A noite está escura
e eu, longe de casa.
...
O teu poder (...)
me conduzirá (...)
até que o dia regresse.
John Henry Newman
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Entre pinceladas
Teu sangue minhas culpas lave e toque,
E mais abunde quanto mais velho sou,
De pronta ajuda e de perdão inteiro.
Miguel Ângelo (1475-1564)
E mais abunde quanto mais velho sou,
De pronta ajuda e de perdão inteiro.
Miguel Ângelo (1475-1564)
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Haiku reformado
Diante de Ti
nas nossas diferenças,
todos iguais,
porque vivemos todos no nosso erro,
diante de Ti
e uns diante dos outros.
Karl Barth
nas nossas diferenças,
todos iguais,
porque vivemos todos no nosso erro,
diante de Ti
e uns diante dos outros.
Karl Barth
sábado, 23 de novembro de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
Se vieres visitar a minha sepultura...
"Se vieres visitar a minha sepultura, não te espantes de ver o monumento a dançar. Pega no teu tamborete, porque a tristeza não fica bem no banquete de Deus".
Poema de Abdullah Anri de Herat, poeta sunita do séc. XI, na sepultura do padre dominicano francês Serge de Beaurecueil. Lido em "Imersos na vida de Deus", de Timothy Radcliffe.
Poema de Abdullah Anri de Herat, poeta sunita do séc. XI, na sepultura do padre dominicano francês Serge de Beaurecueil. Lido em "Imersos na vida de Deus", de Timothy Radcliffe.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
David vencido
Deus gigante! Vê, envergonhada, fraca e nua,
Esta criança que te desafia: nem sua funda tem pedra
E seus joelhos estão feridos por antigas orações,
O meu desejo - este David que quer ser vencido.
François Mauriac
Esta criança que te desafia: nem sua funda tem pedra
E seus joelhos estão feridos por antigas orações,
O meu desejo - este David que quer ser vencido.
François Mauriac
sábado, 4 de maio de 2013
E chegarei de noite
E chegarei de noite
com o gozoso espanto
de ver,
por fim,
que andei,
dia a dia,
sobre a própria palma da Tua mão.
Pedro Casaldáliga
domingo, 10 de março de 2013
José Augusto Mourão: “Nas fronteiras deste mundo”
Deus nas fronteiras deste mundo,
Deus que cruzamos como as sombras,
dá-nos um corpo de desejo
e um ouvido de começo,
fica connosco Deus que passas
e nossas mãos te larguem,
Deus confundido com a sede,
e as palavras que dizemos,
vem alterar o nosso corpo,
vem confundir a nossa fome,
Deus da palavra,
flor do vento,
manhã que vem em Jesus Cristo.
Dê-te prazer o nosso canto,
Deus das manhãs azuis e rosa,
que o nosso corpo te anuncie qual fonte, rio ou chaga aberta,
que nossas mãos persigam o teu passar escondido.
Deus invisível para os olhos,
palavra solta, luz que passa,
é neste tempo que dizemos o claro escuro do teu nome,
onde é secreta a tua face e o teu passar adivinhado.
José Augusto Mourão (1947-2011). Poema deixado aqui por Helena
Valentim, a quem agradeço.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera
Para todas as árvores que não aguentaram o temporal
Uma árvore é um vestido de noiva na Primavera
Uma árvore é um leque chinês gigante
Uma árvore é um grande mensageiro de Deus
Uma árvore é filha da Mãe Natureza
Árvores de morangos!
Árvores de xarope de bordo!
Uma árvore é um infantário para os
passarinhos
A árvore é um dador de ar
Uma árvore é um leitor de nuvens.
Macieiras!
Cerejeiras!
Uma árvore é a peruca de Deus.
Uma árvore esconde uma bela história.
Coqueiros!
Palmeiras!
Uma árvore é a casa de banho de um cão.
Arranha o céu!
No meio de nenhures.
Rodeada de animais maus
Uma árvore é o coro de um anjo.
Árvores vermelhas!
Árvores verdes!
Uma árvore conta a Deus os suspiros da terra.
Uma árvore é sofrimento no deserto.
Uma árvore é um antigo e sensato contador de
sensatez.
Uma árvore é uma árvore.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Tua
Sou tua, porque me criaste,
Tua, porque me redimiste,
Tua, porque me sustentaste,
Tua, porque me chamaste,
Tua, porque me atendeste,
Tua, porque não me perdi.
