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quinta-feira, 11 de maio de 2017
O sr. é mesmo jesuítico
Li na revista "Ler" desta primavera que José Sócrates "acusou Cavaco de ser «jesuítico»". Passou na TV, mas não vi. Cito o texto de BVA: "Perante a sua própria perplexidade, tratou logo de esclarecer que dizia jesuítico não no sentido neutro de «relativo aos jesuítas» e ao seu fundador, Santo Inácio de Loiola, mas no sentido figurado e popular de «maldoso» (palavra utilizada por Sócrates)". Fim de citação. Registado.
domingo, 28 de agosto de 2016
O céu somos nós
Lido no Público de hoje:
(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.
(...) Quer o Bloco quer o PCP souberam embrulhar o seu apoio numa teoria. A teoria do mal menor. O Governo é o governo do PS marialva, pequeno-burguês de fachada socialista, fiel ao défice e aos compromissos da dívida. É o purgatório, mas o PSD e o CDS são piores. São o inferno.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
domingo, 15 de junho de 2014
Anselmo Borges: "Jerusalém e Roma"
Já temos pás. Falta a paz
Artigo de Anselmo Borges no DN de ontem:
1 A política está em tudo mas não é tudo. A oração também pode ser força política. E condição essencial para a paz é a conversão interior, do coração. Por outro lado, a História não está pré-escrita em parte alguma e, por isso, é preciso construí-la e ao mesmo tempo ter a capacidade de se deixar surpreender por ela. Cá está: quem poderia supor há apenas um mês que seria possível o Presidente de Israel, Shimon Peres, e o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, encontrarem-se no Vaticano para rezar? Mas o inesperado, o que se diria impossível, aconteceu.
Na sua visita à Jordânia, à Palestina e a Israel, inesperadamente, o Papa Francisco desafiou os dois presidentes para um encontro na "sua casa", no Vaticano, para rezarem pela paz. E essa oração histórica ocorreu nos jardins do Vaticano, no domingo passado, dia 8, com a presença de um quarto convidado, o patriarca ortodoxo Bartolomeu, de Constantinopla. O abraço dos dois líderes, palestiniano e israelita, com o Papa como testemunha, fica para a História. "Que Deus te abençoe!", disse Peres a Abbas, saudando-o. E Francisco: "Sim ao diálogo e não à violência; sim à negociação e não à hostilidade; sim ao respeito pelos pactos e não às provocações. Senhor, desarma a língua e as mãos, renova os corações e as mentes: Shalom, paz, salam".
Após um breve intróito musical, seguiu-se a oração. No centro, Abbas, Francisco e Peres, à esquerda, Bartolomeu. De um lado e de outro, representantes das três religiões abraâmicas, também ditas monoteístas, proféticas e do Livro, e dos governos palestiniano e israelita. Por ordem histórica, a primeira oração coube aos judeus, seguindo-se os cristãos e os muçulmanos. Louvou-se a Deus pela Criação, pediu-se perdão pelos pecados, ergueram-se súplicas pela paz entre judeus e palestinianos, na Terra Santa, em todo o Médio Oriente, para toda a humanidade. No fim, um novo abraço e um gesto simbólico: os quatro líderes plantaram uma oliveira. A paz "não será fácil, mas lutaremos por ela no tempo que nos resta de vida".
2 Se, como escreveu a grande filósofa Hannah Arendt, também a economia é um problema teológico, eu diria que a Palestina o é muito mais. Para quem quiser aprofundar a questão, pode ler as duas obras monumentais do teólogo Hans Küng: O Judaísmo e O Islão.
Como é sabido, em 29 de novembro de 1947, por maioria sólida e com o beneplácito dos Estados Unidos e da antiga União Soviética, as Nações Unidas aprovaram a divisão da Palestina em dois Estados: um Estado árabe e um Estado judaico, com fronteiras claras, a união económica entre os dois e a internacionalização de Jerusalém sob a administração das Nações Unidas. Note-se que, apesar de a população árabe ser quase o dobro e os judeus estarem então na posse de 10% do território, ficariam com 55% da Palestina.
