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quinta-feira, 16 de junho de 2011

* Nostálgica*

imagem: google

talvez um silêncio
silvestre
penetre a folha
de veias saltadas
nervos em sepulcro

hoje o azul
não basta
em cinza pardo
se despede o dia
apressado
não se aparta sozinho
vaga solitária
ao fundo da tela
lua cheia
de meias verdades
rege o bailado do mar
mas não lhe cabe decifrá-lo

zonza
a folha desprendida
de uma árvore qualquer
pernoita no húmus da terra
:
misteriosa jornada

se cantasse no horizonte
um vento festivo
seria azul

Úrsula Avner

segunda-feira, 9 de maio de 2011

puzzle

chegou o fim
talvez
já tivesse
chegado
antes mesmo do começo
vida ao avesso
pulsa o que está
adormecido
e o que despertou
deveria estar mudo
perderam-se as peças
do quebra-cabeça
ou simplesmente
não se encaixam mais
sementes ainda brotam
porque a terra é fértil
enquanto se dorme
delira um vulcão
há contrito silêncio
antes da erupção

Úrsula Avner

fonte da imagem : Google

sábado, 9 de abril de 2011

* emergente estação *

Fonte da imagem : Google- sem informação de autoria

folha seca
tremula aflita
espera a passagem
do tempo
o colo celestial
o rito do vento

cai a chuva
impiedosa
renova a terra idosa

assim se desfaz o verão
respira o outono

Úrsula Avner

segunda-feira, 28 de março de 2011

* Da sequidão *

fonte da imagem : google

plantou sementes
em terra seca
á espera de
um milagre
que nunca veio
o vento ainda sibila por lá
solitário canto
arrasta folhas rugosas
galhos mancos

á noite
voz de mil estrelas
fazem do pó esfoliante
extenso tapete
rio árido
da contemplação


Úrsula Avner

quinta-feira, 17 de junho de 2010

* Pisaduras *

sôfregos pés
que pisam cacos
reviram a terra
cavucam buracos
ganham calos

plácidos pés
que saltitam em palácios
acariciam pétalas
dormem em seda ou linho
nada conhecem
do chão

descalços pés
que penteiam a relva
pisam as uvas
provam o vinho
não labutam
em vão

Úrsula Avner

* imagem encontrada em pequisa feita no google- sem informação de autoria

sábado, 18 de abril de 2009

* Sentinela dos sonhos *



Há sonhos alvejados de um briho celestial
em que espocam desejos na plenitude do cristal
Vez por outra, um anjo acampa nas trilhas
dos pensamentos engomados de luz
onde uma estrela de mil pontas reluz

O anjo recolhe desejos em formato de flor
envasa deles, o aroma, a cor e o sabor
Desenha um jardim no véu nebuloso dos sonhos
ornados com as pétalas do verdadeiro amor

Sereno, o anjo espalha as sementes
na terra misteriosa e fecunda de cada coração
Somente os sensíveis seres viventes
não querem despertar do sonho celestial
onde o anjo continua a entoar uma sublime canção
suave melodia sem igual


* Úrsula Avner * ( http://www.ursulaavner.com/ )

dica: leia o poema ouvindo a música "Angels" da Enya- tecle "play" no ipod ao lado- música 2

* poema com registro de autoria
* imagem retirada de pesquisa feita no Google

terça-feira, 10 de março de 2009

* A noite, o dia e os sonhos *


A pele azulada do céu se estica
nesta manhã embriagada dos encantos noturnos
regada por águas que correm da bica
e cobrem a terra com lençóis diurnos

Tal qual moça preguiçosa a pestanejar na rede
se abre a alvejada manhã saciando sua sede
os dedos abrasivos do sol que cintila
tingem de dourado o dia que floresce
recolhem do chão as águas do pranto em fila
iluminam em tons de fogo tudo o que amanhece

É dia declarado, a noite expirou
os sonhos são as sobras de vida
que o manto de estrelas levou

* Úrsula Avner *

*poesia com registro de autoria
* imagem extraída da net

quarta-feira, 4 de março de 2009

* Quando se trata de amor *



Quando se trata de amor
o céu azul em nuvens cúmulos
se enrrola como um pergaminho
se abrindo num manto de estrelas
em fulgente desalinho

Quando se trata de amor
as diferenças são minimizadas
as fronteiras ficam tênues
quase apagadas
qualquer fugaz momento se torna perene

Quando se tratra de amor
há um cheiro de terra molhada
aroma despretensioso pairando no ar
reluz o brilho da relva orvalhada
projetado no olhar

Quando se trata de amor
os sonhos são palpáveis

não necessitam do adormecer
as manhãs nebulosas se abrem
despedindo-se num dourado entardecer

Quando se trata de amor...


* Úrsula Avner *


* a imagem da poesia foi retirada da net
* poesia com registro de autoria