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sábado, 4 de fevereiro de 2012

História do homem que nos possibilitou viver cada segundo



A história de Jost Bürgi, o homem que criou o primeiro relógio com a indicação dos segundos, é contada no Estação Cronográfica. Pelo meio aprendemos mais sobre o tempo, as torres das igrejas e a evolução da astronomia.
Jost Bürgi nasceu a 28 de Fevereiro de 1552, na aldeia de Lichtensteig, de que o avô era ferreiro e administrador de uns 400 habitantes, na região suíça de Toggenburg. Numa Europa varrida pelos ventos da Reforma, descendente de família católica, possivelmente dividido de sentimentos, Bürgi emigrou cedo, não se sabendo ao certo onde terá aprendido o ofício de relojoeiro, depreendendo-se que a arte metalúrgica lhe veio de casa. Terá passado por Nuremberga, Augsburg, Cremona, na altura grandes centros relojoeiros.

Guilherme IV, em carta de 14 de Abril de 1586, dirigida ao maior astrónomo da altura, Tyhco Brahe, fala-lhe de um relógio extraordinário, muito preciso, que Bürgi tinha construído no ano anterior e que, pela primeira vez tinha, além dos ponteiros das horas e dos minutos, um indicando os segundos, e que acumulava um erro de menos de um minuto em 24 horas. O landgrave estava maravilhado com o suíço, que tinha “a capacidade de inovação de um segundo Arquimedes”, traduzida no “pars minuta secunda” da nova máquina de medir o tempo.
Bürgi morreu no dia 31 de janeiro de 1631, a 2.419.200 segundos de fazer 80 anos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bento XV ou como a pontualidade fez antecipar a morte



O Papa Bento XV, aquele que qualificou a I Guerra Mundial de “massacre inútil”,  gostava de pontualidade, esse dom tão pouco apreciado em Portugal. Gostava tanto que um dia ofereceu relógios aos seus colaboradores:
Toma, pega nisso. Assim não terás mais desculpas para chegar atrasado.
Num escrito papal de 1915, pode-se ler:
Um bom relógio pode ajudar-nos a sermos exactos e a estarmos preparados para qualquer compromisso, sem perder tempo com antecipações inúteis, nem tampouco parecer descorteses com atrasos injustificados.
Mas foi precisamente a pontualidade que esteve na origem da sua morte. No dia 17 de Novembro de 1921, teve que esperar durante alguns minutos o guarda que lhe abriria a porta para entrar na Basílica de São Pedro através da Sala do Sacramento. A breve espera ao frio constipou-o. Mais tarde, adoeceu com bronquite, doença que o levou ao túmulo, no dia 22 de Janeiro de 1922.


Lido aqui.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Três macacos no santuário do relógio levado pelos missionários


 Os três macacos sábios...

...no Santuário de Toshogu

Para quem sabe o que procura, mas também para quem espera ser surpreendido, a Internet proporciona frequentes encontros agradáveis.

Ao procurar algo o mais antigo relógio do Japão, oferecido por Filipe II ao shogun Tokugawa Ieyasu, não dei com o relógio, mas com o santuário de Toshogu, onde está a peça, segundo as indicações de Fernando Correia de Oliveira (aqui), e os célebres “três macacos”.

Kikazaru (cobre as orelhas), Iwazaru (cobre a boca) e Mizaru (cobre os olhos) são um símbolo de sabedoria, pois significam, respectivamente, “aquele que não ouve o mal”, “o que não diz o mal” e o que “não vê o mal”. No Ocidente, são frequentemente interpretados como símbolo de alheamento, não envolvimento, segredo.

