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terça-feira, 21 de junho de 2011

* Náufrago(do verbo)

nu da minha voz : Gabriela Boechat

calou-se
adormeceu sobre versos
que submergiram
lacrimejou
sobre a folha vazia
alva e gélida

espanto de si mesmo

é no vácuo
que algo acontece
não há movimento
sem queda
sem espaços vazios

que o sono seja
longo e reparador
que sonhos tragam
fragância e bolor

Úrsula Avner

quinta-feira, 9 de junho de 2011

* O que emerge*

tela: Salvador Dali

no casco da noite
galopam sonhos
em cacos de vitral
porque não é inteiro
o que emerge do ser

poetizar é como delirar
sonho que se vive acordado
loucura que abraça o poeta
com ele dança em
passos de quem
nunca se cansa
á luz do dia ou
da madrugada
em qualquer ritmo
qualquer dança

Úrsula Avner

quarta-feira, 1 de junho de 2011

* Galho seco *

acrílico sobre tela : mulher dormindo- Sóra Lobo

não me sabia
secreta
quando dormia
e quando o sono
se alongava
já não era a noite
tela vazia
onde bordam-se sonhos
até que seja dia

quando o sono
se alongava
eu me perdia
no espaço infindo
da alma fugidia
que pranteando
ou sorrindo
se desfazia

não me sabia
inteira
quando entendia
de dormir o sono
da folha travessa e iludida
de um galho seco caída

Úrsula Avner

domingo, 13 de fevereiro de 2011

* Do interior *

fonte da imagem: Google- sem informação de autoria

súbito estrala
o som dos teus sonhos
perscrutam os meus

.......

* continue a ler o poema acima no " Maria Clara : Simplesmente Poesia ", onde estou hoje. Clique aqui

* Obrigada por sua presença e carinho !


Úrsula Avner

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

* da despedida *


imagem : Restos
autora: Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


fiz as malas
defiz os laços
peguei tudo o que era meu
agrupei em sacos plásticos
pertences pesados
difíceis de carregar
sonhos aprisionados
aves que agora
querem voar

rompi barreiras
quebrei algemas
falei asneiras
usei estratagemas
para não cair
no vazio
para não sentir
na face
o hálito acre
da mesmice
fluindo como um rio
caudaloso e lento
na incerta vida de dentro

Úrsula Avner


Queridos amigos, amigas e visitantes, voltei com entusiasmo, embora ainda ferida, em processo de elaboração da separação conjugal. Tenho a poesia, tenho vocês, tenho o amor e o apoio da minha família, das minhas filhas e tenho sobretudo, a fé Naquele que criou todas as coisas e me sustenta nos momentos difíceis. Um abraço afetuoso a todos que sempre me visitam e assinalam em palavras e/ou pensamentos o carinho que me dedicam.

terça-feira, 22 de junho de 2010

* Instantes *


imagem retirada do blog http://grupodaluacheia.blogspot.com



ao redor

da redonda mesa

desejos dormem

no céu redonda lua retesa


no jardim

vaga-lumes são lamparinas

brilho refletido em retinas

na espessura do lume

purpurinas


não há o que possa o silêncio pungir

cai a noite em veludo

vem os sonhos cobrir


Úrsula Avner


Agradeço o carinho de sua presença e comentário ! Afetuoso abraço.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

* Para Clarice *

Bem que eu te disse
Clarice
há sonhos deitados
em relva orvalhada
escorre seiva do desejo

antes do amanhecer
um canto de estrela
o jardim florido

Vejo-te
reluzente e só

Úrsula Avner

* imagem do google sem informação de autoria

* homenagem singela á grande escritora Clarice Lispector

quinta-feira, 3 de junho de 2010

* Sonhos na janela *

entre um suspiro e outro

emergem lembranças de uma vida

na primavera dos sonhos tecida

esculpida nas trilhas do tempo revolto


abre-se um campo em flor

no lugar de sequidão da memória

esperança de edificação de uma estória

onde o protagonista seja o amor


pensamentos são flechas pontudas

buscam na sudorese do tempo

lugares de alento refrigério unguento

só a quietude precipita em faces mudas


Úrsula Avner

imagem : do google imagens- sem informação de autoria

domingo, 28 de fevereiro de 2010

* Tapete de memórias *

arte: Mel Gama


menina sonha acordada
sonhos em pedrinhas de açucar
ilusão adocicada
pequenas gotas de cristal
tudo é infância afinal

nas memórias sobrevivem
a valsa das chamas na fogueira
o rosto abrasado da menina faceira
o baile multicolorido dos sons
o brilho da lua festeira
esparramado em muitos tons

céu estriado
tom laranja vitaminado
cor sem escrúpulo
crepúsculo
figuras espectrais surpreendem
na dança de formas que ascendem
no tapete das memórias
no palco das estórias


Úrsula Avner

domingo, 13 de dezembro de 2009

* Quem a vê ...não a sabe


arte : Pino Daeni


Quem a vê

terna e pacata

meiga e cordata

olhar sereno

não a conhece ...


* Para continuar lendo o poema clique em http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/


* O blog Maria Clara Simplesmente Poesia é um blog que reune várias vozes poéticas femininas da blogosfera, em expressiva interlocução poética. Aguardo sua visita. Obrigada pelo carinho !



Recebi da amiga Maria Madalena SchucK do blog Meus Poemas Favoritos o desafio de completar 5 frases , quais sejam :


Eu já ...

