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domingo, 7 de outubro de 2012

Música e iluminuras da nova Doutora da Igreja



Bento XVI declarou hoje que Hildegarda de Bingen é Doutora da Igreja. A quarta, depois de Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux e Catarina de Sena.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lutero e Teresa de Lisieux no paraíso

"A Reforma foi hostil às imagens. Sem ser iconoclasta, Lutero desconfiava das representações paradisíacas – permanecendo aberto em relação à música. O luteranismo fomentou, pois, uma interiorização do paraíso e reconciliou-se com uma tradição mística antiga, da qual também se encontram ecos na época contemporânea, nos escritos de Teresa de Lisieux: Lutero e a santa de Lisieux falaram a mesma linguagem, a da interioridade. Para eles, o paraíso está, em primeiro lugar, no interior de si, ainda que se possa passar a vida a procurá-lo sem o encontrar. Interiorizado, ele é forçosamente indizível e irrepresentável. Mas a convicção de que há uma felicidade possível, escondida em cada coração humano, é uma constante do cristianismo, que a partilha com outras religiões".

Jean Delumeau in "A mais bela história da felicidade", pág. 71

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Relíquias 5 - O estranho fascínio por Santa Teresinha

Fila para ver as relíquias da santa francesa na Catedral de York

Esta aparente fixação nas relíquias, que é uma curiosidade antiga, deve-se a dois motivos.

O primeiro, mais recente, é a edição em português do “A vertigem das listas”, de Umberto Eco. Livros com este, que é um livro de muitos livros, fazem pensar que nunca a Internet, a electrónica e seus derivados acabarão com a edição impressa de livros. À falta de adjectivos que digam o espanto com que o folheio, saiba-se que ele tem controlado o meu tempo para lá das estritas obrigações profissionais e familiares. É um livro esponja. Absorve tudo.

O segundo prende-se com a visita das relíquias de Santa Teresinha a Inglaterra e Gales. O facto não foi referido na imprensa portuguesa generalista, nem tal merecia, por si mesmo, mas talvez não devesse ter sido ignorado pela imprensa católica lusa.

Ora, em Inglaterra, as relíquias de Santa Teresinha (ou Teresa de Lisieux, ou Teresa do Menino Jesus) fizeram o que fazem em qualquer outro país por onde passam (Portugal inclusive, em 2006): arrastam multidões. Diz-se que provocam conversões, mas isso é difícil de contabilizar. Já as multidões notam-se.

Em Inglaterra, as relíquias visitaram pela primeira vez uma igreja não-católica, em York, e provocaram filas de horas em York e Oxford e em mais 26 cidades, de Cardiff, a Manchester, de Birmingham a Portsmouth. São os exemplos que refere a BBC: em York, onde as relíquias estiveram 18 horas, a catedral esteve aberta pela noite dentro, de modo a que pudessem venerá-las – ou simplesmente vê-las; visitaram uma prisão londrina (como em Portugal, com presidiários a transportarem o relicário).

As relíquias terminaram o “tour” em Westminster, onde passaram 2000 fiéis por hora. Os serviços da catedral prepararam cerca de 100.000 velas e 50.000 rosas. A digressão inglesa terminou no dia 15 de Outubro. Foto-reportagem da BBC, no dia 13 de Outubro, aqui.

(Foi Fernando Correia de Oliveira, da Estação Cronográfica, que me deu a notícia, por na altura estar em Inglaterra. Agradeço-lhe.)

domingo, 18 de outubro de 2009

Outubro, Teresa, Missões

Teresa numa peça em que fez de Joana d'Arc

Porquê o Dia Mundial das Missões em Outubro? Porque Outubro começa sob o signo da Padroeira das Missões. Santa Teresa do Menino Jesus, também conhecida por Santa Teresinha, ou Teresa de Lisieux, morreu num dia 30 de Setembro, 1897. Mas o seu dia comemora-se a 1 de Outubro (30 de Setembro já estava tomado por São Jerónimo).

Teresa nunca pôs um pé em África ou noutra qualquer terra tradicionalmente de missão. Na verdade, era carmelita e nunca saiu do convento. Entrou para o convento aos 15 anos e morreu aos 24.

Pio XI declarou-a padroeira das missões. Fê-lo em 1925. Santa Teresinha foi uma autêntica missionária. Queria ser. Queria muito ter um irmão padre e um dia recebe o pedido de oração de dois missionários. E escreve: “O meu desejo, satisfeito de uma maneira inesperada, fez nascer no meu coração uma alegria, que chamarei infantil, porque é preciso regressar aos dias da minha infância para encontrar a lembrança dessas alegrias tão vivas”.

Por outro lado, e este talvez seja o aspecto mais importante, a oração pelas missões esteve sempre presente no espírito e nas horas de Teresa. Ela rezava para que - cito - “as almas fossem salvas”. É uma linguagem do passado, mas que quer dizer, sem dúvida, “para que as pessoas sejam conduzidas a Deus, para que possam viver melhor, em todas as circunstâncias”.

Outro aspecto da missão de Teresa. Morreu a dizer: "... Minha missão vai começar, minha missão de fazer amado o Bom Deus como eu o amo”. As frases citadas provêm da “História de uma Alma”.

[Até que ponto a nossa linguagem, mesmo para quem se identifica profundamente com a Igreja católica, tem algo em comum com a do séc. XIX? Como rezar pelas missões e pelos missionários sem parecer eurocêntrico, ocidentalocêntrico? Como falar em “salvar a alma”, quando na linguagem comum, mesmo no catolicismo, se omite alma, salvação, redenção, Deus e perdição? E como falar disso sem parecer ridículo? Sendo sério? Com os pés bem assentes neste mundo?]

Clássicos 22: “História de uma alma”, de Teresa de Lisieux

(Primeiro parágrafo:) “É a vós, minha querida Madre, a vós que sois duas vezes minha mãe, que venho confiar a história da minha alma…”

História de uma alma | Teresa de Lisieux | Edições Carmelo, 320 páginas

Teresa de Lisieux (1873-1897) escreveu a sua autobiografia espiritual porque a superiora do convento lhe pediu. Hoje, ler a autobiografia, primeiro, gera perplexidade, depois, encanto. Perplexidade por causa da sinceridade a roçar a ingenuidade de quem escreve. Encanto porque nessa sinceridade quase infantil está o fundamental cristão. Lembro hoje este livro porque Santa Teresinha é padroeira das missões. A Igreja celebra hoje o Dia Mundial das Missões.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...