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segunda-feira, 27 de maio de 2013

A história de uma canção para dançar no céu

 
True love ways - Buddy Holly

Uma canção seminal de um dos cantores/compositores mais determinantes no “nascimento” do rock´n´roll. Uma canção doce que guardei para sempre num lugar privilegiado da memória e que oiço e me emociona (e faz sonhar) muitas vezes. Não só pelo excepcional intérprete que foi Buddy Holy (e o seu conjunto The Crickets) mas também pela ternura e significado que emana da letra e da melodia, atento o facto de Buddy Holly ter escrito "True Love Ways" dedicando a canção a sua esposa, Maria Elena, como um presente de casamento - 4 meses antes dele próprio vir a falecer.
Buddy Hollly foi um dos principais pioneiros do rock and roll. Apesar de seu sucesso ter durado apenas um ano e meio antes de sua morte, Holly é descrito pelo crítico Bruce Eder como "a força criativa mais influente e única no rock and roll." As suas composições inovaram, inspiraram e influenciaram muitos outros músicos, nomeadamente: Elvis Presley, The Beatles, Elvis Costello, The Rolling Stones, Don McLean, Bob Dylan, Steve Winwood e Eric Clapton, tendo exercido uma influência profunda sobre a música popular na altura (havia quem afirmasse que não fora Buddy Holy e... Elvis jamais teria existido “as a big star”.
Holly foi um dos homenageados na inauguração do Rock and Roll Hall of Fame em 1986. Em 2004, a Rolling Stone classificou Holly em númeo 13 entre "Os 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos”.
Juntamente com “True Love ways” foram gravadas (no Templo Pythian em 21 de outubro de 1958) "It Doesn't Matter Anymore" e "Raining in My Heart", naquela que seria a sua última gravação antes de desaparecer, prematuramente, em 3 de fevereiro de 1959, durante o "Winter Dance Party" tour com The Big Bopper e Richie Valens, num acidente de avião, com a idade de 22, após um “show” em Clear Lake, Iowa. Um dia que ficaria para sempre imortalizado por Don McLean como "o dia que a música morreu" na sua clássica canção "American Pie".

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Sobre o aparecimento das primeiras "Boites" (década de 1960) - no eixo Lisboa / Cascais

Reach out I ´ll be there - Four Tops

AS PRIMEIRAS "BOITES" NO EIXO LISBOA / CASCAIS
(DÉCADA DE 1960)

A década de 1960 foi muito importante, para o País, porque se foi “aprendendo” com múltiplas situações sociais que aconteceram e foram fermento para mais tarde na década seguinte surgir o 25 de Abril. A música foi uma das inúmeras peças do “puzzle” social da altura.
No início dos “sixties” os adolescentes agrupavam-se em pequenos “clãs” que frequentavam as festas nas garagens ou em casa de amigos (as) ou nas Casas de Recreio (Algarve, Alentejo, etc.), Clubes (Campolide, Campo de Ourique), Sociedade de Belas Artes, etc. Tudo combinado previamente durante a tarde nos cafés adoptados pela malta nova de casacos de cabedal e camisolas vermelho vivo. Convergíamos para o Londres, o Las Vegas, o Monte Carlo, Café Gelo, Vá-Vá, a Tentadora, a Versailles, o “Bowling” (depois cinema Londres), etc., onde entre jogos de Bowling e uns cafés se aprazava a noite. Ao mesmo tempo assistíamos aos mais velhos partirem para a “guerra de África” ou revoltarem-se na Universidade, e líamos jornais onde se utilizava uma linguagem quase codificada com subentendidos ou de “mensagens” nas entrelinhas - por causa da Censura do regime de então.
“A Lareira” foi a primeira "boite" que conheci em Lisboa. Situada na Praça das Águas Livres, entre Campolide e Campo de Ourique, apresentava-se como uma casa de chá onde se permitia dançar à hora do “lanche”, em 1964, ao som dos discos da época. Muitas das meninas ainda vinham acompanhadas pelas mamãs e o Eusébio era uma presença habitual.
Entretanto, ao mesmo tempo, na linha de Cascais começava a dançar-se em espaços já formatados como “boites”. Em vez das festas nas garagens os grupos de jovens visitam várias “capelinhas” numa mesma noite passando também pelo “Caixote” - junto ao Cinema - forrado com papéis de jornal e onde podíamos assistir à atracção de ver 2 francesas dentro de uma jaula a dançar freneticamente. Depressa se adaptam como "boites" outros espaços que já existiam como a “Ronda” no Monte Estoril (onde actuava desde 1962 o Thilo´s Combo e, mais tarde, o Quinteto Académico) e a “Choupana” na “Marginal” - frequentadas ambas essencialmente por casais já adultos. Os jovens depressa aí se misturam com outras gerações mais velhas penteados com a “banana” à Simone de Oliveira ou risca à Henrique Mendes. Mas o Palm Beach era a preferida pela Juventude e onde se podia conviver com jovens inglesas e francesas ao mesmo tempo que se desfrutava de um eventual romance “com vista para o mar”. Ao mesmo tempo que arde o Teatro D. Maria II e cai a cobertura da Estação do Cais do Sodré, têm lugar no Teatro Monumental, concursos de Rock, Twist e, mais tarde de Yé-Yé ou de mini-saias (em 1967) - fornecidas pela casa Porfírios na baixa alfacinha. Bem perto desta casa de espectáculos havia também o Porão da Nau. Noutro registo: convívio durante a ceia com muitos dos (as) nossos (as) artistas em cena pelos teatros da capital.
Mas, em 1965, ao mesmo tempo que se começam a erguer urbanizações em redor de Lisboa (Reboleira, etc.), os Centos Comerciais (o "Sol a Sol" na Av. da Liberdade foi o 1º. Os jovens passavam por lá a comprar "posters" psicadélicos e o novo aroma: Aqua di Selva.) e os Supermercados (o Modelo no Saldanha foi o 1º) iniciam a sua ascensão nos hábitos dos Portugueses, dá-se uma sucessão de inaugurações de novas "boites" - aumentando o leque de oferta e condicionando definitivamente os novos hábitos dos jovens. Em Fevereiro abre o célebre Caruncho (no Lumiar). Por aqui passam os Sheiks, o Quinteto Académico, os Claves e o consagrado cantor francês Nino Ferrer. Está na moda uma nova água-de-colónia masculina - quase todos cheirávamos a “Tabac” - e eram muito populares músicas como o “Winchester Cathedral” dos John Smith and The New Sound, o “Green green grass of home” do Tom Jones e o “Reach out I´ll be there” dos Four Tops.
Surge ainda o Calhambeque na Avenida de Roma e, finalmente, ainda em 1965, é inaugurado o mítico “Van Gogo”, onde se dança o “Guantanamera” e o som do Barry White. Mais “selecto” (decorado por Pedro Leitão) proporciona a muitos terem garrafa de whisky (sem ser de Sacavém) que lhes assegura o acesso. Só entra quem é conhecido ou faz parte do círculo do dono, o Manecas Mocelek, uma figura marcante no mundo das "boites" da década de 1960. Fica para a história o impedimento da entrada a Gina Lollobrigída vinda da festa milionária dos Patino - porque não pertencia à elite habitual.

