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segunda-feira, 11 de julho de 2011

* Mestre*

imagem: passarinho bebendo água da bica no jardim japonês- Buenos Aires- Argentina


chegou cabaleante
nuvens nos cabelos
passo vacilante
não quis cantar
o amor
nem a pedido da flor
não se rogou amante

ilustre visitante
abreviou o pouso
no tempo de um instante
em gesto errante
ruflou as asas
voou para bem distante

Úrsula Avner

* raro momento cuja imagem captei no contato com a natureza... Um abraço a todos.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

* outro canto de outono *

tela: Duy Huynh

voei na asa
de um pássaro
fosse talvez
um anjo
levou-me
á casa dos ventos
lançou-me
olhos atentos:
de outros tempos

de outra ordem
é o mistério que
aqui conto
e quem conta
aumenta um ponto

Úrsula Avner

sábado, 7 de maio de 2011

* Feito amor de mãe *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

horizonte aberto
á minha frente
braços robustos
escancarados
traz assombro
não é a amplitude
que me aflige
é o que ela esconde
contemplo o que
sobrou do sol
de manhã era conde
ao fim da tarde
servo sem dono
sem identidade
sem fonte
não sabe viver
sem o colo maternal
do horizonte

Úrsula Avner

quarta-feira, 4 de maio de 2011

* Canção que vem de dentro *

tela : aurora- Gabriela Boechat

encostei o ouvido
na parede do tempo
quis ficar lá
como quem marca
o assento
com o próprio suor
silhueta desenhada com sal
ouvi o sussurro
das conchas do mar
o lamento das ondas
impresso no olhar
do dia
do acaso
do sentimento

Úrsula Avner

quinta-feira, 21 de abril de 2011

* o olho mais azul *

fonte da imagem : Google

antes que desbote
o sol no horizonte
a dança do mar
me captura
não sei como
nem onde
o mar se apossou
de mim
ou fui eu
que o engoli
mas a verdade
é mais do que vejo
o que enxergo
é somente lampejo
não há como decifrar
o indecifrável
se o mar me vem
como canção
discrimino poucos acordes
em notas minguadas assim
mas a melodia que ouço
jamais será fugaz em mim

Úrsula Avner

sábado, 9 de abril de 2011

* emergente estação *

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

folha seca
tremula aflita
espera a passagem
do tempo
o colo celestial
o rito do vento

cai a chuva
impiedosa
renova a terra idosa

assim se desfaz o verão
respira o outono

Úrsula Avner

sábado, 11 de dezembro de 2010

* Do que excede *

fonte da imagem: google-sem informação de autoria

versos

não me traduzem
de mim deduzem
o que eu mesma desconheço
se a palavra é infinita
quero prová-la até o osso
lamber os dedos
a palavra seca o ócio
como o colar adorna o pescoço
escrever ainda me basta
quando não for o bastante
talvez nada mais seja
entre o que fica e o que passa
o verbo sobeja

Úrsula Avner

domingo, 5 de dezembro de 2010

* Contemplação apenas *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

hoje posso
deitar na relva
olhos cravados no céu
como se nunca
o tivesse visto antes
queixo apontado para a lua
em volta
uma outra luz
entornada na rua
no vão dos umbrais
no vão dos desejos
seminua

Úrsula Avner

sábado, 27 de novembro de 2010

* Vermelha visão *

tela: Bete Brito


em campo aberto
um mar de tulipas
forra meus olhos
de esplendor
tulipas vermelhas
ruborizam
a terra calejada
quando vem o crepúsculo
aí fica tudo carmim
de uma cor escandalosa
que não cabe mais em mim

Úrsula Avner

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

* (des)vario *

tela: Duy Huynh

no desvario do tempo
vario feito onda
lançada na areia
sua eterna
morada

o dia vira
feito página avulsa
vem a noite ao som da lira
página em branco
aluada

desvairada é a canção
da vida empoçada
presa no silêncio de cactos
em paisagens inertes
entornada

Úrsula Avner

domingo, 17 de outubro de 2010

* Vi(pi)ração *



tela : Duy Huynh

na virada do dia
reviro sentimentos
viro a mesa
viro bicho

quando reviro ideias
viro semente
viro o jogo
viro-me
e p(r)onto

Úrsula Avner

* Hoje também tem poema meu lá no Maria Clara : Simplesmente Poesia. Aguardo sua presença e obrigada pela visita !