O mundo árabe rejeitou a divisão. Mas, à distância, mesmo admitindo a injustiça da partilha e as suas consequências - é preciso pensar na fuga e na expulsão dos palestinianos -, considera-se que a recusa árabe foi "um erro fatal" (Küng). Aliás, isso é reconhecido hoje também pelos palestinianos, pois acabaram por perder a criação de um Estado próprio soberano pelo qual lutam.
Como se tornou claro, a guerra não gera a paz, que só pode chegar mediante o diálogo, a diplomacia, cedências mútuas, com dois pressupostos fundamentais: o reconhecimento pelos Estados árabes e pelos palestinianos do Estado de Israel e o reconhecimento por parte de Israel de um Estado palestiniano viável, soberano e independente. E Jerusalém: internacionalizada?
O conflito do Médio Oriente é sobretudo político. Mas lá não haverá paz enquanto os membros das três religiões monoteístas, que se reclamam de Abraão, se não tornarem politicamente activos, impedindo o fanatismo religioso. Com base nos seus livros sagrados - Bíblia hebraica, Novo Testamento, Alcorão -, judeus, cristãos e muçulmanos devem reconhecer-se mutuamente e lutar a favor da paz. Esta é a mensagem de Roma para Jerusalém.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Anselmo Borges: "Mandela: o milagre do perdão"
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.
Ainda se pode dizer algo que não tenha já sido dito sobre Nelson Mandela, perante quem o mundo todo se inclinou, em sinal de respeito e veneração, aquando da sua morte a 5 de Dezembro passado, aos 95 anos? Já antes também.
Estive várias vezes na África do Sul, ainda no tempo do apartheid. Ainda vi, por exemplo, em bancos de jardim ou indicação de praia, a ordem: "Whites only" (só para brancos). Se pude visitar o Soweto, foi porque o afável bispo católico de Joanesburgo, que não era racista, pediu ao pároco negro que me acompanhasse. E foi com muita simpatia que me receberam.
Muitas vezes me perguntei como é que aquela ignomínia iria acabar. Seria possível sem um banho de sangue? Foi possível. Pacificamente, abriu-se o caminho para a democracia no quadro da coexistência racial. Isso deveu-se certamente também à inteligência política do presidente De Klerk, no novo contexto criado pela queda do muro de Berlim. Mas, para evitar a tragédia, o espírito e a acção de Mandela foram determinantes. Afinal, tudo está naquele gesto de apertar a mão aos carcereiros e convidá-los para o banquete de inauguração da nova presidência da "nação arco-íris". É necessário caminhar com a utopia, que nos diz, por um lado, o que não pode ser, porque intolerável, e, por outro, nos indica o caminho do para onde se deve ir.
Mandela percebera que os seus carcereiros eram seres humanos habitados pelo medo. Ora, o medo é do pior que há. O medo tolhe a razão e a capacidade de pensar. É preciso ter medo de quem tem medo, de tal modo que a primeira libertação tem de ser a libertação do medo. Também e sobretudo no universo da religião. Aterrados pelo medo de Deus, homens e mulheres que se julgam religiosos caminham fatalmente para desgraças tenebrosas. Por isso, a Bíblia é atravessada pela compreensão histórica lenta, que culmina em Jesus, através da sua experiência, palavras e acções, de que a única tentativa de "definir" Deus é (está em São João): Ho theós agapê estín (Deus é amor incondicional, Deus é Força infinita de criar e só sabe amar).
Mandela era cristão. Por isso, sabia que se deve perdoar aos inimigos. Pelo Evangelho, também sabia que os romanos enquanto potência de ocupação podiam obrigar um judeu a transportar a bagagem na distância de uma milha, sendo neste contexto que se percebe o que Jesus diz: "Faz uma segunda milha de livre vontade." Talvez o romano começasse a conversar, e quem sabe se não acabariam por beber um copo juntos? A reconciliação, a solução pacífica dos conflitos é preferível à violência e à guerra. E Jesus, do alto da cruz, rezou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem."
De qualquer modo, o perdão é um milagre, também em política. Jürgen Habermas, agnóstico, talvez o maior filósofo vivo, que quereria uma filosofia que herdasse, num processo de secularização mediante a razão comunicativa, os conteúdos semânticos da religião e a sua força, reconheceu que há um resto na religião não herdável pela simples razão. Disse-o num discurso famoso, por ocasião da recepção do prémio da paz dos livreiros alemães e já depois dos acontecimentos trágicos do 11 de Setembro de 2001. Esse resto tem que ver nomeadamente com o drama do perdão.
