Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de abril de 2026

O LEGADO DE CADA GERAÇÃO PARA A ATUALIDADE DA OBRA MISSIONÁRIA


Leidiane Chaves Nogueira

Jesus Cristo está edificando uma Igreja a partir de uma multiplicidade de iniciativas missionárias, em diversas áreas e é Seu propósito que essa diversidade contribua para a realização da missão. Quando as gerações se unem para trabalhar juntas, a complementaridade entre forças e fraquezas pode gerar um impacto na atuação e no crescimento de cada cristão.

A intergeracionalidade, ao invés de ser uma fonte de conflito, pode se transformar em uma oportunidade valiosa para colaboração, troca de experiências, sabedoria e inovação. Vamos observar, então, algumas características das gerações que coexistem nesse momento dentro da Igreja e na obra missionária e pontos de contato e aprendizado entre elas.

A geração nascida entre 1946 e 1964, chamada de Baby Boomers, possui como característica marcante sua vasta experiência. De modo geral, se trata de uma geração que tem como valor a lealdade e a estabilidade no trabalho por terem uma visão consolidada de longo prazo. Na obra missionária, tem um profundo conhecimento bíblico e resiliência forjada em anos de serviço fiel. São, por conseguinte, aqueles que possuem uma sabedoria prática e têm feito uma carreira missionária perseverante. No entanto, apresentam certa rigidez em processos e estruturas já estabelecidas e dificuldade em adaptar-se às novas tecnologias e as mudanças culturais. Isso pode ser uma janela de oportunidade para se conectarem com as gerações mais jovens e se apropriarem das ferramentas digitais e da leitura de mundo necessária para os desafios dos campos missionários, entre eles a solidão, o autocuidado e a colaboração.

A Geração Coca-Cola ou Geração X é formada por aqueles que nasceram entre 1965 e 1980. Eles vivenciaram o mundo em constantes e rápidas transformações, especialmente no campo da globalização e novas tecnologias. Por esses fatores, eles conseguem fazer a mediação entre Baby Boomers e os mais jovens, apesar de serem mais individualistas. No ambiente missionário, são independentes, pragmáticos, adaptáveis e estão interessados em encontrar soluções práticas para os desafios missionários. Por outro lado, podem aprender com as gerações mais novas sobre formas diferentes de organização e como atuar de maneira mais colaborativa – tanto no campo, como em parceria com as igrejas. Ademais, pode confiar na solidez das vivências e na perspectiva mais tradicional e estruturada dos missionários mais experientes, garantindo o equilíbrio entre inovação no fazer missionário e os sólidos fundamentos bíblicos da missão.

Os Millennials, geração nascida entre 1981 e 1996 – também conhecida como Geração Y, estão abertos para o mundo digital e inovação. Estão em busca de significado naquilo que realizam e têm como valores a colaboração a transparência e as questões sociais. Isso contribui para criar um ambiente missionário com a participação de diferentes grupos, seja pela formação de equipes multiculturais e multidisciplinares, ou ainda pela participação ativa de grupos autóctones na evangelização dos povos. Isso pode contribuir para o crescimento de reflexões missiológicas e de práticas que sejam autossustentáveis, bem como contribui para o engajamento da Igreja nas causas missionárias. Estando sob a orientação dos Baby Boomers, são capazes de superar sua impaciência e tornam-se mais resilientes aos desafios, como o sofrimento e outras adversidades do campo missionário. Além disso, podem aprender com a geração X a lidar com aspectos práticos de missões, como gestão de recursos, criação de confiança nas comunidades-alvo, entre outros.

Os da Geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, são fluentes no mundo digital e sabem navegar pelas diferentes formas de comunicação atuais. Assim como os Millennials, têm um senso de propósito e interesse genuíno pelas causas sociais, mas são mais pragmáticos e adaptáveis. Podem ser uma força significativa no trabalho missionário, avaliando as necessidades contemporâneas e criando novas estratégias missionárias, que, às vezes, se contrapõem aos métodos de trabalho já consolidados. Nesse sentido, precisam do suporte das gerações anteriores para desenvolverem resiliência quanto aos desafios do campo missionário e uma visão mais ampla do impacto a longo prazo de suas ações.

Nascidos a partir de 2013, os da Geração Alpha têm uma capacidade de aprendizado acelerado e estão imersos na cultura digital. Isso é um forte indício de que trarão uma nova onda de criatividade e inovação, mas precisam desde agora aprender sobre a importância de um relacionamento profundo com Deus e de orientação quanto a colocar seu potencial geracional a serviço da obra missionária.

Em suma, toda a diversidade própria do convívio entre gerações é algo que Deus proporcionou à Igreja e que podemos usufruir com sabedoria, humildade e na perspectiva bíblica da mutualidade. Seja nas potencialidades de cada geração ou em suas fraquezas, podemos ver a ação de Cristo edificando para si um corpo e ajustando-o para Sua glória.

Trecho do artigo Intergeracionalidade: Extraindo o melhor de cada geração. Do livro Gestão de Missões na Igreja Local (org. de Seir Vasconcelos. Descoberta, 2025).

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Razões Pelas Quais os Missionários Deixam o Campo

 


Razões Pelas Quais os Missionários Deixam o Campo

 George Verwer


1. O mais importante é que Deus as dirigiu para irem para o trabalho missionário. Deus normalmente muda nossa direção e acrescenta toda nossa humanidade nela. Eu peço fortemente que você leia o livro de Viv Thomas, chamado "Second Choice". Ainda que alguns retornem por causa de pecado, falha ou algum outro fator negativo, Deus ainda pode reinar, especialmente se houver consciência, quebrantamento e arrependimento.

2. Liderança fraca no campo é outra razão pela qual pessoas não "têm êxito". Um de nossos principais ministérios deve ser treinamento e formação de uma liderança boa e capacitada, a qual deve ser combinada com a assistência de novos crentes em compreenderem a base bíblica para liderança. Há muito abuso e dúvidas sobre este assunto e por isso muitos crentes estão confusos.

3. Também é importante estar ciente sobre expectativas irrealistas. Como publicador de livros devo confessar, que normalmente são livros que criam uma expectativa irrealista. Temos muitos livros com fórmulas legais e que não estão conectadas com algumas das coisas que ouvimos ou lemos a respeito. Líderes levantados por Deus continuam sendo pecadores, salvos pela graça, mas irão continuar a pecar e falhar. Devemos estar prontos para perdoar e crescer juntos em quebrantamento e arrependimento. Líderes têm que tomar decisões difíceis e com a diversidade de pessoas na maioria das equipes, sempre tem alguém que fica chateado. Isso algumas vezes leva à fofoca e logo, logo você tem uma bagunça. Se eu não acreditasse que Deus trabalha mesmo no meio de nossa bagunça de pessoas, creio que eu ficaria desmotivado permanentemente (eu adoraria enviar pra você minha mensagem sobre desmotivação).

4. Falha na área sexual é outro motivo pelo qual as pessoas retornam do campo. Eu poderia te contar algumas histórias de "terror". Pornografia, especialmente na internet, está causando um grande estrago nas linhas de frente do trabalho missionário. Não são muitos que estão dispostos a falar sobre isso abertamente, muito menos tomar realmente uma atitude quanto a isso. As pessoas às vezes enfrentam solidão no campo e isso pode contribuir para que tenham romances rápidos (que não são de Deus) que terminam em desastre. Eu apelo às pessoas que leiam livros que falam a respeito deste assunto, como o The Snare, escrito por Lois Mowday e When Good Men Are Tempted, de Bill Perkins. Infelizmente os líderes são normalmente o alvo do inimigo neste aspecto de batalha espiritual. Esta é a razão pela qual problemas matrimoniais normalmente fazem com que as pessoas voltem pra casa.