Guantanamera - The Sandpipers

Em 1966, ao mesmo tempo que eram celebrados os “magriços” da selecção nacional - que ficou em 3º lugar no Mundial de Futebol, já os Beatles e os Stones reinavam há muito nas pistas de dança, surge (Agosto) uma das “mecas” da juventude noctívaga e dançante: o “Pop Clube” criado por Fenando Jorge Correia (mais tarde “Primorosa de Alvalade” - a partir de 1974) junto à Av. Estados Unidos da América e, em 1967, abre (em Maio), em plena “era psicadélica”, o sofisticado “Relógio”, na Lapa (às Janelas Verdes) decorada pelo dono (o artista plástico Francisco Relógio) - e que mais tarde (1970) seria transformada nos “Stones” (também de Manecas Mocelek). Usava-se a colónia “Sir” e dançava-se “San Francisco” de Scott Mckenzie.
Em 1968, no mesmo ano em que Salazar cai da cadeira, Manecas Mocelek, toma conta do Ad Lib - no 7º andar de um prédio da Rua Barata Salgueiro, decorado por Pedro Leitão (em estilo oriental) e onde eventuais “ meninos e meninas bem” impregnados de “Eau Sauvage” da Dior chegavam de elevador para se aconchegarem no vermelho do ambiente e nas cadeiras em círculo forradas a pele. É uma das "boites" obrigatórias” da noite. Apesar do som de Isaac Hayes começava a surgir outra tendência musical que faria vingar, na década seguinte, o “Disco- Sound” e que seria acentuada pelo supracitado “Stones” (com whisky a 50 escudos), depois de, em 1969, o 1º homem ter pisado a Lua e o País sobreviver a um violento sismo. Manecas Mocelek viria ainda a criar, na década de 1980, o "Bananas"em Alcântara.
É claro que terminada a “festa” e depois de passarmos por diversas “boîtes” acabava-se a noite a comer as célebres bolas de Berlim na padaria das traseiras do Van Gogo, no Cacau da Ribeira ou a cear pelo Cantinho dos Artistas no Parque Mayer - depois de dar um pulo á Galeria 48 na Avenida da Liberdade para ouvir a Maysa Matarazzo, ou de ter mergulhado no “bas-fond” do cabaré Ritz Club, da rua da Glória, onde se assistia ao strip de madonas “Fellinianas”, antes de irmos ver o nascer o dia no miradouro do Jardim de S. Pedro de Alcântara.
E as manhãs eram sempre radiosas… 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

About clouds V


 
Ghost Riders in the Sky - Ramrods

"(Ghost) Riders in the Sky: A Cowboy Legend" é uma canção “de cowboys” que inspiraria mais tarde os Doors em “Riders on the Storm”. Da autoria (1948) de Stan Jones deu lugar a inúmeras versões e “hits” nas Pop charts desde essa altura. A letra conta uma lenda sobre um cowboy que “viu”, em dia de muitas nuvens, uma manada de gado de olhos vermelhos e flamejantes que era perseguida pelos espíritos de outros cowboys. Um deles avisou-o que deveria mudar rápido o seu modo de estar na vida se não acabaria, tal como eles, por ser alvo da maldição - ficando eternamente envolvido numa corrida e perseguição sem fim tentando apanhar, sem êxito, o diabo por entre as nuvens. Mais de 50 intérpretes fizeram as suas “covers” desta canção. Alguns deles grandes nomes e vozes da música ligeira. Entre outros gravaram o tema: Burl Ives (o primeiro a cantá-la em 1949), The Outlaws, Vaughn Monroe, Bing Crosby, Frankie Laine, Marty Robbins, Johnny Cash, Peggy Lee, Spike Jones, Gene Autry, Elvis Presley, Duane Eddy, The Shadows, etc. No entanto tenho um carinho especial por esta interpretação (hoje muito rara) com “twangy guitar” dos Ramrods que teve grande impacto na altura – com os sons que a integraram: silvos de chicotes e gritos de cowboys misturados com o som do gado e dos fantasmas dos vaqueiros. Como estamos no “Halloween” não resisti.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Em 1963 - Uma canção mágica