O perdão, em última análise, já não pertence à ordem do jurídico nem do político. No perdão do imperdoável, é a razão humana enquanto capacidade do cálculo que é superada, pois nem o algoz tem direito ao perdão nem a vítima é obrigada a perdoar. Como escreveu o filósofo Jacques Derrida, perdoar o imperdoável aponta para algo que está para lá da imanência, "qualquer coisa de trans-humano": "na ideia do perdão, há a da transcendência", pois realiza-se um gesto que já não está ao nível da imanência humana. Aí, começa o domínio da religião. "A partir desta ideia do impossível, deste "desejo" ou deste "pensamento" do perdão, deste pensamento do desconhecido e do transfenomenal, pode muito bem tentar-se uma génese do religioso."
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
El comandante
A notícia diz que o...
Governo da Venezuela proíbe notícias sobre escassez de bens
Mas eu olhei foi para a imagem que tem um Senhor que querem fazê-lo "dos exércitos". Só que ele, como mostra a imagem, não é "dos exércitos". É "das vítimas".
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Manuel Alegre gosta do Papa Francisco. Até ver.
O Papa é o "único" líder mundial "a dizer aquilo que deve ser dito", diz Manuel Alegre. Já a estátua do cónego Melo, em Braga, não deveria ter sido erguida. Li aqui.
domingo, 22 de setembro de 2013
Anselmo Borges: "O que pensa Francisco: 5. sobre a política"
Texto de Anselmo Borges no DN de ontem:
O Papa Francisco não é ingénuo em relação aos políticos e ao poder, sobretudo nas mãos de medíocres. Ainda cardeal de Buenos Aires, contava uma piada. "Uma pessoa aparecia a correr a pedir socorro. Quem o perseguia? Um assassino? Um ladrão? Não..., um medíocre com poder. É verdade: pobres dos que estão sob o domínio do medíocre. Quando um medíocre acredita e lhe dão um pouco de poder, pobres dos que estão sob a sua alçada.O meu pai dizia-me sempre: "Cumprimenta as pessoas quando fores subindo, porque irás encontrá-las quando vieres a descer. Não duvides"."
No entanto, somos todos animais políticos. Já Papa, respondeu a uma pergunta sobre a formação dos jovens: "Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Enquanto cristãos não podemos lavar as mãos como Pilatos. Temos de nos meter na política, porque a política é uma das formas mais altas da caridade, pois procura o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu pergunto: "Está suja porquê?" Porque os cristãos não se meteram nela com espírito evangélico? É uma pergunta que eu faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros... Mas eu, o que é que faço? Isto é um dever! Trabalhar para o bem comum é um dever para um cristão."
Então, o que se passa para que a política se tenha tornado suja? Os políticos pensam mais nos seus interesses e nos dos partidos do que no bem comum. E "todos temos tendência para ser subornáveis". Quando um agente da polícia manda parar um automobilista por excesso de velocidade, "é provável que a primeira frase a ouvir--se seja esta: "Como podemos resolver o assunto?" Faz parte da nossa natureza, temos de lutar contra esta tendência para a recomendação, para a cunha, para nos porem em primeiro lugar na lista." E há a tendência para "o pecado do carreirismo". E há a desinformação: "Hoje, cada órgão de comunicação social monta algo diferente com dois ou três dados: desinforma." E hoje importa mais a imagem do que as propostas políticas: "Já Platão dizia, em A República, que a retórica está para a política como a cosmética para a saúde." Isto é "um pecado contra a cidadania". Vivemos numa sociedade de sofistas, na qual as pessoas gostam de ser enganadas por discursos belos e falazes.
O cardeal acrescentava que a sua família materna é do lado radical e lembrava as conversas do avô, carpinteiro, com o senhor Elpidio, vendedor de anilinas. Afinal, tratava-se de Elpidio González, que fora vice-presidente da nação. "Ficou-me gravada a imagem desse antigo vice--presidente que ganhava a vida como vendedor. É uma imagem de honestidade."