Eu nunca ...

Eu sei...

Eu quero...

Eu sonho...


Eis as minhas respostas :


Eu já me contemplei tantas vezes no espelho e ainda sei muito pouco sobre mim mesma


Eu nunca, desde que me entendo por gente, deixei de refletir sobre o sentido da vida e de minha existência


Eu sei que meus conhecimentos são uma gota no oceano


Eu quero aprender mais a cada dia de modo que possa aperfeiçoar meu ser

Negrito


Eu sonho com um mundo matizado nas cores do amor e da paz


As regras são designar 5 blogs que devem indicar de quem receberam o convite e completar as frases


Blogs que eu indico :


1- Poesias de Otelice Soares http://otelicesoares.blogspot.com/

2- Encantaventos ( Wania ) http://encantaventos.blogspot.com/


4- Faces de um poeta ( Ira ) http://irabuscacio.blogspot.com/
5- Voz ( Adriana Godoy ) http://driaguida.blogspot.com/


OBS: As indicações são meramente pontuais e sugestivas. Qualquer pessoa que queira participar sinta-se á vontade para postar em seu blog as respostas e indicar outros 5 blogs e quem foi indicado e não desejar participar, também sinta-se livre para refutar o convite.
Um abraço a todos com carinho !
Úrsula Avner

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

* Brev idade *




Breve vida

breve idade

breve querer

breve voz


Na brevidade dos dias

são breves os anseios

não me alimento de sonhos

só de brevidade


Úrsula Avner
* poema com registro de autoria

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

* Des fo lha da *

Ao pé da roseira
crescem sonhos
atravessam o caule
sangram em espinhos
embriagam-se do perfume
propalado por pétalas aveludadas
morrem ao som do arranque
em bico de passarinhos

Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria
* imagem de autoria não informada- retirada de pesquisa feita no Google imagens

terça-feira, 11 de agosto de 2009

* Ensejo *




Perambulam sonhos

desmantelam-se aos poucos

aqui e ali

em dia de labor

em noite mal dormida

cansados de tanto alçar voo

encontram pouso

na pétala adormecida

desgarrada do desejo

clemente de amor

na vida tênue do ensejo


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens

sexta-feira, 31 de julho de 2009

* (Des) apego *

Quando arrumo as malas
coloco nelas uma penca de objetos
roupas sapatos bijouterias
artigos de beleza
muitos sonhos
algumas miudezas
sempre carrego mais do que preciso
tal situação me paralisa
Por que não consigo
deixar para trás certos pertences ?
Sou fruto verde no pé
madureza é saber se desprender
fruta madura quando cai
ninguém pode deter

Úrsula Avner


* imagem retirada do Google imagens

* escrevi este texto depois da última viagem que fiz este mes , pensando na forma como preparo minha bagagem para viajar.

Obrigada a todos que me visitam ! Bj

sexta-feira, 17 de julho de 2009

* Colheita *



Com mãos de veludo

colhi da íris do desejo

pétalas regadas com sal


Fugiu de mim pássaro mudo

breve vida do ensejo

sonhos arquejaram ao final



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google- deconheço a autoria

sábado, 11 de julho de 2009

* Solitária canção *



Protejo-me de mim mesma

em frágil redoma

onde contemplo minhas vicissitudes

traspassadas por enigmáticas atitudes



Sentimentos falam por mim

o que eu mesma não decifrei

palavras me retalham por fim

em versos que eu simplesmente inventei



Em minha bojuda campânula

permaneço alicerçada a inexoráveis mistérios

enjambrada nesta perene cúpula

onde se ramificam segredos etéreos



Divago em sonhos evaporáveis

resquícios de uma ébria ilusão

nutrindo esperanças que julguei indenizáveis

perco-me no arpejo da minha solitária canção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sábado, 20 de junho de 2009

* Fluir poético *




* Bailado *


Na entrada da casa
pássaros e flores de fuxico
acomodados
em guirlandas de cetim

explosão de cores
anúncio de boas novas
No meu tempo interno
borboletas dançam

* Visão *

Eu vi um homem de cera
um homem velho
fincado ao pé da colina
Eu vi um homem de cera velho
tempo derretido no solo

* Esquizofrenia *

Arrancou as calças no meio do salão
ninguém tinha notado sua presença
até então
Olhar distante
medo ambulante
colibri em cauda de pavão

* Canto aflito *

Espicha a noite
modelo sonhos
no esmeril da vida

Eis que espia o dia
Junto os espólios
do quem em mim desfacelou

* Profecia *

Passarinho defecou
no vidro da janela
"É sinal de sorte "
minha mãe dizia
Sorte ? Só se for para ela
Passarinho manchou
minha aquarela
Turvou mundo de sonhos
do outro lado da janela


* Haikai *


Mar azul canta
lança corpo na praia
mil rendas de sal


* poemas com registro de autoria
*imagem do Google

terça-feira, 16 de junho de 2009

*Da minha janela*





Gentis borboletas coloridas

migraram dos meus sonhos despertos

para a janela de onde contemplo

vida que escorre pelas narinas do tempo



No núcleo das vontades adormecidas

algumas borboletas em voos incertos

ainda estão a bailar aqui e ali

Ora na janela, ora dentro de mim


Úrsula Avner

*poesia com registro de autoria

* imagem retiada do Google