Foto do autor em 1963

Be My Baby - Ronettes

"Be My Baby" é uma canção mítica publicada em 1963, da autoria de Phil Spector (também produtor) com a colaboração de Jeff Barry e Ellie Greenwich, cantada pelas Ronettes (Veronica Bennett, também conhecida como Ronnie Spector, sua irmã Estelle e a prima Nedra Tailey). Atingiu de imediato o nº2 do US Pop Chart e o nº 4 do UK Record Retailer e do R&B chart. Sendo uma das canções mais célebres e apreciadas, desde essa altura, foi considerada pela revista Rolling Stone como uma das 500 melhores canções de sempre, classificada como a melhor canção Pop de todos os tempos - por uma autoridade como Brian Wilson (dos Beach Boys que em resposta compuseram “Don´t worry baby”) e apresentada por Dick Clark (American Bandstand) como o disco do século (XX). É mais um produto do cesto de Spector - a merecer também muita atenção. Além das Ronnetes colaboraram Hal Blaine na bateria (que é decisiva) e Darlene Love e Sonny e Cher como “backup vocals”. Alvo de múltiplas “covers versions” (Andy Kim, John Lennon, The Lightning Seeds, Blue Oyster Cult, Linda Ronstad e outros) fez parte da banda Sonora dos filmes: “Mean Streets” (1973) de Martin Scorsese e de “Dirty Dancing” (1987). Ninguém fica indiferente à sua magia. Lembro-me que era uma das canções preferidas dos namoros da altura e que a utilizava, durante os bailes de garagem ou organizados em casa de outros adolescentes, para conseguir atrair a atenção “from the girl in my dreams”. Então combinava com um amigo que, coordenado comigo, punha a tocar “Be My Baby” enquanto eu ia entrando na sala do baile – caminhando “softly” e ao ritmo empolgante da bateria (os 10 segundos iniciais são fundamentais) na introdução da música (em crescendo e criando um “suspense” muito especial até “desaguar” numa festa - das vozes do conjunto) em direcção à rapariga por quem estava apaixonado – responsável por um “Síndroma febril indeterminado” que eu apresentava havia algumas semanas. Havia um magnetismo especial no ar e sentia que era como se fosse transportado sobre uma nuvem em direcção à “nuvem” dela que convergia também para minha ("Heavenly" of course). No centro da sala de baile, os pés flutuando alguns centímetros acima do chão encontrávamo-nos e enlaçávamo-nos – com uma cintilação mágica nos olhos – ao som de “Be My Baby”. Isso mesmo. Uma cintilação mágica. E garanto que nada vale a pena sem cintilação mágica. Experimente agora. Faça novamente “Play” na barra da música, feche os olhos… imagine e vá… Quando os abrir de novo estarão certamente a cintilar.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

The Sea of Love

 
Sea Of Love - Phil Phillips

"Sea of Love", da autoria de Phil Phillips com os Twilights, quase conquistou o 1º lugar do Top 100 dos “chats” pop nos USA, em 24 de Agosto de 1959, mas teve de se contentar com o segundo lugar. Ficou 14 Semanas no Top 40 e atingiu o 1º lugar na R&Blues “chart”, vendendo mais de 2 milhões de cópias. Foi um dos temas mais tocados durante os anos 50. Em 1958, Phil Phillips (nascido John Baptiste) foi um jovem guitarrista frustrado que trabalhava como mensageiro de hotel em Lake Charles, LA. Baptiste escreveu "Sea of Love" serenata para uma paixão. Um dia, foi ouvido por um amigo de George Khoury, um produtor local, que havia trabalhado com um grupo feminino chamado “Cookie and the Cupcakes”. Khoury Baptiste acrescentou algumas vozes, em estilo “doo woop” como fundo, e gravou a canção após sucessivos “takes”. Antes do lançamento, Khoury sugeriu a Baptiste que deveria usar antes o seu nome do meio, Phillip, e o nome “artístico” ficou Baptiste Phil Phillips. A canção foi publicada, inicialmente, por uma editora independente da propriedade de Khoury, mas começou a vender tão bem que a Mercury Records passou a ser a distribuidora. Apesar de ter Brook Benton e os Jordanaires como vozes de apoio e produção de Clyde Otis, o recém-baptizado Phil Phillips nunca iria ver o Top 40 novamente. Del Shannon refez "Sea of Love" em 1982 e alcançou o 33º lugar, os “Honeydrippers”, dois anos mais tarde, duplicaram o sucesso inicial. Mais tarde, ainda na década de 80, Phillips produziu a canção para os “Fire Ants”, um grupo que integrava cinco de seus filhos. Mais recentemente (1989) a canção foi o tema central de um filme intitulado também “Sea of Love” (em Portugal teve o nome de “Perigosa Sedução”), com Al Pacino e Ellen Barkin – confirmando o seu estatuto de disco de culto.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Revoada (A Lhasa de Sela)


Con toda palabra – Lhasa de Sela

Não posso deixar de me solidarizar vivamente com todas as evocações que têm surgido após o falecimento de Lhasa de Sela, uma cantora de grande qualidade que era, ao mesmo tempo, um ser humano extraordinário. É inesquecível “o choque emocional” que me provocou o seu excepcional 1º CD (La Llorona) - que lhe grangeou de imediato uma onda de admiração em todos os países. Aliás, gravados entre 1998 e 2009, os três álbuns de Lhasa - La Llorona, The Living Road e Lhasa - venderam cerca de um milhão de exemplares em todo o mundo. Portanto a notícia do falecimento (cancro da mama), em 1 de Janeiro deste ano, de Lhasa de Sela (n. 27 de Setembro de 1972 no estado de Nova Iorque) não deixou de provocar uma grande tristeza em todo o mundo mas com particular incidência em Portugal - onde possuía muitos amigos e admiradores não só do seu talento mas também da sua personalidade muito afável, simpática e humilde. Era uma artista de culto, tendo-se apresentado numerosas vezes nos palcos nacionais. De ascendência mexicana e americano-judeu-libanesa era pouco convencional. Percorreu os EUA e o México na infância, de maneira nómada, juntamente com os pais e as suas três irmãs e a sua obra musical mescla tradição mexicana, klezmer e rock é cantada em três idiomas: espanhol, francês e inglês. Num comunicado assinado pelo manager de Lhasa de Sela, escreve-se que a autora de La Llorona deixa "incontáveis amigos, músicos e colegas que a acompanharam ao longo da carreira, para não falar dos inúmeros admiradores em todo o mundo"… terminando com a informação de que “Nevou mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa ". Por seu turno, Vasco Sacramento, da promotora de espectáculo Sons em Trânsito, escreveu num comunicado que, das centenas de concertos com artistas estrangeiros que já organizou, "Lhasa de Sela foi claramente a que mais [o] marcou". "Não só pela sua voz única ou pela qualidade óbvia das suas canções, mas antes pela sua atitude desprendida e diferente do que é habitual assistir em muitos artistas", explica Vasco Sacramento. "Lhasa de Sela não estava interessada no estrelato, na fama ou no dinheiro”. Lhasa era diferente. Parecia que cantava apenas por imperativo de consciência, sem grandes preocupações com estratégia de mercado. Vasco Sacramento lembra ainda a "inesquecível ligação" de Lhasa a Portugal: "Amava o fado, principalmente, claro, Amália, que cantou nos seus concertos em Portugal. Lembro-me das ovações em pé que a sua interpretação de 'Meu amor, Meu amor' lhe rendeu. Foi emocionante. Lhasa adorava Lisboa! Bairro Alto, Alfama, mas também Sintra, Coimbra, etc. Falava-me sempre do bacalhau que gostava de comer em Xabregas, quando cá estava. E o público português sempre lhe dedicou enorme afecto, esgotando todas as salas onde a Lhasa actuou no nosso país". "Fora dos palcos, Lhasa de Sela era simples e densa. Simples no trato, na forma como lidava carinhosamente com todos. Densa pela profundidade e maturidade que revelava, provavelmente fruto do nomadismo que marcou toda a sua vida", acrescenta ainda Vasco Sacramento, terminando da seguinte forma a sua mensagem: "A Lhasa partiu como sempre viveu. Sem grandes alaridos. Partiu livre. Como sempre viveu". Vamos continuar a ouvir muitas vezes Lhasa de Sela.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Blue in Green

