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sábado, 1 de agosto de 2020

O ALDEÃO CHINÊS E A SUA BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS, uma peça teatral missionária


  
O ALDEÃO CHINÊS E A SUA 
BÍBLIA DE DEZ PÁGINAS

Peça teatral

A peça reflete a situação de cristãos secretos no interior da China. Por tais grupos só possuírem poucos exemplares da Bíblia, muitas vezes apenas um por igreja, ela é rasgada em blocos ou em cada livro, e as partes são distribuídas entre os irmãos, para que todos possam ler e decorar os versículos.
Nosso personagem, que vive numa província onde a circulação de Bíblias tinha sido proibida, fica com o Livro de Romanos, e, tendo sido interceptado por soldados em patrulha, precisa pregar para esses homens, utilizando apenas o fragmento que possui. Ele vale-se da chamada Estrada Romana, que é um roteiro de evangelização baseado unicamente em versículos do livro de Romanos. (Essa explicação ou uma adaptação dela pode ser dada pelo apresentador da peça, a título de introdução).
A peça se presta tanto a representações com foco ou em momento missionário (culto de Missões etc.), quanto referentes ao Dia da Bíblia, e também a propósitos de cunho evangelístico.

Personagens: CRISTÃO (Chaosheng), TENENTE (Win Lu), SOLDADO 1 (Quon), SOLDADO 2 (Kun Lao) e SOLDADO 3 (Meng).