É preciso trazer a ética para a política: urge reabilitá-la. Precisamente porque "o amor social se expressa na actividade política para o bem comum", é "necessário reverter o seu desprestígio". Essencial é o diálogo: "Diálogo, diálogo, diálogo." O poder tem a sua legitimação última no serviço do bem comum.
E a Igreja? Deve anunciar e promover os valores e denunciar as injustiças e a violação dos direitos humanos: aí, o padre ou o bispo estão "a profetizar, a exortar, a catequizar a partir do púlpito". Isto é política com maiúscula. "O religioso tem a obrigação de definir os valores, as linhas de comportamento, da educação." "O risco que os padres e os bispos devem evitar é o de caírem no clericalismo, que é uma posição viciada do religioso." "A Igreja defende a autonomia das questões humanas", não lhe competindo, por exemplo, pronunciar-se sobre como o médico deve fazer uma operação. Na política, é preciso respeitar uma "laicidade saudável", que respeite as diferentes competências. "O que não é bom é um laicismo militante, que toma uma posição contra a Transcendência ou exige que o religioso não saia da sacristia. A Igreja transmite os valores, e eles que façam o resto."
Religião e política estão ao serviço da comunidade. O religioso serve as dimensões humanas para o encontro com Deus e a plenitude da pessoa e, assim, "não é errado a religião dialogar com o poder político; o problema é quando se associa a ele para fazer negócios por baixo da mesa". Ora, tem havido de tudo.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
"Falta de provas"
1947. Giulio Andreotti, com uns papéis na mão, tem ao seu lado esquerdo Battista Montini (Paulo VI a partir de 1963)
Quando morreu Giulio Andreotti, no dia 6 de maio deste ano, quis
assinalar aqui o acontecimento. Tinha em mente que ele, além de político
democrata cristão, foi diretor da revista católica 30Gionri / 30Dias e escreveu
alguns artigos de interesse, como este, por exemplo, precisamente sobre a Democracia Cristã.
Foi apenas uma das muitas coisas que não fiz.
Mas hoje, ao ler o mais recente número do “Courrier Internacional”, dou com um breve texto que insinua que esteve ligado a segredos, terrorismo e crimes e relacionado com a Máfia, coisa muito falada em maio passado. Diz o texto – e é por causa dessa nota de humor que escrevo isto: “Quando acusado, defendeu-se respeitando sempre os juízes. «Foi para o céu por falta de provas», comentou um internauta”.
Mas hoje, ao ler o mais recente número do “Courrier Internacional”, dou com um breve texto que insinua que esteve ligado a segredos, terrorismo e crimes e relacionado com a Máfia, coisa muito falada em maio passado. Diz o texto – e é por causa dessa nota de humor que escrevo isto: “Quando acusado, defendeu-se respeitando sempre os juízes. «Foi para o céu por falta de provas», comentou um internauta”.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Mário Soares quer doutrina social da Igreja
Mário Soares no DN de hoje:
1 - A IGREJA E A DOUTRINA SOCIAL CRISTÃ. Num tempo tão difícil em que os desempregados são imensos - e há, pela primeira vez, miséria desde a Revolução dos Cravos -, a Igreja não pode estar calada. Sei que há muitos e bons sacerdotes que protestam e fazem tudo o que podem para ajudar os pobres e os desempregados, bem como as associações cristãs de caridade social.
Mas refiro-me à Conferência Episcopal e ao senhor cardeal-patriarca, que, talvez pela primeira vez, foi infeliz no que disse recentemente. Acredito que a Igreja no seu extenso património também esteja a sofrer cortes. Mas, se assim é, mais uma razão para protestar e não se pôr ao lado do Governo, que é responsável pelas políticas de austeridade, que, como é hoje evidente, nos conduzirão ao desastre total.
O senhor cardeal não gosta de manifestações, está no seu direito. Mas note que, por enquanto, se trata, felizmente, de manifestações pacíficas, de que os católicos se devem lembrar muito bem visto que foram bastante úteis à Igreja, quando, em tempos passados, foram necessárias...
