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sábado, 14 de janeiro de 2012

Presença

imagem: Duy Huynh

contemplo hoje
da vida
nova face
nunca antes vista
e que jamais será
vista de novo

é preciso viver
cada momento como
um acontecimento essencial
tal qual
a queda de uma folha
o trajeto de uma lágrima
a agonia do sol no horizonte
ao fim de uma tarde avermelhada
que no dia seguinte
pode não se fartar de cor
e surgir domada
por um céu plúmbeo
em todo o seu vigor

Úrsula Avner

sábado, 13 de agosto de 2011

* sangria*

imagem: íris roxas
por :Pâmela Reis

silêncio é minha voz
sua voz é silêncio
ainda assim
fazemos alarde
meu corpo insulta
o verbo e arde
dentro do peito
cabem manhã e tarde
galopa sem freio o desejo
até a noite cobrir o céu
da cor de Marte

Seu olhar me traga
e ainda que você
traga
veludo ou espinhos
sou sangria
de todos os vinhos

Úrsula Avner

* ainda sobre a paixão...

domingo, 17 de abril de 2011

* Simplesmente azul *

fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

há um azul abstrato
que se deita na claridade
ora discreto cordato
ora repleto de vaidade

azul que lateja entre estrelas
sobeja no mar á luz do sol
azul da chama de muitas velas
da luz que emite o farol

o azul das veias constrange
em dias azulados de inverno
um olho azul petrifica o instante
o corpo azulado fica quente e terno

a pétala azul é poliglota
a geleira azul da montanha o sabe
o azul do jeans que desbota
cobre as águas em contornos de ave

a língua azulada saliva
o amor que ficou no azul
do tempo do breve momento
do vagão que leva hálito sedento

é azul a cor de dentro

Úrsula Avner

Caros(as) amigos (as) e visitantes, postei este poema no blog Maria Clara : Simplesmente Poesia há algum tempo atrás e embora não seja cruzeirense ( rs rs ), hoje senti vontade de postá-lo aqui. Desejo um dia e uma semana muito azul para todos e todas ! Um abraço terno.

sábado, 27 de novembro de 2010

* Vermelha visão *

tela: Bete Brito


em campo aberto
um mar de tulipas
forra meus olhos
de esplendor
tulipas vermelhas
ruborizam
a terra calejada
quando vem o crepúsculo
aí fica tudo carmim
de uma cor escandalosa
que não cabe mais em mim

Úrsula Avner

segunda-feira, 31 de maio de 2010

* Timidez *



a chama que tinge a face
de um rubor fumegante
chama ao ápice meus instintos
faz-me plena daquele instante

quisera não propalar segredos na face
fosse ela alva como um chumaço de algodão
dormiriam as fraquezas no sótão da alma
mas é carmim a cor do descobrimento que salva

Úrsula Avner

* imagem do google- desconheço a autoria

OBS: Hoje tem poema meu no Maria Clara Simplesmente Poesia . Aguardo sua visita. Um abraço afetuoso !

quinta-feira, 1 de abril de 2010

* Crepúsculo particular ( Soneto)


O firmamento em cor púrpura rajado
se estende diante do meu olhar perplexo
como um fino véu retalhado
na memória postado em anexo

Pensamentos percorrem infindos lugares
levando-me para além do sinuoso horizonte
trazendo-me o desejo descrito em "Cantares"
tornando-me ébria por ter bebido de sua fonte

Quisera tocar seu corpo pela última vez
transitar pela sua pele acetinada, beijar sua tez
já me ausentei de toda sensatez

Mergulhei profusamente no rio da paixão
não me vejo pensando se há nisso alguma razão
só quero deixar fluir os robustos desejos do coração


Úrsula Avner

* Cantares- se refere a um dos livros das escrituras sagradas

* este é um dos primeiros sonetos que escrevi e hoje pensei em postá-lo... Obrigada por sua visita !

domingo, 28 de fevereiro de 2010

* Tapete de memórias *

arte: Mel Gama


menina sonha acordada
sonhos em pedrinhas de açucar
ilusão adocicada
pequenas gotas de cristal
tudo é infância afinal

nas memórias sobrevivem
a valsa das chamas na fogueira
o rosto abrasado da menina faceira
o baile multicolorido dos sons
o brilho da lua festeira
esparramado em muitos tons

céu estriado
tom laranja vitaminado
cor sem escrúpulo
crepúsculo
figuras espectrais surpreendem
na dança de formas que ascendem
no tapete das memórias
no palco das estórias


Úrsula Avner

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

*(De) lírio *

deitada sobre colchão
de folhas secas
não vi estrelas no céu
tudo tão escuro misterioso
como no interior da traqueia
ou num beijo de língua
que fermenta a espuma nas bocas

só a saliva do desejo é cristalina

de olhos cerrados vi
um vestido cor de prata
talvez fosse rosa chá
pequeno ponto de luz
na negritude

barulho algum
a não ser
a sonoridade seca
das folhas copulando
ao vento

(de)lírio
só soube daquele
bordado no vestido

pela manhã
há de orvalhar poesia
em vestes de seda
depois de romper
o silêncio insondável
da placenta

fórceps ao avesso


Úrsula Avner

* imagem do google

* poesia com registro de autoria

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

* Simplesmente azul *

Olá queridos (as) amigos(as) e visitantes,

tem poesia de minha autoria postada no Maria Clara Simples mente poesia. Clique no link abaixo para conferir. Obrigada por sua visita e apreciação.

http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

* Soneto do retorno *



Na casa de todos os ventos
soprava um cântico de cor anil
envolto agora em trapos sedentos
do que em tempos idos sorriu

Um girassol reinava no jardim
absoluto em beleza e majestade
nas canções que se abriam em mim
havia o doce favo da liberdade

Sopravam ali copiosos ventos
cruzavam os cômodos em jactância
notas musicais de alegrias e lamentos

No balanço de velhos desejos sedentos
paira sereno o aroma da infância
persistem sol e lua de arejados tempos


Úrsula Avner


* imagem - retirada de dowloads.open4group.com