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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

segunda-feira, 12 de março de 2012

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Manuel Pina e o homossexual que se encontra catolicamente casado



No JN de hoje. Apenas ironia do mais recente prémio Camões? Uma manifestação da incompreensão do que é o sacramento católico do casamento? Um problema real - a casuística dos canonistas?


E se pensarmos que o "homossexual puro" - homem ou mulher - segundo a doutrina católica, desde que queira, pode continuar casado com outro/a de sexo diferente?


A grande questão do sacramento do matrimónio, quando a mim, reside nisto: para a Igreja, o que conta é a vontade, mesmo que contradiga o sentimento. Para as pessoas, a maioria, o que conta é a paixão, mesmo que contradiga a razão. Por vezes a igreja ainda pensa que as pessoas pensam como ela pensa que é. E as pessoas dizem que sim, porque gostam de um casamento com aparato. Daí só surgem desencontros e encenações, que é o que acontece em muitos casamentos realizados na Igreja.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A ingenuidade perigosa da abertura ao mundo



Vai ser leitura nos próximos dias, um artigo por dia. O tema do último número em português desta revista fundada por Urs von Balthasar, J. Ratzinger e H. de Lubac é "Novos olhares sobre a Igreja". Vou lê-lo todo, provavelmente ao ritmo de um artigo por dia, e aqui darei conta do que de mais interpelante encontrar. Na minha perspectiva, claro.
Para já, li o artigo de D. Claude Dagens, bispo de Angoulême (já aqui apareceu), "Breve meditação sobre a visibilidade da Igreja. Ver a Igreja com os olhos da fé". Tenho de o ler outra vez, porque à primeira leitura não encontrei nada de muito interessante na prosa deste bispo que é muito apreciado pela intelectualidade francesa. Pelo menos é membro da Academia. Talvez esta afirmação:
"A Igreja só pode, portanto, ser aberta, não exactamente ao mundo, como por vezes se afirmou com uma ingenuidade perigosa, mas, num único movimento, ao mistério de Deus que vem Ele próprio enmtrergar-ser aos homens, em Cristo, e àquilo a que se pode chamar o «mistério do homem», que só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo incarnado (GS 22)".
Registo a expressão "ingenuidade perigosa" referida à abertura da Igreja ao mundo. Alguns leitores deste blogue, a julgar pelos comentários, apontam-me com frequência ingenuidades perigosas nos pontos de vista aqui expressos. Mas gostava de saber o que ele entende por "mistério do homem" e como se abre a Igreja a ele sem se abrir ao mundo. D. Dagens não explica. Se a Igreja se casa com o mundo, depressa dá divórcio, bem sei. Isso nunca. Mas não sei como é que a Igreja há-de ser sinal, farol (não é a luz), ser significativa para os homens e mulheres sem falar com eles. E sem abertura, como pode falar e ouvir? Só falar?

segunda-feira, 21 de março de 2011

Igreja, mulheres e celibato. Teresa Toldy no "i"

Teresa Toldy, teóloga feminista, em declarações ao "i". Para ler, pensar e sorrir (vejam-se as respostas às perguntas na segunda página), embora ela não tenha dito, de certeza, que foi Pedro que curou a sogra dele. Jesus é que curou a sogra de Pedro. Também pode ser lido online aqui.
  

domingo, 13 de março de 2011

É o que quer dizer «Ámen»



Certa vez, fiquei surpreendido, quando oferecia a hóstia a um velho confrade dominicano: «O Corpo de Cristo», e ele respondeu: “Eu sei”. O nosso «Ámen» é um «Sim» incondicional e retumbante. É a nossa participação naquele que «é sempre “Sim”».

Timothy Radcliffe na pág. 266 de “Ir à Igreja porquê?”

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Bem-vindo, amigo ex-luterano

Jeff e Peg Henry

Jeff Henry, 51 anos, foi pastor da Igreja luterana até há cinco anos e agora é católico. É casado há 26 anos com Peg e tem uma filha adulta. Vai ser ordenado diácono em Janeiro de 2011 e padre no dia 4 de Junho seguinte. Católico, claro. Li aqui e confirmei aqui. O Vaticano aprovou o processo no final do mês de Novembro.

Apetecia-me dizer ao norte-americano: Bem-vindo à grande Igreja católica! Embora ele já por cá ande há cinco anos. Mas não posso deixar de sentir alguma estranheza por processos deste tipo, isto é, pastores de outras confissões (habitualmente anglicanos/episcopalianos e luteranos) que são acolhidos como ministros na Igreja católica com o que os padres católicos não podem ter: uma família.

Nos Estados Unidos há cerca de uma centena de casos de padres católicos casados. Em Portugal havia um, o Padre Saul Sousa, vindo da Igreja Lusitana (“anglicanos portugueses”), que morreu no dia 11 de Outubro de 2010.