Permito-me dizer-lhe isto porque a doutrina social da Igreja faz-nos muita falta, neste momento tão difícil para Portugal. E não só para os portugueses, para a União Europeia - e para a moeda única -, que estão em perigo grave de desagregação. Como é que pessoas cultas e informadas não veem isto?
O atual Governo, como a esmagadora maioria dos portugueses já percebeu com as políticas de austeridade, está a empobrecer terrivelmente os portugueses e a destruir Portugal, pondo em causa a nossa própria democracia e o nosso património. Dou o exemplo da privatização das águas de que agora se fala e várias outras. Lembrar-se-ão os católicos que Sua Santidade o atual Papa, quando a mesma questão foi posta, em Itália, condenou de imediato e indignado uma tal iniciativa, por a água ser um direito humano comum?
É preciso que os católicos que acreditam sinceramente na doutrina social da Igreja se manifestem contra este Governo que só vê o dinheiro e quer destruir tudo quanto seja social.
O resto, sobre outros assuntos, está aqui. Fica registada a opinião do patriarca da política. Também acho que a doutrina social da Igreja faz muita falta, a começar por princípios tão simples como não gastar mais do que o que tem e pagar as dívidas.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Dois bispos do Porto falam dos sacrifícios económicos dos portugueses
A entrevista a D. Januário Torgal Ferreira vem no DN de hoje. A de D. Manuel Clemente veio no "Correio da Manhã" de ontem. Ambos ligados ao Porto. D. Januário é natural do Porto. D. Clemente é bispo do Porto. Ambas as entrevistas em jornais da Lisboa. Mas tons, modos, conteúdos muito diferentes. Nesta caso concreto, porque o assunto de fundo é o mesmo, prefiro a clareza, os modos, a humildade, também, de D. Manuel Clemente. Basta ler a primeira resposta de cada entrevista.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Mário Soares vê o diabo à solta no Vaticano
Mário Soares no DN de
hoje (aqui):
O diabo à solta no Vaticano. O século XXI tem-nos trazido muitas desgraças, de toda a ordem. Por todos os Continentes: a crise financeira no Ocidente, extensiva a outros Continentes; catástrofes naturais, como tsunamis, terramotos, secas, vendavais, num ambiente desregulado e inseguro; conflitos e violências no universo islâmico; fomes e doenças em África; etc. E agora, para as desgraças irem mais longe, o "diabo anda à solta no Vaticano", como alguma imprensa internacional notifica, como o suplemento de Domingo passado do El País e o Match, entre outros. Escreve o referido jornal: "Ninho de corvos (carnívoros) no Vaticano". E em subtítulo: "Na Santa Sé, desencadeou-se uma guerra pela sucessão de Bento XVI, na qual se empregam armas do demónio". E adiante: "A detenção do mordomo do Papa, Paolo Gabriel, por difundir documentos secretos" é um exemplo incompreensível.
Na realidade, Bento XVI vive isolado, doente, tem oitenta e cinco anos, é um homem só e sente-se encurralado pela luta dos Cardeais, quanto ao seu substituto. Ao que dizem, desejaria que o seu sucessor fosse o Arcebispo de Milão, o Cardeal Angelo Scola. Mas L'Osservatore Romano descreve a situação de Sua Santidade como "um pastor rodeado de lobos"...
Mas não é só o caso de Bento XVI que está em causa. Horas depois da detenção do mordomo, deu-se outro caso de grande gravidade: "O despedimento fulminante de Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Instituto para as Obras da Religião (IOR), conhecido como o Banco Vaticano, por irregularidades de gestão e por ações de branqueamento de capital.
Quem tal diria? O Vaticano atingido por uma conspiração de Cardeais contra o Papa e, depois dos múltiplos pecados cometidos contra menores, a ganância que conduz ao branqueamento do dinheiro também se verifica no Banco da Santa Sé! Pobre Bento XVI. Faz falta um novo Concílio Vaticano II para a Igreja Católica receber um novo impulso ético e de bom senso.
O meu comentário: É sempre bom saber o que um papa pensa do outro, mesmo com algumas imprecisões pelo meio.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Mário Soares e o efeito sinédoque na construção da Europa
K. Adenauer, pai, ou talvez tio, da Sr.ª Merkel
Mário Soares faz hoje, no DN, uma extensa análise do
panorama político europeu, com destaque natural para a vitória de Hollande.
