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quarta-feira, 11 de maio de 2011

* No fim do dia *

fonte da imagem : Google

sombra
derramada na calçada
agoniza
pálida desavisada
tomba a noite
feito cascata
em pedra firme
vem em canção
de açoite
porque anoitecer
é parto
dor e deslumbramento
eis que parto
não sei pra onde
sobre mim
deita o firmamento

Úrsula Avner

Oi Jacqueline Rolim, você deixou um comentário muito amável nesta postagem mas sem querer eu o exclui. Se puder postá-lo novamente agradeço muito. Bj.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

* Canção dos mistérios de ser *


tela : sun -rain ( sol-chuva)
por: Salma Shami

do deslumbre de ser
extrai-se o mel
e a folha amargosa
um pedaço de céu
o gosto acerbo da losna
o diário da rosa
frágil flor do desejo
doce e manca
ávida e pálida
entregue ao vigor do ensejo

do deslumbre de ser
evocam-se mistérios
que dançam na escuridão
em chão de névoa
não bailam em vão
há um ponto de luz
guia de cada coração

Úrsula Avner

quinta-feira, 21 de abril de 2011

* o olho mais azul *

fonte da imagem : Google

antes que desbote
o sol no horizonte
a dança do mar
me captura
não sei como
nem onde
o mar se apossou
de mim
ou fui eu
que o engoli
mas a verdade
é mais do que vejo
o que enxergo
é somente lampejo
não há como decifrar
o indecifrável
se o mar me vem
como canção
discrimino poucos acordes
em notas minguadas assim
mas a melodia que ouço
jamais será fugaz em mim

Úrsula Avner

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

* despertar *

tela : Canto da manhã- Lena Gal

versos me abraçam
feito manhã festiva
claridade singular
lépida incisiva
trazem passarinhos
em revoada
coro afinado
insistente e altivo

quando cessar a cantoria

e o silêncio cortar
a seiva da contemplação
versos ainda hão de gotejar
até correr chuva
feito acordes de uma canção

Úrsula Avner

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

* (des)vario *

tela: Duy Huynh

no desvario do tempo
vario feito onda
lançada na areia
sua eterna
morada

o dia vira
feito página avulsa
vem a noite ao som da lira
página em branco
aluada

desvairada é a canção
da vida empoçada
presa no silêncio de cactos
em paisagens inertes
entornada

Úrsula Avner

sábado, 22 de maio de 2010

* Descompasso*



arte: Heaven is a place on earth
by : Mel Gama


na madrugada insípida
corre em efusão
fio de estranheza
ausência do que se espera

se não tivesses
errado o tom
se tivesses tocado
a nota certa
não desafinaria o sol
no horizonte

diapasão alucinou
és canção perdida
em notas ranhidas

ficas á espera do vento
esse sabe cantar
como ninguém
embala teus sentimentos

em dó, lá ou si
nas notas que lhe convém

Úrsula Avner

quarta-feira, 14 de abril de 2010

* Canção singular *

a canção que invento
tem brilho de ponta
de estrela
fagulha cuspida
da implosão bucólica
do sol
quietude de riacho
quando os peixes dormem
sob águas serenas

a canção que invento
pinga o suor das faces
vincadas
tem o pó das pisaduras
intrépidas
dos que trabaham
em troca de pão
o canto do pintassilgo
que apregoa sua efêmera
liberdade
o vacilo das mãos
quando tecem (versos)

a canção que invento
tem o múrmurio das conchas
a solidão da folha
que da árvore quedou (se)
a fugacidade das borboletas
que voam e pousam
pousam e voam
num ballet intermitente
e breve

a canção que invento
colhe dejetos de becos sombrios
percorre o íntimo do ser humano
perscruta dores medos desejos
a vulnerabilidade
o peso do livre arbítrio

a canção que invento
é lamento
choro alagado
que se deita sobre
a retina e o coração
e inscreve seu legado


Úrsula Avner


* imagem do Google imagens

quinta-feira, 8 de abril de 2010

*Falecimento*



sob a ponte

riacho tímido minguado

entoa sonífera canção

á margem de seus desafetos


somente a vegetação

rasteira na várzea

sabe de sua pacata existência

alimenta-se de sua essência


no trajeto da ponte
a vida corre

como se debaixo dela

a existência fosse apenas

uma imagem estancada no tempo



Úrsula Avner


* imagem do google- Antiga Porto Alegre RS



domingo, 4 de abril de 2010

*Germinação*

quanto ao verso
que não compus
virou queixume de coisas
lágrima e pus
(es)correu nas narinas do tempo
perdeu-se no vão dos sentimentos


Faço versos
ao embalo de canção uterina
entendo ser essa a minha sina
ouço a melodia que vem das entranhas
voz de muitas águas que cantam
na noite e no dia
no riso e nas manhas


Úrsula Avner


* imagem do google

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

* Breve canção poética

borboleta taxeia
entre as flores do jardim
dança rodopia esperneia
alegre tonta em efusão

quem dera fosse um zangão
sem ansiedade

sem vida nevrálgica
sem rugas em breve idade

na sua euforia uterina
a borboleta goza em ebulição
vida breve e intensa
transformada em canção


Úrsula Avner

* imagem do google

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

* Vida / tempo *


Não é que o tempo

está a nos espreitar

com seus olhos esbugalhados ?

Olhar enviesado

de quem contempla mistérios

num quadro


envergar

talvez não seja de todo ruim

bambus se dobram

beijam o chão

depois retomam

a original posição

cair e levantar-se

é renovação

jeito de entoar uma nova canção


Úrsula Avner

* Caros amigos (as) e visitantes, desejo a todos que em 2010 possamos entoar uma nova canção, em que a fé, a esperança, o amor, a perseverança, sejam nossa fortaleza contra as adversidades. Que as quedas vividas neste ano, sejam marcas de aprendizado ; fortalecimento interior e imã para as conquistas que virão !

