As imagens mostram o belo
Num entardecer gelado
Que apesar do tilintar dos dentes
Cobre-o o céu, todo estrelado!
O nosso olhar sobre a cidade
Aquece quem por lá passa
Não fosse o avançar da idade
Sentava, a observar a praça
Carros vêm, carros vão
Apressados a fugir do frio
Não sentem a vã solidão
De quem sente o arrepio!
Um cobertor de cartão
Serve de aconchego ao muribundo
Não lhe vi deitar a mão
Não senti melhor, o mundo!
Talves este olhar seja
Apenas um olhar mendigo
Que de tanta miséria que viu
Também se sente ferido!
O frio está lá fora
E não afecta a minha casa
Mas gela-me a alma sentir
Que "há pássaros feridos na asa"!
Uma sociedade vã
Que não acolhe os vulneráveis
Caminha para a solidão
Por não alimentar os miseráveis.
Miseráveis estão de afectos
De cobertores e lareiras
Não sabem o que são alimentos
Não conhecem o calor das fogueiras!
Não nos valem os homens de hoje
De fato e gravata vestidos!
Não veem os miseráveis
Não reconhecem os mendigos!
A sociedade é solidária
E ajuda em época natalícia
Mas cai um nevão em Janeiro
E a solidariedade já não é noticía!
Sejamos mais francos uns com os outros
Deitemos a mão à necessidade
Não façamos ouvidos moucos
Não ignoremos a sociedade!