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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

* Canto noturno (da espera)

imagem : Google

deixe-me
parir borboletas
enquanto aguardo
a carícia da aurora
em veste luminosa
aveludada
filha dos desejos
das vontades dormidas
dos sonhos aflitos
das verdades escondidas

deixe-me alçar voo
com as borboletas
para que o peso
da noite
não me alcance
e sem que eu perceba
me lance
na plumagem sutil
do silêncio

Úrsula Avner

quarta-feira, 23 de março de 2011

* Canção do esquecimento *

Tela: O silêncio - Lena Gal

esqueci seu rosto na gaveta
imagem pálida
lambida por traças
entregue ao gozo dos ácaros
inquilina do pó das lembranças

incólume era seu olhar
agora é funesto
tardio em desejos
tão vazio
órbita oca
não te contemplo mais
amistosidade pouca
outrora
vestes florais

Úrsula Avner


Canção pensativa ( Lya Luft)

um toque de solidão, e um dedo
severo me traz á realidade: não depender
dos meus amores, não me enfeitar
demais com sua graça, mas ver
que cada um de nós é um coração sozinho....

fonte : Secreta mirada e outros poemas
Ed. Record

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

* crepúsculo de outras terras *


foto : Por do sol na chácara da minha irmã em Nova Veneza/GO

em terras distantes
corpo nu do sol estirado
entre nuvens suspira

em aveludadas retinas
espelho de uma cena singular
vibra respira

sol agonizando no horizonte

leva rio de desejos

imagem pespontada na memória
sela a magnitude do ensejo


Úrsula Avner

* este poema é dedicado á minha sobrinha Juliana que admira o crepúsculo assim como eu... Beijos Ju !
Queridos Carlos e Ângela, obrigada pelo privilégio de compartilhar da companhia de vocês naquela chácara tão linda.

domingo, 5 de dezembro de 2010

* Contemplação apenas *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

hoje posso
deitar na relva
olhos cravados no céu
como se nunca
o tivesse visto antes
queixo apontado para a lua
em volta
uma outra luz
entornada na rua
no vão dos umbrais
no vão dos desejos
seminua

Úrsula Avner

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

* A alma da poesia *

poesia é algo
que brota de dentro
desponta do fundo da alma
traduz valores desejos sentimentos
é mistura de encanto e desalento
nudez do que está oculto
descoberta de si mesmo
esmero da vida e do luto

poesia é arte
é coisa fina
é o abrir da densa cortina
que cobre o âmago do ser
aquilo que não se pode entender
sem o olhar que alcança o horizonte
sem a curiosidade dos infantes
sem a inquietude dos jovens
sem o borbulhar dos amantes

poesia é devaneio e beleza
é encontro programado
também é surpresa
dor prazer palco de sombras
luzes... incerteza

Úrsula Avner

* poema escrito em 2004 e editado no Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea- 2008 pela CBJE ( com algumas modificações em relação ao original)

* imagem do google- sem informação de autoria

quinta-feira, 1 de julho de 2010

* Asas no azul *


arte : Freedom of my soul
by : Mel Gama
quando o mar abrir seu colo
deitar-me-ei em plácidas ondas
berço das vontades inquietas
dos desejos doudos
das palavras desertas

num ramo de flor
atei um pedido
raiz caule dor
do que não foi ouvido


Úrsula Avner

terça-feira, 22 de junho de 2010

* Instantes *


imagem retirada do blog http://grupodaluacheia.blogspot.com



ao redor

da redonda mesa

desejos dormem

no céu redonda lua retesa


no jardim

vaga-lumes são lamparinas

brilho refletido em retinas

na espessura do lume

purpurinas


não há o que possa o silêncio pungir

cai a noite em veludo

vem os sonhos cobrir


Úrsula Avner


Agradeço o carinho de sua presença e comentário ! Afetuoso abraço.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

* Canção singular *

a canção que invento
tem brilho de ponta
de estrela
fagulha cuspida
da implosão bucólica
do sol
quietude de riacho
quando os peixes dormem
sob águas serenas

a canção que invento
pinga o suor das faces
vincadas
tem o pó das pisaduras
intrépidas
dos que trabaham
em troca de pão
o canto do pintassilgo
que apregoa sua efêmera
liberdade
o vacilo das mãos
quando tecem (versos)

a canção que invento
tem o múrmurio das conchas
a solidão da folha
que da árvore quedou (se)
a fugacidade das borboletas
que voam e pousam
pousam e voam
num ballet intermitente
e breve

a canção que invento
colhe dejetos de becos sombrios
percorre o íntimo do ser humano
perscruta dores medos desejos
a vulnerabilidade
o peso do livre arbítrio

a canção que invento
é lamento
choro alagado
que se deita sobre
a retina e o coração
e inscreve seu legado


Úrsula Avner


* imagem do Google imagens

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

* Por um instante *

grafite no céu
emudece estrelas falantes
corpo nu no túmulo
apregoa o vazio do instante
tempo parado no tempo
asas decepadas

No jardim
de súbito
um bem-te-vi
corta o silêncio

bem te vi
espiar meus desejos
por um vão insolente
daquele céu
em negrume esponjoso
condensado como mel
fluido e pegajoso


Úrsula Avner

* imagem disponível no google
* poema com registro de autoria

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

* depois da tempestade *


tela : Salvador Dali
da avidez pluvial
o que fica
desenha poliedros na calçada

desejos encharcados
já não respondem
ao apelo visceral

há delírio na estrada

palavras são pêndulos
instáveis

ávidas e alucinadas
se moldam
frenesi

cansadas de vagar
se acomodam
cheias de si

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

* Átimo *




Florescimento


na voz insone do verbo


oculta flores em cimento


ápteras


lacônica existência


na porosidade da lágrima


desfolhada na aridez do dia


bulicoso estado do ser


intrépido modo de (sobre)viver




O silêncio das pedras


precisa bradar


vociferar o que está guardado


Estagnar pode ser sopro de vida


analgésico, entorpecente


o sal das ondas o sabem


em dias argênteos


ou em noites poluidas


do lacônico viver




Em vales e depressões


alojam-se águas límpidas


nas vísceras, rios vivos


chocalham peixes á margem


dos sonhos


dos desejos


dos arroubos




Bulício no íntimo


Silêncio !