domingo, 10 de outubro de 2010

* Esfera muda *

imagem : iceberg
Fonte : Google- sem informação de autoria

quisera escrever sobre o que não é familiar
cansei-me do previsível
almejo versos dos quais eu possa duvidar
mudar de lugar, apagar, inserir no plano invisível

versos que me venham como a luz da aurora
ou despenquem e me cubram como noites escuras
versos não compromissados com prévia estória
que espoquem de águas insanas ou puras

quisera escrever sobre o que não sei
o que sei é tangível, pedra miuda
lubrificado pelo que meditei
ausente do inconsciente, essa esfera muda

Úrsula Avner

terça-feira, 5 de outubro de 2010

* Onipotência *

vaga a lua
solitária imagem tua
minha, de outrem
minguante de (in) certezas
quarto crescente de poeira
meia estrada andada
cheia de si
o poema soluçou
e eu nem ouvi

Úrsula Avner

fonte da imagem : Google - autoria não informada

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

* Herança *

penso que primeiro
meus pés vieram ao mundo
depois o corpo rompeu
o velcro profundo
que me mantinha aconchegada
ás entranhas maternas
desapegada
de quaisquer coisas dessa Terra

talvez por isso eu goste tanto
de pisar o chão ou de sair dele
em passos leves como os da bailarina
num caminhar desafrouxado
beirando o mar que me fascina

toco pedregulhos e algas
com as pontas dos dedos
na carícia da areia úmida
recolho conchas com seus segredos

depois que eu nasci
com o tempo percebi
que a tez pregueada e os vincos profundos
foram herança materna
o sorriso encurralado ao canto dos olhos fundos
foi legado paterno

meus pés amam o chão
também repousam neles
asas lubrificadas
com o óleo fresco da imaginação
com a indescritível essência da emoção

Úrsula Avner

* imagem do google- sem informação de autoria
* poema escrito em Agosto de 2008

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

* Celeste *

tela : Azul musical
de: Ana Luiza Kaminski

da palavra
retilínea ossuda
anoréxica
fria opaca
traço o verso mudo
quando escrevo sou
voz em guelras de peixe
o barulho que faço
é (sub)aquático
com desejo de céu


Úrsula Avner

sábado, 18 de setembro de 2010

*Janela aberta *

línguas vermelhas
serpenteiam arte

em céu de esplendor
saliva o fim de tarde

no horizonte fulvo
o sol ainda arde

tímido complacente
envelhece e parte

Úrsula Avner

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

* A alma da poesia *

poesia é algo
que brota de dentro
desponta do fundo da alma
traduz valores desejos sentimentos
é mistura de encanto e desalento
nudez do que está oculto
descoberta de si mesmo
esmero da vida e do luto

poesia é arte
é coisa fina
é o abrir da densa cortina
que cobre o âmago do ser
aquilo que não se pode entender
sem o olhar que alcança o horizonte
sem a curiosidade dos infantes
sem a inquietude dos jovens
sem o borbulhar dos amantes

poesia é devaneio e beleza
é encontro programado
também é surpresa
dor prazer palco de sombras
luzes... incerteza

Úrsula Avner

* poema escrito em 2004 e editado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea- 2008 pela CBJE ( com algumas modificações em relação ao original)

* imagem do google- sem informação de autoria

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

* A vida de uma lágrima ( Rondel )


imagem : Gota
autora : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo
gota de cristal transformada em magma
vulcaniza meu peito na busca do teu colo

precisa gota que brota da ânima
pequena pedra de sal que rola sem dolo
dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo

pesada e viscosa é a lágrima que cai
sentimento burilado na porosidade dos lamaçais
pensamento marejado a lubrificar meus ais
solitário momento na inquietude da alma
dos olhos escorrega uma lágrima

Úrsula Avner

* este poema foi escrito há anos e só agora resolvi postá-lo. Grata pela leitura e comentário.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

* Estação *

tela : Gustav Klimt

colou em mim
estado de árvore
como sede
de um rio sequíssimo

calou em mim
o que foi dilúvio
água (trans) lúcida
feito pele argêntea de lua

leitosa
pedante
nua

Úrsula Avner

domingo, 29 de agosto de 2010

* Poema (re) visitado *

arte : Rochas no mar
autora :Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

percorro as fibras do poema
como quem lava em açude
o rosto descamado
como quem vê amiúde
o mar esbravejar
e lanço rimas ao ar

alinhavo palavras
que não se avizinhavam
corpos estranhos
não se aninhavam

visto-me de sol
até a lua enciumar
colho estrelas com anzol
lanço versos ao mar

Úrsula Avner