Cena inicia com personagem CRISTÃO caminhando pelo cenário. Ele veste roupas humildes, como de camponês, e leva às costas uma pequena e surrada bolsa ou trouxa de pano. Aproximando-se de outra direção, vem um grupo de quatro soldados uniformizados e armados.
SOLDADO 1 (apontando a arma): - Ei! Você aí! Pare aí!
Parando assustado, CRISTÃO levanta as mãos, rendido, e depois as abaixa. Os soldados o cercam, o revistam e abrem sua bolsa. Encontram pequenas peças de roupa, uma garrafa d’água e um pedaço de algum sanduíche embrulhado num papel. Um dos soldados bebe a água, e outro come o sanduíche. Um deles puxa um pequeno bloco de papel impresso, bastante surrado, de umas dez páginas, representando o livro de Romanos. Começa a ler, e diz:
SOLDADO 1: - Hum... Veja, tenente. Que livrinho estranho... Este parece ser aquele livro dos cristãos!
TENENTE: - Não pode ser, soldado. O livro cristão possui muitas páginas. Deixe-me ver (apanhando com truculência o livrete, e lendo). Realmente me parece suspeito... Sim, é ele mesmo. Você, aldeão, de onde está vindo?
CRISTÃO: - Senhor tenente, eu estava em casa de amigos, onde fui levar algumas abóboras de minha plantação, que me haviam sido encomendadas.
TENENTE: - E este livro cristão? Não sabe que é proibido portar tal livro nesta província? Qual o seu nome?
CRISTÃO: - Senhor militar, é apenas um pequenino trecho, veja você; e apenas para minha leitura particular. Veja como está desgastado e sujo. Quanto a mim, sou o menor dos chineses, e meu nome é insignificante; sou o seu servo, Chaosheng.
TENENTE: - Não importa. O que um humilde agricultor como você faz com esse livro ocidental? Que benefícios ele pode lhe trazer? Que sabe sobre esse engano contrarrevolucionário?
CRISTÃO: - Venerável oficial, nada intento contra a revolução ou nossa mãe, a república chinesa; este pedaço do livro cristão é apenas para minha reflexão. Na verdade, é um livro oriental, vindo do país chamado Israel; e este livro santo é tesouro de sabedoria e saúde para todos os homens, podendo ajudar com boas coisas e conselhos a qualquer um que o ler.
SOLDADO 3: - “Livro oriental”... Ora veja! Temos Confúcio que nos aconselha em todo bom procedimento. Não lhe basta, aldeão?
CRISTÃO: - Camarada soldado, muito aprecio a doutrina moral de nosso antepassado Confúcio; e foi ele mesmo quem disse: “Os homens de mentalidade superior se empenham primeiro em penetrar na raiz das coisas; conseguido isto, abre-se lhes o rumo certo”.  Assim, busco estudar tudo que minhas humildes mãos alcançam; e tenho obtido sabedoria ao aprofundar-me no estudo deste livro. Confúcio nos instrui para esta vida; no entanto, este livro fala desta e da vida vindoura, a vida eterna.
SOLDADO 2: - Esse já teve a mente corrompida pelo livro estrangeiro! Win Lu, vamos espancá-lo ou coisa pior... Esse porco não vale nem a ração que comerá no presídio.
TENENTE: - Quieto, Kun Lao! Eu dou as ordens aqui.
TENENTE (para Cristão): - Sabe, cristão... Minha avó tinha uma Bíblia. Eu nunca a li, pois sempre soube que era um livro contrarrevolucionário. Mas me lembro de que era um livro bem grande... E você aí, com essas dez folhinhas, dizendo que seu livro é santo e bom e que pode nos ajudar! Como, cão? Diga: Como essa reles e incompreensível migalha pode conter algo de bom?
CRISTÃO: - Senhor tenente, com sua licença lhe afirmo que este livro não é contrarrevolucionário, mas ele próprio é uma revolução. Não política, não terrena, mas nos corações dos homens. Esse livro fez uma mudança em meu coração sombrio, e pode fazer da mesma forma no coração de todos aqui.
SOLDADO 3: - Não ouviu o tenente, traidorzinho? Que livro, se tudo o que você tem são dez páginas amareladas?
CRISTÃO: - Pois acreditem em mim: Apenas este humilde pedaço é suficiente para comunicar os melhores conselhos que um homem poderá obter em sua vida.
SOLDADO 3: - Bah! Veja o que este traidorzinho do campo diz! Teu livro então é maior do que o Tao Te King, o Livro das Virtudes de nosso antepassado Lao Tsé?
SOLDADO 2: - É um puxador de carroças, e amargará alguns bons anos de cadeia e fome! Onde já se viu, um livro “revolucionário”! Se o fosse não seria usado por norte-americanos...
CRISTÃO: - Nobre soldado, este não é um livro norte-americano, e sequer ocidental; conforme disse, todo ele foi redigido em Israel, no Médio Oriente, muito antes de existirem os Estados Unidos... Nosso antepassado, o sábio Lao Tsé, falava-nos do Tao, o estado de pacificação mental e reunião na unidade. Uma doutrina dura e fria, confusa para os humildes. No entanto, este livro traz revelações que até uma criança pode compreender, e uma estrada segura para a salvação de nossa triste condição humana!
TENENTE: - Oh, o caipira tem conhecimentos! Agora nos dá aulas de Geografia e de História das Religiões? Que seja, caipira. Pois lhe faço um desafio: Se este livro é mesmo revolucionário “para os corações dos homens”, se este livro é sagrado, se este livro é mesmo a forma do tal Deus verdadeiro se comunicar com os homens e ajudá-los, leia-o. Leia estas poucas folhas esfarrapadas e prove que apenas nelas há tanta sabedoria, superior mesmo a Confúcio e Lao Tsé! Sua vida depende disso, “plantador de abóboras”.
SOLDADO 1: - Sim, camarada tenente! Se o tal Deus existe e o livro é inspirado desde os céus, essas poucas páginas bastarão para nos convencer. Quem sabe não larguemos até mesmo a bebida e as jogatinas (gargalha).
CRISTÃO: - Nobres senhores, com prazer lhes apresentarei, humildemente, o pouco conteúdo que possuo aqui, da Palavra de Deus. No entanto, rogo que me permitam fazer uma breve oração, para pedir a Deus que me ilumine.
SOLDADO 2: - Hahaha! Pois faça, velhaco! Mas faça sua reza em voz baixa. Melhor, reze em silêncio!
(O Cristão abaixa a cabeça, chega as folhas da Bíblia ao peito e ora em silêncio por alguns segundos. Antes que ele acabe, um dos guardas [SOLDADO 1] lhe dá um pontapé no traseiro, dizendo):
SOLDADO 1: - Como é, cristão? Já basta.
