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sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Belo texto
Estou a ler, aos pouquinhos, como quase tudo ultimamente, a "Lumen fidei", a encíclica de Bento XVI, perdão, Francisco. Só agora. Devido à dupla paternidade, está a passar despercebida, parece-me. Não me recordo de Francisco a ter citado, como costumava ser normal nos discursos papais. Nem se vêm por aí grandes incentivos à sua leitura. Nem os bispos a citam como costumam citar outros documentos papais recém-aparecidos. Mas é um belo texto. (Vou entrar no terceiro capítulo.) Indispensável para quem pensa sobre fé, razão, verdade, teologia, Igreja. Para pôr bem juntinho à "Fides et ratio". Que, afinal, teve como principal redator o mesmo Ratzinger.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Quem pode responder?
Olhando retrospectivamente, podemos dizer que a forma que
transformou o cristianismo numa religião mundial consistiu na sua síntese entre
razão, fé e vida; esta síntese condensou-se precisamente na expressão religio
vera. Impõe-se, por isso, cada vez mais a questão: porque é que, hoje, esta
síntese já não convence? Porque é que, hoje, ao invés, surgem contraditórios e
até reciprocamente exclusivos a racionalidade e o cristianismo? Que é que mudou
na racionalidade? Que é que mudou no cristianismo?
Joseph Ratzinger na pág. 84 do livro "Existe Deus? Um
confronto sobre verdade, fé e ateísmo", de Joseph Ratzinger e Paolo Flores
d'Arcais, ed. Pedra Angular.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Desvio
Antes de ser Cristo, é a verdade.
Se nos desviamos d'Ele para ir para a verdade,
não andaremos um grande troço sem cair nos seus braços.
Simone Weil
Se nos desviamos d'Ele para ir para a verdade,
não andaremos um grande troço sem cair nos seus braços.
Simone Weil
terça-feira, 21 de maio de 2013
Coisas grandes sem caminho?
Se o Senhor te tivesse dito unicamente "Eu sou a Verdade e a Vida", poderias replicar-lhe: Grandes coisas me ofereces, mas como se chega lá?
Agostinho de Hipona
Agostinho de Hipona
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Algumas coisas que aprendi com Bento XVI - 1
Bento XVI disse:
A
verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na «economia» da caridade,
mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da
verdade. Deste modo teremos não apenas prestado um serviço à caridade,
iluminada pela verdade, mas também contribuído para acreditar a verdade,
mostrando o seu poder de autenticação e persuasão na vida social concreta.
Facto este que se deve ter bem em conta hoje, num contexto social e cultural
que relativiza a verdade, aparecendo muitas vezes negligente se não mesmo
refractário à mesma.
Caritas in veritate, 2
Não digo que o Papa tenha posto no lixo aquela expressão "a verdade na caridade", que nas suas aplicações habituais transformava a verdade numa verdadezinha, logo menos verdade, e contaminava a caridade. Mas reforçou, sem dúvida, a necessidade de busca da verdade como condição de vida cristã (vida enquanto pensamento e ação).
Certamente que a verdade é um fim. Mas também é uma condição quando aliada ao amor. Mas pelo facto de o amor ser mais alto, não deve deturpar a verdade. Pelo contrário, exige que ela seja sempre cumprida. Espanto-me por isso que alguns ratzinguerianos, e o próprio papa, em algumas circunstâncias ajam como quem tem medo da verdade. Na investigação teológica por exemplo (penso em Ratzinger enquanto prefeito da CDF e enquanto autor dos livros sobre Jesus). A questão não foi, boa parte das vezes o "se é verdade", mas antes o "se está de acordo com o Magistério", quando ambos, teólogos e Magistério devem ser servidores da verdade.