5. Conflitos pessoais, estratégicos e doutrinários também estão perto do topo da lista de causas que fazem com que as pessoas voltem depressa pra casa. Em um sentido prático parece que nunca há tempo suficiente para resolver tudo e normalmente os líderes estão sobrecarregados e a caminho de um esgotamento. Como tantos "matadores da graça" conseguem chegar ao campo missionário? Todos deveriam ler o livro de Charles Swindoll, O Despertar da Graça.

6. Falhas nas áreas de idioma e aprendizado cultural, bem como adaptação são partes de fatores importantes. Novamente quero afirmar que por 46 anos tenho visto todo tipo de gente sendo usada no campo missionário, então sejamos tardios para julgar, especialmente em relação ao que Deus está fazendo ou não está fazendo. Se as pessoas são aprendizes e estão dispostas a receber correções e continuam crescendo, então sempre haverá esperança. Humildade e serviço verdadeiro sempre podem compensar a falta de domínio do idioma e de outras áreas. O abuso da graça também pode surgir e penso que todos nós sabemos que "graça sem disciplina pode terminar em desgraça" e isso, por consequência, pode prejudicar muito o trabalho de formas muito reais.

7. A falta de trabalho em equipe e de cuidado pastoral são fatores importantes. Muitas agências têm melhorado nesta área nos últimos anos, mas minha convicção é de que sem a verdade de 1 Coríntios 13 nada irá realmente funcionar. Precisamos de pessoas que experimentaram a realidade da graça de Deus em suas vidas, especialmente antes de entrarem em missões de longo-período. Missões de curto-período realizadas da maneira correta normalmente pode se tornar um grande passo nesta direção. Alguns trabalhos de curto-período só ajudam as pessoas a disfarçarem seus pecados e dificuldades. Esta é a razão pela qual seria muito bom se o processo de discipulado começasse num estado bem inicial. Creio que congressos como o TeenStreet estão ajudando nesta área, assim como outros eventos semelhantes ( https://itsbr.com.br/ ).

8. Problemas e complexidades em casa. Nos dias do e-mail, etc. as pessoas no campo ainda estão envolvidas com problemas em casa. Divisões e outros problemas em suas igrejas locais os afetam e normalmente fazem com que seu sustento diminua ou sejam convidados a voltarem pra casa.

9. Falta de sustento ou dificuldade de pressão financeira. Muitos acabam nunca saindo porque odeiam levantar sustento ou são incapazes de fazê-lo. Este é um fator muito importante que, novamente, não gostamos de falar honestamente a respeito. Os problemas e complexidades são infindáveis e é aí onde precisamos de um renovo de otimismo divino. Por favor, ouça minha mensagem "Does the Lack of Funds Hinder God’s Work?"

10. Satanás e seu exército são outro motivo. Não queremos super enfatizar o diabo, mas há muitos versículos fortes sobre ele e sabemos que ele milita contra a evangelização mundial. Ele adora semear visões legalistas e errôneas sobre o próprio Deus. Somos advertidos de que algumas vezes ele vem em forma de "anjo de luz" e em outras como um leão rugindo, buscando a quem tragar. Esta é a razão pela qual um caminhar básico com Deus na plenitude do Espírito, ou qualquer que seja o termo que você use para isso, é a principal maneira de permanecer no centro da vontade de Deus.

 

Do livro Gotas de Uma Torneira Quebrada


quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Os três princípios missiológicos adotados pela maior agência missionária brasileira

 


João Marcos Barreto Soares é Diretor Executivo da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Em seu livro O Chamado Inadiável Para Completar a Missão (Convicção Editora, 2025), ele esclarece os princípios missiológicos que atualmente regem o trabalho da JMM, uma das maiores agências missionárias do mundo:

 

Quero ressaltar nossos três princípios missiológicos, que são a nossa atual base em Missões Mundiais:

 

TODOS ENVIANDO PARA TODOS

Missões Mundiais foi pensada e estruturada por muitos anos para enviar brasileiros para o campo missionário. Entretanto, hoje entendemos que precisamos enviar todos os povos para todos os lugares onde há povos não alcançados.

 

PROTAGONISMO DO NACIONAL

No passado, nossas ações missionárias eram focadas nos brasileiros. Os brasileiros eram as pessoas-chave das intervenções missionárias. Hoje, nós acreditamos e defendemos que esse protagonismo deve pertencer à igreja local.

 

OS QUATRO AUTOS DAS COMUNIDADES DO REINO

O padrão de medida que usamos para a Plantação de igrejas em Missões Mundiais são os três princípios de autonomia, já consagrados. O princípio de autonomia das igrejas batistas afirma que cada igreja local é autônoma e independente, o que significa que cada igreja tem a liberdade de tomar suas próprias decisões, tanto no âmbito de sua própria gestão, administração e estrutura organizacional, quanto na sua teologia.

Por isso, Missões Mundiais propõe mais um princípio, além dos três princípios consagrados na perspectiva denominacional batista, Vejamos estes princípios:

 

AUTOSSUSTENTO – A igreja local precisa levantar seus próprios recursos para que o trabalho aconteça. Temos histórias de igrejas, principalmente na América do Sul, que dependeram de nós por mais de 40 anos. Mas, a crise financeira chegou ao Brasil. Como continuar mantendo aquela igreja com recursos financeiros limitados? Como aquela igreja conseguiria dar um sustento digno para seu pastor local, se sempre teve um missionário brasileiro, sustentado pelas igrejas batistas brasileiras in loco?

A igreja acabava não colocando em seu orçamento o sustento do pastor, porque eles sabiam que Missões Mundiais mandaria uma família missionária para ocupar aquela posição. Então, é extremamente importante que a Igreja local entenda seu papel em gerar e cuidar dos seus próprios recursos financeiros.

 

AUTOGOVERNO – A igreja local precisa ter líderes maduros com condições suficientes para cuidar de todo o trabalho. Por que muitas vezes uma igreja não cresce? Um dos motivos é a falta de preparo de novos líderes. Um dos indicadores monitorados por Missões Mundiais é a "capacitação de líderes".

Nós queremos que nossos missionários de plantação de igreja foquem sua atuação no preparo de novos líderes, porque entendemos que serão esses líderes que darão continuidade ao trabalho.

Uma igreja precisa ter uma liderança forte e competente para que o trabalho continue sem depender de outros.

 

AUTOPROPAGAÇÃO – A igreja local precisa ter crentes com disposição em anunciar Jesus Cristo a todos. Precisa crescer por si mesma, sem depender de ninguém.

O crescimento da igreja precisa ser orgânico. Há igrejas que entendem que a função de evangelizar é exclusiva dos pastores, dos missionários ou do Departamento de Evangelismo e Missões, mas a evangelização deve ser responsabilidade de todos.

 

AUTOTEOLOGIZAÇÃO – Missões Mundiais incluiu mais um princípio que é a autoteologização, que significa que a igreja local, por ela própria, precisa conhecer a Bíblia e interpretar a mensagem bíblica em sua própria cultura.