Textos dos leitores: Os relógios de Francisco Xavier

Há dias lembrei aqui a chegada de Francisco Xavier ao Japão, onde esteve de Julho de 1549 a Dezembro de 1551. Fernando Correia de Oliveira (do blogue Estação Cronográfica) deixou na caixa dos comentários, na altura, um texto do seu livro “Relógios e Relojoeiros - Quem É Quem no Tempo em Portugal” (Âncora, 2007). Recupero a nota histórica que surge na letra X:

Shogun Tokugawa Ieyasu
XAVIER, São Francisco
Em 1551, aquando da sua chegada ao Japão, o missionário levava, entre vários presentes para impressionar os senhores locais, um relógio, que adquirira em Macau. A técnica de usar os relógios para “abrir portas” junto dos poderosos nipónicos é semelhante à usada na China. Uma célebre delegação de jovens príncipes japoneses à Europa, para visitar o papa (e que passou por Lisboa, numa altura em que Portugal já tinha perdido a independência para Espanha), levou consigo no regresso um relógio para o shogun (chefe militar, a verdadeira sede do poder no Japão feudal), Toyotomi Hideyoshi. Outros relógios mecânicos se seguiram, quase sempre através do Padroado Português do Oriente ou, o que queria dizer quase o mesmo, dos jesuítas. O mais antigo relógio existente no Japão é um oferecido por essa altura pelo monarca peninsular, Felipe II, ao shogun Tokugawa Ieyasu – encontra-se actualmente no santuário de Toshogu, no monte Kuno, Prefeitura de Shizuoka.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Como suspender o tempo

As ligações entre o tempo e o divino são frequentes. O tempo é a primeira criatura de Deus. E será a última a desaparecer no fim… dos tempos. Até já se disse que “Deus é o relojoeiro”. Cego para uns; providente, logo atento, para outros. Superar o tempo é entrar na dimensão divina. Mesmo que Deus seja “íntimo à realidade”.
Nós não somos os senhores do tempo. Mas hoje fiquei a saber podemos ter algum poder sobre o tempo. O nosso tempinho.
O suplemento “Cronos – Pilares do tempo”, no “Público” de hoje, fala em “milagre da suspensão do tempo”. E este tipo de milagres (ver post anterior) aceito de coração mais aberto. Trata-se de um relógio, um Hermès, modelo Arceau Temps Suspendu, que, com um toque, recolhe os ponteiros para as 12 horas.
“Imagine que, a meio de um dia de trabalho, recebe a visita de alguém que lhe é caro – os filhos, por exemplo. Para eles, o tempo pode ser suspenso. Com uma pressão num botão, os ponteiros das horas e dos minutos «recolhem-se» em módulo de «tempo suspenso», numa posição às 12 horas, enquanto o ponteiro da data desaparece. E a sua dedicação às crianças é total. Quando a visita acaba, basta pressionar de novo um botão, e os ponteiros das horas e dos minutos recuperam o tempo que tinha estado suspendo, indo ocupar as posições normais, como se o relógio nunca tivesse sido «parado»”.
Uma versão mais longa do texto foi já publicada no blogue Estação Cronográfica, aqui, de onde tirei a imagem (clique para ver melhor a maravilha).
Fernando Correia de Oliveira, autor do blogue e responsável pela publicação, escreve no editorial que em tempos de crise e depressão colectiva temos de ser indulgentes connosco próprios. Aqui fica o apontamento, que encerra um contributo para a cultura religiosa:
“Uma palavra inglesa, indulgence, tem em português a correspondente «indulgência». O étimo é comum (do Latim, indulgere, conceder), mas os significados não podiam ser mais distantes. Enquanto a indulgência lusa nos faz lembrar Igreja, a compra do perdão dos pecados, revolta Protestante; a indulgence inglesa é sibatírica, hedonista. Em tempos como estes, indulge yourself!”
Gostava de ser indulgente comigo e ter uma daquelas maravilhas que pára o tempo. Mas, pela descrição, é muito cara a máquina da suspensão do tempo. Se tempo é dinheiro, não tempo é ainda mais dinheiro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Bíblia de Abrabanel e como os jesuítas portugueses levaram o relógio para a China


