quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Anselmo Borges: Hawking e Francisco
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
A asneira franciscana da exigência divina do Big Bang
Eu acho que o Papa Francisco fez asneira ao afirmar o seguinte:
“O Big Bang, que hoje se coloca na origem do mundo, não contradiz a intervenção criadora divina, mas exige-a”, declarou, numa audiência aos membros da Academia Pontifícia das Ciências.
Li aqui.
Por estas e outras é que Stephen Hawking há de sempre repetir que, percebendo tudo da física, Deus não pode existir (por não ser preciso). A asneira pseudo-científica do Papa está, portanto, ao nível das habituais asneiras pseudo-religiosas de Hawking, que é (ou pelo menos era) membro da Academia Pontifícia das Ciências, pois, como disse, é um lugar onde se encontram muitos cientistas.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
sábado, 15 de dezembro de 2012
Anselmo Borges: "Ciência e religião: um desafio, não um conflito"
domingo, 13 de maio de 2012
Bento Domingues: Sem teoria de tudo
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Será que a ciência provou que Deus não existe? 2.ª Parte
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Será que a ciência provou que Deus não existe? 1.ª Parte
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A fonte Q está no DN aos sábados
O DN publica ao sábado o suplemento "Q. Quociente de Inteligência". Esta é a capa do número dois, que saiu no sábado passado. Para quem gosta de letra de jornal miudinha e artigos longos, que é o meu caso, é óptimo. Já perdi umas boas horas a ler uns artigos e ainda não li tudo o que queria destas 24 páginas, enquanto há outros jornais bem maiores - estou a pensar num obeso que sai aos sábados - que não duram tanto tempo.
Neste "Q", destaque para os artigos de Joaquim Carreira das Neves, padre, e Teresa Lago, astrónoma, sobre o livro em que Hawking pretende dispensar Deus da criação (talvez ainda digitalize e copie para este blogue as seis páginas em questão).
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Marcelo Gleiser: A teoria final do tudo é uma influência do monoteísmo
terça-feira, 15 de março de 2011
Teólogos Hawking e Polkinghorne em confronto num texto que vem dos antípodas
Polkinghorne está convencido de que a ciência explora apenas uma camada da existência. Deus age por meio da poesia e da arte, dos santos e dos místicos. Você não pode apreciar totalmente uma obra de arte examinando a composição química de sua tinta. Da mesma forma, você não pode entender a função de Deus no universo olhando apenas para a sua natureza física.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
"Guardem o besteirol para outros cristãos e poupem o pobre ateu"
Miguel Nicolelis (São Paulo, 1961), neurocientista de renome (capa da “Science” e considerado pela “Scientific American”, no início do século, um dos maiores cientistas a nível mundial), com investigações de relevo sobre a integração cérebo-máquina, foi nomeado membro da Pontifícia Academia de Ciências, a mais antiga do mundo, criada em 1603 (aqui). A nomeação provocou comentários “absurdos” pelo menos no popular blogue de Luís Nassif (aqui).
O cientista resolveu responder e escreveu o seguinte, com humor e uma informação que eu desconhecia, que a Academia não é confessional, o que está correcto, porque a ciência positiva não implica actos de fé (quanto aos Gaviões da Fiel, pelo que percebi, são os adeptos do Corinthians):
Sou leitor assíduo desse blog, então não tinha como me conter e resolvi responder aos absurdos postados nesse tópico que diz respeito a mim.
Primeiro, sou um cientista brasileiro, ateu, pró-legalização do aborto, pró união civil dos homossexuais e pró Dilma. Fui convidado a me tornar membro da mais antiga academia de ciências do mundo, a mesma a que Galileu Galilei foi membro. Aceitei o convite, pois esse foi feito com a garantia que a academia se interessa pela minha ciência e não pela minha opção (ou falta de opção) religiosa.
Espanta-me verificar que mesmo num site progressista ocorra o grau de patrulha ideológica (ou religiosa) que encontrei nos comentários acima.
Meu outro colega de Academia é o físico Stephen Hawking, que professa as mesmas opiniões que eu. Agora eu me pergunto, a troco de que eu iria recusar a oportunidade de bater bons papos com um dos maiores físicos da história?
