Na sociedade, comete-se com frequência o erro que consiste em avaliar o passado com os olhos do presente.
Na Igreja, comete-se com elevada frequência o erro que consiste em avaliar o presente com os olhos do passado.
Na sociedade, comete-se com frequência o erro que consiste em avaliar o passado com os olhos do presente.
Na Igreja, comete-se com elevada frequência o erro que consiste em avaliar o presente com os olhos do passado.
Sobre todas las innovaciones del Concilio Vaticano II que permanecen manchadas de errores y sobre las reformas que de él han salido, la Fraternidad sólo puede continuar adhiriendo a las afirmaciones y enseñanzas del Magisterio constante de la Iglesia; ella encuentra su guía en este Magisterio ininterrumpido que, por su acto de enseñanza, transmite el depósito revelado en perfecta armonía con todo lo que la Iglesia toda ha creído siempre y en todo lugar.
Bento XVI defendeu hoje a necessidade de as comunidades católicas voltarem a ler, aprofundar e “colocar em prática” os ensinamentos saídos do Concílio Vaticano II (1962-1965).
“Os documentos do concílio contêm uma riqueza enorme para a formação das novas gerações cristãs. Releiam-nos, com a ajuda de sacerdotes e catequistas”, pediu, na homilia da missa a que presidiu (…).
Nem corvos nem cismáticos irredutíveis perturbam o verão "conciliar" de Joseph Ratzinger. Do quartel general suíço dos lefebvrianos, chegam nuvens escuras, mas em Frascati, na Itália, o sol resplandece. Bento XVI antecipa o provável "não" da Fraternidade São Pio X ao retorno à Igreja Católica com uma orgulhosa defesa apaixonada daquele Concílio Vaticano II que, há meio século, o viu empenhado como jovem teólogo, mas que continua sendo obstinadamente rejeitado pelos seguidores do arcebispo tradicionalista Marcel Lefebvre.
(…) Nada parece mais distante dos sofismas dos lefebvrianos e dos venenos do Vatileaks do que o afeto espontâneo das pessoas pelo seu papa. "Estamos contigo", repetem as faixas em todos os cantos.
Para Joseph Moingt, não é se concentrando na instituição eclesial que se poderá realizar uma reforma radical do catolicismo, mas sim voltando ao Evangelho. "Há a urgência de repensar toda a fé cristã para dizer 'Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem' na linguagem de hoje e em continuidade com a Tradição", repete, baseando-se na sua imensa cultura teológica e bíblica para confirmar que a Igreja não poderá mais seguir em frente com respostas dogmáticas e que é preciso que, dentro dela, os teólogos "façam coisas novas sem ser serem ameaçados de excomunhão". Quanto a ele, a sua prudência nunca foi motivada pelo medo de uma sanção eclesial, mas sim pelo desejo de escrever de acordo com a sua fé. E, depois, "na minha idade, já não se corre muito risco".
O Papa Bento XVI fez um daqueles atos que quase certamente deixarão a sua marca sobre o futuro da Igreja universal. No dia 14 de setembro de 2011, de fato, a Santa Sé entregou aos lefebvrianos um "preâmbulo doutrinal": a assinatura embaixo desse documento é um passo exigido aos lefebvrianos para a entrada novamente na comunhão com Roma da sua pequena mas influente comunidade integrista.
Não se conhecem os detalhes do "preâmbulo" confiado à Fraternidade São Pio X dos lefebvrianos para um período de estudo e de consulta que deverá durar previsivelmente alguns meses.
Mas é claro que o pivô do confronto gira em torno do Concílio Vaticano II.
A tônica do projeto do Papa e a do manifesto são divergentes. No primeiro caso, volta-se para a Igreja e quer mantê-la na sua atual estrutura e, a partir daí, cumprir melhor sua função. No outro, propõe-se o projeto de Jesus e se pergunta como adequar as estruturas da Igreja a ele. Pontos divergentes que geram leituras diferenciadas. Só o diálogo mostra o limite e a positividade de cada perspectiva. O manifesto acentua: primeiro a liberdade individual e de consciência e a partir dela a fidelidade. A atual disciplina eclesiástica: primeiro a fidelidade à doutrina e à prática e aí dentro a liberdade.
Bento Domingues escreve na sua crónica de hoje (ver aqui), a propósito da liberdade religiosa, condenada por papas ao longo de séculos, mas consagrada no II Concílio do Vaticano: “A cortesia oficial dos documentos eclesiásticos diz sempre, com humor inconfessado, que está a continuar aquilo mesmo que está a modificar: «Este Concílio Vaticano investiga a sagrada tradição e a doutrina da Igreja, das quais tira novos ensinamentos, sempre concordantes com os antigos»” (Dignitatis Humanae, 1).
