The house of rising sun - The Animals
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
O fascínio do Chalet Biester
Chalet Biester - Sintra, Estrada da Pena
The Ninth Gate Theme - Sumi Jo
Cerca de 1890, Ernesto
Biester, rico comerciante de origem alemã e desde há muito radicado em
Portugal, elegeu para edificar a sua mansão uma propriedade em Sintra (Estrada
da Pena). A execução do chalet – que tomou o nome do proprietário – revelou-se
eclética tendo inclusive recebido a colaboração de Rafael Bordalo Pinheiro
(azulejos da lareira).
O Chalet Biester apontado frequentemente como sede de vários lendas e mistérios (há quem refira uma ligação subterrânea para a Quinta da Regaleira) foi um dos vários cenários do filme The Ninth Gate (A Nona Porta), dirigido por Roman Polanski e onde o actor principal é Johnny Depp, no papel de um compulsivo caçador de livros raros.
O Chalet Biester apontado frequentemente como sede de vários lendas e mistérios (há quem refira uma ligação subterrânea para a Quinta da Regaleira) foi um dos vários cenários do filme The Ninth Gate (A Nona Porta), dirigido por Roman Polanski e onde o actor principal é Johnny Depp, no papel de um compulsivo caçador de livros raros.
Transcrevemos do nº 4 da
revista “A Architectura Portugueza, de 1908”:
“Em detalhe, toda a construcção é um mimo. Exteriormente, o arco abatido que emmoldura a porta dupla de entrada, arco em que se ergue um balcão coberto, constitue, no seu conjuncto, um motivo delicioso em que [José Luís] Monteiro affirma, simultaneamente, o seu valor de constructor e de artista. D’uma grande simplicidade, casando-se admiravelmente com a restante fachada de que esse motivo é a parte central e principal, as columnas que, n’elle, entram, sem deixarem de representar a sua funcção structural, de supporte, são d’uma graça e leveza incomparáveis, e a maneira como Monteiro deu a máxima cor, sem volumes excessivos, a esse detalhe da fachada, é tambem uma affirmação, e boa, da sua valia.
Internamente, se Monteiro teve a collaboração de Manini e Leandro Braga que, sobretudo na sala de jantar, mostrou quão grande era o seu valor de technico e artista, a sua direcção adivinha-se em toda a parte, ainda mesmo n’um ou n’outro ponto em que a phantasia de Leandro Braga, sentindo-se mais à vontade, se expandiu por isso tambem mais livre e acentuadamente. Desenhador d’um valor que, ainda hoje, é lembrado como tal pelos seus companheiros do atelier Pascal, Monteiro, sem prejudicar a visão de Leandro Braga que era o primeiro a respeitar, detalhou até à ultima, sempre que o julgou necessario, qualquer pormenor em que Braga interveio e que Monteiro entendia estar dentro da sua alçada. No resto, Braga, subordinando-se ao plano geral, fez só o que a sua consciencia de artista lhe ditou. E assim, a obra dos dois, se por vezes se funde, funde-se sempre em virtude do esforço consciente de ambos, não trazendo por isso prejuizo a um ou a outro, mas antes dando-lhes mais lustre e gloria.
“Em detalhe, toda a construcção é um mimo. Exteriormente, o arco abatido que emmoldura a porta dupla de entrada, arco em que se ergue um balcão coberto, constitue, no seu conjuncto, um motivo delicioso em que [José Luís] Monteiro affirma, simultaneamente, o seu valor de constructor e de artista. D’uma grande simplicidade, casando-se admiravelmente com a restante fachada de que esse motivo é a parte central e principal, as columnas que, n’elle, entram, sem deixarem de representar a sua funcção structural, de supporte, são d’uma graça e leveza incomparáveis, e a maneira como Monteiro deu a máxima cor, sem volumes excessivos, a esse detalhe da fachada, é tambem uma affirmação, e boa, da sua valia.
Internamente, se Monteiro teve a collaboração de Manini e Leandro Braga que, sobretudo na sala de jantar, mostrou quão grande era o seu valor de technico e artista, a sua direcção adivinha-se em toda a parte, ainda mesmo n’um ou n’outro ponto em que a phantasia de Leandro Braga, sentindo-se mais à vontade, se expandiu por isso tambem mais livre e acentuadamente. Desenhador d’um valor que, ainda hoje, é lembrado como tal pelos seus companheiros do atelier Pascal, Monteiro, sem prejudicar a visão de Leandro Braga que era o primeiro a respeitar, detalhou até à ultima, sempre que o julgou necessario, qualquer pormenor em que Braga interveio e que Monteiro entendia estar dentro da sua alçada. No resto, Braga, subordinando-se ao plano geral, fez só o que a sua consciencia de artista lhe ditou. E assim, a obra dos dois, se por vezes se funde, funde-se sempre em virtude do esforço consciente de ambos, não trazendo por isso prejuizo a um ou a outro, mas antes dando-lhes mais lustre e gloria.