Em resumo, a verdade como imperativo da vida cristã (lá haveremos de chegar à questão do relativismo) é um dos legados de Bento XVI. Assumir a verdade em todos os âmbitos da vida eclesial e na relação com o mundo, no mundo, provocará muita dor.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Penas de almofada e de galinha
No filme "A dúvida", baseado numa peça teatral de John Patrick que já foi representada em Portugal (Diogo Infante no papel do padre), o padre conta uma história para explicar a culpabilidade de quem gera boatos. Murmurações, como algumas pessoas dizem.
Lembrei-me do filme porque, por mero acaso, li hoje que a história da almofada, via penas, remonta a Filipe Neri.
Uma senhora caía frequentemente no pecado da murmuração. O santo impôs-lhe como penitência percorrer uma estrada de Roma depenando uma galinha. Na semana seguinte, a penitente confessa ter voltado a cair no mesmo pecado.
- Cumpriu a pela que lhe impus?
- Sim, exatamente como me disse.
- Muito bem. Volte agora pela mesma rua e recolha todas as penas que espalhou.
- Isso é impossível.
- Minha filha, do mesmo modo é impossível recolher as falsidades que se dedica a difundir ao longo do dia.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Quem escreveu isto? (9)
Os dogmas podem perfeitamente ser unilaterais, superficiais, autoritários, obscuros e precipitados.
a) Um perigoso relativista, com certeza.
b) Joseph Ratzinger?! Não acredito.
c) Hans Kung, para a seguir dar mais uma ferroada na infalibilidade.
d) Walter Kasper. E chegou a cardeal?
Resposta: d) Walter Kasper, na página 160 de "Introdução à fé" (ed. Telos, Porto, 1973). Ele acrescenta que "os dogmas submetem-se à historicidade de toda a linguagem humana e só são concretamente verdadeiros em relação ao contexto correspondente", como, aliás, já foi citado neste blogue.
a) Um perigoso relativista, com certeza.
b) Joseph Ratzinger?! Não acredito.
c) Hans Kung, para a seguir dar mais uma ferroada na infalibilidade.
d) Walter Kasper. E chegou a cardeal?
Resposta: d) Walter Kasper, na página 160 de "Introdução à fé" (ed. Telos, Porto, 1973). Ele acrescenta que "os dogmas submetem-se à historicidade de toda a linguagem humana e só são concretamente verdadeiros em relação ao contexto correspondente", como, aliás, já foi citado neste blogue.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Dogma e verdade
Todo o dogma olha uma verdade sob um aspeto predominantes, e na maior parte das vezes, numa delimitação de tom negativo e polémico. Não pretende nem pode dizer tudo o que, sob o ponto de vista teológico, pode e deve dizer-se acerca da questão abordada. Em última análise, a verdade jamais permite expressar-se numa única proposição.
Walter Kasper, "Introdução à fé", pág. 161
Walter Kasper, "Introdução à fé", pág. 161
terça-feira, 26 de junho de 2012
Fé e proposições definitivas
Sem a coragem - poder-se-ia até dizer, sem a audácia - para decisões e proposições definitivas, a fé cristã eliminar-se-ia a si mesma. Reside aqui, precisamente, a sua força e energia. Ela pode prometer e afiançar ao homem o derradeiro sentido. Uma igreja que se mostrasse incapaz de o fazer mereceria bem que ninguém mais se interessasse pela sua proclamação, degenerada em simples palavreado.
Walter Kasper, Introdução à fé, pág. 160
Walter Kasper, Introdução à fé, pág. 160
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Verdade e poder
A verdade é uma força, mas tão-somente quando dela não se
exige nenhum efeito imediato, mas quando se tem paciência e de dá tempo ao
tempo; melhor ainda, quando não se pensa nos efeitos, mas se deseja mostrar a
verdade por si mesma, por amor à sua grandeza sagrada e divina.
Romano Guardini citado por Carlos González Vallés em “Querida
Igreja”, ed. Paulus (Brasil), 1990, p. 7
sábado, 21 de abril de 2012
Verdade e humildade
É necessário encarar a exigência de verdade como uma obrigação séria. É necessário ter também coragem de não nos perdermos da verdade, aspirar a ela, aceitá-la com humildade e reconhecimento onde ela nos é dada.