Fernando Correia de Oliveira sugere-me que veja a Bíblia de Abrabanel, no Rerum Natura. Aqui. "Nesta Bíblia judaica do século XV, guardada na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, alguns versículos aparecem em microcaligrafia numa decoração labiríntica..." Leiam-se também os comentários, incluindo aquele que diz que a primeira imagem está de pernas para o ar (copiei-a para este blogue correctamente).
Já agora, de FCO, veja-se o texto sobre o papel dos jesuítas portugueses na introdução do relógio mecânico na China. Ligações aqui.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Uma Bíblia com tecnologia avançada

Scriptorium (clicar para aumentar)

Fernando Correia de Oliveira, da Estação Cronográfica, comentou uma das imagens da Bíblia dos Jerónimos. Vale a pena dar destaque à imagem e ao comentário.

A Bíblia dos Jerónimos tem interessante iconografia que interessa à História da Ciência. Nas cenas de Scriptorium (...), surgem vários instrumentos científicos, nomeadamente relógios mecânicos (neste caso, em dissonância com a data a que as figuras dizem respeito, mas em consonância com a data em que as iluminuras foram feitas).

O Scriptorum acima representado, além de uma esfera armilar, um sextante e um astrolábio, tem pendurado na parede um pequeno relógio mecânico, aparentemente de pesos, com mostrador de horas ditas Romanas e sino para as assinalar.

Como se sabe, a relojoaria mecânica - de torre - apareceu primeiro nas comunidades religiosas ocidentais, que queriam ter um medidor exacto de tempo para os seus ritmos de oração.

No tempo de Nicolau de Lyra (1270-1349), já havia relógios de torre mas não de parede.
O contrato para a execução da Bíblia dos Jerónimos foi feito em 1494, numa altura em que os relógios de parede do tipo que aparece na iluminura já são de uso corrente nas comunidades religiosas.


Fernando Correia de Oliveira

Nota: Nicolau de Lyra, exegeta franciscano, professor em Paris, é o comentador desta Bíblia.

sábado, 28 de novembro de 2009

Revista de Blogues

O Estação Cronográfica fala do Frei João da Comenda, um irmão leigo franciscano, o primeiro relojoeiro português.

"A pista da semana é pois Orgens e sua capela franciscana, onde está o mais antigo relógio de torre português que se conhece". Orgens fica perto de Viseu. Ler mais aqui.

O Rerum Natura, além de muitos bons textos sobre ciência, embora por vezes numa perspectiva que este blogue gostaria de contrariar (a da irrelevância da religião perante as ciências naturais), dá exemplos de como a criatividade (promovida por uma marca de automóveis) pode mudar o comportamento das pessoas, aqui.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Este é o relógio do Papa

O Papa tem guarda suíça. E os relógios? Também são suíços? Não. São alemães. Pelo menos um.

Perguntei a Fernando Correia de Oliveira, do blogue Estação Cronográfica, provavelmente o maior especialista nacional em cronógrafos, e mostrou-me que a resposta já tinha sido dada (aqui).

“O Papa pode usar sapatos vermelhos Prada (por muito desmentido que haja, o mito urbano prevalece). Mas, no pulso, passa a usar desde há dias um relógio fabricado no seu país natal, a Alemanha.

O deputado democrata-cristão e presidente da bancada CDU/CSU no Bundestag, Volker Kauder, ofereceu recentemente ao Papa Bento XVI um relógio de pulso Erhard Junghans, manufactura na Floresta Negra, instalada na circunscrição do político desde a sua fundação, em 1861.

Trata-se de um Erhard Junghans Tempus Automatic, com o fundo gravado, recordando a audiência privada concedida pelo Papa ao seu compatriota. Com caixa em aço, de 42 mm, o relógio tem calibre automático, com decoração Côtes de Genève. E Bento XVI pode ir com ele para a piscina, na sua casa de campo, em Castel Gandolfo: é estanque até 30 metros”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...