O parque que, como já
dissemos, é obra de Nogré, é uma maravilha. Como Polixénes do “Conto d’Inverno”
de Shakespeare, que dizia que “a arte que ajuda a natureza é a arte superior
porque é, por assim dizer, ainda a natureza”, o sr. Nogré fez o seu jardim
Biester no estylo da paysagem, limitando-se sempre que lhe foi possivel, acabar
a obra principiada pela natureza, e isso sem esquecer a casa que o jardim tinha
de enquadrar. N’esta orientação, traçou-lhe todas as ruas e alamedas de forma a
fazer valer, de todos os lados e o melhor possivel, a silhueta geral do
edificio. Ora avultando em pittorescos maçissos, ora ondulando, naturalmente,
sem outra cobertura além da que lhe dá a herva cuidadosamente aparada, o parque
valorisa-se assim com o mesmo principio de sobriedade que caracterisa, na
alternação dos espaços nus e decorados, o estylo romanico. E, correndo em todos
os sentidos, ao longo das três faces posteriores da casa, que umas vezes quasi
desapparece sob a massa dos seus tufos, outras surge desafogada, e ainda outras
apparece enquadrada e recortada da folhagem, esta oferece-se, por esta fórma,
continuamente, a quem a olha de fóra, como um elemento sempre original e novo.
Notas: Na casa Biester,
collaboraram as seguintes pessoas: mestre Costa, tendo por encarregado de
carpinteiros seu sobrinho Carlos da Costa Soares, ambos de Cintra. Este ultimo,
quando aquelle se impossibilitou por doença, substituiu-o como mestre da obra
até final, mostrando a sua muita competência. Os estuques são de Domingos
Antonio da Silva Meira; a esculptura em madeira de Leandro Braga e a pintura
decorativa de Luigi Manini, excepto o arauto que se vê na entrada que é de
Baeta, tambem distincto pintor. A guarnição de ferro forjado da grande chaminé
da sala de jantar é de José da Quinta, artista serralheiro de grande valor.”
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
The Lawrence´s
Tea for two - Doris Day
***
***
O Lawrence's Hotel está em
actividade desde cerca de 1764. É a mais antiga unidade hoteleira da Península
Ibérica e uma das primeiras hospedarias do género na Europa. Situado no coração
do centro histórico de Sintra, obteve a preferência de Lord Byron em 1809. Os
clientes poderão pernoitar nesse mesmo quarto onde foi redigido o poema "A
peregrinação de Childe Harold". Depois de aí ter estanciado Lord Byron, o
hotel adquiriu grande notoriedade, mas outras importantes figuras do panorama
intelectual oitocentista pernoitaram no Lawrence, como Alexandre Herculano,
Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Bulhão Pato, Rarnalho Ortigão e tantos
outros grandes nomes, quer da Arte quer da Política Nacional.
Perto do centro da vila, o
Hotel Lawrence propiciava sobretudo, uma estadia aconchegante.
Com este mesmo conceito o
Lawrence's reabriu em 1999, após ter sido Hospedaria Inglesa, pertença do Sr.
Duran (1850); foi depois vendida ao Sr. Miguel Gallway, que aumentou o edifício
e alugou uma parte ao Sr. Álvaro Simões para ser usada como pastelaria, onde se
fabricaram os primeiros pastéis de feijão (1900); em 1935 foi comprada por uma
Sra. Checoslovaca - Maria Janavcova - que abre o Hotel em 1949 como Estalagem
dos Cavaleiros; em 1961 é encerrada; em 1969 é vendida ao Sr. Guedes Hare para
reabrir como Hotel mas a obra é embargada. Em 1989 é adquirida pela Família
Holandesa Bos e reerguida até à presente data, 235 anos depois, para mais uma
vez se chamar Lawrence's.
"O famoso hotel" ou
"A velha Lawrence´s" (como é citado por Eça mormente em os Maias), na
sua construção setecentista, de estrutura modesta e "fachada banal",
mas que, todavia, encantava de imediato o observador: "-Tem o ar mais
simpático-", persiste ainda hoje com o seu característico ambiente
acolhedor. (In Sintra Revisited).
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