Card. Joseph Ratzinger
Card. Joseph Ratzinger
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O bom do verdadeiro eu
Depois de termos aprendido a viver com o nosso verdadeiro eu, nunca mais conseguimos voltar a satisfazer-nos com a nossa falsa identidade: esta parece-nos completamente disparatada e superficial.
Richard Rohr, ofm
Richard Rohr, ofm
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Como é que é verdade aquilo que a Igreja confessa ser verdade?
No texto de Bento Domingues de ontem, no número 2, ficou expressa uma preocupação sobre o atual panorama teológico na igreja católica. Sublinho:
(…) A partir dos anos 80, começou um eclipse da liberdade teológica que está a levar demasiado tempo a passar. Às interrogações sucedeu o clima das certezas cegas a propor e a defender. As ciências e as filosofias passaram a ser muito evocadas nos slogans da relação entre fé e cultura e razão e fé, mas a sua prática desertou, em muitos casos, dos cursos de Teologia. Tende-se a privilegiar um positivismo bíblico-patrístico com pinceladas literárias e espiritualistas, a que falta o foco da razão e os dinamismos do Espírito.
Lembrou mais à frente que Tomás de Aquino descartou os
argumentos de autoridade que “apenas documentam a fé, mas não explicam como é
que é verdade aquilo que a Igreja confessa ser verdade”.
Esta última frase é pertinente, por exemplo, para aqueles
que se apoiam em argumentos de autoridade para dizer que não se pode ordenar
mulheres. “João Paulo II declarou que a Igreja não tem absolutamente a
faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”, logo…
Falta muito disto na comunidade católica: como é que é
verdade aquilo que a Igreja confessa ser verdade?
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Acreditar no erro
Polanyi
Michael Polanyi (1891-1976) citado por Alistar McGrath
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Barnes, Brel e o desejo de acreditar
Isto vem a propósito do desejo de acreditar em Deus. Barnes refere o poema/canção de Brel, "Dites, si c'était vrai" ("Dizei, se fosse verdade"). "Agora acho que é uma das piores faixas que Brel alguma vez gravou". É de facto muito má. É mais uma declamação do que uma canção. Está em muitos lados no youtube. Fiquemos só com o poema. Alude à quadra que estamos a viver. Mas para lá do desejo de acreditar, do crer porque é belo, de fechar os olhos e querer com muita força, tem de estar a verdade e o seu significado.
Dites, dites, si c'était vrai
S'il était né vraiment à Bethléem, dans une étable
Dites, si c'était vrai
Si les rois Mages étaient vraiment venus de loin, de fort loin
Pour lui porter l'or, la myrrhe, l'encens
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai tout ce qu'ils ont écrit Luc, Matthieu
Et les deux autres,
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai le coup des Noces de Cana
Et le coup de Lazare
Dites, si c'était vrai
Si c'était vrai ce qu'ils racontent les petits enfants
Le soir avant d'aller dormir
Vous savez bien, quand
ils disent Notre Père, quand ils disent Notre Mère
Si c'était vrai tout cela
Je dirais oui
Oh, sûrement je dirais oui
Parce que c'est tellement beau tout cela
Quand on croit que c'est vrai.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ravasi, o cibercardeal
Reportagem de Marco Ansaldo, no “La Repubblica”, sobre o
cardeal Ravasi, “ministro da Cultura do Vaticano”, que está no Twitter (ver aqui), tem
blogue, assina uma coluna num diário, organiza o Átrio dos Gentios, gaz um
programa num canal televisivo e, podemos acrescentar, escreve prefácios nos
livros de José Tolentino Mendonça (“O tesouro escondido”).
Gostei especialmente dos seguintes trechos, mas vale a pena
ler tudo aqui.