As pedras podem despertar



Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

* Soneto do retorno *



Na casa de todos os ventos
soprava um cântico de cor anil
envolto agora em trapos sedentos
do que em tempos idos sorriu

Um girassol reinava no jardim
absoluto em beleza e majestade
nas canções que se abriam em mim
havia o doce favo da liberdade

Sopravam ali copiosos ventos
cruzavam os cômodos em jactância
notas musicais de alegrias e lamentos

No balanço de velhos desejos sedentos
paira sereno o aroma da infância
persistem sol e lua de arejados tempos


Úrsula Avner


* imagem - retirada de dowloads.open4group.com

quinta-feira, 9 de julho de 2009

* O suor do poema *




Nos escorregadores da memória

pensamentos deslizam

querem transmutar

palavras se aninham

tecem estórias


O poema transpira

alguns tímidos versos

extravasam emoções pelos poros

Ofegante o poema respira

pétalas frescas são colhidas

por um anjo azulado

no chão do pensamento orvalhado


Nos sulcos profundos da alma

sentimentos falam mais que mil palavras

ouso tracejar algumas linhas

letras mal esboçadas

na folha que almeja pelo poema inteiro



Versos me escapam

como filetes de água

escorrem entre os dedos

umedecem as paredes dos desejos



Persiste o sonho do poema

em brocal bordado

do verso pulsante

despudorado

do verso ainda não plantado

ausente da vida uterina

tão efusivamente sonhado

semeado para germinar

cumprir sua sina



Poema

te quero em versos impensados

que me venham como larvas vulcânicas

cuspidas no destino da folha



Te quero lacrimejante

como quem verte lágrimas de pus

brotoejas na alma das palavras

Te vejo como chamas flamejantes

em versos nus

que ardem a dor

das vontades aprisionadas



Úrsula Avner



* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google

domingo, 28 de junho de 2009

* Série Poetrix *




Um pássaro solfeja

na minha janela

sonhos voam com ele


***//***


Incontido é o lamento da noite

lágrimas felpudas

regam o silêncio


***//***


Par de incansáveis sentinelas

são seus olhos a perscrutar

aquilo que se oculta em mim


***//***


Há flores no jardim

em meu coração

botões fechados


***//***


O sol tinge o céu

com seus dedos dourados

aquarela crepuscular


***//***


Na madrugada úmida

profundo silêncio

desejos insones


***//***


Sons atravessam a madrugada

onde sonhos trafegam

ecos da alma


* versos com registro de autoria

* imagem retirada do Google

quinta-feira, 25 de junho de 2009

* Canto profundo *






Rendas de sal


que o mar regurgita na areia


trazem musgos e nostalgia


Melodiosa canção irrompe das conchas


que adornam os cabelos da sereia


canto profundo em melancolia


Uma estrela do mar aporta na praia


vem avisar que o oceano passa mal


devolve aos poucos tudo o que deglutiu


musgos, dejetos, desejos e o sal...



Úrsula Avner


*poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google

sábado, 16 de maio de 2009

* Ah se eu pudesse ...


Amanheci
se formou um vendaval em mim
Eu me perdi
como as folhas soltas no jardim
sonhos avulsos em mim
Serena, de novo adormeci
E me encontrei
quando vi teus olhos suspirei
Desejos mil
sobre um mar gigante eu deitei
Ah se eu pudesse
de novo dormir , sonhar...
Em teus braços despertar
Úrsula Avner
*poesia com registro de autoria

segunda-feira, 27 de abril de 2009

* O melhor presente


Queres me dar algum presente ?

Dá-me livros

onde o esmero da vida está guardado

onde meus olhos e coração podem contemplar

o inusitado, vida proeminente

Onde se entrelaçam registros de uma existencia

de uma época, de uma cadencia

o devaneio de uma mente

o olhar de um vidente

desejos e crenças de seres viventes

Nos livros encontro a mim mesma

fugidia ou presente

mas essencialmente eu

ainda que parte de outro ser

pedaço da teia, da rede tecida em saber

um saber desarvorado ou quase impenetrável

o saber do inconsciente coletivo

das coisas passadas e vindouras

de mundos secretos e altivos

com suas delícias e chagas

suas correntes e asas

certezas e medos

arroubos e segredos

* Úrsula Avner *

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

sábado, 18 de abril de 2009

* Sentinela dos sonhos *



Há sonhos alvejados de um briho celestial
em que espocam desejos na plenitude do cristal
Vez por outra, um anjo acampa nas trilhas
dos pensamentos engomados de luz
onde uma estrela de mil pontas reluz

O anjo recolhe desejos em formato de flor
envasa deles, o aroma, a cor e o sabor
Desenha um jardim no véu nebuloso dos sonhos
ornados com as pétalas do verdadeiro amor

Sereno, o anjo espalha as sementes
na terra misteriosa e fecunda de cada coração
Somente os sensíveis seres viventes
não querem despertar do sonho celestial
onde o anjo continua a entoar uma sublime canção
suave melodia sem igual


* Úrsula Avner * ( http://www.ursulaavner.com/ )

dica: leia o poema ouvindo a música "Angels" da Enya- tecle "play" no ipod ao lado- música 2

* poema com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google