A Academia de Ciências deixa claro nos seus estatutos que nenhum dos seus membros precisa acreditar em Deus ou ser membro da religião católica.
Então, a título de esclarecimento, gostaria de deixar registrado que toda vez que eu for convidado a participar do mesmo clube frequentado por gente como Galileu e Stephen Hawking, vocês podem estar certos que eu vou aceitar. Mesmo que fosse a Academia de Ciências da Gaviões da Fiel! E para um palmeirense dizer isso não é fácil, não. Portanto, menos meus amigos, menos. Guardem o besteirol para outros cristãos e poupem o pobre ateu aqui de ler tanto absurdo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Entrevista a José Antonio Pagola: “Jesus pode ser um desafio muito perigoso para a Igreja actual”
sábado, 18 de setembro de 2010
Anselmo Borges: Hawking e Deus
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (18 de Setembro de 2010):
Ainda não a li, mas posso supor que a nova obra de Stephen Hawking, escrita em conjunto com o físico norte-americano Leonard Mlodinow, “The Grand Design” (“O grandioso plano”), terá um êxito enorme, como há anos aconteceu com o seu bestseller “A Brief History of Time” (“Uma breve história do tempo”).
Hawking, que sofre há décadas dessa terrível doença do foro neurológico que dá pelo nome de esclerose lateral amiotrófica, é um astrofísico de renome mundial, detentor até há pouco da célebre Cátedra Lucasiana de Matemáticas da Universidade de Cambridge, outrora ocupada por Isaac Newton, e que deu contributos fundamentais no domínio da física teórica, nomeadamente em questões de cosmologia, buracos negros e gravitação quântica.
Nesta obra, afirma que as novas teorias da física podem explicar de modo cabal o aparecimento do universo, tornando supérfluo o papel de um Deus criador. Segundo “The Times”, escreve que, "o universo pôde criar-se a si mesmo - e de facto fê-lo - do nada. A criação espontânea é a razão de existir algo, de existir o universo, de existirmos nós". Concretamente, a descoberta do primeiro planeta extra-solar ajudaria a desmontar a visão de Newton, que afirmava o Deus criador, pois o universo não poderia surgir do caos. A descoberta abre a possibilidade de outros planetas e outros universos, que seriam redundantes, se a intenção de Deus fosse criar o homem.
Estas afirmações de Hawking percorreram mundo e foram saudadas concretamente pelo bem conhecido biólogo e ateu militante Richard Dawkins, que declarou que "o darwinismo expulsou Deus da biologia, mas na física persistiu a incerteza. Mas agora, Hawking deu-lhe o golpe de misericórdia".
Remetendo para tudo quanto tenho aqui escrito sobre o tema, gostaria de fazer uma reflexão breve sobre os dois pontos em causa: um referido à religião e o outro à ciência.
Quero lembrar que frequentemente a razão de becos sem saída neste domínio se situa na própria compreensão da religião.
Por exemplo, houve por vezes uma leitura literal do Génesis, que relata a criação do universo e do homem. É evidente que essa leitura só pode levar a posições ridículas. Exemplos disso são a datação do começo do universo há 6000 e poucos anos - assim pensou o bispo Ussher -, o primitivismo do aparecimento de Adão a partir da modelação do barro, a história da costela para o aparecimento de Eva, a incompatibilidade da criação e da evolução.
Hoje, felizmente, tomou-se consciência de que a Bíblia não é um livro de ciência, mas um livro religioso e o que se refere à criação é um mito, mas um mito que dá que pensar, como disse Paul Ricoeur. A sua finalidade é dar uma resposta de fé à pergunta do porquê e para quê últimos do universo e do homem: devem a sua existência, em última instância, ao desígnio do Deus pessoal e transcendente, que cria por amor a partir do nada.
O outro ponto da reflexão diz respeito à ciência. É claro que a ciência metodicamente não precisa de Deus. Por outro lado, não tem capacidade nem para afirmar nem para negar a sua existência.
