Em papel escrevi letras, desenhadas com amor!
Fiz delas sinfonias, com magia e cor!
Somei-lhes sorrisos de tempo e alguma emoção também,
Dei-lhes o meu sentido, abracei-as como ninguém!
Faço-as nascer e dou-lhes algum significado,
Em mim vejo-as crescer, como uma criança a ser educada.
Cada palavra roda, salta, ri, chora
Sinto-as minha companhia, num coração que as adora!
Recebo-as muitas vezes, em todo o lado onde estou
Umas apeticíveis, outras dispensáveis...
As últimas esqueço, as primeiras guardo-as em mim
Divido-as com quem as merece, gosto delas mesmo assim!
Em cada gesto vosso faço leituras infindáveis
de livros que eles escreveram, com edições únicas,
e epílogos em mim guardados, registados em papiros de nuvens!
Serão sempre edições só minhas, devidamente conservadas
Numa arca de sonhos profundos, como alimento das minhas vontades.