CRISTÃO: - Veneráveis amigos, antes de iniciar, lhes recordo que possuo apenas uma muito pequena parte do Livro Santo. No entanto, já a li bastante e com grande proveito, e creio que, pela graça de Deus, posso compartilhar seu maravilhoso plano para socorro dos homens a partir destas humildes páginas. A Bíblia foi escrita ao longo de milênios, por mais de trinta autores diferentes, muitos dos quais sequer sabiam uns dos outros. Seu conjunto é composto por 66 livros que, uma vez reunidos, formaram um todo harmonioso e coeso. Este fragmento que possuo é o livro de Romanos. Trata-se de um tipo de carta que um grande autor cristão enviou para o povo da antiga Roma imperial. Comecemos por este trecho, em Romanos 1.20,21. Tais numerações referem-se às divisões inseridas no texto, sendo a primeira referente ao capítulo e a segunda ao versículo, para que se possa melhor memorizar e estudar as escrituras (sendo bruscamente interrompido)
SOLDADO 2: - Pare de nos enfadar com explicações e leia o maldito livro!
CRISTÃO: - Mil perdões, honorável soldado. Lerei e lhes mostrarei: (Lê o trecho):
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.” Amigos, aqui a Bíblia diz que o Deus criador de todas as coisas pode ser percebido nas maravilhas da sua criação; no entanto, muitos homens e povos endurecem seus corações contra este conhecimento, e voltam as costas ao Deus verdadeiro. Perdem-se em vãs especulações! Antes de tudo, precisamos reconhecer que Deus é o Criador de tudo e aceitar nossa posição humilde na ordem e propósito criados por Ele.
SOLDADO 3: - Realmente o Universo é maravilhoso, e talvez tenha sido criado por algum ser superior...
SOLDADO 1: - Veja o que o soldado Meng diz, tenente!
TENENTE: - Quieto, Quon! Deixemos o aldeão expor sua doutrina; isso nunca lhe intrigou? Quem sabe realmente não tenhamos sido criados por alguma inteligência maior, assim como foram criados os objetos como nossos casacos e nossos fuzis, e tudo o que fazem os homens? De mais a mais, comporte-se à altura de um investigador. Lembre-se do que nos diz o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung: “As conclusões extraem-se do fim da investigação e não no seu começo. Apenas os tolos se lançam, sós ou em grupo, na tortura mental de encontrar uma solução, de descobrir uma ideia, sem proceder a investigações.
CRISTÃO: - Sábias palavras pronunciaste, honorável tenente. Continuarei, com vossa licença, senhores. Lerei agora o trecho de Romanos 3.23: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Amigos, isto é muito importante: Nossos primeiros pais pecaram contra Deus, causando a separação entre nossa espécie e o Criador. Somos herdeiros de uma condenação. Situação terrível em que fomos lançados! Sabemos que há um Deus pelo que vemos na natureza, mas nós mesmos o afastamos, e temos por isso vivido num mundo de dores e trabalhos, sem poder jamais vê-lo realmente! Mas como nos achegarmos novamente a Ele, como sermos perdoados?
Leiamos este trecho, um pouco adiante, aqui em Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Queridos camaradas militares, não podíamos pagar a dívida feita ou contraída; e não podendo fugir de diante do Deus de todas as coisas, aguardávamos tristemente nosso castigo final. Mas este mesmo Deus, vendo nossa impossibilidade de pagar a dívida, movido de grande amor enviou seu próprio Filho, Jesus, para pagar essa dívida em nosso lugar. Coisa fabulosa foi isto, camaradas! Um homem sem pecado algum foi morto para que nós, grandes pecadores, pudéssemos ser aceitos por Deus.
SOLDADO 3: - Ora, então é isso que o tal Jesus dos cristãos fez, morreu por todos nós? Um deus que morre pelos fiéis... Não deveria ser o contrário? E de mais a mais, como isso é possível: Sendo ele um só, pagar por todos?
CRISTÃO: - Amigos, lembram que lhes falei que, pelo pecado de nosso pai, o primeiro homem, fomos separados de Deus, pois o erro dele passou em herança para todos nós? Pois se o pecado entrou no mundo por um único homem, da mesma forma o preço do pecado foi pago por um único homem! O que não tinha pecados quebrou a cadeia de causa e efeito dos pecados, a roda a que estávamos presos.
TENENTE: - A roda, você diz... Como samsara, a roda das reencarnações a que os budistas dizem estarmos todos aprisionados?
CRISTÃO: - Honrado tenente, não se trata da mesma coisa, embora o mecanismo possa ser algo parecido. No entanto, Buda diz, assim como o fazem todas as demais religiões dos homens, que podemos nos libertar por nosso próprio esforço; no entanto, o amigo percebe como, ao invés disso, mais e mais pessoas nascem neste mundo miserável, e tornam-se reféns da pobreza, da opressão, e da falta de sentido? Se Buda estivesse certo, deveríamos ver se multiplicar o número de iluminados – mas miseravelmente é o contrário o que ocorre! E tudo isso, camaradas, está bem diante de nossos olhos!
TENENTE: - Especulações interessantes, senhor aldeão, mas muito difíceis de acreditar. No entanto, continue o seu relato...
CRISTÃO: - Lerei agora o trecho de Romanos, 6.3: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor." Vejam, amigos, esta ao mesmo tempo terrível e maravilhosa notícia! É dela que este livro, tanto essa humilde porção como o exemplar completo, trata! Se estávamos condenados à morte pelo pecado, o prêmio que recebemos pelo sacrifício do melhor dos homens, Jesus o filho de Deus, nos traz a cura contra a morte, e nos oferece uma vida eterna de paz e amizade com Deus. E tudo isso, vejam vocês, é dom de Deus, ou seja, um presente que nada nos custa! Isso é salvação!
SOLDADO 2: (Gargalhando) – Ora vejam! Então é fácil assim?! Pois onde está essa tal salvação? Vamos, me dê um pouco. Quero ver o tal Deus e quero descansar de minha dura rotina militar. Minhas botas me matam! (sapateia, enquanto aponta para os pés)
CRISTÃO: - A resposta a esta questão, venerável soldado, está neste trecho do livro, em Romanos 10.9,10: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação.” Amigos, a salvação é oferecida para todos aqueles que nela crerem, ou melhor, crerem naquele que a proporcionou, Jesus Cristo, a ponte que nos religa ao Deus que tudo fez.
TENENTE: - Explique melhor sua doutrina, cidadão. Então é simples assim? E os rituais, e as penitências, e os sacrifícios a que é preciso submeter-se para alcançarmos tal beatitude? E os ancestrais, não é preciso lhes tributar oferendas e sacrifícios? Que pede este Deus de nós, para nos dar esta tal salvação?