“Eis a mudança esperada, que vai transformar a União Europeia e tornar um pouco
melhor o mundo”, conclui.
Na política, sou gémeo Tomé, que era chamado de “Dídimo”,
que quer dizer “nascido do mesmo parto”. [Os cristãos, é a minha interpretação
da passagem tomista, nasceram todos do mesmo parto de cegueira de Tomé] . Não
me parece que Mário Soares tenha razão na sua análise. Tudo anda à volta do
dinheiro, é certo. Mas a coisa não se resolve como ele escreve: “Não há dinheiro? Há sempre, desde que haja
vontade política para o arranjar”. Espero para ver como.
Mas se trago para aqui a reflexão do ex-Presidente da
República é principalmente por causa dos primeiros parágrafos:
Não sou profeta. Mas espero que a Esquerda europeia saiba aproveitar a oportunidade que a crise global, paradoxalmente, lhe oferece, para se refundar (socialistas, sociais-democratas, trabalhistas, verdes) e, em diálogo estreito com o movimento sindical, readquirir o lugar que teve, no passado, nos Governos europeus e que, infelizmente, para o futuro europeu, tem vindo a perder.
Também espero, embora com menor convicção, confesso, que a Democracia Cristã, a outra família política que, com o socialismo democrático, ajudou a construir e a desenvolver o projeto europeu, possa reaparecer, com força, para o progresso da Europa. Porquê menos convicção? Porque a Igreja de Bento XVI não é a mesma de Leão XIII, de João XXIII ou de Paulo VI do Concílio Vaticano II. Apesar de manter, como não podia deixar de ser, a doutrina social da Igreja - e combater a democracia liberal, em favor da democracia social - evita, creio, que se crie, como no passado, um relacionamento partidário estreito que lhe pode retirar a simpatia dos outros movimentos políticos...
De qualquer modo, tanto a social-democracia como a democracia cristã perderam importância política na Europa, nos últimos anos, em favor do populismo ultra-conservador e da ideologia neoliberal (ler o resto e tudo aqui).
Duas notas:
1. Tenho ainda mais dúvidas que a Democracia Cristã ressuscite
na Itália, por exemplo, que é onde era mais relevante nas últimas décadas, além
da Alemanha. E vários políticos catolicíssimos do CL estão às pegas com a justiça. Mas é admirável como Soares passa por cima do facto de a CDU de
Merkel ser democracia cristã.
2. Parece que a Europa unida foi obra principal do
socialismo democrático, auxiliado pela democracia cristã. Foi precisamente o
contrário. É o efeito sinédoque, tomar a parte pelo todo, o menor pelo maior. Os democratas cristãos deram os primeiros passos, lideraram, e a
seguir juntaram-se socialistas e liberais. Os “pais da Europa”, os franceses
Schuman e Monnet, o alemão Adenauer, o italiano De Gasperi eram o quê? De dois
deles correm processos de canonização, ainda que em fases iniciais (Schuman e
De Gasperi). Outro era irmão de padre (Adenauer). E outro, mui católico,
Monnet, só não viu o seu catolicismo mais realçado porque se casou com uma
divorciada (mas não descansou enquanto não conseguiu casar-se pela
Igreja). Não foi por acaso que os
detratores da ideia da Europa unida chamavam ao projeto a “Europa vaticana”.
sábado, 5 de maio de 2012
Comunhão e Libertação - vários escândalos de corrupção e um "mea culpa"
Roberto Formigoni
Em Itália, diversas notícias têm falado de corrupção entre
políticos ligados ao movimento Comunhão e Libertação. Mas não se trata só de
notícias. John L. Allen Jr faz um ponto
da situação:
Roberto Formigoni, o aderente de mais alto perfil do Comunhão e Libertação na política italiana, encontra-se agora envolvido em um grande escândalo de corrupção. O antigo governador da região da Lombardia está no centro de uma investigação judicial de suborno na concessão de contratos públicos de saúde. Ele também enfrenta acusações de ligações suspeitas com um empresário obscuro que está agora na cadeia por acusações de corrupção e de uso de fundos públicos para pagar férias privadas.