Isso não significa que a verdade bíblica muda de um contexto para o outro, mas que igrejas, em diferentes contextos culturais, devem expressar os temas centrais da doutrina bíblica em seu próprio idioma, enquanto tratam também de questões específicas do seu próprio contexto com base nas Escrituras Sagradas.

Nós devemos ir e fazer discípulos de todas as nações respeitando a cultura local. Eu, como missionário, não posso impor.

Isso me faz lembrar do livro da Analzira Nascimento, nossa missionária em Angola durante a guerra civil – “Evangelização ou colonização? O risco de fazer missão sem se importar com o outro”. Este modelo missionário reproduz uma prática missionária colonialista, em que os "superiores" são aqueles que sabem o que é melhor para "eles".

Precisamos de um modelo missionário que trabalha e vive com o outro, e não pelo outro. Nós, igreja brasileira, devemos respeitar a cultura local, viabilizando para que eles possam conhecer a Bíblia e interpretar a mensagem bíblica em sua própria realidade.


sábado, 15 de novembro de 2025

Palavras de Encorajamento Para Aqueles que Serviram em Missões

 


Palavras de Encorajamento Para Aqueles que Serviram

 George Verwer (Fundador da Operação Mobilização)


Vida Após

Estou sentado em um trem, de volta para minha casa em Londres depois de uma reunião de igreja em Bristol. Tenho clamado ao Senhor pelas palavras corretas para este artigo, pois desejo ser capaz de ajudar e encorajar aqueles que têm estado fora, no campo missionário, e agora estão de volta em casa, ou preparando-se para isso.

A reentrada, como algumas vezes é nomeada, pode ser um desafio maior do que ir para um campo missionário pela primeira vez! Sete palavras bíblicas desafiadoras vêm à minha mente. Eu gostaria que você pensasse sobre estas palavras e permitisse que elas o lembrassem de grandes temas da Palavra de Deus.

 

Integridade

Uma das maiores palavras no nosso vocabulário é integridade. Ela requer de nós abertura, pureza e realidade, isso significa que não iremos exagerar a respeito do que fizemos ou vimos no campo missionário, isso significa que tomaremos cuidado extra sobre os pecados da língua, bem como em sermos absolutamente honestos e transparentes em relação às finanças.

 

Disciplina

Já foi provado milhares de vezes que graça sem disciplina é igual a desgraça.

Depois de um duro período de experiência missionária que demanda trabalho duro e disciplina é fácil baixarmos nossa guarda nesta área. Fora de uma situação de equipe e estrutura de liderança teremos que mudar a marcha para uma autodisciplina ainda maior. Na busca por fazer isso será fácil cair em falhas na comunicação e fracassar no ajuste de equilíbrio. Você pode namorar alguém que se diz cristão e ainda assim tentar ir pra cama no primeiro encontro ou antes do casamento. Algumas pessoas deixam certas situações missionárias onde há muitas restrições quanto à conduta sexual e quando voltam pra casa onde há um ambiente mais liberal e promíscuo eles facilmente deixam baixar a guarda moral e acabam em uma grande bagunça.

Algumas pessoas rejeitam rapidamente os missionários e não querem manter contato, riscando-os de seus contatos por serem superespirituais ou devotos. Esforços para provar o contrário nem sempre funcionam e sentimentos de rejeição podem vir facilmente. Satanás fará tudo o que pode para nos desencorajar, e quando estamos desencorajados isso abre a porta para outras tentações. Diariamente devemos segurar alto o escudo da fé (Efésios 6), ou parar aqueles dardos inflamados do desânimo.

 

Realidade

Eu vejo que algumas pessoas voltam de certos programas de treinamento e eventos missionários de verão tendo uma visão fantasiosa da vida cristã (isso também pode acontecer em algumas igrejas e ao ler certos tipos de livros). Devemos nos dar conta de que não importa o quão cheios possamos estar com o Espírito Santo, ainda assim somos bem humanos. Se formos realistas reconheceremos que pessoas muito boas — até mesmo cristãos comprometidos — podem e irão falar e fazer coisas muito más e cometerem pecado. Coisas terríveis também acontecem com pessoas boas. Nós amamos Salmos e algumas vezes lemos Provérbios, mas temos a tendência de esquecer que estes dois grandes livros são precedidos pelo livro de Jó.

 

Visão

Devemos lutar duramente para manter a visão que Deus nos deu. Devemos ser enviadores e mobilizadores de missões — missionários lutando por missões — fazendo todo o esforço possível para passar a outros com veracidade e humildade o que Deus nos ensinou no campo. Isso não será fácil e haverá muitos confrontos e desencorajamento pelo caminho.

Algumas vezes seremos capazes de amar, influenciar e ajudar somente uma pessoa de cada vez ao longo da estrada em que nos tornamos cristãos mundiais. Tente fazer bom uso das ferramentas como livros, CDs e DVDs e vídeos que ajudam as pessoas a compreender do que se trata tudo isso.

Precisamos manter contato com as pessoas no campo, especialmente aqueles que ajudamos a chegarem a Cristo. Tente não quebrar promessas — se você falou a alguém que iria orar por ele ou ela, então você deve orar. Tente ter comunhão, até mesmo por telefone se for necessário, com pessoas que pensam como você. Mantenha este fogo por missões ardendo em seu coração.

 

Graça

Eu rogo a você que leia o livro de Charles Swindoll chamado O Despertar da Graça. Este livro, juntamente com o livro de Peter Jordan chamado Re-entry podem ser fundamentais para lhe ajudar a enfrentar — no poder do Espírito Santo — os desafios e dificuldades que você sabe com certeza que irá enfrentar em casa. Estes livros lhe ajudarão a ter um coração generoso quando as pessoas lhe fizerem perguntas tolas — ou pior, absolutamente nenhuma pergunta.

Esta revolução de graça nos ajuda a aceitar e perdoar pessoas que parecem ser egoístas ou sem visão. Precisamos aprender a graciosamente concordar em discordar. Precisamos aprender a como nos darmos conta das formas mais sutis de orgulho, até mesmo de orgulho missionário. Isso também nos ajudará a continuar perdoando-nos quando falhamos ou pecamos. A graça irá nos manter no centro do caminho de Deus para a santidade. Também rogo a você que leia o livro do Philip Yancey chamado O que há de tão maravilho na graça?

 

Perdão

Você realmente já perdoou aqueles que o feriram no campo missionário? E sobre você mesmo? Você já se perdoou pelas mancadas, falhas e pecados que você cometeu? Se já o fez, então está no caminho certo, pois agora você pode perdoar aqueles que o feriram de volta ao lar. Esteja atento quanto as expectativas irreais, principalmente aquelas conectadas à sua agência missionária e sua igreja local.

Se você foi saudado no aeroporto e foi recebido com uma recepção real, então glorifique a Deus. Se não, ainda assim glorifique a Deus. Que sua primeira fonte de alegria e satisfação seja o próprio Senhor. Que o amor humano e a ajuda sejam a água que derrama no topo do copo — a cobertura do bolo.

Por favor, esteja atento às expectativas irreais — geralmente bíblicas. Você deve aprender a amar e aceitar pessoas ao retornar para sua cultura, da mesma forma como aceitou aquelas pessoas novas numa terra estrangeira, dentro de suas culturas. Creio que precisamos de uma abordagem contextualizada para voltarmos pra casa, tanto quanto precisamos ao sair dela. Precisamos ser mais do que gratos àqueles que estiveram orando por nós e nos apoiando. Devemos estimar os enviadores e reconhecer que eles têm igual importância nesta grande tarefa missionária.