SOLDADO 3: - Sim, camarada tenente; na instrução militar, quando estudamos o venerável Sun Tzu e sua Arte da Guerra, nos é ensinado que “a vitória está reservada para aqueles que estão dispostos a pagar o preço”. Que preço paga você em honra a esse teu grande Deus salvador, aldeão?
CRISTÃO: - Honorável camarada tenente, honorável companheiro soldado, aí é que está a maravilha! Basta apenas crer nesse mesmo Jesus, pois o preço já foi pago, como lhes disse. Trata-se de um presente. Os senhores jamais terão recebido presentes? Os outros deuses exigem que nos sacrifiquemos, e mesmo sacrifiquemos a outros, por eles; outros elaboram rituais de purificação severos e falam até em reencarnações quase infinitas até nos livrarmos deste mundo de dores; mas este, o Deus verdadeiro, Ele mesmo se sacrifica por amor a nós! Em Romanos 10.13 lemos palavras que são como ouro: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Deus nada requer do homem, senão fé e obediência. Mas, se tropeçarmos em nosso esforço para obedecê-lo, não somos massacrados: Arrependendo-nos do erro, Ele é misericordioso para nos perdoar e renovar nossas forças.
SOLDADO 1: - Se esse Jesus morreu por nós, para nos salvar, ele mesmo se perdeu?
CRISTÃO: - De maneira nenhuma, venerável camarada. Esse mesmo Jesus, o campeão do amor que se ofereceu por nós, foi morto pregado numa cruz, mas dentro de três dias ressuscitou, vencendo a morte! E ao ressurgir subiu aos céus, onde reina e aguarda o fim e a consumação de todas as coisas, quando Ele se reunirá com os que nele creram, para uma vida eterna de gozo e alegria. Gozo e alegria que então serão perfeitas, quando teremos novos céus e nova terra, onde a dor e a lágrima não mais existirão. Infelizmente, aqueles que não crerem em tão gracioso presente, em tão favorável dádiva, continuarão reféns da morte aqui e no além, e serão por fim lançados em castigos eternos... Sim, pois somos seres eternos; após nossa forte física, haverá um juízo, pois “o salário do pecado é a morte”.
SOLDADO 1: - Ora! Então serei lançado em castigos por não crer em Jesus? Pois lançaremos a você, seu tolo, na cadeia, e veremos se esse Jesus vem lhe resgatar!
CRISTÃO: - Amigos, vejam que não desejo o mal de nenhum de vocês, e rogo que não me prendam sem que eu nada de grave tenha feito; apenas lhes comunico a verdade como a aprendi, e a ofereço a vocês, que a solicitaram. Ofereço como a amigos, a informação que pode mudar suas vidas aqui e na eternidade.
TENENTE: - Ancião, confesso que até aqui não vejo em quê sua doutrina seja ofensiva ou contrarrevolucionária. No entanto, fico cada vez mais curioso com este livro “proibido”... Continue a leitura.
CRISTÃO: - Venerável tenente, realmente este livro, a Bíblia, é o livro dos livros, e a maior fonte de sabedoria universal! Não em vão é o livro mais impresso e vendido em todo o mundo, mais até que o Livro Vermelho de Mao. No entanto, eu tenho apenas este humilde trecho, e não há muito mais que lhes explicar aqui. Convido os amigos militares a buscarem aprender mais dessa boa doutrina, e se achegarem a este Deus de amor, como não há nenhum outro, em nenhuma das religiões dos homens. Em Romanos 11.36, temos que: “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente.”
TENENTE: - Não pensei jamais que esse livro falasse sobre coisas tais; sempre acreditei que era um livro maligno, criado no Ocidente com o objetivo perverter os povos. No entanto, nesses poucos trechos que nos leste e nos explicaste, vejo apenas uma mensagem de esperança. Tal mensagem está mesmo presente nas outras partes faltantes deste livro?
CRISTÃO: - Sim, honorável amigo; infelizmente sou um humilde camponês e a muito custo obtive este trecho; mas já tive a oportunidade de ler ou ouvir boa parte da Bíblia, e é um livro magnífico, como nenhum outro. Recomendo que o venerável tenente, se não lhe for ofensivo, busque adquirir um desses livros, para sua leitura e reflexão. Sua mensagem jamais se esgota; a cada dia, o próprio Deus revela novas verdades àquele que se entrega com fé e humildade à leitura de seu livro.
SOLDADO 1: - Veja, tenente, além de portar tal livro, ele ainda recomenda que o adquiramos! Vamos prendê-lo afinal ou não, senhor?
TENENTE: - Soldado, por acaso você ouviu alguma coisa que lhe ofendeu? Algo que lhe inspirou a praticar o mal, ou a insurgir-se contra o Partido? Não foi somente uma mensagem de vida e esperança o que ouvimos aqui?
SOLDADO 2: - Senhor, realmente. Eu temia dizer, mas agora que vejo que o senhor pensa assim, afirmo que também conhecia um pouco deste livro, mas agora a sua mensagem me pareceu bem mais clara... Também gostei muito do que ouvi; peço humildemente perdão ao senhor agricultor pelas ofensas e maus tratos (faz a mesura tradicional chinesa – juntando as mãos e abaixando o tronco)
SOLDADO 3: - Camaradas, confesso também que tais palavras me pareceram claras e de boa saúde. Vejo humildemente que tal sabedoria não nos trouxe ofensa, mas ao contrário, deixou-me também com vontade de aprender mais... Quem sabe possamos convidar este aldeão num outro dia para nos expor melhor a sabedoria deste livro?
TENENTE: - Sim, nobre camarada Meng. Mas a hora é avançada e precisamos retornar ao posto de controle. Deixemos ir a este humilde camponês. (Dirigindo-se ao CRISTÃO:) Senhor, sabe que não deve portar tal livro em público, pois em nossa província ele é proibido de circular, e somos aqui os guardiões da lei. Portanto, doravante tenha cuidado ao andar com seu livro; embora seja dito em sua defesa que o que você possui é apenas um pequeno fragmento. Sua palavra nos foi agradável; como um mestre ancião, humildemente nos expôs palavras de vida, superiores talvez às de Confúcio e Lao Tsé. Vá em paz, e que esse Deus de que fala possa lhe proteger e abençoar, e também a nós. Confesso que espero algum dia poder ler esse misterioso mas desejável livro, e saber mais desse fascinante herói chamado Jesus, “o campeão do amor” que, se morreu para a salvação de todos os homens, me parece ser o maior herói que já viveu, e realmente o filho de Deus.
Caem os panos.