Formigoni é membro do Memores Domini, um órgão de leigos consagrados comprometidos com o celibato vitalício, que faz parte do movimento Comunhão e Libertação. Quatro membros mulheres do Memores Domini compõem a equipe que cuida da casa papal de Bento XVI.
Outro membro veterano do Comunhão e Libertação, Antonio Simone, já foi preso e acusado de fazer parte de um esquema para fraudar nada menos do que 74 milhões dólares de um instituto de saúde italiano muito conhecido. Segundo a imprensa, a piedade católica pessoal de Simone beira a lenda: aparentemente, durante a década de 1990, quando ele ocupou um cargo público como assessor na Lombardia, ele convocava a sua equipe para uma oração matinal antes de começar o dia de trabalho.
Estes e outros casos fizeram com que o padre Julian Carrón,
presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação, escrevesse no jornal La
Repubblica:
Caro Diretor, lendo os jornais nestes dias, fui invadido por uma dor indizível ao ver o que fizemos com a graça que recebemos. Se o movimento de Comunhão e Libertação é continuamente identificado com a atração pelo poder, pelo dinheiro, por estilos de vida que nada têm a ver com o que encontramos, algum pretexto devemos ter dado. E isso apesar de o Comunhão e Libertação ser alheio a qualquer malversação e jamais ter dado origem a um "sistema" de poder.
As coisas estão, pelo menos, feias para o CL, ainda que por
umas maçãs podres mão se possa julgar o pomar. Mas até o cardeal Angelo Scola está
distanciar-se do movimento.
O cardeal Angelo Scola, de Milão, amplamente visto como o principal candidato para ser o próximo papa e alguém que possui um histórico de relação com o Comunhão e Libertação, obviamente se sente compelido agora a se distanciar. Scola disse a um grupo de jornalistas no dia 26 de abril: "O que eu sei sobre o Comunhão e Libertação? Eu lido com a Igreja de Deus. Se você quiser saber algo sobre o Comunhão e Libertação, vá perguntar a eles".
Quanto a ecos disto em Portugal, que sendo um escândalo
entre cristãos deve dar-nos humildade, dei uma vista de olhos por dois ou três
blogues e sítios conotados com o CL e… nada.
Artigo de John L. Allen Jr. aqui.
Carta do P.e Julian Carrón aqui.
Análise do jornalista e político Franco Monaco aqui.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Mais uma de João XXIII
O núncio e o primeiro ministro, à sua esquerda
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Alegre, Rio, Belém, Torgal, Bragança e Veiga falam dos feriados
Na "Visão" de hoje. Gosto muito de expressão "talibans do ultraliberalismo". Se há alguma coisa que os talibãs são é liberais. Pois. Continuo a achar - provavelmente para desgosto de alguns leitores que por aqui passam - que o que falta a Portugal é um decente liberalismo, com respeito pela lei democrática e premiador do mérito. Ditaduras, socialismos, comunismos, maoismos... já tivemos e temos em doses suficientes.
Quanto aos feriados, desde que não tirem o domingo... Quoniam sine dominico non possumus (aqui).
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Não tem a ver com fé nem com Deus, tem a ver com obediências
Ninguém
pode ser obrigado a dizer se acredita em Deus ou no Grande Arquiteto do
Universo, sob pena de um retrocesso civilizacional que nos reconduziria aos
tempos da ditadura ou da inquisição.
Diz
Rui Pereira, no “Correio da Manhã” de 13 janeiro de 2012.
E diz-se deste
ex-ministro que é maçon.
É mesmo a questão daquilo em que se acredita que está em causa? Ou antes se é compatível querer servir a causa pública do modo nobre que é a política, submetendo-se
a votos, e obedecer a instituições secretas? O público na obediência exterior e
o segredo na obediência interior?
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Nós e a Bíblia segundo Reagan
Ronald Reagan (1911-2004), citado há dias no "Público":
Não lemos a Bíblia como ela é; lemos a Bíblia como nós somos.
Não lemos a Bíblia como ela é; lemos a Bíblia como nós somos.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
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Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Karl Rahner Quem acompanha este blogue sabe que tem andado por aqui e aqui uma discussão sobre o diabo e outras questões diabólicas. ...