 

Pró-atividade

Como é fácil, debaixo de pressão, nos tornarmos reacionários. Reações geralmente são negativas — os golpes mais duros da vida e das pessoas parecem atingir-nos abaixo da cintura. Estes golpes não são justos! Lembremo-nos de 1 Coríntios 15.58 — "Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nado os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não serei inútil."

Que nos mantenhamos seguindo em frente, tentando não ser críticos e negativos sobre a igreja local, especialmente se eles não ajudaram ou apoiaram você tão bem. Por favor, tente ouvir e discernir a situação deles e algumas das lutas que eles experimentaram enquanto você esteve fora.

Lembre-se de Filipenses 2.3 — "(...) mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos." É fácil ver problemas em sua própria nação, cidade ou igreja, embora possa ser intimidador. Precisamos da mesma coragem que tínhamos quando colocamos o pé fora do avião na Turquia, Índia ou qualquer outro lugar.

Precisamos nos manter ativos em oração e evangelização, buscando encontrar as pessoas dos países onde servimos e que agora são imigrantes ou estudantes em nossas cidades. Precisamos reforçar que o campo missionário está em todo lugar, mantendo uma visão fundamentada em missões.

Bem, meu trem está quase chegando em Londres e escrevi tudo isso à mão em uma mesa de trem chacoalhando. Espero que minha secretária consiga ler isso. Uau! Espero que você também tenha lido isso!

Deus te abençoe!

 

No livro Gotas de Uma Torneira Quebrada.


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Experimentando a Aventura de Ofertar pela Fé - Bill Bright

 


Bill Bright, o fundador da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, nos traz um relato emocionante sobre sua vida com Deus e a aventura de ofertar pela fé para a expansão do Reino:

Vonette [minha esposa] e eu estamos muito mais entusiasmados com o nosso Senhor e o privilégio de servi-Lo agora, do que 45 anos atrás quando assumimos um compromisso muito especial de colocá-lo em primeiro lugar em nossas vidas. Na primavera de 1951, quando eu estava em meu último ano no Seminário Teológico Fuller, era um diácono da Primeira Igreja Presbiteriana de Hollywood e dirigia meus negócios, ficamos cada vez mais convictos de que viver para Cristo e servi-Lo era nosso maior objetivo na vida. Assim, decidimos assinar um contrato com o Senhor Jesus Cristo, a quem entregamos nossas vidas e todos nossos bens materiais, inclusive as ofertas de nossas finanças.

Como resultado, hoje, Vonette e eu possuímos muito pouco dos bens deste mundo. Somos missionários de nosso Senhor, e, como qualquer outro obreiro da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, confiamos em Deus para suprir nossas necessidades financeiras a cada dia, através de pessoas dedicadas que Ele determina para investir em nós e em nosso ministério para Ele. Embora raramente tenhamos mais que o suficiente para suprir nossas necessidades por alguns dias ou semanas, sempre desfrutamos das bênçãos que Ele prometeu a todos que confiam e obedecem a Ele. Preferimos confiar nele para suprir todas nossas necessidades do que em todas as instituições financeiras do mundo combinadas.

Vonette e eu experimentamos uma das aventuras mais emocionantes de nossas vidas com respeito a contribuir. Tudo começou em 1946, quando ouvi Dr. Oswald Smith desafiar aproximadamente mil universitários e jovens no Congresso Estudantil de Forrest Home a dedicarem suas vidas ao cumprimento da Grande Comissão. Ele pediu a cada um de nós que colocasse o nome sobre um país, reivindicando-o para o Senhor mediante oração e contribuição, conforme orientado por Deus e, se necessário, até dar nossas vidas para alcançar esse país para Cristo. Coloquei meu nome sobre a União Soviética e comecei a orar para Deus fazer uma grande e poderosa obra naquele país.

Quando Vonette e eu nos casamos, ela se uniu a mim em oração pela União Soviética. Na década de 90, nós e nossos obreiros ministramos ao povo soviético com resultados fantásticos, ajudando a treinar milhares de pastores e leigos em várias repúblicas da União Soviética.

Uma vez, um líder cristão da União Soviética visitou nosso escritório e nos pediu para iniciarmos um Centro de Treinamento Vida Nova em Moscou. O custo para iniciar um centro de treinamento de discipulado seria de U$ 50,000 para o primeiro ano. Mais tarde, um pensamento passou pela minha mente: Poderia Deus operar, através de mim, usando minha aposentadoria para ajudar a estabelecer tal Centro de Treinamento? Meus anos de oração pelo povo soviético e as diversas visitas ao seu país, tinham me dado um amor e fardo especiais por eles. Iniciando um Centro de Treinamento Vida Nova com os rendimentos de minha aposentadoria, eu poderia ter uma rara oportunidade de ajudar a alcançar muitos milhares para nosso querido Senhor Jesus Cristo! Eu não tinha a mínima ideia do total da minha aposentadoria. Alegremente, considerei o projeto.

Primeiro, entretanto, eu tinha de discutir minha ideia com Vonette. Depois de ouvir atentamente o que eu pensava que Deus queria que fizéssemos e de fazer algumas perguntas pertinentes expressando suas preocupações, ela aprovou entusiasmada. Oramos e concordamos em confiar no Senhor para os anos vindouros.

Verifiquei quanto de dinheiro havia acumulado em meu fundo de pensão. Para nosso espanto, tínhamos quase a quantia necessária para empregar no Centro de Treinamento no primeiro ano. Alegria e emoção enchem meu coração ainda hoje quando compartilho essa história com você. A simples ideia de que Deus poderia usar minha aposentadoria para ajudar a apresentar milhares de pessoas a Cristo me deixa maravilhado. Não tenho como agradecer a Deus o suficiente pelo privilégio de fazer essa contribuição de meu tempo, talentos e tesouro para ajudar a cumprir a Grande Comissão.

Você já fez o seu compromisso de ajudar a cumprir a Grande Comissão investindo no reino de Cristo? Ele está buscando pessoas que assumam compromissos radicais investindo seus recursos para ajudar a cumprir a Grande Comissão em nossa geração. Ele reserva uma bênção especial àqueles que dão generosamente de seu tempo, talentos e tesouro para Sua obra (João 14.21,23).

Provavelmente, Ele não guiará você a empregar sua aposentadoria na causa de Cristo. Ele quer ser original com cada um de nós. Vonette e eu simplesmente respondemos a esse Seu chamado especial para nossas vidas. Mas para que você alcance ao máximo as bênçãos e muitos frutos para a glória de Deus, você desejará obedecer a Sua vontade e direção enquanto segue Seu Plano para sua vida.

Insisto em que você desenvolva uma estratégia pessoal de investir aquilo que capacitará você a contribuir sábia e significativamente no reino de Deus, aumentando ainda mais seus frutos para Cristo. Reconheça Deus como a fonte e dono dos seus bens, e esteja pronto para prestar contas a Ele da sua mordomia. Ofereça ao Senhor Jesus seus dons como um ato de louvor e adoração. Coloque Deus em primeiro lugar em sua oferta e administre seu tempo, talentos e tesouro para dar o máximo de glória ao Seu nome, armazenando em abundância tesouros no céu. Fazendo assim, você também experimentará a maravilhosa aventura de ofertar pela fé.