"Blue in Green" é uma balada do Album “Kind of Blue” (gravado em Março e Abril de 1959) de Miles Davis, cujas sessões de registo contaram (além de Miles) com um elenco de “luxo”: Bill Evans e Wynton Kelly (ambos no piano), Jimmy Cobb (bateria), Paul Chambers (baixo) e os saxofonistas John Coltrane e Cannonbal Adderley. “Kind of Blue” tem vindo a ser citado, desde então, como o disco de Jazz mais vendido de sempre e, em Outubro de 2008, recebeu a “quádrupla platina” em vendas – atribuída pela Record Industry Association. Tem sido classificado por inúmeros críticos e especialistas como o melhor álbum da história do Jazz e a grande obra-prima de Miles, e a revista “Rolling Stone” classifica-o (em 2003) como 12º entre os 500 melhores discos de sempre, influenciando inúmeros músicos não só de Jazz mas também de Rock e de Música clássica. “Blue in Green” é uma pérola luminosa no meio deste disco sensacional e uma das 10 músicas que muita gente escolheria para levar para uma ilha deserta. Tem sido especulado ao longo do tempo se a autoria de “Blue in Green” era de Miles ou antes de Bill Evans – outro “gigante” do Jazz que participara no disco. Depois de vários livros atribuírem a autoria a Miles, ou a Miles e Evans, ficou esclarecido numa entrevista (1978) que foi de facto o génio de Bill Evans a compor o tema para aquele que viria a ser um dos mais fantásticos improvisos de Miles e da história do Jazz. Mais espantoso é o facto de que o disco foi gravado sem antes ter existido qualquer ensaio. A espontaneidade no seu estado mais puro. Uma enorme profundidade. Como o oceano. Também ele “Blue in Green”.
Blue in Green – Miles Davis

domingo, 25 de outubro de 2009

Just another sunset

Richard Harris (1 Outubro 1930 – 25 Outubro 2002) nasceu na Irlanda. Era filho de um moleiro mas foi educado na Sagrado Coração de Jesus Colégio dos Jesuítas, e mais tarde estudou na Academia de Londres de Música e Arte Dramática. Foi conhecido sobretudo como um grande actor. Desempenhou papéis inesquecíveis em “Camelot” (1967 - como Rei Arthur), Cromwell (1970), “A Man called horse” (1970), “Unforgiven” (1992), “Gladiator” (2000), até aos recentes filmes de Harry Potter (na personagem de Dumbledore). No final da década de 1960 foi no entanto, talvez o actor mais popular na história da música popular, quase rivalizando com os Beatles. O seu disco “MacArthur Park” (canção de Jimmy Webb que atingiu o “top ten” em ambos os lados do Atlântico) em conjunto com o filme “A Man called horse” transformaram-no num ícone da cultura popular de então. Após o enorme êxito como “actor-cantor” em “Camelot”, com a sua voz atraente e com dicção impecável (semelhante à de Rex Harrison), foi convidado por Jimmy Webb, um ano depois, para gravar (1967) uma canção com cerca de 7 minutos “épicos”: “MacArthur Park” – que se tornaria uma das suas imagens de marca. Em 1968 seriam editados “Tramp Shining” (um álbum conceptual, sofisticado e muito bem produzido) e “Yard Went on Forever” (também com Webb). Apesar de não terem o sucesso comercial do anterior, continham temas com interpretações fortes. Sucederam-se “My Boy”, “The Love Album”(com algumas das melhores faixas dos discos anteriores), “Slides” (1972), “His Greatest Performances” (1973), "Jonathan Livingston Seagull" (1973), “ The Prophet” (1974), “I, in the Membership of My Days” (1974) e “Camelot” (Original 1982 London Cast Soundtrack) (1982). As suas interpretações têm a mais-valia de, para além de cantadas, conterem a emoção e a voz de um grande "diseur". Apesar da qualidade dos discos anteriores ficou para sempre gravada na minha memória a canção “Slides” (do LP com o mesmo nome) em que Harris alterna a voz do cantor com a do actor. Só recentemente saiu em CD, permitindo que eu a colocasse no Youtube. Um clássico guardado no armário das grandes canções românticas de sempre.
Slides – Richard Harris

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Reverie

Vladimir Horowitz foi (1/10/1903 a 5 /11/1989) um pianista clássico, com um estilo muito próprio (“Horowitziano”), de grande virtuosismo e considerado como um dos mais brilhantes de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas actuações contagiantes. Foi considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff. Deixou a Rússia em 1925, sob a promessa de não se esquecer da mãe-pátria. Viria a naturalizar-se americano em 1942 e esteve mais de 60 anos sem regressar à sua terra natal. Aos 82 anos sucumbiu ao desejo de ver por uma última vez a Rússia antes de morrer. Ao abrigo de um acordo entre os USA e a URSSR, pediu para regressar como “embaixador da Paz”, considerando a tensão política que se vivia na altura (a aviação americana atacara a Líbia). Assim, em 20 de Abril de 1986, Horowitz tocou o seu Steinway pessoal perante uma audiência “electrizada”. A sessão foi alvo de gravação televisiva e em CD. Uma multidão que não conseguiu lugar no auditório ficou durante o concerto à porta do Conservatório de Moscovo – como quem diz: presente! As palmas e os “Bravos!” sucederam-se num ambiente de rara emoção. Havia quem dissesse que aquela interpretação “era sobre humana e vinha do céu” e um pianista russo conhecido exclamava que Horowitz “era o único pianista que conseguia tocar as cores”. Quando num dos “encores” o filho pródigo amado por toda aquela gente tocou Traumerei (“Reverie”) de Schumann… Sentiu-se que algo de mágico e poderoso se estava a passar. Uma corrente de ternura colectiva “explodiu” em direcção àquele velhote franzino, ao piano, que morreria em breve (3 anos depois) mas que antes quis dar o melhor que a sua alma guardava, naquele preciso momento, ao seu país de origem. As notas de Traumerei caíam cristalinas num silêncio total. As pessoas não estavam tristes, antes exultavam em poder assistir a algo de inimaginável. A câmara da televisão mostrava (vale a pena ver no Youtube) rostos emocionados no público suspenso daqueles 2 minutos e 27 segundos. As lágrimas que escorriam pelas faces dos espectadores são também as nossas. Não por acaso, escolhi uma fotografia “a preto e branco”, de um grupo de árvores junto ao lago do Parque das Caldas, para acompanhar a música de hoje porque estou certo que as notas tocadas por Horowitz irão colori-la com as cores dos sonhos. Enjoy…