Teresa de Ávila (1515-1582)
Tua, porque me redimiste,
Tua, porque me sustentaste,
Tua, porque me chamaste,
Tua, porque me atendeste,
Tua, porque não me perdi.
Teresa de Ávila (1515-1582)
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Linhas tortas
Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Sophia de Mello Breyner Andresen
E a vida não vive em linha recta
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 14 de outubro de 2012
Pelos aromas maduros de suaves outonos
Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História, deixa passar a Vida!
Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
7 de setembro de 1867. Nasce Camilo Pessanha
O poeta Camilo Pessanha, autor de “Clepsidra”, nasceu no dia 7 de
setembro de 1867, em Coimbra, e morreu no dia 1 de março de 1926, em Macau.
Voz débil que passas,
Que humílima gemes
Não sei que desgraças...
Dir-se-ia que pedes.
Dir-se-ia que tremes,
Unida às paredes,
Se vens, às escuras,
Confiar-me ao ouvido
Não sei que amarguras...
Suspiras ou falas?
Porque é o gemido,
O sopro que exalas?
Dir-se-ia que rezas.
Murmuras baixinho
Não sei que tristezas...
_ Ser teu companheiro? _
Não sei o caminho.
Eu sou estrangeiro.
_ Passados amores? _
Animas-te, dizes
Não sei que terrores...
Fraquinha, deliras.
_ Projetos felizes? _
Suspiras. Expiras.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Credo
Toda a gente sabe que nunca murmurei a mínima oração.
Toda a gente sabe também que nunca tentei dissimular os meus defeitos.
Ignoro se existe uma justiça e uma misericórdia.
Contudo, tenho confiança, porque sempre fui sincero.
Omar Khayyãm, matemático persa do séc. XI
Toda a gente sabe também que nunca tentei dissimular os meus defeitos.
Ignoro se existe uma justiça e uma misericórdia.
Contudo, tenho confiança, porque sempre fui sincero.
Omar Khayyãm, matemático persa do séc. XI
sábado, 28 de julho de 2012
No calor, frescura
Ótimo consolador,
Doce hóspede da alma,
Doce refrigério.
No trabalho, descanso,
No calor, frescura,
No choro, consolação.
De um hino atribuído a Estêvão (Stephen) Langton (séc. XII-XIII) sobre o Espírito Santo.
Doce hóspede da alma,
Doce refrigério.
No trabalho, descanso,
No calor, frescura,
No choro, consolação.
De um hino atribuído a Estêvão (Stephen) Langton (séc. XII-XIII) sobre o Espírito Santo.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Faz com que se derretam os corações secos
Faz com que se derretam os corações secos,
Fortalece os moles,
Amolece os duros,
Enxuga os molhados,
Aquece os que estão frios,
Salva os que vão perecer.
Conrado de Hamburgo (séc. XIV)
domingo, 1 de abril de 2012
Eu não conhecia esta voz eterna
Eu não conhecia esta voz eterna
E calma e larga e plana e branca e deleitável,
Comovente em minh'alma e nela revivente;
Não, eu não conhecia esta voz admirável.
Charles Péguy
E calma e larga e plana e branca e deleitável,
Comovente em minh'alma e nela revivente;
Não, eu não conhecia esta voz admirável.
Charles Péguy
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Temos de ser capazes / de fazer três coisas
Para vivermos neste mundo
temos de ser capazes
de fazer três coisas:
amar o que é mortal,
segurá-lo
contra o corpo, sabendo
que disso depende a nossa própria vida
e ao chegar o momento de o deixar partir,
deixá-lo partir.
Mary Oliver
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Tome sempre o lado mais radiante da dúvida
Nada do que merece ser provado
é provado ou refutado. Portanto, seja sábio,
tome sempre o lado mais radiante da dúvida.
Alfred Tennyson (1809-1892)
é provado ou refutado. Portanto, seja sábio,
tome sempre o lado mais radiante da dúvida.
Alfred Tennyson (1809-1892)
domingo, 1 de janeiro de 2012
Nocturno
Se não vieres,
Senhor,
Quem poderá curar
A ferida de amar?
Sozinho com o cacho de um coração pesado,
Por toda a parte
Me queimará a ausência
Sem que jamais se consume
Este desejo de borboleta nocturna
Pela estrela
Até quando, enfim, até à aurora
Consentir.
Gilles Braudry
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