Bill Bright, no livro Como Experimentar a Aventura de Ofertar.


terça-feira, 27 de maio de 2025

MESSIANISMO INDÍGENA NO CONTEXTO MISSIOLÓGICO - Onésimo Martins de Castro

 


Este artigo propõe resumir os fatos narrados no livro “Esperando a volta do Criador – Expectativa messiânica de um povo indígena ‘isolado’ na Amazônia, publicado em 2008 pela Transcultural Editora e Livraria e republicado neste ano com o mesmo título pela UICLAP Editora e Distribuidora Ltda.[1] Título inspirado na fala de um senhor indígena de aproximadamente 65 anos na época, perguntando ao missionário se ele havia visto o Porapohat (criador dos seus antepassados), que eles esperam um dia voltar para curar os doentes e ressuscitar os mortos.

Trata-se de relato fidedigno sobre os primeiros contatos com um povo indígena isolado na época, efetivado em 1987 e assistidos por uma missão Evangélica por um período de 04 anos, livrando-os do processo de extinção a que já estavam fadados. Aborda também os fatos relacionados à perseguição religiosa, que afetou drasticamente a vida dessa população, em nome de uma suposta preservação física e cultural. Porém negando-lhes o direito de conhecerem a mensagem do Criador, expectativa messiânica inerente à sua cosmovisão.

 

RELATO HISTÓRICO

 

No final da década de 1970 e início de 1980, uma equipe de assistência aos povos indígenas localizou-se na cidade de Santarém, na confluência dos rios Amazonas e Tapajós, no Oeste do Pará. Tinham como objetivo definido o mapeamento da região quanto à existência de etnias carentes de atendimento físico, social e espiritual. Eram filiados a uma Instituição Evangélica, que a cerca de 40 anos prestava relevantes serviços aos povos indígenas no Brasil em parceira com o antigo SPI – Serviço de Proteção aos Índios e posteriormente com a FUNAI- Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Estando devidamente preparados e qualificados para essa tarefa e firmados no princípio de amor a Deus e ao próximo, empreenderam viagens aéreas, por estradas, rios e matas à procura dessas etnias. Vários grupos indígenas ainda necessitados desse atendimento foram localizados e passaram a ser assistidos in loco por membros dessa instituição conveniada com a Funai.

         Nesse tempo, tomaram conhecimento de um povo ainda isolado da sociedade envolvente, nas imediações do rio Cuminapanema[2] ao norte do rio Amazonas. Região explorada apenas por castanheiros, balateiros (extratores de borracha) e caçadores, que singravam suas águas. No final dos anos 1970, trabalhadores de uma companhia de exploração mineral (IDESP)[3], acamparam-se em uma savana conhecida como Campos Gerais[4], bem próximo das cabeceiras desse rio. Certo dia, enquanto sobrevoavam o local, depararam com uma aldeia encravada na mata, distando apenas 08 km de seu acampamento.

A Funai que, até então desconhecia a existência desse grupo, foi até a região para averiguação e possível aproximação com essa população. Mas abandonaram o projeto, alegando falta de recurso e com o argumento de que a tribo não sofria ameaça que justificasse a realização do contato. No entanto, ignoraram o fato de que a presença desses exploradores da floresta poderia ter contaminado essa gente com malária ou outras doenças e colocando suas vidas em risco.

         De posse desses dados e levando a sério seu objetivo assistencial a todos os povos necessitados de socorro externo, esses obreiros foram até às cidades vizinhas em busca de mais informações a respeito. Nessa pesquisa, foi confirmada a existência dos indígenas isolados naquela região, inclusive, com relatos de que alguns caçadores haviam se aproximado das aldeias e até encontrado alguns deles na mata. Diante disso, entenderam ser urgente a efetivação do contato para prestar-lhes socorro em tempo ainda oportuno.

Tão logo possível, empreenderam viagem rio acima e posteriormente pela mata até próximo dessas aldeias. E, como estratégia de segurança e com anuência da Funai, construíram uma pista de pouso e uma base de apoio assistencial, que recebeu o nome de Base Esperança.

Isso depois de longos oito anos de árduo trabalho preparatório, envolvendo viagens por um rio caudaloso e tomado de cachoeiras. Depois abriram caminho pela mata até onde construíram uma pista de pouso de 600 metros de comprimento em plena selva amazônica. Trabalho feito com apenas machados, enxadas, enxadões e um motosserra para atorarem os troncos mais grossos. Porém movidos pelo amor de Deus pelos indígenas, se deram de corpo e alma, deixando esposas e filhos na cidade, para que um dia essas pessoas pudessem conhecer o Evangelho.

Suas esposas, verdadeiras heroínas nesse empreendimento, ficavam na cidade com seus filhos ainda pequenos. Para elas, além da saudade e do peso das situações envolventes, havia a falta de comunicação direta com eles. Desde quando tomavam uma embarcação no porto de Santarém para uma cidade vizinha e de lá seguiam por rios e matas em direção ao objetivo proposto, a ausência de notícias era torturante. E, por se tratar de contato com um povo isolado, não sabiam o que poderia estar lhes acontecendo. Porém na dependência do Senhor, cumpriram fielmente sua parte no sublime propósito de Deus para com essa gente.

O primeiro encontro com esses indígenas se deu quando ambos caminhavam pela selva. Momento de muita tensão, emoção e grande realização, vendo o resultado de todos esses anos de luta e ações de Deus. Graças à intervenção divina e o fato de que nos encontros anteriores não houve atrito dos indígenas com os exploradores da região, esse contato foi pacífico. Embora tenso e sem nenhum entendimento na comunicação verbal, essas indígenas foram bem amistosas e cordatas com os visitantes, sendo o contato efetivado no final de 1987.

Até porque, nos encontros relâmpagos que ocorreram anteriormente, os caboclos da região fugiram deixando para trás machados, facões e rede de dormir, que eles pegaram, usaram e estavam ansiosos para novamente adquiri-los. Encontrando-se de novo com quem possuía esses objetos, seu desejo pelos bens de consumo tão essenciais às suas atividades cotidianas foi aflorado. Por isso, logo vieram à base missionária em busca desses utensílios, que tanto desejavam possuir.

Após virem com suas famílias e os obreiros levarem também suas esposas e filhos até o local, o relacionamento mútuo foi solidificado. Mas, quando visitaram as aldeias perceberam que essa população já havia entrado em sério processo de extinção. Isso devido à malária, possivelmente contraída das pessoas que transitavam até próximo de seu habitat.

Graças à ação de Deus e determinação desses obreiros, indo de aldeia em aldeia tratando os doentes, essa moléstia foi sendo aos poucos erradica. Resultando no crescimento dessa população de 119 pessoas no primeiro censo para 136 no final dos 04 anos de permanência da equipe missionária entre eles.

Ao contrário do que se propaga nos meios de comunicação, o contato efetivado com esse povo, conhecido posteriormente como Zo’é (gente legítima), foi preponderante para a preservação da vida e da saúde dessas pessoas. Caso contrário, talvez nem mais existissem, como aconteceu com tantos grupos isolados no Brasil e no mundo.

No entanto, depois de dois anos do contato efetivado, desencadeou-se uma forte perseguição contra a Missão e seus membros. Um dos sertanistas da Funai, declaradamente contrário ao trabalho missionário entre os indígenas, criou o Departamento de Índios Isolados (DII) dessa Fundação, e se fez diretor. E, a partir de 1989, juntamente com outros sertanistas de mesma ideologia, fizeram uma primeira expedição oficial a essa localidade, já com propósito de intervenção no trabalho em andamento.