Horowitz plays SchumannTraumerei in Moscow (1986)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tropical Mood

Nesta semana de Setembro em que, inesperadamente, se faz sentir um calor quase digno dos trópicos, lembrei-me de aqui trazer um tema a condizer. "Begin the Beguine" foi mais um dos temas famosos escritos por Cole Porter (1891–1964), que o compôs ao piano no bar do Hotel Ritz de Paris. Em Outubro de 1935, faria a sua 1ª aparição pública através da voz de June Knight num musical da Broadway, “Jubilee” no Teatro imperial de Nova York. O tema viria a tornar-se um dos maiores sucessos da era do “Swing” e tem vindo a ser interpretado por inúmeros cantores de grande craveira – incluindo recentemente os REM que jogando com as palavras chamaram-lhe “Begin the Begin” no disco “Lifes Rich Pageant”. Fred Astaire e Eleanor Powell dançaram uma célebre versão instrumental no filme “Broadway Melody” (1940), Deanna Durbin cantou-o, em 1943, noutra fita (“Hers to Hold”) e, em 1946, foi a vez de Carlos Ramirez interpretar a canção na longa-metragem “Night and Day”. Curiosamente "Begin the Beguine” surge, em 1968, no filme “Yellow Submarine”, com os Beatles, durante uma conversa entre John e Jeremy. Mas para hoje escolhi uma soberba interpretação (2001) do grande pianista cubano Pepesito Reyes que, para além de ser o responsável pela linha melódica principal de “Guantanamera”, acompanhou nomes como Benny Moré, Duke Ellington, Nat King Cole e Tito Puente. Com 85 anos, Reyes continuava a tocar e encantar pelo mundo inteiro com o seu estilo marcado por um sabor tropical. É difícil resistir e não dançar este tema embalado pelo ritmo caloroso do “pianar” mágico de Pepesito Reyes (“even the palms seem to be swaying…”).
VT
...
When they begin the beguine
it brings back the sound
of music so tender
it brings back a night
of tropical splendor
it brings back a memory of green
I'm with you once more
under the stars
and down by the shore
an orchestra´s playing
and even the palms
seem to be swaying
when they begin the beguine
to live it again
is past all endeavor
except when that tune
clutches my heart
and there we are swearing to love forever
and promising never
never to part
a moments divine
what rapture serene
to clouds came along
to disperse the joys we had tasted
and now when I hear people curse the chance that was wasted
I know but too well what they mean
so don´t let them begin the beguine
let the love that was once a fire
remain an ember
let it sleep like the dead desire I only remember
when they begin the beguine
oh yes let them begin the beguine
make them play
till the stars that were there before
return above you
till you whisper to me
once more darling I love you
and we suddenly know what heaven we're in
when they begin the beguine

Begin the Beguine – Pepesito Reyes

domingo, 20 de setembro de 2009

Claridade

Janis Ian (n. em 1951) foi uma das compositoras e intérpretes norte-americanas mais interessantes das décadas de 1960 e 1970, continuando a actuar e a gravar até aos dias de hoje. Ella Fitzgerald considerou, Janis, na altura, a melhor jovem intérprete dos EUA. De facto, Janis, que começou a carreira aos 13 anos, tinha um enorme talento e era uma autêntica “força da Natureza”. As suas actuações ao vivo eram apaixonantes. A audiência ficava submergida por uma emoção que levava muita gente às lágrimas perante a paixão que Janis colocava nas suas interpretações. Um sopro mágico varria o auditório quando ela cerrava os olhos e começava a cantar, entrando nos silêncios mais profundas de cada ouvinte. Julgo que não foi suficientemente apreciada em Portugal e hoje quase ninguém a conhece (com excepção de um reduzido número de apreciadores – entre as quais me incluo). Por isso hoje trouxe Janis interpretando ao vivo (não podia deixar de ser) aquele que foi talvez o seu maior sucesso: “At Seventeen” - foi nº 1 no Billboard Adult Contemporary chart e nº 3 no Pop Singles chart em Setembro de 1975, vencendo o Grammy Award for Best Female Pop Vocal Performance em 1976, à frente de Linda Ronstadt e de Olivia Newton-John, tendo sido ainda nomeado como "Record of the Year" e "Song of the Year". Trata-se de uma canção, escrita durante 1973 e gravada no ano seguinte, sobre o sofrimento de uma adolescente que se sente incompreendida e só, julgando que ninguém repara nela e nunca viria a ser cortejada (“love was meant for beauty queens”) por algum colega do liceu (“Valentines that never comes”). Como se existisse, para ela, apenas um caminho sem saída e onde se descortinava apenas o nevoeiro das desilusões. Não reparava ainda que afinal há uma claridade âmbar iluminando um espaço sépia sem tempo que habita dentro de nós. Brilha mais quando ouvimos "At Seventeen" cantado por Janis Ian.
VT
“To those of us who knows…”
At Seventeen – Janis Ian

