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quarta-feira, 10 de junho de 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Diálogos

Rua Augusta. Lisboa.

Intervenção que fiz aquando do lançamento da Antologia Luso-Brasileira de Fotografia 2015 no passado dia 16 - que integra três fotografias minhas:

Se esta minha intervenção ocorresse há alguns anos atrás provavelmente começaria por dizer: sou médico e faço fotografia… o que ajuda a desenvolver o olho clínico.
Mas hoje, após a reforma, fará mais sentido dizer, ao contrário, que sou fotógrafo e que é o clínico que contribui para o olhar fotográfico.
De facto, no decorrer dos últimos seis anos, foram acontecendo mudanças no fotógrafo e no médico em mim. Progressivamente foram trocando de lugar. Hoje, por exemplo, é o médico que ajuda o fotógrafo na abordagem psicológica das situações e das pessoas a retratar.
Após uma primeira fase mais contemplativa, dedicada sobretudo a fotografia de paisagens urbanas ou naturais (representada nas 3 imagens publicadas nesta Antologia), passei a interessar-me cada vez mais em fotografar as pessoas em vez de ficar submetido à hegemonia das coisas. Passei a arriscar mergulhar mais frequentemente nos labirintos urbanos fascinado com o imprevisível. Fiquei viciado no risco e na aventura de descodificar sinais aparentemente ocultos e na necessidade de celeridade nas decisões.
Acabei por criar uma rotina diária, percorrendo as ruas e tentando ler, fotograficamente, nas entrelinhas do tecido social enquanto procuro “agarrar” instantes irrepetíveis e significativos.
Procuro na subtileza dos enquadramentos um melhor recenseamento dos hábitos e costumes dos meus conterrâneos.
Actualmente é o meu dia-a-dia de fotógrafo não profissional que me resgata da modorra depressiva destes tempos de reformado. Uma saudável e salvífica obsessão.
Hoje entendo que, tal como escrever, fotografar pode ser uma maneira de pensar.
Hoje percebi que afinal nada se repete e por isso fotografar é olhar e depois voltar a olhar – e descobrir sempre.
Descobrir no exterior os momentos mágicos que podem finalmente, através da fotografia, adquirir visibilidade perante todos e, ao mesmo tempo, descobrir-me dentro de mim. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Na Brasileira do Chiado

A “Brasileira do Chiado” foi fundada (1905) por Adriano Telles que, vindo do Brasil, importava o café sem dificuldades. Em 1908 faz uma remodelação, criando então a cafetaria. Com as liberdades de reunião e associação proclamadas pela instauração de República Portuguesa, e a instalação do Directório no Largo de S. Carlos (entretanto rebaptizado Largo do Directório, precisamente no 1º andar do edifício onde nasceu Fernando Pessoa), A Brasileira torna-se um dos cafés mais concorridos de Lisboa.
A partir dessa época A Brasileira tornou-se o cenário de inúmeras tertúlias intelectuais, artísticas e literárias. Por lá passaram os escritores e artistas, reunidos en torno da figura do poeta-general Henrique Rosa (tio adoptivo de Fernando Pessoa), que viriam a fundar a Revista Orpheu.
Em 1925 a Brasileira passa a expor onze telas de sete pintores portugueses da nova geração, que então frequentavam o café: Almada Negreiros, António Soares, Eduardo Viana, Jorge Barradas (com dois quadros cada), Bernardo Marques, Stuart Carvalhais e José Pacheco. Este «museu» foi renovado em 1971, com onze novas telas de pintores da época: António Palolo, Carlos Calvet, Eduardo Nery, Fernando Azevedo, João Hogan, João Vieira, Joaquim Rodrigo, Manuel Baptista, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, e Vespeira. 
Com toda a importância que teve na vida cultural do país, A Brasileira do Chiado mantém uma identidade muito própria, quer pela especificidade da sua decoração, quer pela simbologia que representa por se encontrar ligada a círculos de intelectuais, escritores e artistas de renome como Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pacheco ou Abel Manta, entre muitos outros. A assiduidade de Fernando Pessoa motivou a inauguração, nos anos 80, da estátua em bronze da autoria de Lagoa Henriques, que representa o escritor sentado à mesa na esplanada do café.