Irmãos, Deus requer sacrifício. O fogo nunca caiu onde há indiferença, preguiça, complacência, comodidade, inércia. O fogo sempre caiu onde há sacrifício.
Quer o fogo de Deus para evangelizar o mundo? É preciso sacrificar, não há outro caminho. É preciso que apresentar-se no altar do sacrifício, do arrependimento, da confissão, da restituição, da completa obediência a Deus e Sua Palavra. Tem que sacrificar sua comodidade, seu descanso, seu tempo, seu dinheiro; tem que sacrificar sua carne, seus afetos, suas paixões, seus desejos (Lc 14:26; Mt 10:37).
Descerá do pedestal da fama, e subirá ao altar do sacrifício; deixará a comodidade da vida humana, para abraçar a abnegação da vida cristã; gozará os prazeres da carne ou a crucificará com seus afetos e concupiscências; descerá do trono do amor desmedido à sua própria vida, aos seus entes queridos, a seus interesses, a seu dinheiro, para tomar seu lugar na cruz e dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).

Traduzido por Sammis Reachers / Veredas Missionárias, a partir de original em espanhol publicado pela revista Impacto Evangelistico.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Ronaldo Lidório: Avaliando o avanço missionário mundial


Nas três últimas décadas, fomos positivamente bombardeados pela missiologia do avanço final, na qual Ralph Winter defendia uma abordagem em massa em direção aos 13 mil povos não alcançados da terra. Movimentos mundiais como o AD 2000 propuseram “uma igreja para cada povo e o evangelho para cada pessoa até o ano 2000”.
Foram listados inicialmente mais de dez mil grupos sem uma igreja com pelo menos cem membros. Logo depois, missiólogos como Patrick Johnstone conseguiram fragmentar o estudo, identificando menos de quatro mil etnias totalmente não alcançadas, enquanto que a World Mission International, em uma avaliação mais recente, estimou que apenas 2.134 grupos étnicos não tenham hoje uma igreja entre eles. As estatísticas mostram que houve um incrível avanço missionário nos últimos 30 anos.
É inquestionável o avanço da igreja cristã, que, entre 1999 e 2000, obteve um índice de 6,1% em termos de crescimento global — o maior crescimento entre as principais religiões mundiais, incluindo o Islã. Também não podemos desconsiderar o avanço das missões que se puseram a encontrar, estudar e catalogar os grupos ainda não alcançados pelo evangelho, fazendo-nos saber quem eles são, onde estão, quantos são e quais as principais barreiras a vencer para alcançá-los.
É preciso, entretanto, compreender que enquanto antigas barreiras vão sendo derrubadas, novas vão se formando. Não vivemos em um mundo estático. Precisamos de uma missiologia mais ágil do que precisávamos há dez anos. Além disso, algumas das antigas barreiras não têm dado o menor sinal de mudanças. Permita-me citar quatro novas fronteiras com as quais, creio, lidaremos nas próximas duas ou três décadas:

1. A redoma de resistência e entre os não alcançados

Os povos que foram alcançados – dentre os 13 mil inicialmente propostos por Winter e McGavran – seguiram a regra da menor resistência; e esta é uma regra normal. Ou seja, em regiões onde havia três grupos não alcançados, acontecia a penetração missionária nos dois que demonstravam menor resistência, seja geográfica, política, religiosa, linguística, cultural ou espiritual. O mais resistente ficava para um segundo momento. Em linguagem simples, “coamos” esses 13 mil povos não alcançados.
Quando analisamos o avanço missionário entre os grupos nômades, por exemplo, percebemos que 90% deu-se entre os chamados seminômades, os quais apresentavam maior tolerância à abordagem missionária. De acordo com o Dr. David Philips, da WEC International (Missão AMEM), há ainda mais de 150 grupos nômades totalmente não alcançados no mundo. Atingimos, em regra, os menos resistentes. Menor resistência funciona em geral como uma lista de oportunidades no mundo missionário.
Portanto, o que temos em nossas mãos neste início de milênio não são simplesmente outros dois mil PNAs (povos não alcançados), mas os dois mil PNAs mais resistentes em toda a história do Cristianismo. Consequentemente, precisaremos agora de maior preparo missiológico, cultural e linguístico que os missionários de 50 anos atrás. Também precisaremos de nova motivação, pioneirismo e, sobretudo, da graça de Deus. Poderíamos chamar essa primeira fronteira de redoma de resistência.