Nesse mesmo ano, uma antropóloga belga e seu orientando de mestrado iniciaram incursões naquela terra indígena. Juntando-se a esses opositores, produziram falsos relatórios, na tentativa de tornar verdadeiras as calúnias contra os servos de Deus que ali atuavam. Sem conhecimento suficiente da língua, levaram os indígenas a rememorarem as mortes ocorridas a longo do tempo e atribuíram a maioria delas ao período de atuação da Missão entre eles. No entanto, quando esses dados foram analisados por um perito no assunto, veio à tona os graves erros cometidos por esses elementos, tais como:

 

pessoas que foram mortas duas ou três vezes; elemento do sexo masculino que morrera por problema de geração de filho; dor de dente alistada como causa mortis; muitas pessoas que, se estivessem vivos naquela época, teria mais de cem anos, quando a expectativa de vida entre eles era de apenas 56 anos.[5]

 

A mídia anticristã, com jornalistas e diretores tendenciosos, passaram a publicar matérias recheadas de acusações infundadas contra pessoas que estavam gastando suas vidas no socorro àquela população. Não foram poucas as vezes que a Missão teve que ir a público contestar documentalmente tais declarações, para que o povo brasileiro não ficasse ludibriado por tamanhas aberrações.

Em abril de 1991, os antropólogos acima citados, enviaram ao ex-diretor do Departamento de Indígenas Isolados, recém nomeado presidente da Funai, um projeto financiado por “instituições internacionais”, com “levantamento cartorial e requerimentos minerais” e com “monitoramento via satélite”. E, como inimigos da cruz de Cristo, estabeleceram que a condição para implantação de sua proposta seria a retirada da Missão.[6] Isso caiu como uma luva nas mãos desse sertanista e de outros que, juntos articulavam o fechamento do trabalho missionário nessa etnia.

Coincidentemente, em outubro desse mesmo ano, a Missão foi surpreendida com a ordem de que sua equipe deveria deixar a Base Esperança dentro de três a quatro dias. Isso, em um fim de semana, quando as repartições públicas estavam fechadas e sem nenhum processo legal que justificasse tal atitude. E sem ao menos ouvirem a comunidade indígena, como prescreve a legislação indigenista.

Todavia, os Zo’é, mesmo desconhecendo que o Art. 231 da CF preceitua que “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre suas terras que tradicionalmente ocupam...” (grifo nosso), apelavam insistentemente para que seus amigos de quatro anos de convivência não saíssem. E, como legítimos donos daquela terra, propuseram que os representantes da Funai poderiam se estabelecer em outra aldeia, contanto que os missionários permanecessem entre eles, sendo isso registrado no relatório do líder daquela expedição.

 

[...] os Índio em número bastante elevado, mostrando-se exaltados, colocaram o Coordenador em um círculo (...) mandando que voltássemos imediatamente, porque aquele lugar não foi a Funai que construiu, e sim os missionários junto com eles (...) que as pessoas seus conhecidos, puderiam (sic) ficar (...) indo morar na aldeia Keiñã contanto que a Missão continuasse onde estava... [7]

 

Assim, em 23 de outubro de 1991, com os corações partidos, mas esperançosos de um dia voltarem, tiveram que deixar a Base Esperança, não obstante ao apelo constante dos indígenas, que em prantos diziam:

 

—Não vão embora! Vocês foram os primeiros a chegar aqui e, quando estávamos doentes e morrendo de malária, foram vocês que nos deram remédio e saramos; se vocês forem embora nós voltaremos a morrer.[8]

 

No entanto, mesmo saindo com a promessa de que dentro de pouco tempo a equipe poderia retornar, não puderam nem mesmo ir buscar seus pertences que lá ficaram. Consequentemente, a expectativa messiânica dos Zo’é foi retardada, visto que aqueles que possuíam a mensagem do Criador e haviam prometido lhes anunciar e desenhá-la em sua língua, foram afastados do seu convívio.

 

 

REFLEXÃO

 

Infelizmente, essa situação tem perdurado por longos anos e, até o momento, nenhum missionário evangélico tem acesso a essa etnia. Até mesmo os líderes de igrejas indígenas dessa região têm sido impedidos de visitar os seus patrícios.

Uma constante batalha tem sido travada junto às autoridades constituídas para que os direitos constitucionais desse povo sejam contemplados, dentre eles a oportunidade de ouvir a mensagem do Porapohat (o Criador), que tanto esperam.

Assim sendo, conclamo aos amados leitores e a todo o povo de Deus a um movimento de intercessão por essa etnia e tantas outras ainda não alcançadas. Para que o Todo-Poderoso, que tem o coração dos reis em Suas mãos”, derrube as barreiras existentes e levante novos trabalhadores para a Sua Seara.

E com o mesmo empenho, ouvindo atentamente o desafio do Senhor, por meio do profeta Isaias: “A quem enviarei e quem há de ir por nós?” Oxalá possamos também dizer: “Eis-me aqui, envia-me a mim!” - Isaias 6:8 – preenchendo assim as vagas ainda existentes nos campos brancos para ceifa. E dessa forma, participando da colheita final, quando “todas as nações, tribos, povos e línguas” estarão representadas diante do trono do Cordeiro.  Apocalipse 7:9

 

 

Onésimo Martins de Castro

Agência Presbiteriana de Missões Transculturais - APMT

 


Para maior conhecimento deste relato, acesse o livro “Esperando a volta do Criador – Expectativa messiânica de um povo indígena ‘isolado’ na Amazônia”.  📖 Formato físico - https://loja.uiclap.com/titulo/ua87956  

📖 Formato e-book - https://a.co/d/5iwyndg



NOTAS

[1] 📖 Formato físico - https://loja.uiclap.com/titulo/ua87956; 📖 Formato e-book - https://a.co/d/5iwyndg

[2] Principal afluente do rio Curuá, que por sua vez lança suas águas em um dos muitos lagos à esquerda do rio Amazonas, nas imediações da cidade de Alenquer.

[3] Dominique T. Gallois e Luís Donizete 13. Grupioni, Aconteceu Especial 18, Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI, 1991, p.210

[4] . Lugar de vegetação baixa semelhante ao serrado de Goiás.

[6] Carta de Dominique Gallois a Sidney Possuelo em 17/04/91

[7] Relatório do sertanista João Evangelista de Carvalho, em 23/11/91

[8] Dados contidos em gravações em fita cassete em outubro de 1991

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

PROJETOS MISSIONÁRIOS FAKES: UM OLHAR CRÍTICO DE UMA REALIDADE GLOBAL A PARTIR DO EXEMPLO EM CONTEXTO MOÇAMBICANO

 


Charles Santos

https://www.charlesonline.com.br/

Nos últimos anos, Moçambique tem recebido várias iniciativas missionárias. Apesar de boas intenções em alguns cenários, há um aumento preocupante de fraudes ou ausência de lisura nos processos de levantamento de parceiros. Este artigo busca trazer uma compreensão dos desafios e implicações destes projetos fakes ou no mínimo com elementos éticos deteriorados.