NARRADOR EM OFF: - E você, espectador: É capaz de pregar a palavra a um descrente a partir de um pequeno trecho das Escrituras? Porventura você já maneja bem a palavra da verdade?
E quando vier a verdadeira perseguição, estará pronto para não silenciar, mas sofrer a ofensa enquanto fala daquilo em que crê?
E se você, espectador, não é ainda um dos discípulos de Jesus: O que está esperando? Somente Ele, que morreu por você, tem as palavras de vida eterna, vida eterna que Ele deseja lhe dar como presente. Pois o preço já foi pago. Você aceita?

FIM

Autor: Sammis Reachers

Veredas Missionárias    

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Algumas ilustrações sobre a vida de Hudson Taylor



A ÚLTIMA MEIA LIBRA

A nossa história passou-se em Hull, cidade do norte da Inglaterra.
Um jovem tinha decidido seguir a carreira missionária. Tendo sido aceito por uma Sociedade Missionária, que tinha começado a evangelizar a China, começou a seguir os respectivos estudos.
Durante a sua preparação, deu-se um pequeno desencontro entre o pai do estudante e a Sociedade Missionária, sobre quem havia de pagar as despesas. Como resultado tanto o pai como a Sociedade deixaram em certa ocasião, o estudante sem recursos.
O estudante, por sua vez, pensou em escrever ao pai e à Sociedade e mostrar a sua situação aflitiva, mas por fim pensou: "Antes de partir para o campo missionário eu devo experimentar a minha fé, enquanto estou na minha terra, para ver se Deus pode ou não olhar por mim, mesmo que tenha de operar milagres."
Com esta resolução, saiu para dar um passeio com a última meia libra na algibeira. A quem ele encontraria primeiro? Foi um pobre irlandês que lhe pediu que fosse ver a mulher, que estava a morrer.
O nobre estudante foi imediatamente, subindo a um casebre, onde encontrou a moribunda, rodeada de vários filhos cheios de fome. Diante daquele quadro e antes de orar pela enferma, sentou-se atormentado com a ideia de que sua última meia libra podia matar a fome àqueles inocentes. E resolveu o caso orando ao Senhor para ajudar a ter coragem de dar a sua meia libra, confiando que o Senhor fizesse o milagre de lhe dar outra! E assim fez.
Voltou para casa sem dinheiro algum, mas sentia-se feliz pelo ato que praticara. Para comer naquela noite ainda encontrou em casa alguma coisa. Só Deus sabia a sua situação. No dia seguinte, à hora do almoço, deu-se o milagre; o correio trouxe-lhe uma carta com uma nota de meia libra!
Este estudante veio a ser o abençoado Hudson Taylor, que fundou e desenvolveu a grande Missão do Interior da China, que tem vivido de fé, do poder da oração, seguindo em geral a norma de não pedir nada a ninguém, mas só a Deus e Deus tem correspondido, enviando-lhe os meios para ser uma das maiores missões da China.
Que grande é o poder da fé e da oração!
Milagres Modernos / D. P. Silva: Mil Ilustrações


A FIDELIDADE DO PAI

"As misericórdiasdo Senhor sãoa causa de nãosermos consumidos... Grande é a tua fidelidade." — Lamentações 3:22-23