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

1955

(Foto do autor por fotógrafo desconhecido, em 1955, no Liceu de Pedro Nunes)
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Enganava-me quando no início de 1955 julgava que iria ser um ano sem diferenças significativas dos imediatamente anteriores. Os lares modernizavam-se com o plástico - que iniciava aqui a sua invasão pelo mundo. Desde a “fórmica” laminada e colorida para todo o mobiliário até aos gira-discos, gravadores, electrodomésticos ou adereços de moda – tudo se começou a plastificar. Ao mesmo tempo a indústria automóvel “acelerava” e ao modernizar-se passou a contribuir definitivamente para o aumento de CO2 na atmosfera. Não existia a consciência das consequências ambientais que ambas as situações viriam a determinar na actualidade. Por outro lado desenvolvia-se um novo tipo de consumismo: o dos electrodomésticos. Outro acontecimento significativo, sobretudo analisado agora, foi o aparecimento, nesse ano, da televisão em Portugal com as primeiras experiências nas Feiras Populares (Lisboa e Porto) e a criação da RTP (as emissões regulares só se iniciariam dois anos depois). Como todos sabemos agora a televisão viria alterar muito os nossos hábitos com consequências sociológicas inimagináveis naquele ano. As pessoas passaram a telesintonizarem-se e a telesonharem. A convivialidade diminuiu, bem como a ida ao Cinema e Teatro, a publicidade tornou-se ainda mais invasiva e condicionante, e os Bancos começaram a substituir os cafés tradicionais, instituindo uma nova ordem bancária que viria a desenvolver-se até ao recente “crash”. Outro facto importante, porém, verificou-se a nível musical - em consequência de vários factores: As Sociedades de Recreio despertavam e animavam-se com um maior número de “bailes” devido ao aparecimento de uma grande novidade: o disco de 45 rotações que permitia o acesso mais democrático aos êxitos musicais. Ao mesmo tempo os jovens seguiam a moda ditada por figuras como Marlon Brando com casaco de cabedal e de James Dean com óculos Ray-Ban e jeans (morre nesse ano, depois de fazer a Este do Paraíso, ao volante do seu Porche) e começam a ouvir uma música marcada por um ritmo novo: o Rock´n roll. Num ano em que faziam êxito canções calmas e românticas como: A Blossom Fell (Nat King Cole), Only You e Great Pretender (Platters) e It´s Magic (Doris Day), surgiu o contraste “explosivo” de…
Rock Around the Clock interpretado por Bill Halley.
Canção composta por Max Freedman e James Myers, em 1952, foi gravada por Bil Halley em Abril de 1954 e publicada como lado B de um 1º disco, pretendendo integrar a banda sonora de um filme com o mesmo nome. No entanto torna-se emblemática no filme de 1955: “Blackboard Jungle” intitulado, não por acaso, pela Censura portuguesa como “Sementes de Violência”. Os jornais portugueses classificam o Rock´n Roll como dança “animalesca” e procuram conotar a música com uma “Juventude delinquente, transviada e rebelde”, fazendo ao mesmo tempo a apologia das virtudes da valsa ou do pasodoble. Sendo certo que o Rock´n Roll não começou com Rock Around the Clock, pois as suas raízes remontam a anos antes - no fermento do Rythm and Blues, foi no entanto esta canção que estabeleceu o contacto definitivo do Rock´n Roll com a Juventude, despertando-a não só para um ritmo que não conhecia, mas também para trilhar, eventualmente, caminhos mais libertários. De facto o Rock´n Roll acabava por ser uma maneira de contestar “o mundo injusto que os mais crescidos criavam” e que, esse sim, continha na altura, como vimos, “sementes de violência” (início da invasão da plastificação, desenvolvimento da indústria automóvel poluente, da televisão, de um consumismo cego e de uma ordem bancária perversa). Embora não sabendo ainda que não conseguiria modificar esse mundo, nesse Verão, de 1955, tentei compor o cabelo com Brylcreem e usei a minha primeira água-de-colónia (antes só sabonetes): Lavanda Ach. Brito, e fui ouvir o disco de Bill Halley, a uma festa, com um grupo de amigos, dado que um deles tinha conseguido trazê-lo dos EUA (só chegaria a Portugal, uma remessa de apenas 25, em Janeiro de 1956). Ia com estrelas no olhar e um sorriso mágico. Acreditava que era o 1º dia de um novo mundo melhor que começava.
VT (Este texto é uma “short version” de outro mais desenvolvido, também com o mesmo título (1955), publicado no Blog ERO)

domingo, 16 de agosto de 2009

Lagoa adormecida

Sleepy Lagoon foi criada pelo compositor inglês, Eric Coates. A letra seria escrita mais tarde pelo americano Jack Lawrence que entusiasmado tentou convencer os “patrões” da editora Chappell a publicá-la. Foi recusado com a alegação que não seria popular e seria mais adequada para uma peça clássica “light”. Isto passava-se em 1940, em plena II guerra mundial, tendo sido extremamente difícil contactar Coates. No entanto este gostou da letra de Jack que acabou por apresentar a canção a Harry James - na altura já liderando a sua própria orquestra após ter tocado primeiro com Benny Goodman. Harry James orquestrou-a juntando uma secção de cordas ao seu trompete e o tema “explodiu” como um dos principais “hits”, em Abril de 1942, tendo-se mantido em 1º lugar durante 18 semanas. Foi também gravada, mais tarde, por Dinah Shore, Glenn Miller, Platters, etc. Foi tema de introdução de um programa de rádio, na década de 1950, em Portugal (tal como o samba Delicado tocado pela orquestra de Percy Faith). É um clássico que ainda hoje inspira ouvintes e dançarinos. Aconselhável aos românticos incuráveis, sobretudo àqueles que podem usufruir, também, do privilégio de assistir ao luar em frente de uma Lagoa.
VT
Sleepy Lagoon - Harry James