2. O desdobramento étnico entre os isolados

O desdobramento étnico é uma expectativa comum em boa parte da antropologia mundial, mesmo entre os não cristãos. Ele parte do pressuposto de que a maioria desses dois mil grupos étnicos não alcançados nunca foram mapeados antropologicamente. Existe grande possibilidade de que cada nome nesta lista corresponda a bem mais do que apenas uma etnia. Comumente encontramos uma nação étnica na qual diversas tribos, falando dialetos similares e possuindo coexistência cultural, dividem o mesmo território. Assim aconteceu com os Frafras no Noroeste Africano. Descobriu-se que não formavam apenas um povo, mas, dois grupos distintos linguística e culturalmente. O segundo se intitulava Kassena. Os Natuis, da Papua Nova Guiné, tidos como um só grupo por pelo menos um século, na verdade constituíam sete diferentes etnias, vivendo em relativa harmonia e compartilhando o mesmo território. Alcançar um povo não pressupõe alcançar todos.
Esse fenômeno ocorreu em 70% dos grupos estudados cientificamente nos últimos 50 anos, atingindo uma média de desdobramento de 4,2 (de acordo com o Departamento de Antropologia da London University). Ou seja, em 70% dos grupos isolados que sofreram uma abordagem antropológica nas últimas cinco décadas, cada um escondia, em média, outros três grupos. É possível, portanto, que os nossos dois mil PNAs se tornem cerca de cinco a oito mil grupos étnicos. Ainda há um bom caminho a andar.

3. A incapacidade de evangelização local por igrejas locais

Outra nova fronteira com a qual deveremos lidar nas próximas duas décadas é a da incapacidade de evangelização local por igrejas locais. Nem todos os países do mundo experimentam um bom crescimento da igreja evangélica como o Brasil, a Coréia e a Nova Zelândia. Segundo David Barrett, existem mais de quatro mil grupos étnicos no mundo entre os quais a igreja local não se mostra forte o suficiente para alcançar seu próprio povo. É igualmente alarmante o número de pessoas nascidas em países não cristãos: 48 milhões por ano (Global Report Magazine).
É preciso passar esses quatro mil grupos por uma nova avaliação de avanço missionário. Caso contrário, terminaremos as próximas duas décadas com um número expressivo de etnias nas quais o evangelho já foi exposto, mas permanece desconhecido pela maioria. Seriam eles alcançados?

4. A vasta diversidade linguística entre grupos minoritários

Entre as 6.528 línguas vivas no mundo, possuímos a Bíblia completa em 366, o Novo Testamento completo em 928 e grandes porções da Bíblia em outras 918 línguas. Entretanto, de acordo com a Wycliffe Bible Translators, mais de quatro mil línguas não possuem sequer uma porção da Palavra, sendo que 70% delas podem ser definidas como minoritárias. Lidamos, então, com um fato da cultura cristã: tem se tornado cada vez mais difícil arregimentar força missionária para alcançar grupos étnicos minoritários. De acordo com o Ethnologue, quatro mil das 6.528 línguas existentes são faladas por apenas 6% da população mundial.
Outro aspecto a ser lembrado é que dois bilhões de pessoas no mundo não conseguem ler ou escrever, seja por falta de alfabetização, seja por pertencerem a grupos ágrafos. Isso significa que não poderiam ler a Palavra mesmo que a tivessem em sua própria língua.
Considerando que um número cada vez menor de missionários tem tido tempo e estrutura suficientes para trabalhar simultaneamente na tradução bíblica e na alfabetização, corremos outro risco: terminarmos as próximas três décadas com porções da Palavra traduzidas para a maioria das línguas mundiais, ao mesmo tempo em que o índice de leitores nessas línguas diminui sensivelmente. Assim, teríamos mais traduções da Bíblia e menos leitores em potencial nas próximas 2.500 línguas mais necessitadas do evangelho.

Desafio

Nessa entrada de milênio, fomos mais uma vez bombardeados com um crescente número de propostas missiológicas visando apressar a conclusão do alcance do mundo que ainda desconhece o evangelho. Muitas foram novas ideias, novas propostas ou novas estratégias. David Hesselgrave nos alerta: “nem todo novo pensamento é dirigido pelo Espírito. Nem tudo o que é novo é necessariamente bom. A Bíblia é antiga, o Evangelho é antigo e a Grande Comissão é antiga”. Ele defende que, neste imenso mar de necessidades no mundo não alcançado, precisamos entender que “o evangelho dá a direção… pois a Palavra precede a nossa visão”.
O desafio que temos pela frente estatisticamente pode ser descrito como dois mil PNAs que poderão ser fragmentados em um número até três vezes maior, mais de quatro mil línguas e dialetos sem porções da Palavra, cerca de 150 grupos nômades sem presença missionária, 118 tribos não alcançadas em nosso próprio país e 72% de todos os grupos intocados pelo evangelho vivendo em países com fortes limitações políticas e religiosas. É, portanto, parte da nossa missão conhecer tais barreiras, estudá-las e transpô-las, discernindo os tempos e as épocas para a glória de Deus.

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