O missionário Hudson Taylor, o humilde servo de Deus na China, demonstrou confiança extraordinária na fidelidade de Deus. Em seu diário ele escreveu: “Nosso Pai Celestial é alguém muito experiente. Ele sabe muito bem que Seus filhos acordam com muita fome todas as manhãs…. Ele sustentou três milhões de israelitas no deserto por 40 anos. Nós não esperamos que Ele envie três milhões de missionários para a China; mas se os enviasse, teria todos os meios para sustentá-los. Confie nisso, o trabalho de Deus, feito à Sua maneira nunca deixará de ser suprido por Ele.”
Podemos estar fracos e desanimados, mas o nosso Pai Celestial é todo-poderoso. Nossos sentimentos podem ser abalados, mas Ele é imutável. Até mesmo a própria criação é um registro da Sua fidelidade. E por isso podemos cantar essas palavras de um hino escrito por Thomas Chisholm:
Flores e frutos, montanhas e mares
Sol, lua, estrelas no céu a brilhar
Tudo criaste, na terra e nos ares
Todo o universo vem, pois, te louvar.
Que encorajador é viver para Ele! Nossa força para o presente e esperança para o futuro não se fundamentam na estabilidade da nossa própria perseverança, mas na fidelidade de Deus. Não importa qual a nossa necessidade, podemos contar com a fidelidade de Deus.
PVG / Devocional Pão Diário


QUANDO COMEÇAR A PREGAR?

O missionário Hudson Taylor nos conta de um pastor chinês que questionava um jovem convertido. Tal pastor perguntou-lhe se era verdade que ele conhecesse o Senhor Jesus há apenas três meses. Ele respondeu:
- Sim, felizmente, é assim.
O pastor continuou:
- E quantas pessoas você ganhou para Jesus?
- Oh! - disse o recém convertido -, eu sou apenas um aprendiz, e nunca possuí sequer um Novo Testamento, até ontem.
O zeloso pastor chinês respondeu:
- Você usa velas em sua casa?
- Sim.
- Você espera que a vela comece a iluminar somente quando estiver já meio consumida?
- Não; assim que é acesa ela brilha.
O jovem convertido compreendeu a lição e começou a trabalhar. Em seis meses, vários de seus vizinhos foram salvos.
Sigueme.net


DEUS GUIA O EVANGELISTA – HUDSON TAYLOR

Hudson Taylor, o grande missionário da China, chegou a Hangchow e com um saco de livros sobre o ombro começou a percorrer a cidade, evangelizando-a. À tardinha ia voltando para seu barco no rio, mas exausto como estava sentou-se para descansar numa casa de chá. Ali, sentado à mesa, Taylor notou que um chinês idoso o estava observando; na obscuridade da tarde o homem, possivelmente estava procurando alguém.
"O senhor é estrangeiro?" perguntou-lhe o ancião.
"Sou sim, inglês".
"O senhor traz livros nesse saco?"
"Sim, senhor".
"É um professor duma religião estrangeira?"
"Sim da religião de Jesus".
O chinês contou então como procurava a verdade há tantos anos, e não tinha encontrado religião sequer que lhe pudesse aliviar a carga de pecados. Mas algumas noites antes tivera uma visão: um homem, vestido de branco, falou-lhe que fosse a Hangchow, que havia de encontrar lá um estrangeiro sentado num hotel, com um saco de livros sobre a mesa. Tinha visitado os hotéis mas não encontrou tal pessoa.
Finalmente, ouvindo desta pensão no subúrbio caminhou até lá com uma última esperança. Pediu que Taylor lhe ensinasse a verdade e o missionário imediatamente pregou o Evangelho, dando-lhe um Novo Testamento. Dois dias depois visitou a casa deste convertido e descobriu que ele havia destruído todos os seus ídolos e estava se regozijando em Jesus Cristo.
Taylor, então, adorou Deus não somente pelo seu poder de salvar, mas também pela maneira maravilhosa e milagrosa de conduzir almas ao mensageiro do Evangelho.
200 Ilustrações


O SEGREDO DE HUDSON TAYLOR

J. Hudson Taylor (1832 - 1905), missionário inglês na China, declarou: “Durante mais de quarenta anos, o sol nunca se levantou na China sem me encontrar de joelhos, em oração”. Antes da tomada daquele país pelos comunistas, Taylor deixou plantados em solo chinês mais de 250 pontos missionários, e mais de 800 missionários ingleses. O comunismo não pôde matar os frutos daquelas sementes: hoje, mesmo perseguida, a igreja chinesa é uma das maiores do mundo.
Edino Melo: 1001 Ilustrações para Sermões (adaptado)



ORAÇÃO – HUDSON TAYLOR

Hudson Taylor, fundador da Missão para o Interior da China, nasceu em 1853. Em sua viagem à China para servir como missionário, o veleiro no qual Taylor estava viajando estava parado no oceano.
Durante dias o vento não soprou e, como consequência, o barco não conseguia navegar. O capitão - um homem descrente - já foi desesperadamente a Taylor e disse:
- Sr. Taylor, quero que você ore a Deus para enviar os ventos para que possamos começar a nos mover novamente.
Taylor respondeu que ficaria feliz em orar, mas com a condição de o capitão içar as velas. Ao que ele respondeu:
- Por quê? Meus homens pensariam que eu estou ficando louco se eu fizer isso com essa calmaria.
- Então -, disse Hudson Taylor - não pedirei a Deus que nos envie o vento. Se vou orar pelo vento, preciso ter fé suficiente para levantar as velas.
Somente sob essa condição o missionário pediu ao Pai que lhes enviasse os ventos. Deus não demorou muito para responder à oração de Taylor, enchendo as velas do vento e empurrando o navio a caminho.
Orar não é suficiente. Quando oramos, devemos acreditar que Deus agirá e, ao mesmo tempo, caminhar com fé.
José Luis Martínez - 502 Ilustraciones Selectas


POR QUE VOCÊ NÃO VEIO ANTES?