domingo, 2 de agosto de 2009

Black and Blue

Gene Harris foi (n. 1933 e f. 2000) um pianista de Jazz com características especiais que me seduziam em especial. O som que extraía do piano era quente e “martelado” com laivos de “gospel”. Desde 1956 exibiu o seu “soul jazz” acompanhado pelo trio “The Three Sounds”, tendo-se retirado em 1970. Foi Ray Brown que em boa hora o convenceu a regressar no início da década de 1980. Depois de tocar com Ray, Gene formou novamente o seu próprio grupo e passou a gravar para a editora: Concorde, até falecer com insuficiência renal. A sua interpretação de “Ode to Billie Joe” é considerado um clássico do Jazz, sendo muito popular a sua versão ao vivo de "Battle Hymn of the Republic”. No entanto, de entre cerca de 2 dezenas de cds, de Gene Harris, escolhi a minha faixa favorita. Do disco, de 1991, com o mesmo nome: “Black and Blue”. É fantástico o desenvolvimento do tema ao longo de cerca de 6 minutos. Só ouvindo até ao fim se pode “sentir” o que Gene nos transmitiu. Passamos a ser também música. Para a conseguir colocar aqui – acompanhando a fotografia de hoje – houve que fazer primeiro o respectivo "upload" para o "Youtube” (não existia neste site).
VT
Black and Blue – Gene Harris

quarta-feira, 29 de julho de 2009

And I Love You So

"And I Love You So" é uma canção escrita por Don McLean (n. em 1945) e integrava o seu 1º álbum: “Tapestry” (gravado em 1969). Curiosamente este 1º Album de McLean foi rejeitado por 34 (!!!) editoras discográficas antes de vir a ser aceite pela Mediarts que o editou em 1970. Apesar de ter colhido boa opinião da crítica o disco não fez grande êxito. No entanto, veio a ser gravada, mais tarde, por outros intérpretes (incluindo Perry Como em 1973 e Elvis Presley em 1977 – que a integrava quase sempre nas suas actuações ao vivo). Mas McLean viria a obter a notoriedade, em 1971, com o seu 2º álbum: “American Pie” que foi um sucesso estrondoso. Uma das suas canções: Vincent – já publicada em 21 de Maio deste ano, neste Blog – atingiria, rapidamente, o 1º lugar nos hits do momento. Mas a mais famosa composição de McLean é “American Pie” dedicada a 3 pioneiros do Rock´n Roll que morreram, em 1959, num célebre desastre de avião: Buddy Holly (enorme a sua influência nos primeiros tempos do Rock´n Roll), Ritchie Valens (La Bamba) e The Big Bopper. Daí a expressão “The Day the Music Died” em referência a esse evento. McLean refere no entanto que a canção, escrita em 1960, reflecte também algo autobiográfico. American Pie foi nº 1 no Billboard, apenas um mês após a sua gravação, lugar onde se manteve 4 semanas. Foi objecto de várias “cover versions” –incluindo a de Madonna e, em 2001, alcançaria ainda o 5º lugar no “ranking” das melhores 365 canções de sempre – votadas através da Recording Industry Association of America e da National Endowment for the Arts (por curiosidade referimos que foi superado apenas por: “Over the Rainbow (Judy Garland), “White Christmas” (Bing Crosby), “This Land is your Land” (Woody Guthrie) e “Respect” (Aretha Franklin). McLean gravou, até 1990, 14 álbuns, com inúmeras canções conhecidas (" Crying" gravado em 1980 por Rot Orbison, “Castles in the Air”, “Since I Don´t Have You”, “It´s Just the Sun”, etc.) e escrevendo temas para outros intérpretes como foi o caso de “Killing Me Softly with His Song” (Roberta Flack). Neste ano (2009) fomos surpreendidos com novo disco (“Addicted to Black”), mas continuámos sempre fiéis a um 1º amor. À sua canção “And I love you So” que expressa bem o que sentimos e dizemos quando estamos apaixonados. Simplicidade e Beleza. Como as flores brancas que encontrei numa das margens da Lagoa do Óbidos. VT
And I Love You So – Don McLean

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lua cheia sobre a Foz

Richard Rodgers e Lorenz Hart escreveram, em 1933, a primeira versão da canção que viria a ser conhecida, mais tarde, por “Blue Moon”. Foi composta para Jean Harlow cantar num dos seus filmes e chamava-se “Oh Lord, make me a movie star”. Surgiu um ano depois adaptada para novo filme, primeiro com o nome de “It´s just that kind of Play” e depois “The bad in every man” para ser interpretada por Shyrley Ross – tendo passado despercebida. Porém, em 1935, Hart escreveu (a contragosto) a sua versão final (e mais comercial), com o objectivo de atingir um publico mais vasto, que passou a ser tema de abertura de um programa de rádio denominado Hollywood Hotel, tendo sido gravada pela primeira vez com a voz de Conee Bowsell. Integrou a banda sonora de inúmeros filmes (p. ex. “Os irmãos Marx no Circo” e “Viva las Vegas”) e passou a ser alvo de inúmeras interpretações que incluem também Amália Rodrigues entre muitos outros (p. ex: Louis Armstrong, Tonny Bennett, Ella Fitzgerald, Sam Cooke, Elvis Presley, Cowboy Junkies, Billie Holiday, Bob Dylan, Frankie Laine, Elkie Brooks, Ivan Lins, Julie London, Dean Martin, Sinatra, Supremes, Mel Tormé, Rod Stewart, etc.). No entanto tornou-se mundialmente conhecida através de uma interpretação Doo-Woop dos Marcels, em 1961, com a famosa introdução: “bomp-baba-bom” “dip-da-dip”, atingindo rapidamente o 1º lugar dos “Charts”. Escolhi, no entanto, uma versão (1995) pouco conhecida de um conjunto também pouco conhecido em Portugal e do qual sou ouvinte atento: The Mavericks. Uma versão “sweet and strong”… VT
Blue Moon – The Mavericks

sábado, 11 de julho de 2009

Dedicated to you

O disco John Coltrane & Johnny Hartman é frequentemente citado por múltiplos críticos e apreciadores de Jazz como um clássico e um dos 10 melhores no género (jazz vocal masculino). É consensual, actualmente, entre os “Jazz lovers” que a quantidade de grandes cantores de jazz tem vindo a diminuir, sendo hoje muito reduzido o número dos que são considerados como tal (ex. Kurt Elling). Curiosamente este disco, gravado em 7 de Março de 1963, é o único em que Coltrane se faz acompanhar por uma voz, tendo sido escolhida (pelo sax-tenor) uma das melhores e mais fortes daquela altura. De facto J. Hartman (1923 - 1983) tinha uma voz de barítono excepcional, e especializara-se em baladas tendo um repertório em parte sobreponível ao de Nat King Cole. Morreu de cancro do pulmão tendo produzido discografia escassa. A sua interpretação de Lush life entrou, em 2000, para o “Grammy Hall of Fame”. É pouco conhecido e lembrado e vai merecer que a ele voltemos num futuro post, até porque na faixa que escolhi deste disco, a voz de Hartman só aparece no início e no final complementando um dos solos mais fabulosos da história do Jazz. De facto Coltrane consegue uma das mais “doces” e comoventes interpretações de sempre – parecendo que está a pensar e a vibrar com cada palavra da letra enquanto sopra a melodia suavemente… com um colorido especial... como a foto das flores de hoje... dedicated to you.
VT
Dedicated to you – John Coltrane & Johnny Hartman

