A Viçoso, Moratalla era uma daquelas lojas especializadas que antigamente proliferavam pela Baixa Lisboeta, vindas do tempo em que naquela parte da cidade se encontrava tudo e se podia encomendar coisas ao gosto do cliente. Se queríamos mandar fazer uns sapatos duma cor especial, comprar um galão mais requintado, um tecido melhor, um colchão com uma medida excêntrica, uma cera diferente íamos à Baixa, pois ali vendiam-se coisas mais originais e de melhor qualidade de toda a cidade. Hoje pegamos no carro, vamos para a via rápida, ao hipermercado…
A Viçoso e Moratalla era uma casa de gravadores, que entre carimbos, condecorações e medalhas fazia aqueles cantos em metal, as rosetas, para colocar nas molduras e que são tão difíceis de achar. Faziam coisas absolutamente maravilhosas e o mostruário era tão bonito que tornava difícil a escolha. Qualquer moldura banal ficava logo com um ar estupendo com um daqueles cantinhos trabalhados.
Descobri aquela casa na Rua de S. Julião, 72, um dia, quando voltava da Feira-da-ladra e logo senti-me como um daqueles índios do tempo dos Descobrimentos, que ficavam fascinados a olhar para a quinquilharias, que os colonizadores lhes ofereciam. Voltei logo lá na segunda-feira e depois disso, eu e o meu amigo Manuel tornamo-nos uns clientes fiéis da Viçoso e Moratalla, creio mesmo que os únicos, pois a casa acabou de falir.
Enfim, percebo porque fechou. O horário era tonto e nunca se apanhava aquilo aberto às horas, que se pode fazer compras, não dispunham de pagamento por Multibanco, a empregada era uma sostra e cheirava a urina de cão naquele vão de escadas.
E no entanto que possibilidades tinha aquela loja. Estava toda revestida com estantes e gavetinhas, que se fossem decapadas da tinta castanha cor de caca, revelariam provavelmente um lindíssimo pinho velho. Se o funcionamento tivesse sido modernizado, certamente que a turistada toda que enxameia pelas ruas da Baixa perderia a cabeça com as ferragens deliciosas daquela lojinha vinda de outros tempos.
Enfim, é uma pena
A Viçoso e Moratalla era uma casa de gravadores, que entre carimbos, condecorações e medalhas fazia aqueles cantos em metal, as rosetas, para colocar nas molduras e que são tão difíceis de achar. Faziam coisas absolutamente maravilhosas e o mostruário era tão bonito que tornava difícil a escolha. Qualquer moldura banal ficava logo com um ar estupendo com um daqueles cantinhos trabalhados.
Descobri aquela casa na Rua de S. Julião, 72, um dia, quando voltava da Feira-da-ladra e logo senti-me como um daqueles índios do tempo dos Descobrimentos, que ficavam fascinados a olhar para a quinquilharias, que os colonizadores lhes ofereciam. Voltei logo lá na segunda-feira e depois disso, eu e o meu amigo Manuel tornamo-nos uns clientes fiéis da Viçoso e Moratalla, creio mesmo que os únicos, pois a casa acabou de falir.
Enfim, percebo porque fechou. O horário era tonto e nunca se apanhava aquilo aberto às horas, que se pode fazer compras, não dispunham de pagamento por Multibanco, a empregada era uma sostra e cheirava a urina de cão naquele vão de escadas.
E no entanto que possibilidades tinha aquela loja. Estava toda revestida com estantes e gavetinhas, que se fossem decapadas da tinta castanha cor de caca, revelariam provavelmente um lindíssimo pinho velho. Se o funcionamento tivesse sido modernizado, certamente que a turistada toda que enxameia pelas ruas da Baixa perderia a cabeça com as ferragens deliciosas daquela lojinha vinda de outros tempos.
Enfim, é uma pena