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segunda-feira, 4 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
sexta-feira, 8 de março de 2013
Kaos
Symphony Nº3 (Symphony of Sorrowful Songs) - Henryk
Górecki
A CRISE E OS PORTUGUESES A PROPÓSITO DE UM LIVRO
Muitas vezes a propósito de um
livro escreve-se que este é obrigatório ou seminal. No caso de “Kaos” obra
póstuma (1981) de Ruben A. será verdade.
Ruben A. (Rúben Alfredo
Andresen Leitão) foi (1920-1975) um escritor para o qual muita gente não estava
(está) preparada e por isso pouco descoberto. Um caso ímpar, em Portugal, na
escolha dos temas, no humor fino e no arrojo e originalidade da escrita.
O tema de “Kaos” é perfeitamente actual e atravessa e atravessa-nos neste momento, na casa em que vivemos que é este nosso País, em que só as moscas são diferentes numa tragicomédia em que idealismo e ganância, patriotismo e conveniência, tendem a confundir-se por distracção ou ausência de Culturiosidade, fingindo-se que não se percebe ou não se dá por isso.
As 250 páginas avassaladoras de “Kaos” disparam ininterruptamente rajadas de frases que atingem em cheio o córtex frontal da mentalidade portuguesa. Apesar de descrever o País entre 1900-1916,mistura Passado e Presente. Vasco Pulido Valente referiu (e bem desta vez) que “O Kaos é aparentemente a República. Mas também é 1820, o Liberalismo, a Revolução (1974), Portugal”.
O tema de “Kaos” é perfeitamente actual e atravessa e atravessa-nos neste momento, na casa em que vivemos que é este nosso País, em que só as moscas são diferentes numa tragicomédia em que idealismo e ganância, patriotismo e conveniência, tendem a confundir-se por distracção ou ausência de Culturiosidade, fingindo-se que não se percebe ou não se dá por isso.
As 250 páginas avassaladoras de “Kaos” disparam ininterruptamente rajadas de frases que atingem em cheio o córtex frontal da mentalidade portuguesa. Apesar de descrever o País entre 1900-1916,mistura Passado e Presente. Vasco Pulido Valente referiu (e bem desta vez) que “O Kaos é aparentemente a República. Mas também é 1820, o Liberalismo, a Revolução (1974), Portugal”.
Ruben A. relata, num registo
alucinante e propositadamente tresloucado/irónico, a loucura mansa da realidade
Portuguesa. Sem moralismos ou orgulhos serôdios - desnuda a alma lusitana como
quem disseca na aula de biologia as manhas e certezas de um qualquer animal.
Num diagnóstico terrível sobre o panorama nacional em que os tipos de pessoas
renascem constantemente em cada geração como actores cujo guião é fazer mais do
mesmo para nada mudar ou mudar muito pouco. Assim, periodicamente, o País é
inundado pelo medo e, em vez de nadar, fica paralisado prestes a afogar-se. Então
só consegue recorrer a tiques que ficaram do tempo da Inquisição - que se sente
ainda - invisível a serpentear pelas ruas onde se vocifera, se denuncia e se
diz mal - a cavalo na inveja e na vingança -, onde ninguém liga aos cardumes de
problemas e à desolação dos outros. Nas páginas do livro, onde ontem e hoje se
confundem em cenários surreais, Comemora-se na véspera a data de revoluções que
se espera acontecer, e reunimos muito, vigiamos e falamos diariamente uns com
os outros sentados na hipocrisia, no desejo de vencer sem trabalhar, a assistir
à trafulhice organizada, à pandilha que governa, ao compadrio descarado e à
corrupção constante e quase nunca punida porque o único dos gatunos que foi
acometido de doença súbita e morreu foi impossível de identificar na casa
mortuária da Justiça.
Implacável, Ruben A. refere
que serve apenas para ver e fazer ver numa procura no dentro de um nós que é
eu. Quem mergulhar nas primeiras dezenas de páginas fica envolvido pelo ritmo
acelerado das frases e mergulha ainda mais no esplendor da escrita sem saber
como regressará depois. Atreva-se e descubra um dos grandes livros de sempre da
Literatura Portuguesa.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Ruinografia IV
A House is Not a Home - Dusty Springfield & Burt Bacharach
Obsv: A revista "LER" teve a amabilidade de, no seu número de Junho (à venda desde dia 2), publicar uma foto retirada do Heavenly (nosso post de 30-11-2009) referenciando e recomendando este blogue em: http://ler.blogs.sapo.pt/. Os nossos agradecimentos.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
domingo, 24 de maio de 2009
A Casa
Voltei às ruínas.
Voltei à casa.
À casa que não é a minha casa.
Não sei quem a habitou.
Desde que lá entrei, um dia, nunca vi alguém.
Tenho por lá ficado. Sentado naquela imensidão em frente da Lagoa.
Como se fosse a minha casa.
E penso que, a qualquer momento, vais aparecer.
Quando entrares, por entre as pedras, deixarás, nas silvas, o teu vestido.
E depois ficaremos abraçados neste lugar de prodígios aberto ao sol.
Na casa que não é a minha casa.
“Una casa in cima al mondo”.
VT
Una casa in cima al mondo - Mina
terça-feira, 19 de maio de 2009
Janela
As Janelas
(Eugénio de Andrade)
As Janelas por onde entram as silvas,
a púrpura pisada,
o aroma das tílias,
a luz em declínio,
fazem deste abandono uma beleza devastadora e sem contorno
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