Contexto

Moçambique é um país rico em diversidade cultural e enfrenta desafios socioeconômicos significativos. Isso atrai organizações missionárias genuínas. No entanto, a falta de regulamentação eficaz permite a proliferação de atividades fraudulentas tanto individuais como institucionais.

Características dos Projetos Falsos

  1. Promessas Irrealistas: Muitos projetos prometem mudanças rápidas sem planos sustentáveis, omitindo a realidade dos fatos.
  2. Falta de Transparência: Não há clareza nos relatórios financeiros e na prestação de contas. Ausência de auditorias sólidas e lisura dentro de uma ética cristã cristalina.
  3. Pouco Envolvimento Local: Ignoram as necessidades reais, sem colaboração com líderes comunitários.

Impactos Negativos

  • Desvio de Recursos: Fundos que poderiam beneficiar projetos legítimos são mal utilizados.
  • Desconfiança: As comunidades tornam-se céticas em relação as iniciativas externas e com isso, potenciais doadores se fecham para o legítimo papel cristão de exercer generosidade altruísta para o avanço do evangelho.
  • Danos à Reputação: Organizações sérias enfrentam dificuldades devido à má associação com práticas fraudulentas como produto de uma generalização por parte da sociedade sem avaliação honesta e cuidadosa de cada caso.

Medidas para Combater Fraudes

  1. Verificação da veracidade dos Projetos Missionários: Investigar a legitimidade das organizações e indivíduos (missionários) através de viagens in loco para conhecimento real, sondagem com organizações missionárias sérias e igrejas locais oficialmente registradas e reconhecidas no contexto, buscar informações por apreciação de lideranças que tenha boa reputação junto a instituições de ensino bíblico e organizações afins, que possam validar o testemunho do projeto em questão.
  2. Colaboração com Autoridades Locais: Checar junto aos órgãos governamentais e líderes comunitários para que se possa monitorar de forma assertiva projetos e buscar saber se o mesmo em questão ou organização mantenedora tem registro e licenças para operar dentro dos aspectos legais e locais do país.
  3. Educação e Sensibilização: Capacitar comunidades para reconhecer sinais de fraude e educa-las para uma compreensão bíblica de parcerias ou alianças estratégicas.

Conclusão

A presença de projetos missionários fakes ou posturas antiéticas de indivíduos em Moçambique é uma triste realidade preocupante a nível global, que não tem exclusividade somente nesta parte do mundo, mas que exige uma ação conscientizadora e de denuncia imediata por parte das organizações que fazem parte do movimento missionário internacional. Implementar medidas preventivas e promover práticas transparentes são essenciais para proteger comunidades e garantir que o apoio chegue a quem realmente precisa.

Diante deste cenário, devo dizer que há muita gente boa de Deus abençoando pessoas oprimidas e carentes da graça do Senhor nesta bela nação, entretanto não podemos cruzar os braços diante de qualquer tipo de abuso, fraude ou burla que venha manchar os verdadeiros projetos missionários e prestar desserviço para o reino de Deus.

Por fim, gostaria de deixar alguns conselhos para igrejas e indivíduos que desejam apoiar um projeto missionário, organização ou missionários:

  • Pesquise perguntando para líderes de outras organizações sobre o trabalho do missionário, agência ou projeto no qual você pretende adotar. Busque referências.
  • Após apuração das informações considere em oração fazer parte como doador de tal projeto. A paz de Cristo deve ser o árbitro de nossos corações (Colossenses 3:15).
  • Em caso de igrejas locais, é sempre bom procurar a liderança do missionário para saber maiores informações sobre sua vida, ministério e projetos.
  • Nunca terceirize o processo de plantação de igrejas. Conheço líderes que por causa de sua sede de poder em querer ver a marca de sua denominação em vários países ou por um sentimento romântico sobre missões, começa a comprar nacionais com ofertas a distância sem nunca conhecer pessoalmente o contexto daquela comunidade transcultural, o caráter cristão daquele nativo onde a relação foi mediada apenas por instragram, facebook ou whatsapp e sem qualquer conhecimento palpável para uma aliança ministerial. Então compra-se igrejas nacionais para colocar sua placa e anunciar mundo a fora que tem 20 igrejas em Moçambique, 150 na Tanzânia, 10 no Malawi e por aí vai a trágica relação. Comprar ou terceirizar a distância sem conhecer o contexto é a forma mais perigosa de estabelecer algum tipo de parceria, e nunca será uma plantação de igreja no modelo bíblico.

Minha sincera oração é que Deus nos ajude a vivermos pela ética do evangelho, apegados as escrituras e conscientes de nossas responsabilidades diante do desafio da grande comissão sem nos deixar vacilar em meio a atitudes prostituintes.

Referências Bibliográficas

  • Moreau, A. S. (2000). Evangelical Dictionary of World Missions. Grand Rapids: Baker Book House.
  • Johnstone, P., & Mandryk, J. (2001). Operation World: When We Pray God Works. Carlisle: Paternoster Lifestyle.
  • Winter, R. D., & Hawthorne, S. C. (1999). Perspectives on the World Christian Movement: A Reader. Pasadena: William Carey Library.
  • Silva, J. R. (2015). Missões: A Alegria de Proclamar o Evangelho. São Paulo: Editora Vida.
  • Cunha, M. A. (2010). A Missão da Igreja: Uma Perspectiva Protestante Contemporânea. Rio de Janeiro: JUERP.

sábado, 11 de janeiro de 2025

Os seus teólogos favoritos: Qual é o compromisso deles com a Grande Comissão?

 


Faça uma busca nos escritos de seus teólogos favoritos. Não importa sua linha denominacional ou teológica, calvinista, arminiana, molinista; da mais conservadora à mais eclética ou liberal. Faça uma busca seca, simples, pela expressão “Grande Comissão”. Veja, você não precisa saber, neste primeiro momento, o que ele diz sobre o tema; confira APENAS se a expressão OCORRE, e quantas vezes. Sim, uma estimativa estatística, fria. A estatística, você sabe, camufla coisas, mas explicita ainda mais as explícitas. Depois você pode descer ao porão da hermenêutica. Ah, se quiser tentar em sua busca "missões", "evangelização" e que tais, esteja bem com isso.

De John Piper a F. F. Bruce, de Jonas Madureira a Antônio Gilberto, de Bonhoeffer a Barth, passando pelo livrinho que seu pastor escreveu, lembra? Faça o teste, avalie se o tema principal da Igreja representa algo para eles, e em que nível.

O valor de um cristão está em seu nível de semelhança a Cristo, e isso passa incontornavelmente pelo valor que ele tributa e no empenho que ele dedica à Grande Comissão – e não se engane, ela envolve alcançar principalmente o não alcançado, geralmente longe da igreja local, por geografia e/ou cultura. O valor de um intelectual cristão deveria ser dupla, triplamente cobrado/considerado conforme a sua relação com a missão.

A ordem de Cristo foi dada há 2.000 anos. O sexo dos anjos é debatido há quase 1.950.

"Hum... Isso cheira a reducionismo e até a algum tipo de fundamentalismo". Sim, e com o perdão da redundância: o fundamentalismo é da própria natureza de um tema, mote ou norte que é inescapavelmente fundamental - fundamental sobre nossas vidas e fundamental de nossa crença. 