Não me sinto aqui como o irmão do filho pródigo, descontente por o pai abraçar o filho “que andava perdido”. Mas penso que é injusto e ilógico (como aliás se diz numa das notícias).

Injusto porque aos padres católicos exige-se o celibato, por vezes com o argumento de que o celibato é praticamente essencial para o sacerdócio ministerial católico. Mas abrem-se excepções para luteranos, anglicanos regressados (“bem-vindos”, mais uma vez) e greco-católicos (que, na sua origem, são também os ortodoxos casados a regressar ao catolicismo), enquanto o Papa se manifesta contra a existência de um clero celibatário e outro de homens casados e afirma: “Que haja bispos que, na confusão do tempo actual, pensem sobre isso, é algo que consigo compreender” (p. 154 de “Luz do Mundo”). [Mais à frente (p. 148), numa estranha inversão lógica, diz: “A homossexualidade não é compatível com o sacerdócio. Se não, o celibato como renúncia também não teria sentido”.]

Ilógico, porque, admitindo as excepções, a Igreja tem dito que o que pode fazer é reconhecer o sacerdócio ministerial de homens casados. Ora, o que no caso de Jeff Henry vai acontecer é uma ordenação, primeiro diaconal e depois presbiteral.

Gostava de conhecer melhor este processo e, já agora, o dos padres e bispos anglicanos descontentes com o que se passa na Igreja anglicana e que querem entrar na católica, para deixar de pensar que há aqui dois pesos e duas medidas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Prepotência ou acolhimento para os divorciados?

Era uma vez um médico, totalmente dedicado à saúde dos seus pacientes, que aplicava com rigor o que tinha estudado. Um dia chegou à sua consulta um paciente com fortes dores num dedo do pé. O ilustrado médico diagnosticou rápida e acertadamente: “Isto é gangrena”. E repetiu o que dizia o seu livro: “A gangrena não tem cura, deve-se amputar para evitar a sua extensão ao resto do corpo, cortando pela parte sã”. Depois de urgentes preparativos, o doente entrou no mesa das operações e saiu com as penas amputadas. Naturalmente, aquele zeloso méidio ficou sem clientes.

Não será algo parecido o que se passa na Igreja, especialmente com os divorciados?


Início do texto de Jairo del Agua sobre o caminho a fazer da intransigência religiosa à misericórdia evangélica no caso do recasamento do divorciados, porque é preciso evitar a prepotência sobre os seres humanos, que fecha portas em vez de curar feridas. Em espanhol, aqui.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ordenação de mulheres: Não se trata de não querer, mas de não poder, diz o Papa

Sobre o que Deus quer e não quer e o consequente poder do Papa, leia-se a reflexão do teólogo espanhol José María Castillo, aqui.

O texto vem a propósito do recente livro do Papa, em que uma das questões abordadas, quanto a mim bem mais importante do que a do preservativo, é a da ordenação das mulheres. Diz o Papa que não é que a Igreja não queira ordenar mulheres. A questão não se põe em termos de vontade. É que não pode. A Igreja não tem poder para tal. Como as coisas estão constituídas, a Igreja não pode ordenar mulheres.

O que o Papa diz, em concreto, é isto:

“Já disse João Paulo II, a Igreja não tem a possibilidade de ordenar as mulheres. Não se trata de não querer, não podemos. O Senhor deu esta forma à Igreja”.

E o teólogo espanhol contrapõe:

“Pues bien, si ahora Dios no quiere que la mujer sea ordenada sacerdote, ¿ quién me puede asegurar a mí que, dentro de unos meses (o años), Dios no pueda cambiar de opinión, como parece ser que empieza a cambiar en lo del preservativo? Detrás del libro del papa lo que está es el problema de Dios.

No hay que ser un lince para sospechar (al menos, sospechar) que, en todo este embrollado asunto, hay algo que no cuadra. Porque o bien lo que sucede es que el papa no tiene la autoridad que representa; o lo que sucede es que representa mal una cosa que es tan seria como la autoridad misma de Dios. En cualquier caso, si Dios es Dios, no parece que pueda andar cambiado de ideas y tomando decisiones variables y volubles, como nos pasa a nosotros los mortales.

Hubo tiempos en que los papas organizaban guerras, condenaban a los heterodoxos y quemaban vivos a los herejes porque Dios lo quería así. Ahora, los papas dicen que Dios no quiere nada de eso. Entonces, ¿en qué quedamos? ¿Es que el Dios, que representa el papa, es un Dios "cultural"? ¿O lo que sucede es que se trata de un Dios "contra-cultural"? El Dios que, por boca de un papa, condenó a Galileo es el mismo Dios que, por boca de otro papa, pidió perdón por lo que se hizo con Galileo”.