Quando um cientista quer, a partir da ciência, afirmar que não há Deus, contradiz-se e entra em paralogismos, pois ultrapassa as suas competências enquanto cientista. De facto, a ciência não pode fazer afirmações sobre a realidade na sua ultimidade. Por exemplo, há Deus ou não?, o homem é livre?, com a morte acaba tudo ou a vida continua? A razão dessa impossibilidade está em que estas questões não são enquadráveis no método empírico-matemático, não são objecto de experimentação.
Religião e ciência são perfeitamente compatíveis, desde que respeitem os seus domínios de competência. A religião não tem respostas para questões científicas. A ciência não responde à problemática dos valores e a questões como: porque há algo e não nada?, qual é o sentido último da existência?
Assim se compreende que haja cientistas agnósticos, ateus e crentes. Também os crentes não habitam todos no asilo da ignorância e da superstição.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Solução divina para o repto de Hawking
A revista "Focus" de hoje dedica 10 páginas à dispensa de Deus por parte de Hawking.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Como Pio XII antecipou Stephen Hawking
Convém lembrar que o físico e padre belga Georges Lemaître [evocado aqui], que inventou o conceito do big bang (mas com outro nome, “átomo primevo”), disse que não se deve identificá-lo com a criação do Universo por Deus. Quando soube que o Papa Pio XIIiria fazer um discurso para a oitava Assembleia Geral da União Astronômica Internacional em Roma, em 1952, viajou à capital italiana para pedir ao Papa que não apresentasse o big bang como o ato de criação do Universo por Deus. O Papa seguiu a orientação do Pe. Lemaître. O fato de Hawking não reconhecer o big bang como criação por Deus foi antecipado mais de meio século pelo Papa Pio XII.
Quem crê na fé cristã tem razões de outra ordem para a sua fé. A dimensão espiritual da realidade se manifesta na nossa experiência da consciência pessoal, do “eu”. A tradição do encontro com o Cristo vivo depois da sua morte terrível na cruz dá a dimensão histórica da nossa fé. E o cristão que procura viver a fé percebe nela uma sintonia com tudo o que existe e uma orientação para a vida que responde aos anseios mais profundos do seu coração.
Excerto de um artigo de Paul Schweitzer, padre jesuíta e membro da Academia Brasileira de Ciências, publicado no jornal "O Globo" de 13-09-2010. Copiado daqui.
Hawking versus Carlos Fiolhais
domingo, 12 de setembro de 2010
Hawking: Um nada que é tudo
Admiro Stephen Hawking. É uma mente científica brilhante. E embora não se realcem os seus feitos com o facto de estar numa cadeira de rodas, só poder mexer uns dedos e falar por meio de um processador de voz – julgo que por causa do pudor socialmente correcto em dizer que “ele é doente” ou “ele é deficiente” –, essas circunstâncias não só contribuem para a aura do cientista frágil por fora mas iluminado por dentro (o mesmo se aplica ao genial mas despenteado e distraído Einstein) como são um bom exemplo de que as limitações exteriores não são impeditivas de façanhas brilhantes. Um exemplo de catequese, se Hawking fosse crente. Na realidade até é crente, já lá chegarei, mas não em Deus, seja Ele qual for, suponho, nem da teologia ou em qualquer igreja.
No programa «Larry King Live», na CNN, emitido no dia 10 de Setembro, afirmou que a “teologia é desnecessária” e que “a ciência está cada vez mais a responder a questões que eram um território da religião”. Não sei se disse quais as questões que "eram" da religião. O resumo que saiu na imprensa não esclarece. Mas a grande questão, tendo em conta anteriores tomadas de posição, é: por que é que existe o universo em vez do nada?
Não sendo eu cientista de formação nem por lá perto, ainda que tenha lido uns bons livros da colecção “Ciência Aberta”, da Gradiva, incluindo a “Breve História do Tempo”, de Hawking, no início dos anos 90, considero, no entanto, que as grandes questões devem ser do alcance de todos. É uma espécie de dogma em que acredito, como Hawking também acredita em coisas não provadas – lá chegarei. A origem e o fim do universo, o sentido da vida, os porquês e para quês últimos devem estar ao alcance de todos, porque somos feitos da matéria do universo mas temos consciência, que é quando a materialidade se ultrapassa. Se um cientista me faz como Euler fez a Diderot, sinto-me defraudado em vez de derrotado. Discutindo a existência de Deus, Euler escreveu uma fórmula matemática e concluiu: “Logo, Deus existe”. Diderot sentiu-se derrotado. E suponho que frustrado. Euler sabia bem que Deus não se provava, mas aquilo era para dar uma lição ao iluminista, grande humanista e anticlerical, mas pouco dado às ciências positivas. Por vezes Hawking parece ser um novo Euler ao dar a entender, no meio de teorias de que já ouvimos o nome, mas que não percebemos realmente, que Deus não existe, que é desnecessário, que não pode ter criado o mundo.