"Ainda há um longo caminho a ser feito – explica o cardeal –, mas agora é o momento de estar na Internet. Existe um espaço que deve ser preenchido, depois do divórcio entre a linguagem dos sacerdotes e a dos fiéis da Igreja. A Igreja tem à sua frente um problema duplo. De um lado, deve conseguir encontrar uma nova abordagem. De outro, fazer com que a nova linguagem não desgaste o conteúdo: há grandes valores que, se reduzidos em um formato muito frio, correm o risco de desaparecer. Eis o complicado desafio: a alma deve entrar em um pequeno formato – e Ravasi parece se referir aos SMS – mesmo sendo infinita".
De fato, Ravasi é um homem capaz de conjugar instrumentos nascidos há pouco com meios amplamente consolidados. Sua Eminência insiste na necessidade de informação. "Este mundo, que às vezes parece um emaranhado de absurdos, é, no entanto, o nosso mundo. E a leitura do jornal – continua, citando Hegel – é a oração da manhã do homem moderno (aqui). É preciso ler os jornais. E é uma atitude esnobe aquela de quem diz que nunca lê os jornais, ou melhor, nem sequer os olha: uma atitude equivocada. O próprio fiel, de manhã, deve ter a Bíblia e o jornal, no qual verifica, mede, cruza a sua existência".
Ravasi observa que, "nos últimos anos, houve uma mudança antropológica". McLuhan, explica, "ensinou-nos que os meios de comunicação tornaram-se a nossa prótese. E essa atmosfera tão permeante atravessa a todos, até mesmo aqueles que se obstinam a não TV em casa ou o computador. A Igreja também está envolvida. Devemos adaptar o diálogo, atualizando-nos.Giovanni Battista Montini, o futuro Paulo VI, dizia em 1950 ao filósofo Jean Guitton: 'É preciso ser antigo e moderno. De que serve dizer a verdade, se os nossos contemporâneos não nos entendem?"
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Darwinismo, morte e a questão da verdade
O sítio belief.net perguntou a Richard Dawkins, o “Senhor Paradoxal”,
sobre o desespero que as implicações do darwinismo suscitam em alguns. Dawkins
respondeu:
Se é verdade que isso faz com que as pessoas se sintam desesperadas, paciência. O universo não nos deve condolências nem consolação; não nos deve uma agradável sensação íntima de bem-estar. Se é verdade, é verdade, e o melhor é aprendermos a viver com isso. Morre e desaparece, é mesmo assim.
Lido na página 107 de “Nada a temer”, de Julian Barnes (ed. Quetzal).
Com Deus ou sem Deus, se é verdade, é verdade. Devíamos todos estar mais
desejos de enfrentar a verdade do que nos sentirmos bem sem preocupações com a
verdade. Porém, há um problema de sempre é: o que é a verdade? Como saber o que é, quem é,
que é?
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Vida, fé e sociedade em perguntas e respostas
Aleteia.org. Não é é publicidade à editora de Zita Seabra, que, aliás, tem um h a seguir ao t. É um sítio promovido pelo Vaticano para responder às dúvidas da fé, da vida e da sociedade. "Aleteia" (alguns pronunciam "alêthea"), em grego, quer dizer verdade.
Por vezes temo quem invoca constantemente "a verdade", como se tudo fosse evidente. De qualquer forma, ver para crer. É lançado no dia 22 de Outubro, ao mesmo tempo que em Portugal é apresentado "O último segredo" (ver entrada anterior).
Por vezes temo quem invoca constantemente "a verdade", como se tudo fosse evidente. De qualquer forma, ver para crer. É lançado no dia 22 de Outubro, ao mesmo tempo que em Portugal é apresentado "O último segredo" (ver entrada anterior).
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Verdade e mentiras
Deve dizer-se sempre a verdade, porque, de repente, perdem-se da memória as muitas mentiras.
Konrad Adenauer (1876-1967)
Konrad Adenauer (1876-1967)
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