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sexta-feira, 29 de abril de 2011

* Canção dos mistérios de ser *


tela : sun -rain ( sol-chuva)
por: Salma Shami

do deslumbre de ser
extrai-se o mel
e a folha amargosa
um pedaço de céu
o gosto acerbo da losna
o diário da rosa
frágil flor do desejo
doce e manca
ávida e pálida
entregue ao vigor do ensejo

do deslumbre de ser
evocam-se mistérios
que dançam na escuridão
em chão de névoa
não bailam em vão
há um ponto de luz
guia de cada coração

Úrsula Avner

sábado, 23 de abril de 2011

* Poema-dia*

tela : Amanda Cass

hoje sou
ave cantarolante
não quero ouro
ou diamante
apenas pó de estrela
e um garboso amante
sou rosa-louca*
mudo de fase
num instante
que não me queira
sem medida
a poesia
hoje sou
temporal
poema-dia

Úrsula Avner

* rosa-louca : arbusto da família das malváceas cuja coloração das flores muda no curso do dia, do vermelho para o branco.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

* Sentimentos de rosa *



quem sabe da melancolia da rosa
que solitária cresce no vaso ou no campo ?
Quem vê seus espinhos brotarem
tatuando sua carne ?
Acaso há espanto quando desfolhada
a rosa geme ?
Quem conhece seu silêncio orvalhado ?
Quem teme
tocar sua pele com cuidado
sem a lixa das mãos ?
Quem já ouviu as batidas do seu coração ?

Se o cravo brigou com a rosa
em desalento
não foi essa a razão
do seu desfalecimento
Não é o cravo seu algoz
é quem não lhe reconhece a voz


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* imagem disponível no google sem informação de autoria

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

*(De) lírio *

deitada sobre colchão
de folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas

só a saliva do desejo é cristalina

de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude

barulho algum
a não ser
a sonoridade seca
das folhas copulando
ao vento

(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido

pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta

fórceps ao avesso


Úrsula Avner

* imagem do google

* poesia com registro de autoria