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domingo, 21 de agosto de 2011

*Escarlate *

imagem : Amanda Cass

pés outrora cimentados
não pisaram jardins abertos
olhos cerrados
não contemplaram
um céu escarlate
agonizando no peito

Quando você chegou
abriu-se manhã ensolarada
pés atirados ao vento
valsam com olhos chapiscantes
escarlate agora é
nossa teia de amor

Úrsula Avner


sábado, 13 de agosto de 2011

* sangria*

imagem: íris roxas
por :Pâmela Reis

silêncio é minha voz
sua voz é silêncio
ainda assim
fazemos alarde
meu corpo insulta
o verbo e arde
dentro do peito
cabem manhã e tarde
galopa sem freio o desejo
até a noite cobrir o céu
da cor de Marte

Seu olhar me traga
e ainda que você
traga
veludo ou espinhos
sou sangria
de todos os vinhos

Úrsula Avner

* ainda sobre a paixão...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

* A vida de uma lágrima ( Rondel )


imagem : Gota
autora : Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo
gota de cristal transformada em magma
vulcaniza meu peito na busca do teu colo

precisa gota que brota da ânima
pequena pedra de sal que rola sem dolo
dos olhos escorrega uma lágrima
trajeto laborioso até o solo

pesada e viscosa é a lágrima que cai
sentimento burilado na porosidade dos lamaçais
pensamento marejado a lubrificar meus ais
solitário momento na inquietude da alma
dos olhos escorrega uma lágrima

Úrsula Avner

* este poema foi escrito há anos e só agora resolvi postá-lo. Grata pela leitura e comentário.

sexta-feira, 19 de março de 2010

* Projeção *




suntuosa é aquela nuvem

rajada de lilás

em céu azul anil

ensinua-se

cheia de trejeitos

move-se

vejo aqueles seios

rijos transparentes

duas tulipas imponentes

olhos ardentes

perscrutam meus pensamentos

debelam meu peito

oxigenam sentimentos


de repente

se desfaz lentamente

desaparece

nunca mais retornará

não da mesma forma

da forma que só eu a vi passar


mal dita nuvem

aparece

se oferece

meus sentidos aquece

depois simplesmente

me esquece


Úrsula Avner


* imagem do google

domingo, 14 de março de 2010

* Sempre Poesia *










Imagem : jóia em forma de borboleta com ouro amarelo, ouro branco, rubis e pérola-


Fonte: google


* esse texto poético leva o mesmo nome do blog e traz em seu bojo duas figuras poéticas que podem ser vistas no template do blog- borboletas e pérolas, que representam a liberdade, a delicadeza e transparência na criação poética, da forma como a concebo. É uma singela homenagem ao dia da poesia !



Abracei meus silêncios
como o mar (en)revolve as conchas
em seu corpo profundo e extenso
Entre pérolas e borboletas traço meus segredos
ora escancarados, ora ( nas entrelinhas) presos
Espaços vazios em mim falam mais que milhares de palavras.
Quando a poesia dança entre meus dedos
outro som algum se torna audível.
Palavras saltam da alma, do ventre, do peito...
do que é ou não crível.
Desatam-se os nós.
As pérolas cintilam
as borboletas, serenas, migram...


( de um canto a outro do meu ser ).



Úrsula Avner

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

* Breve companhia *

Partiste
lépido sem despedida
do meu regaço fugiste
deixaste-me
solitário e triste
gotejando a dor da partida

Quisera aninhar-te
em meu colo
afagá-lo em minhas mãos
só mais um instante

contemplar o silêncio
de tuas asas
o pulsar galopante
do teu coração
sentir tua respiração
ofegante

Invejo tua liberdade
que em mostrar-me insiste
o quanto sou chão
em mim subsiste
a lembrança da tua canção
serena e incisiva
abaulando no peito
segredos inescrutáveis da vida


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* Imagem do google

sábado, 24 de outubro de 2009

* Apneia *


pintura : Marta Ferreira


Amei a plenos pulmões

abri o peito á flecha

do cupido

anjo sem juizo

levado ao sabor do desejo

lancei-me feito rojão

no tempo (in)certo do ensejo

explodi a varejo

Ufa !

Faltou- me o ar


Úrsula Avner

terça-feira, 9 de junho de 2009

* Sentimento flamejante *



Que me abrace a paixão desmedida
garbosa ave a plainar altiva
sobre o céu carmim do coração
Em versos jubilosos invento uma canção

Quero abrir o peito á flecha do arqueiro
cupido que vem em ritmo festeiro
ou surge entre as nuvens de um céu seresteiro

Que me abrace a paixão crepitante
labareda letal que envolve os amantes
Deixo-me arder em brasa viva
Foge o medo, o desejo fica

Entregue estou ao sentimento flamejante


Úrsula Avner

* Veja ao final da página o vídeo da poesia
publicado no You Tube


* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

quinta-feira, 9 de abril de 2009

* Crisântemos vermelhos*



Aproximou-se de mim com serenidade
como um sopro de brisa primaveril
tocou minha face sem fazer alarde
acendeu em meu peito o pavio
tateou suas mãos orvalhadas
pelo meu corpo já cambaleante
sussurrou palavras de amor adornadas
com respiração ofegante
Chamou-me amada de minh´alma
envolveu-me em seus braços com surpreendente calma
lançou-me o olhar do desejo em estilhaços
refletido em espelhos do brilho aveludado
dos crisântemos vermelhos


* Úrsula Avner * ( Obrigada por sua visita ! )



* poesia com registro de autoria


sábado, 7 de março de 2009

* Além da porta *


Se eu não tivesse aberto a porta
para você entrar
seria como uma borboleta semi-morta
de asas partidas
sem poder voar

Você chegou de modo sorrateiro
trouxe no peito um amor flecheiro
cravou em mim a estaca da paixão
enebriante e pontiaguda sensação

Além da porta, escancarei janelas
se esta paixão deixou sequelas
tanto faz
majestoso voo alcei
caí no pântano do meu desejo
me debati em braçadas, suspirei
amei o mais que pude
ofegante, lavei-me nas águas do meu açude

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada do Google