Sim, mas o objetivo dos estudos de tal autor não é este; ele dedicou-se a temas específicos e suas nuances. Sua obra é necessária; falando nisso, ele lançou no mês passado um novo comentário do livro de Timóteo.” Que ótima notícia, um comentário sobre um livro a somar-se aos 93 comentários individuais sobre tal livro em nossa língua. Que tal? Em inglês são 344 comentários. Aqui houve avanço: São tantos COMENTÁRIOS AO LIVRO que o próprio LIVRO já não é necessário! Será essa a ideia, afinal?

Quanto ao tema em apreço não ser o foco dos estudos – ou da iluminada VIDA – deste ou daquele autor, bem... Não há como não ser.

É sobre isso.

Sammis Reachers


terça-feira, 14 de maio de 2024

Aprendendo com o extraordinário sucesso da Igreja Africana

 


Heather Tomlinson

www.christiantoday.com

Porque é que a fé em África floresceu lindamente, enquanto o Cristianismo Ocidental declina? Aqui estão quatro hábitos que devemos aprender com os nossos irmãos e irmãs africanos.

Muito se tem falado do rápido crescimento do Cristianismo em África em apenas um século. Existem muitas estatísticas que ilustram a mudança poderosa. Por exemplo, o Centro para o Estudo do Cristianismo Global informou que, em 2018, África tinha pela primeira vez mais cristãos do que qualquer outro continente (631 milhões). Enquanto em 1900 havia 9,6 milhões de cristãos, no ano 2000 havia 384 milhões, de acordo com o Centro para o Estudo do Cristianismo Global.

É claro que a África foi um dos primeiros lares da fé nos seus primeiros dias. Um dos nossos maiores teólogos, Santo Agostinho de Hipona, veio da África cristã primitiva, assim como outros importantes Padres da Igreja. No entanto, estas regiões foram na sua maioria subjugadas por conquistas islâmicas na viragem do século XX, com excepção da Etiópia e de minorias resilientes, como a Igreja Copta Ortodoxa baseada no Egito. As pessoas em outras regiões africanas seguiam principalmente as espiritualidades indígenas. O trabalho missionário cristão levou a uma expansão extraordinária por todo o continente que é comparativamente recente.

Talvez a estatística mais importante seja que o crescimento não se deve apenas às pessoas que se autodenominam cristãs – há também uma enorme diferença no nível de compromisso. Um estudo de 2018  do Pew Research Center descobriu que os africanos estão entre os cristãos mais comprometidos do mundo (sendo os menos, os europeus). Os africanos oram com mais frequência, frequentam serviços religiosos com mais regularidade e consideram a religião mais importante nas suas vidas do que os cristãos de outros lugares. "Pelo menos quatro em cada cinco cristãos na Nigéria, Libéria, Senegal, Camarões e Chade oram todos os dias, descobriu a pesquisa... em todos os países africanos pesquisados, mais de 60% dos cristãos dizem que frequentam a igreja pelo menos uma vez por semana", disse o relatório Pew's.

Recentemente entrevistei  o pastor Agu Irukwu, nascido na Nigéria, que lidera uma das maiores igrejas do Reino Unido, a Jesus House for All Nations. Ele cresceu e chegou à fé em sua terra natal, mas ministrou em Londres por muitos anos, e também teve uma visão das diferenças na cultura da igreja. Ele ofereceu algumas sugestões.

Oração

“Se há algo que eu recomendaria a qualquer cristão, seria que desenvolvesse uma forte vida de oração”, disse o pastor Agu. “Há também muito a aprender com as partes em desenvolvimento do mundo onde as igrejas estão a crescer, não apenas em África. Um compromisso com a oração e a crença de que Deus responde à oração – isso está profundamente enraizado na cultura da Igreja [africana].”

Há alguns anos, participei do retiro de fim de semana da minha igreja multicultural na época, em um grande centro cristão. Compartilhamos o grande espaço com uma igreja de maioria negra. Tenho uma lembrança vívida de ter ido tomar café da manhã por volta das 8h30, junto com meus colegas membros da igreja, com os olhos turvos, e fiquei envergonhado ao passarmos pela pequena sala que abrigava nossos irmãos e irmãs da igreja, de maioria negra. Eles estavam orando juntos com entusiasmo em uma pequena sala, intercedendo apaixonadamente como um grupo, e tinham feito isso com afinco desde de madrugada, quando ainda estávamos todos dormindo profundamente.

Jejum

Na cultura africana, o jejum é visto como muito importante, não apenas durante a Quaresma. “Você não pode fugir do incentivo que a Bíblia nos dá para jejuar, o que dificilmente existe em muitas igrejas ocidentais”, disse o Pastor Agu. Se houver um problema ou se Deus estiver sendo procurado, as igrejas africanas jejuarão. Por exemplo, uma  iniciativa ecumênica para a unidade na Nigéria no ano passado foi apoiada por 40 dias de jejum.

“Biblicamente entendido, o jejum é parceiro de uma intensificação da oração”, escreve Oyewole Akande, diácono da Igreja Bíblica Sovereign Grace, na Nigéria, para a The Gospel Coalition Africa . “É a decisão de reservar um período de tempo para se concentrar em trazer uma questão específica diante de Deus em oração. É remover todas as distrações, incluindo os prazeres necessários de comer e beber, para buscar a face de Deus com uma petição específica.

"Muitos de nós estamos muito confortáveis ​​neste mundo decaído, não sentindo nenhuma forte compulsão para nos desconectarmos dele. Assim, lutamos com a noção de que nosso próprio desconforto pode provocar a vontade de Deus."

Fé e positividade

Outra virtude que testemunho muitas vezes nos cristãos africanos é uma perspectiva positiva e optimista, ligada à fé em que Deus pode transformar para melhor qualquer situação difícil. “Acreditar que não há nada que Deus não possa fazer e estar cheio de esperança para o amanhã, não importa quão ruim seja o dia de hoje – [a igreja africana] está muito otimista a esse respeito”, disse o pastor Agu. Tomar a Bíblia ao pé da letra e confiar no amor de Deus e nas Suas promessas de agir são atributos louváveis ​​de muitos cristãos africanos.

Simplicidade

É um estereótipo negativo pensar em África como um lugar de pobreza: há africanos ricos e algumas partes das suas economias estão bem. Contudo, é justo dizer que há mais dinheiro circulando nos países ocidentais desenvolvidos. Poderia esta ser uma razão para a nossa relativa secura espiritual?

O cardeal Robert Sarah, o influente padre católico, escreveu palavras surpreendentes no seu livro God or Nothing: A Conversation on Faith. Fez comentários positivos sobre a pobreza – distinguindo-a da miséria, que deveríamos aliviar. “A pobreza é um valor cristão”, disse ele. “O pobre é alguém que sabe que, sozinho, não pode viver. Ele precisa de Deus e das outras pessoas para ser, florescer e crescer. Pelo contrário, os ricos não esperam nada de ninguém, sem invocar nem o próximo nem Deus. Neste sentido, a riqueza pode levar a uma grande tristeza e à verdadeira solidão humana ou a uma terrível pobreza espiritual”.

Talvez a igreja ocidental precise de reunir humildade e ouvir com mais atenção os nossos irmãos e irmãs africanos e a forma como eles praticam a sua fé? O pastor Agu enfatiza que a igreja ocidental também pode transmitir a sua própria sabedoria. Ele disse: "A beleza é quando [as duas culturas] se misturam; o que isso produz é tão lindo."

Heather Tomlinson é redatora freelance. Encontre o trabalho dela em www.heathertomlinson.substack.com  ou no twitter @heathertomli


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...