Nas memórias de Hudson Taylor, primeiro missionário protestante na China, é relatado o seguinte incidente: No final de um culto de pregação, um líder chinês, levantou-se dizendo com voz triste: "Durante anos e anos tenho procurado a verdade, assim como meu pai, que a procurou sem descanso. Viajei muito, li todos os livros de Confúcio, de Buda, de Lao Tsé, e não consegui encontrar descanso. E hoje, pelo que acabei de ouvir, sinto que finalmente meu espírito pode descansar. A partir desta noite sou seguidor de Cristo".
Depois, dirigindo-se ao missionário, com uma voz solene, ele perguntou:
- Desde quando vocês conhecem as boas novas na Inglaterra?
- Por centenas de anos - respondeu Taylor.
- Como é possível que vocês conheçam a Jesus, o Salvador, há tanto tempo e nunca nos tenham comunicado? ... Meu pobre pai buscou a verdade por tantos anos e morreu sem encontrá-la. Por que você não veio antes, por que você não chegou mais cedo?
Taylor inclinou a cabeça e com profunda tristeza respondeu:
- Não tínhamos entendido a autoridade de Jesus quando ele disse: "Vá ao mundo inteiro e pregue o evangelho."
Foi tudo o que ele pôde dizer.
José Luis Martínez - 502 Ilustraciones Selectas



MELHOR DO QUE UMA PRESENÇA IMPRESSIONANTE

Um homem fora ouvir o grande missionário Hudson Taylor. Ele ficou consternado quando o famoso missionário se levantou para falar. Ali estava um homem de baixa estatura, sem aparência notável e, quando começou a falar, revelou uma voz fina e aguda, com pouco apelo natural. Mas em pouco tempo o auditor decepcionado se viu na presença de Deus; o pequeno missionário o havia introduzido nos "lugares celestiais".
Deus usa os que se dispõem a agir.

 Sunday Dominical Times / More Ilustrations

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domingo, 1 de dezembro de 2019

Bill Wallace, missionário e mártir



Um cirurgião americano dedicado, amado por quase todos que o conheceram, morreu há pouco mais de sessenta anos - sozinho, em uma cela fria longe de casa.
Ele foi preso na China por falsas acusações, com base em evidências plantadas. Ele foi espancado, ridicularizado, espetado com varas de bambu por guardas da prisão. Levado ao desespero por interrogatórios brutais, ele ficou abalado ao ponto de beirar a insanidade em seus últimos dias, segundo testemunhas presas com ele.
Mas poucos acreditaram na história oficial de que o médico de 43 anos cometera suicídio depois que ele foi encontrado pendurado em uma viga em sua cela, na manhã de 10 de fevereiro de 1951. Um colega que viu seu corpo com poucas evidências de enforcamento - mas muitas marcas de abuso físico.
Ele foi rapidamente enterrado por alguns amigos sob a vigilância de uma escolta armada; nenhum serviço religioso era permitido. Seus restos mortais não foram devolvidos aos Estados Unidos até 1985.
Que injustiça, muitos disseram na época - e nas décadas seguintes. Que tragédia. Que desperdício.
Injustiça, sim. Desperdício? Longe disso.
O missionário batista do sul, Bill Wallace, pode ter sofrido intensamente em suas últimas semanas na Terra, mas há muito tempo estava preparado para isso.
"Volte e cuide do hospital", disse ele aos colegas de trabalho quando foi preso. "Estou pronto para dar a minha vida, se necessário."
Wallace não foi o único missionário estrangeiro martirizado na China durante os tumultuosos anos de invasão japonesa, guerra civil e o início do regime comunista - que encerrou a era missionária. Mas sua história de vida tornou-se tão familiar para os batistas do sul de várias gerações quanto a de Lottie Moon, a heroína missionária que morreu servindo a China várias décadas antes da chegada de Wallace.
Nascido em Knoxville, Tennessee, em 1908, Wallace era filho de um médico e, quando menino, acompanhava o pai nas consultas de pacientes. Aos 17 anos - enquanto trabalhava em um carro na garagem da família - Wallace ouviu o chamado de Deus para missões médicas. Ele respondeu que sim, registrou o compromisso na folha de trás de seu Novo Testamento e nunca mais voltou atrás.
Após a faculdade de medicina e a residência cirúrgica no Hospital Geral de Knoxville, Wallace recusou uma oferta lucrativa para se tornar parceiro de um cirurgião notável. Ele foi nomeado em 1935 como missionário na China pelo Conselho de Missão Estrangeira Batista do Sul - 10 anos após o mês em que assumiu o compromisso de garagem.
Ele foi a Wuchow (agora Wuzhou), no sul da China, onde os missionários do Hospital Stout Memorial, administrado por batistas, oravam desesperadamente por um cirurgião.
Wallace imediatamente ganhou a reputação de ser um homem gentil de poucas palavras, um cirurgião talentoso, um trabalhador incansável - e um servo absolutamente comprometido de Cristo, o médico gentil que Ele emulava. Um colega uma vez avisou que quem procurava Wallace deveria procurar o paciente mais doente do hospital; Wallace estaria lá.
Ele trabalhou nos bombardeios japoneses enquanto as macas dos feridos se alinhavam nos corredores - uma vez terminando uma operação depois que o hospital fora atingido diretamente. Depois de sua primeira licença em casa, ele voltou em 1940 para uma China em chamas, mas se recusou a deixar Wuchow quando os japoneses invasores se aproximaram. Para apelos urgentes de sua fuga de Wuchow, ele respondeu: "Ficarei enquanto puder servir."
O médico missionário Robert Beddoe escreveu sobre um episódio angustiante:
"No momento do segundo bombardeio severo do hospital, havia um paciente desesperadamente doente no último andar. Ele não podia ser movido sem quase uma morte certa. Wallace ficou ao lado da cama, confortando e tranquilizando o paciente. Uma bomba atingiu a menos de 15 metros da cama, rasgando um buraco no teto de concreto. Na providência de Deus, nem o paciente nem Wallace ficaram feridos. Um dos funcionários, que estava quatro andares abaixo na época, me disse que havia sido levantado várias polegadas pela concussão".
Finalmente, em uma das grandes façanhas da história das missões na China, Wallace evacuou todo o hospital em 1944, apenas alguns dias à frente das forças japonesas - transportando pacientes, funcionários e equipamentos de barco centenas de quilômetros rio acima. Lá eles cuidavam dos doentes e do sofrimento da região circundante até que os japoneses que avançavam os forçaram a se mudar novamente.
Wallace e seu grupo de médicos enfrentaram dificuldades incríveis, mas voltaram a Wuchow em 1945, quando a maré da guerra mudou. Sua descrição do retorno em uma carta para sua irmã foi caracteristicamente breve:
"Querida irmã: Wuchow. Amor, Bill"
Wallace reparou o hospital Stout gravemente danificado e voltou ao trabalho. Ele quase morreu de febre tifóide em 1948. Depois de se recuperar, continuou trabalhando em Wuchow após a derrota comunista dos chineses nacionalistas em 1949 - ganhando até o respeito relutante dos soldados comunistas enquanto tratava suas feridas.
Mas os missionários não eram mais bem-vindos na China, e o início da Guerra da Coréia, em 1950, desencadeou uma intensa campanha de propaganda antiamericana. A prisão de Wallace ocorreu em dezembro daquele ano, depois que as autoridades locais "encontraram" uma arma debaixo do colchão durante uma busca e o acusaram de ser um espião. Ele morreu na prisão menos de dois meses depois.
Mas não foi sua morte solitária que definiu o heroísmo de Wallace. Foi a sua vida cheia de amor.
Sim, Bill Wallace "era um mártir", reconheceu a falecida Everley Hayes, a enfermeira missionária que trabalhou com ele nos últimos anos e identificou seu corpo.
"Muitos pensam nos mártires como aquelas pessoas de rosto distante. Mas eu conhecia um Dr. Wallace que estava muito interessado em tudo ao seu redor. Ele era um mártir não porque morreu no serviço, mas porque se identificou tanto com o povo chinês que considerou-se um deles. E eles o amavam. "
Após a prisão de Wallace, um comissário convocou muitos cidadãos de Wuchow para uma reunião pública e exigiu que eles avançassem para denunciar o missionário. Nem uma única pessoa o fez. A única acusação que eles conseguiram fazer, refletiu um missionário católico romano que conhecia Wallace, foi que "ele continuou fazendo o bem".
Atualmente, em um período não-heroico, muitos americanos estão olhando para trás com nova admiração pelo que o jornalista Tom Brokaw chamou de "a maior geração": os homens e mulheres que sofreram a Depressão e depois aterrissaram sob fogo em praias estrangeiras para ajudar a derrotar os nazistas e seus aliados.
Os que sobreviveram chegaram em casa para construir vidas, famílias, uma nação. Reticentes em reviver sua hora de terror e coragem quando tantos morreram, a maioria desses veteranos vivos - quando pressionados - geralmente diz que "fez o que tínhamos que fazer" e deixou por isso mesmo.
Ao lado desses heróis calmos da guerra, considere o calmo Bill Wallace, do Tennessee, um homem de paz que deu sua última medida completa de devoção para curar corpos e almas em um canto isolado da China. Ele não tinha que fazer o que fez. Ele fez isso porque queria. Os amigos chineses em Wuchow o compreenderam, quando se arriscavam a ser punidos por colocar um monumento em sua sepultura, marcada com estas palavras do apóstolo Paulo: "Para mim, o viver é Cristo".
Os chineses já haviam ouvido sermões antes, mas "em Bill Wallace começaram a ver um, e isso fez a diferença", escreveu o historiador de missões Jesse Fletcher.
Numa era de hype, o personagem fala infinitamente mais alto que as palavras. Dever, compromisso, compaixão, humildade, coragem, obediência a Deus: se você estiver procurando maneiras de compartilhar essas qualidades com seus filhos, dê-lhes uma cópia da biografia clássica de Fletcher, "Bill Wallace da China" (Broadman & Holman; no Brasil, temos o livro Fiel Até a Morte, publicado pela UFMBB, e Combati o Bom Combate: A vida de Bill Wallace na China, da Jupec. Então ore pelos Bill Wallaces que Deus está levantando nesta geração.
Seu filho ou filha pode ser um deles.

