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quinta-feira, 14 de abril de 2011

* Canção do derramamento *

imagem : chuva para Vinicius- por Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com


em cada gota
um cristal
uma crista de onda
uma pedra de sal

em cada pingo
um mistério
um assombro
um destino prévio

obstinada gota
guarda o fascínio da quietude
a parte invisível
é o que a faz inteira
plena da força do açude

Úrsula Avner

sábado, 9 de abril de 2011

* emergente estação *

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

folha seca
tremula aflita
espera a passagem
do tempo
o colo celestial
o rito do vento

cai a chuva
impiedosa
renova a terra idosa

assim se desfaz o verão
respira o outono

Úrsula Avner

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

* despertar *

tela : Canto da manhã- Lena Gal

versos me abraçam
feito manhã festiva
claridade singular
lépida incisiva
trazem passarinhos
em revoada
coro afinado
insistente e altivo

quando cessar a cantoria

e o silêncio cortar
a seiva da contemplação
versos ainda hão de gotejar
até correr chuva
feito acordes de uma canção

Úrsula Avner

terça-feira, 31 de agosto de 2010

* O que é preciso saber *

foto : libélula
por : Alberto Maia


o que há sob as luvas
dissolve um deserto
umidifica um rio sedento
sustenta o peso do mundo

o silêncio verde
da mariposa
cobre jardins
de um mistério profundo

há lágrimas no interior
de rochas calcárias
basta uma gota de chuva
para banhar a pétala

não é preciso morrer
para se alcançar
estado de graça
bem o sabe a libélula

Úrsula Avner

* poesia inspirada no poema " Uma didática da invenção " de Manoel de Barros

domingo, 22 de agosto de 2010

* Sondagem *


tela : pássaro contemplativo
autor: José Carlos Rodrigues

quando a ave do desejo
em teus olhos repousar
lembra-te de que és passageiro
andarilho em noites de luar

pássaro estrangeiro
vieste te visitar
não sabe do teu sono
ou do teu caminhar

chuva pranteou no telhado
mas bem que podia
ter sido em ti
a alma trêmula escandesce
o que se quer encobrir

Úrsula Avner

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

* Incontinência *


Uma chuva
de milagres
eis do que preciso
milagres que espoquem
aqui ali acolá
feito granizos
caducos
milagres que se joguem
em terra ardida de sol
em areias enrugadas de mar
feito peixes
astutos
sabem bem mais
do que nadar

Úrsula Avner

* imagem retirada do google imagens-sem informação de autoria

quinta-feira, 25 de março de 2010

* Naquela janela... *


Tela : Window ( janela )
autoria : Bythe


Chegou Maria

em traje abstrato

talvez não fosse ela

senão apenas

um retrato

dos dias passados


chuva deixou

marcas na janela

daquilo que um dia

foi bela aquarela


restaram borrões

alguns respingos

da vida que hoje

se agarra ao beiral

da mesma e velha janela



Úrsula Avner



domingo, 27 de dezembro de 2009

* De volta á velha casa ( Soneto)


tela : Benedito Calixto



Mãos deslizam sobre o velho teclado

desnudam tons graves e agudos

memórias saltam do passado

descarilam fantasmas mudos


a pele do tronco do carvalho

se dissolve na saliva do vento

tulipas anelam chuva de orvalho

a secura da ausência debela o tempo


portas e janelas agora ventiladas

são caminhos de uma nova passagem

discreto eflúvio corre na casa da vila


no limbo das emoções surtadas

momentos empoeirados renascem

cada canto da casa de novo cintila



Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

* Paisagem *


Se não fosse chuva

o que vi em sua face

se não fosse a morte

um alegórico disfarce

estaria o sol

a reciclar as tardes

de açucar queimado


um manto dourado

cobriria o céu azul

cores que se abraçam

sem razão

sem explicação

tonalidades astutas

entornadas

esparramadas

feito prostitutas


Úrsula Avner

* imagem do Google- sem informação de autoria
* leia também " A poesia feminina no divã ou o contrário ? " no blog

terça-feira, 15 de setembro de 2009

* Incontinência *


lágrimas escorrem

como seiva do caule

gota a gota

salgam o oceano

levam dores e alegrias

no dorso de noites e dias


lágrimas escorrem

feito água de chuva

gota a gota

inundam o solo

fazem curva

cobrem do rio o colo


lágrimas escorrem

enquanto luzes dormem


Úrsula Avner


* imagem retirada do google- sem informação de autoria

* poema com registro de autoria

sexta-feira, 22 de maio de 2009

* A vida e o tempo *


Contemplo minha vida gotejando

nas linhas que o destino traça

A vida é como o tempo que me escapa

se acampa nos céus que ele mesmo tinge e enlaça


Hoje... As nuvens nimbus , o vento forte

A vida segue o compasso da tormenta

Amanhã... O céu azul anil , o sol no horizonte

A vida brada no ritmo do dia claro que a acalenta


Se hoje fechou-se o tempo

e a chuva torrencial destelha os bons pensamentos

onde lágrimas alojam meus desalentos

Amanhã , o dia se abrirá num manto azulado

A vida irá sorrir sem a lívida lembrança

do que já foi tornado


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria conforme Lei vigente no país

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

segunda-feira, 11 de maio de 2009

* Chove em todo lugar *



A chuva cobre

em lamento incontido

a face da vidraça



Em gotas felpudas a chuva escorre

do olhar nublado e abatido
inunda o chão da praça


A chuva se deita lépida e faceira

nas ruas da cidade inteira


Se derrama a chuva sem piedade

no solo dos pensamentos, na tez da saudade


Úrsula Avner



* poesia com registro de autoria


* imagem retirada de pesquisa no Google-desconheço a autoria