É que, mesmo que alguém informado diga que compreende que a energia é igual à massa vezes a velocidade da luz ao quadrado (equivalência massa-energia), por exemplo, o mais certo é que saiba que é assim, mas não compreenda realmente como pode ser assim. Compreender é outra coisa. Felizmente, não precisamos de compreender a mecânica para conduzir um automóvel. Temos de confiar nos mecânicos e nos construtores de automóveis.
Se Hawking junta meia dúzia de teorias, a relatividade, mais a quântica, mais a Teoria-M e as supercordas, e diz que isso explica o como e o porquê do universo e dispensa Deus, se confiarmos nele como confiamos nos mecânicos, dispensamos Deus. Mas, no geral, os mecânicos da ciência dizem que a ciência não trata de Deus. Como os mecânicos da teologia dizem que a teologia não trata do como do mundo. E logo aqui há uma dissonância.
Mas o pior é que, apesar de não compreendermos as tais teorias, não podemos deixar de questionar o que o cientista nos diz. Afirma, por exemplo: “Dada a existência da gravidade, o universo pode criar-se a si mesmo do nada”. “Dada?” Como “dada”? Se é no sentido de “observada”, ou “já que existe”, a questão que logo se impõe é por que é que existe a gravidade em vez do nada? E quanto ao nada, para Hawking e outros cientistas, é um nada que é tudo. Na filosofia dizia-se que do nada, nada pode vir. Os cientistas, ou Hawking, andam a dizer que do nada tudo pode vir. Até compreendo – ou penso que compreendo – o que querem dizer. Se o cosmos é uma soma de energia zero, o universo que existe é uma flutuação de energia, é uma separação da matéria (onde nós estamos e somos; curiosa essa ideia de separação, como nas primeiras páginas da Bíblia) e da antimatéria (que andará escondida algures no universo, ou noutro universo, e que é matéria de bestsellers). Por isso dizem que há o universo e o multiverso. E porque não inverso?
Mas se matéria mais antimatéria dá nada, zero, equilíbrio, convém notar que é um nada muito especial. Um nada que é tudo. Ora, se me dizem que há ou houve lá muito no princípio, ou antes do princípio, um nada que é bem nada, um nada que é a soma de tudo, que é tudo, isto soa-me a algo incongruente e, em certo sentido, quase dogmático.
Para superar o nada radical (e não o nada científico, que esse não o compreendo), só concebo um não-nada superior a tudo. A isso chamo Deus, embora o da fé, sendo esse, é mais do que isso. Aqui entra a filosofia e, na minha perspectiva, a religião. E não se confunde com a ciência. Que a ciência explique a origem do universo, ainda que me pareça uma explicação que não explica realmente, pelo menos no ponto em que nos encontramos, até poderei aceitar, mas terei de compreender o básico, ao contrário dos motores de automóveis ou dos computadores, que não respondem às questões do sentido, ainda que respondam a necessidades básicas. Não basta dizer: “Nós, cientistas, sabemos como é. Acreditem em nós, que é demasiado complicado para perceberem”. Mas parece-me que é o que está a acontecer. E isso requer muita fé.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
"Brilhe o vosso rosto", um textinho de Teilhard de Chardin
Brilhe o vosso rosto
Senhor, nós sabemos e pressentimos
que vós estais em toda a parte
envolvendo-nos.
Mas parece existir um véu nos nossos olhos.
Fazei que de toda a parte
brilhe o vosso rosto.
Teilhard de Chardin
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Torres Queiruga sobre Hawking: Ele tem a sua razão, mas demonstra pouca competência na filosofia
domingo, 5 de setembro de 2010
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...