Tive um professor, que, julgo que citando alguém da sua companhia, dizia: “Não sabemos quando a Igreja vai começar a ordenar mulheres, mas já sabemos como começa o documento que vai instituir a ordenação de mulheres: «Conforme a sagrada tradição e a doutrina da Igreja…».
Anselmo Borges no DN de hoje:
Como reconciliar diferentes visões e modelos de Igreja? O bispo não tem a resposta, mas sabe que "devemos encontrar uma atitude de respeito e reverência pela diferença e diversidade enquanto procuramos uma unidade viva na Igreja".
Penso que a autoridade moral da liderança da Igreja hoje nunca foi tão fraca. Por isso, na minha opinião, é importante que, em vez de dar uma impressão de poder, privilégio e prestígio, a autoridade da Igreja seja experienciada como humilde, procurando o ministério em conjunto com o povo, em ordem a discernir as respostas mais apropriadas e viáveis para questões complexas éticas e morais - uma liderança, portanto, que não presume ter sempre todas as respostas". Palavras fortes e raras de um bispo católico. No caso, Kevin Dowling, de Rustenburg, África do Sul, no contexto de uma reflexão para um grupo de católicos leigos influentes e dentro de uma análise "aberta e honesta" da presente situação da Igreja.
Dowling começou por referir-se a uma celebração de uma missa em latim na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição em Washington, na qual o bispo Edward Slattery usou a esplendente cappa magna, vermelha e com uma cauda de vários metros. Esta manifestação de triunfalismo, numa Igreja despedaçada pelo escândalo dos abusos sexuais, foi "completamente infeliz".
Segundo o bispo de Rustenburg, o que aí aconteceu leva as marcas de uma corte real medieval, que nada tem a ver com uma liderança humilde e de serviço, segundo o modelo de Jesus. Isso é também um símbolo do que tem estado a acontecer na Igreja, especialmente desde o tempo de João Paulo II: o "restauracionismo", "o desmantelamento cuidadosamente planeado da teologia, da eclesiologia, da visão pastoral, do Vaticano II, em ordem a 'restaurar' um modelo mais controlável da Igreja; uma estrutura que agora controla tudo na vida da Igreja, através de uma rede de Congregações do Vaticano, presididas por cardeais que asseguram a conformidade estrita com o que eles julgam ser 'ortodoxo'". Quem não está de acordo enfrenta a censura e o castigo.
Há uma tentativa de voltar atrás em relação ao Vaticano II. Esquecendo que foi um Concílio ecuménico, portanto, um exercício solene de magistério da Igreja, cujos princípios e ensinamentos devem ser seguidos e implementados por todos, pretende-se que um conjunto de decretos, pronunciamentos e decisões posteriores tenham mais força, apesar de não passarem de opiniões e interpretações de quem tem poder no Vaticano. É assim que questões como as do celibato dos padres ou da ordenação das mulheres são retiradas até da possibilidade de discussão.
O bispo percebe a existência de grupos e organizações conservadores, no quadro de uma Igreja mais receosa e mais voltada para dentro. Mas também pergunta: quem é que hoje "lá fora" ainda ouve, aprecia e se sente desafiado pela liderança da Igreja? E acusa a "mística" que rodeia a figura do Papa nos últimos 30 anos, que faz com que "a mínima crítica ou questionamento da sua política, do seu modo de pensar, do seu exercício de autoridade, etc., sejam identificados como deslealdade".
A doutrina social católica assenta nos seguintes princípios: "o bem comum, a solidariedade, a opção pelos pobres, a subsidiariedade, o destino comum dos bens, a integridade da criação, o centramento nas pessoas", que se baseiam e seguem o Evangelho.
Estes princípios deveriam "capacitar-nos enquanto Igreja para criticar construtivamente todos os sistemas e políticas sócio-político-económicos", especificamente a partir dos seus efeitos sobre os mais pobres e vulneráveis. Mas, cá está: para poder criticar, a autoridade da Igreja deve estar também disposta a submeter-se à crítica e seguir ela própria os princípios que prega.
O princípio de subsidiariedade deixou de aplicar-se na vida da Igreja por causa da centralização das decisões no Vaticano e "a ortodoxia é cada vez mais identificada com opiniões e perspectivas conservadoras, seguindo-se daí que o que cheira a 'liberal' é suspeito e não ortodoxo".
Como reconciliar diferentes visões e modelos de Igreja? O bispo não tem a resposta, mas sabe que "devemos encontrar uma atitude de respeito e reverência pela diferença e diversidade enquanto procuramos uma unidade viva na Igreja".
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...