Que tudo o que é bom ocupe nossos pensamentos e sentimentos !

Felicidades a todos ! Abraço afetuoso !

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

* Mensagem de renovação *



tela : René Magritte


O que a alma busca


certamente dorme


em sono profundo


em um plano superior


visceja em outra dimensão


há de estar guardado


no segredo das pérolas


na luz rutilante


da estrela mais distante


há de compor


o mistério da flor


que guarda o curso da semente


há de se abrigar


no fundo do oceano


ou no silêncio do abismo


na solidão das pedras


no voo das aves


há de estar


no sorriso da criança


no útero que gesta a vida


no pulsar do coração


naquilo que chamamos amor


nos versos de uma canção



Úrsula Avner


* Que possamos em qualquer tempo, em qualquer data , buscar a renovação interior que a alma almeja. Um abraço afetuoso a todos que me visitam e meus sinceros votos de felicidades !


" Examine- se o homem a si mesmo " ( versículo bíblico )

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

* Breve companhia *

Partiste
lépido sem despedida
do meu regaço fugiste
deixaste-me
solitário e triste
gotejando a dor da partida

Quisera aninhar-te
em meu colo
afagá-lo em minhas mãos
só mais um instante

contemplar o silêncio
de tuas asas
o pulsar galopante
do teu coração
sentir tua respiração
ofegante

Invejo tua liberdade
que em mostrar-me insiste
o quanto sou chão
em mim subsiste
a lembrança da tua canção
serena e incisiva
abaulando no peito
segredos inescrutáveis da vida


Úrsula Avner

* poema com registro de autoria
* Imagem do google

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

* Mera contemplação *

mulher canção
cabelos desfibrados
emolduram-se ao vento

mulher solidão
olhos no céu plantados
face de quem dribla o tempo

tempo para
tempo escoa
tempo corre
tempo voa

mulher dorme
no berço do tempo
vida escorre
onde perdeu-se o lamento


Úrsula Avner

terça-feira, 22 de setembro de 2009

* Rutilância *

tropecei na canção
errei o passo
lânguido frouxo
descuidado

abraçada ao chão
fui andarilha
em notas musicais

sob aparência de clave
andei grávida de cânticos
criei asas de ave

torpor embriaguez
brilho de estrela na tez

supernova

Úrsula Avner

* poema com registro de autoria

NOTA : tem poesia minha postada no
mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com

sábado, 29 de agosto de 2009

* Lya Luft no Maria Clara... *

* Canções de Lya Luft *


Tela : Odalisque Reclining on a Divan ( 1827-28 )
Autor : Eugéne Delacroix

Caros (as) amigos (as) e visitantes, hoje postei no quadro " Simplesmente Poesia " do blogger Maria Clara Sim ples mente poesia um belo poema de Lya Luft e uma apreciação teórica sobre o mesmo, á luz da imagem poética retratada na tela do pintor Delacroix, ressaltando também aspectos literários de obras (canções) da autora . Em seguida, apresento uma "Canção para Lya". Convido-vos a conhecerem o quadro e a postagem. Espero que apreciem. Obrigada pelo carinho habitual em meus espaços virtuais. Um abraço a todos.

http://mariaclara-simplesmentepoesia.blogspot.com/

terça-feira, 18 de agosto de 2009

* Significado *




Um poema diz

o que se propõe dizer

o que não pretendia

o que desconhece de si mesmo

corpo fechado

matéria propalada

nas entrelinhas

em versos alados

em melodia solfejada

em meio a flores de aço ou vinhas


o não dito é lido

por quem rumina o poema

em homeopáticas doses

fagocitose

vida em sobressalto


Um poema é salto

basta a si mesmo

não sabe que é frágil

leque aberto

ave de voo ágil

caminho incerto


Seguro um poema nas mãos

com luvas de seda

sorvo dele uma canção

deixo-o repousar sob a asa esquerda


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem retirada do Google imagens


OBS : escrevi este poema depois de ouvir alguém falar que ás vezes não entende o que o poema quer dizer. Um abraço carinhoso a todos que me visitam.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

* Marítima *




No murmúrio das conchas busquei


algum ruído de mar


canção azul e distante


voz em guelras de peixe


ondas lançaram-se na areia


em estampido


lamento contumaz , convulsionado


revestida de sal

petrifiquei


Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

terça-feira, 14 de julho de 2009

* Agoniza o dia *

Demasiado tarde
para sorver do sol
canção de estrela

Já se estendeu
em restolho de luz
colérico crepúsculo

Escarrou no céu
estrias em amarelo tostado

Noite veio em represália
resfriar e toldar
réstia de luz

Eclipse

Úrsula Avner

* poesia com registro de autoria
* imagem retirada do Google- desconheço a autoria

sábado, 11 de julho de 2009

* Solitária canção *



Protejo-me de mim mesma

em frágil redoma

onde contemplo minhas vicissitudes

traspassadas por enigmáticas atitudes



Sentimentos falam por mim

o que eu mesma não decifrei

palavras me retalham por fim

em versos que eu simplesmente inventei



Em minha bojuda campânula

permaneço alicerçada a inexoráveis mistérios

enjambrada nesta perene cúpula

onde se ramificam segredos etéreos



Divago em sonhos evaporáveis

resquícios de uma ébria ilusão

nutrindo esperanças que julguei indenizáveis

perco-me no arpejo da minha solitária canção



Úrsula Avner


* poesia com registro de autoria

* imagem retirada do Google