terça-feira, 23 de junho de 2009

Flying on a painted sky


Lost
On a painted sky
Where the clouds are hung
For the poets eye
You may find him If you may find him
There
On a distant shore
By the wings of dreams
Through an open door
You may know him If you may
Be
As a page that aches for words
Which speaks on a theme that´s timeless
And the one God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the sun God will make for your way
And we dance
To a whispered voice
Overheard by the soul
Undertook by the heart
And you may know it If you may know it
While the sand
Would become the stone
Which began the spark
Turned to living bone
Holy, holy Sanctus, Sanctus
Be
As a page that aches for word
Which speaks on a theme that is timeless
While the sun God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the one God will make for your day

Jonathan Livingston Seagull – Be – Neil Diamond

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ebb tide


A propósito de um post anterior (25 de Maio) sobre a famosa “Unchained Melody”, citei o cantor Roy Hamilton que para muita gente interpretou, em 1955, a melhor versão da música que viria a ser um enorme sucesso, em 1965, pelos Righteous Brothers. Aliás, em meu entender, a versão deste conjunto segue de muito perto a de Roy Hamilton.
Roy Hamilton (1929-1969) foi um cantor negro de sucesso interpretando R&Blues e música pop na década de 1950. Fora campeão de boxe (pesos pesados), tinha uma voz operática com experiência em “gospell” e, após uma breve passagem (1947) pelo conjunto “Searchlight Singers”, começou a gravar em 1953. Nesse ano o single "You'll Never Walk Alone", tornou-se um êxito R&B (nº 1 durante 8 semanas) entrando no Top 30 dos EUA em 1954 e lançando Roy nos braços da fama.
Seguiram-se, em 1954, "If I loved you" (nº 4 R&B), "Ebb Tide"(nº 5 R&B), e em 1955: "Hurt" (nº 8 R&B), "Unchained Melody (nº 1 R&B, nº 6 pop), e "Don’t Let Go" (nº 2 R&B, nº 13 pop). O seu estilo influenciaria quer o fantástico “shouter” Jackie Wilson, quer Roy Brown quer os próprios Righteous Brothers.
Após anunciar, em 1956, a sua retirada (por cansaço) dos palcos, fez poucas reaparições (“You can have her” em 1961 e o album “Mr. Rock And Soul” em 1962) e acabaria por falecer aos 40 anos, em 1969, após acidente vascular cerebral e após ter executado as suas últimas gravações nesse mesmo ano.
“Ebb Tide" é uma canção escrita em 1953 por Carl Sigman com música de Robert Maxwell.
Foi gravada múltiplas vezes, nomeadamente por: Frank Chaksfield & Orchestra (1953), por Vic Damone e Frank Sinatra (1958), The Platters (1960), Lenni Welch (1964) e os Righteous Brothers (1965). Mais uma vez se repete quase a história de “Unchained Melody”. Isto é, após Roy Hamilton acabam por ser os Righteous Brothers que obtém a versão mais conhecida (nº5 nos EUA). Ainda há versões significativas de Jerry Colonna, Earl Grant e de Matt Monro. Mas a versão que gosto mais ainda é esta de 1954 cantada por Roy Hamilton - na qual surge uma harpa tentando fazer lembrar o movimento de vai e vem do mar.
VT
Ebb Tide – Roy Hamilton

segunda-feira, 25 de maio de 2009

The open arms of the sea


Foz do Arelho em Maio de2009.

Unchained Melody – Righteous Brothers

Unchained Melody (música de Alex North e letras de Hy Zaret) é uma das canções mais românticas e mais gravadas de sempre com cerca de 670 versões. Surgiu pela 1ª vez num filme pouco conhecido denominado "Unchained". A canção fez muito mais sucesso que o filme, lançado em 9 de Abril de 1955, e era cantada na banda sonora por Al Hibbler – um cantor negro e cego (há quem refira que 1º foi cantada pelo barítono Todd Duncan), acabando por ficar em 5º lugar nos prémios da Academia. Nesse mesmo ano e mês surge uma versão instrumental dos Les Baxter, que subiu até ao 1º lugar dos “charts” enquanto a de Hibbler ficava em 3º lugar. Dois outros artistas gravaram a canção nesse mesmo ano: Roy Hamilton (6º lugar) e June Valli (29º). Em Londres, Jimmy Young (1º lugar) e Liberace (20º) figuraram nas listas com interpretações de Unchained Melody. Mais tarde foi o tema principal do grande sucesso cinematográfico Ghost. É, no entanto, a versão, de 1965, da dupla The Righteous Brothers que a celebriza definitivamente. Elvis Presley também a cantou e foi fantástica a sua intepretação ao vivo em 21 de Junho 1977 - pouco antes de morrer (disponível no Youtube). Em 1998 a banda U2 regrava esta música no álbum duplo "The best of 1980-1990". Em 2003, a cantora Cyndi Lauper recupera-a no álbum "At Last" e, recentemente, surgiram interpretações na área do Jazz (Caroline Henderson). Não há dúvidas de que a canção continuará a encher os bolsos de Paul Mc Cartney que detém os respectivos direitos.
VT

Unchained Melody
Oh, my love my darling
I've hungered for your touch a long lonely time
And time goes by so slowly and time can do so much
Are you still mine?
I need your love
I need your love Godspeed your love to me
Lonely rivers flow to the sea, to the sea
To the open arms of the sea
Lonely rivers sigh 'wait for me, wait for me'
I'll be coming home
Wait for me
Oh, my love my darling
I've hungered for your touch a long lonely time
And time goes by so slowly
And time can do so much
Are you still mine?
I need your love
I need your love Godspeed your love to me