Traduzido de Baptist Press por Veredas Missionárias.


terça-feira, 28 de maio de 2019

Dixon Edward Hoste, missionário para a China


Dixon Edward Hoste serviu a Cristo por mais de seis décadas. Homem de profundas convicções cristãs, ele foi o diretor geral da Missão ao Interior da China de 1900 a 1935. Ele mostrou que, com tolerância e orações, era possível levar os homens à fé em Deus.
Phyllis Thompson
Dixon Edward Hoste nasceu na Inglaterra, na cidade de Brighton, em 23 de julho de 1861, apenas quatro anos antes da fundação da Missão ao Interior da China (MIC). Seus pais eram cristãos tementes que o criaram em uma casa cheia de disciplina, amor e formação nas Sagradas Escrituras. O conhecimento da mãe sobre a Bíblia era profundo. Ela transmitiu a ele o amor de Deus, a necessidade de arrependimento e fé em Cristo. Também lhe incutiu um interesse caloroso por missões e sólidos princípios evangélicos.
Quando criança, Hoste frequentou o Clifton College, onde se destacou em seus estudos, inclusive aprendendo a língua grega, que dominou aos 8 anos de idade. Mais tarde, aos 17 anos, ele ingressou na Royal Military Academy of Woolwich, onde aprendeu obediência, precisão e ordem; mais tarde, como entender e dirigir os homens. Comissionado, um ano depois, como tenente em um regimento da Real Artilharia, ele viveu uma história longe do Senhor. No entanto, o Evangelho sempre tocou seu coração naqueles dias.
Em 1882 sua existência foi transformada quando ele compareceu, guiado por seu irmão William, que acabara de se render ao Salvador, a uma reunião realizada pelo servo Dwight Moody em Brighton. A pregação do evangelista americano convenceu-o de que ele vivia em pecado e lembrou-lhe que a eterna ira esperava os incrédulos. Naquele momento, ele decidiu aceitar Jesus como seu salvador e se ajoelhou para se submeter ao poder do Altíssimo. Instantaneamente, o perdão e o amor do Criador o dominaram e ele se encheu de profunda alegria.
CRENTE FIEL
Após sua conversão, ele começou a ler a Bíblia de maneira voraz, como se fosse o único livro do mundo. Ele também sentiu uma enorme convicção de que compartilhar as boas novas era mais importante do que qualquer outra atividade. Então, seu pai o aconselhou a orar pela direção de Deus. Seu desejo de absorver mais do Evangelho levou-o a entrar em contato com seguidores de Jesus Cristo que tinham idéias semelhantes às dele. Além disso, ele pregou a Palavra em diferentes lugares e dedicou-se em seu tempo livre para aprofundar sua fé.
No início de 1883, um de seus novos amigos, Montagu Beauchamp, um estudante da Universidade de Cambridge, forneceu-lhe informações sobre a Missão no Interior da China e colocou-o em contato com quatro crentes universitários. Imediatamente ele sentiu um enorme desejo de ser um missionário e levar a mensagem do Senhor ao povo chinês. Oito meses depois, ele conheceu Hudson Taylor, fundador da organização, e ficou sabendo das provas que os fiéis que optaram por se mudar para a Ásia tiveram que suportar, mas ele não desanimou.
Na companhia dos cinco estudantes universitários e junto com um colega de seu regimento, Dixon formou mais tarde o grupo The Seven of Cambridge e fortaleceu sua esperança de levar a mensagem de salvação à China. Em fevereiro de 1884, ele compareceu perante as autoridades da Missão no Interior da China. Naquela época, o missionário Taylor aconselhou-o a ganhar experiência e ajudar os fiéis ingleses nos cultos celebrados por Moody e pelo cantor Ira Sankey. Da mesma forma, ele sugeriu aprofundar seu conhecimento das Escrituras.
Em 5 de fevereiro de 1885, depois de visitar várias universidades na Inglaterra e na Escócia, nas quais evangelizaram milhares de jovens, os Sete de Cambridge partiram para a nação asiática. Eles chegaram em 18 de março e Hoste viajou para a província de Shanxi para começar sua vida missionária. Então, ele se estabeleceu na cidade de Quwo, onde se dedicou a estudar a língua local. À noite, ele se sentava no pátio de sua casa e pregava a Palavra para uma multidão de espectadores. À noite, distribuía folhetos cristãos.
TENAZ PREGADOR
Em 1886, Hudson Taylor visitou o sul de Shanxi e comprovou o trabalho evangelístico frutífero feito em Hongtong County pelo pastor Hsi, um homem devoto, que foi um dos missionários responsáveis ​​pela difusão do cristianismo em solo chinês. Algum tempo depois, Dixon se juntou a este icônico servo chinês e colaborou com ele como seu assistente pessoal. Ambos, que eram entusiastas da oração, visitaram vários lugares onde grupos de novos crentes surgiram graças à bênção de Deus.
Ao lado do pastor Hsi, o evangelista passou um período de formação que o preparou para os desafios que ele mais tarde assumiria na Missão ao Interior da China. Naquela época, como o reverendo oriental, ele confiava somente em Cristo para mudar o coração dos homens a quem ele espalhava a mensagem do Altíssimo. Além disso, ele percebeu que os crentes tinham que apelar para sua fé quando foram perseguidos por confiar no Redentor e aprenderam a esperar que o Todo-Poderoso amadurecesse a esperança e o amor dos recém-convertidos.
Por quase uma década, o pregador contribuiu para uma enorme colheita de fiéis em Hongtong. Partidário de que a Igreja na China estivesse fundada em colaboradores locais, trabalhadores e pastores, apoiou decididamente o trabalho silencioso do Ministro Hsi, que levou milhares de pessoas aos pés de Jesus Cristo. Os dois obtiveram inúmeros triunfos espirituais que ampliaram a entidade estabelecida por Taylor, até 19 de fevereiro de 1896, quando o Senhor chamou o missionário Hsi à sua presença.
LÍDER EXAMPLAR
No início dos anos 1900, enquanto estava na cidade de Xangai, Hoste testemunhou a rebelião dos Boxers, uma revolta popular que colocou em xeque a segurança e a paz dos pregadores estrangeiros. Depois, o reverendo Taylor, que estava na Suíça, pediu que ele ficasse lá para ajudar o vice-diretor da instituição, o pastor J W Stevenson. No entanto, em 7 de agosto do mesmo ano, quando soube dos ataques sangrentos contra ministros do evangelho estrangeiros, ele o nomeou regente da Obra.
Nos 35 anos seguintes, o pregador inglês sabiamente liderou a Missão ao Interior da China e a levou a superar grandes desafios e dificuldades. Apoiado pelos membros da organização, ele implantou uma série de esforços evangelísticos baseados nos ensinamentos do Messias. Com a bênção do Criador e amparado na Bíblia, ele forneceu um governo estável à sociedade missionária, que sobrevive até o presente, e a levou a ser o corpo evangélico mais importante em território chinês.
Acreditando que o reino de Deus deveria vir em primeiro lugar, em seu trabalho à frente do MIC, orou muitas horas por dia para contar com a direção de Jesus. Além disso, embora ele fosse reservado e, às vezes, parecesse distante, ele dava abundante amor aos pequeninos que ele evangelizava em seus deveres pastorais. Da mesma forma, comprometido em seguir os passos de Cristo, escolheu a paciência e a humildade para exercer sua liderança. Do mesmo modo, suas decisões sempre se basearam nos preceitos da fé e responderam a uma análise cuidadosa.
De forma permanente, Dixon recordava aos missionários estrangeiros que eles deveriam servir os chineses e não se impor a eles. Segundo ele, a oposição espiritual precisava ser enfrentada com a gentileza e a oração. Ele também nomeou crentes nativos em posições vitais com o objetivo de construir fortes congregações locais. Até o dia de sua aposentadoria, que ocorreu em junho de 1935, sua vida foi uma jornada contínua para o crescimento do cristianismo na Ásia. Abraçando as Escrituras, ele também suportou as vicissitudes da Primeira e Segunda Guerra Mundial.
Em 19 de maio de 1946, quando o sol estava nascendo sobre a metrópole de Londres, o missionário Dixon Edward Hoste foi para o céu depois de mais de seis décadas a serviço do Todo-Poderoso. Um homem simples com profundas convicções cristãs, o servo britânico mostrou em sua longa história que, com tolerância e orações, era possível levar os homens ao caminho de Deus. Paciente e perseverante ao mesmo tempo, ele também desempenhou um papel vital no desenvolvimento da Missão ao Interior da China e na evangelização da China.

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