Jost Bürgi nasceu a 28 de Fevereiro de 1552, na aldeia de Lichtensteig, de que o avô era ferreiro e administrador de uns 400 habitantes, na região suíça de Toggenburg. Numa Europa varrida pelos ventos da Reforma, descendente de família católica, possivelmente dividido de sentimentos, Bürgi emigrou cedo, não se sabendo ao certo onde terá aprendido o ofício de relojoeiro, depreendendo-se que a arte metalúrgica lhe veio de casa. Terá passado por Nuremberga, Augsburg, Cremona, na altura grandes centros relojoeiros.
…
Guilherme IV, em carta de 14 de Abril de 1586, dirigida ao maior astrónomo da altura, Tyhco Brahe, fala-lhe de um relógio extraordinário, muito preciso, que Bürgi tinha construído no ano anterior e que, pela primeira vez tinha, além dos ponteiros das horas e dos minutos, um indicando os segundos, e que acumulava um erro de menos de um minuto em 24 horas. O landgrave estava maravilhado com o suíço, que tinha “a capacidade de inovação de um segundo Arquimedes”, traduzida no “pars minuta secunda” da nova máquina de medir o tempo.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
História do homem que nos possibilitou viver cada segundo
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Bento XV ou como a pontualidade fez antecipar a morte
O Papa Bento XV, aquele que qualificou a I Guerra Mundial de “massacre inútil”, gostava de pontualidade, esse dom tão pouco apreciado em Portugal. Gostava tanto que um dia ofereceu relógios aos seus colaboradores:
Toma, pega nisso. Assim não terás mais desculpas para chegar atrasado.Num escrito papal de 1915, pode-se ler:
Um bom relógio pode ajudar-nos a sermos exactos e a estarmos preparados para qualquer compromisso, sem perder tempo com antecipações inúteis, nem tampouco parecer descorteses com atrasos injustificados.Mas foi precisamente a pontualidade que esteve na origem da sua morte. No dia 17 de Novembro de 1921, teve que esperar durante alguns minutos o guarda que lhe abriria a porta para entrar na Basílica de São Pedro através da Sala do Sacramento. A breve espera ao frio constipou-o. Mais tarde, adoeceu com bronquite, doença que o levou ao túmulo, no dia 22 de Janeiro de 1922.
Lido aqui.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Três macacos no santuário do relógio levado pelos missionários
Textos dos leitores: Os relógios de Francisco Xavier
XAVIER, São Francisco
Em 1551, aquando da sua chegada ao Japão, o missionário levava, entre vários presentes para impressionar os senhores locais, um relógio, que adquirira em Macau. A técnica de usar os relógios para “abrir portas” junto dos poderosos nipónicos é semelhante à usada na China. Uma célebre delegação de jovens príncipes japoneses à Europa, para visitar o papa (e que passou por Lisboa, numa altura em que Portugal já tinha perdido a independência para Espanha), levou consigo no regresso um relógio para o shogun (chefe militar, a verdadeira sede do poder no Japão feudal), Toyotomi Hideyoshi. Outros relógios mecânicos se seguiram, quase sempre através do Padroado Português do Oriente ou, o que queria dizer quase o mesmo, dos jesuítas. O mais antigo relógio existente no Japão é um oferecido por essa altura pelo monarca peninsular, Felipe II, ao shogun Tokugawa Ieyasu – encontra-se actualmente no santuário de Toshogu, no monte Kuno, Prefeitura de Shizuoka.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Como suspender o tempo
“Imagine que, a meio de um dia de trabalho, recebe a visita de alguém que lhe é caro – os filhos, por exemplo. Para eles, o tempo pode ser suspenso. Com uma pressão num botão, os ponteiros das horas e dos minutos «recolhem-se» em módulo de «tempo suspenso», numa posição às 12 horas, enquanto o ponteiro da data desaparece. E a sua dedicação às crianças é total. Quando a visita acaba, basta pressionar de novo um botão, e os ponteiros das horas e dos minutos recuperam o tempo que tinha estado suspendo, indo ocupar as posições normais, como se o relógio nunca tivesse sido «parado»”.
“Uma palavra inglesa, indulgence, tem em português a correspondente «indulgência». O étimo é comum (do Latim, indulgere, conceder), mas os significados não podiam ser mais distantes. Enquanto a indulgência lusa nos faz lembrar Igreja, a compra do perdão dos pecados, revolta Protestante; a indulgence inglesa é sibatírica, hedonista. Em tempos como estes, indulge yourself!”
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Bíblia de Abrabanel e como os jesuítas portugueses levaram o relógio para a China
Fernando Correia de Oliveira sugere-me que veja a Bíblia de Abrabanel, no Rerum Natura. Aqui. "Nesta Bíblia judaica do século XV, guardada na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, alguns versículos aparecem em microcaligrafia numa decoração labiríntica..." Leiam-se também os comentários, incluindo aquele que diz que a primeira imagem está de pernas para o ar (copiei-a para este blogue correctamente).
Já agora, de FCO, veja-se o texto sobre o papel dos jesuítas portugueses na introdução do relógio mecânico na China. Ligações aqui.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Uma Bíblia com tecnologia avançada
O Scriptorum acima representado, além de uma esfera armilar, um sextante e um astrolábio, tem pendurado na parede um pequeno relógio mecânico, aparentemente de pesos, com mostrador de horas ditas Romanas e sino para as assinalar.
O contrato para a execução da Bíblia dos Jerónimos foi feito em 1494, numa altura em que os relógios de parede do tipo que aparece na iluminura já são de uso corrente nas comunidades religiosas.
sábado, 28 de novembro de 2009
Revista de Blogues
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Este é o relógio do Papa
O Papa tem guarda suíça. E os relógios? Também são suíços? Não. São alemães. Pelo menos um.
Perguntei a Fernando Correia de Oliveira, do blogue Estação Cronográfica, provavelmente o maior especialista nacional em cronógrafos, e mostrou-me que a resposta já tinha sido dada (aqui).
“O Papa pode usar sapatos vermelhos Prada (por muito desmentido que haja, o mito urbano prevalece). Mas, no pulso, passa a usar desde há dias um relógio fabricado no seu país natal, a Alemanha.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
-
Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
-
O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
-
Karl Rahner Quem acompanha este blogue sabe que tem andado por aqui e aqui uma discussão sobre o diabo e outras questões diabólicas. ...