A questão da ordenação das mulheres, por muito que alguns não gostem e evitem falar do assunto, é a questão eclesial com mais consequências para o interior e exterior da Igreja. Temo que um dia o Senhor diga que fomos maus servos porque não pusemos os talentos a render (Mt 25).

Veja-se aqui e aqui o que Ratzinger disse noutras ocasiões sobre o assunto.

Já agora, é lamentável, na minha opinião, que o regresso dos anglicanos à Igreja católica esteja a ser principalmente porque não concordam com a ordenação de mulheres como bispos.

domingo, 17 de outubro de 2010

Celebrações cristãs e profanas inversamente proporcionais

Desabafo de um padre que vê diminuir as celebrações sacramentais e aumentar as celebrações profanas:

“A nossa humanidade é bem complicada. Num momento em que fazemos as considerações negativas acerca da prática sacramental, deparamo-nos com outros aspectos do nosso mundo cultural que as contradizem em todos os aspectos. De facto, os nossos contemporâneos descobriram o sentido e o gosto pela celebração, especialmente dos aniversários. Nunca se inventaram tantos aniversário s de acontecimentos da nossa história ou de personagens desaparecidos. O mesmo acontece nas famílias, onde se celebram com muito carinho os aniversários de nascimento, de casamento e muitos outros”.

Bernard Sesboüé (teólogo jesuíta, nascido em 1929), em “Convite a pensar e viver a fé no terceiro milénio II”, na Gráfica de Coimbra

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sete rituais para-religiosos de Cristiano Ronaldo


Ronaldo abençoado pela deusa Vitória, que é isso que "Nikê" significa


Estes são os sete segredos de Cristiano Ronaldo, sete superstições, claro, ou então sete rituais para-religiosos. Sete sacramentos. É o último porque os acólicos vão à frente nas procissões. Veste o equipamento por ordem rigorosa porque é assim que os ministros de culto de paramentam. A casula não pode ser vestida antes da túnica. Ocupa o mesmo lugar porque há espaços sagrados. Antes de entrar em campo concentra-se com o rito dos toques. Asperge-se e abençoa-se a si próprio, na cabeça, claro. Purificação. Dobra-se perante o altar, isto é, o espelho. Entra com o pé direito... Bem, aqui não vejo qual a relação para-litúrgica. Mas o lugar bíblico dos eleitos é à direita do Todo-Poderoso.

1. O último
O "capitão" da selecção tenta sempre ser o último jogador da equipa a entrar em campo antes de um desafio.
2. Apresentação
Veste o equipamento com uma ordem rigorosa que cumpre escrupulosamente em cada jogo.
3. Autocarro
Tenta ocupar sempre o mesmo lugar no autocarro que transporta a equipa: o penúltimo da fila direita no lado do motorista.
4. Bola
Antes de entrar em campo, em pleno balneário, dá toques na bola.
5. Espelho
Dá sempre uma última espreitadela no espelho antes de sair do balneário.
6. Cabelo
Molha e 'acaricia' o cabelo minutos antes de cada jogo.
7. Pé direito
Entra em campo com o pé direito.

Estes sete pontos vêm do DN de hoje, que por sua vez os tomou do diário desportivo espanhol "Marca".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Crise que mina a identidade sacerdotal católica

O Papa reconheceu a caminho de Edimburgo que o combate à pedofilia dos sacerdotes não foi eficaz. O Vaticano e os bispos não foram suficientemente “vigilantes, velozes e decisivos”.

Se a solução está na vigilância, velocidade e decisão, temo que os casos se perpetuem. Se a actuação do Vaticano e dos bispos incide sobre a repressão – é o que as palavras permitem concluir –, pouco se avançará.

Na realidade, podemos perguntar por que é que tantos não foram vigilantes, velozes e decisivos. O Vaticano não tem possibilidade de ser vigilante, veloz e decisivo para o mundo inteiro. Só sabe o que lá chega. Só é vigilante na medida em que os bispos o são. E por que é que os bispos não foram vigilantes, velozes e decisivos nestes casos todos? Não foram porque não querem nem podem ser. Se o bispo é pai da diocese e dos seus padres, como o padre é pai da sua comunidade – é o que os católicos entendem dos seus pastores, apesar da exortação de Mateus 23 (“Não chameis pai ninguém…”) –, como poderá o bispo denunciar os seus próprios filhos? Não pode, ainda que etimologicamente "bispo" provenha de uma palavra grega que significa algo como supervisor, aquele que vê por cima... vigilante.

O jesuíta Xavier Dijon escreveu na “Civiltà Cattolica” (revista dos jesuítas italianos e que funciona quase como órgão oficial do Vaticano) que entre um bispo e um padre existe um vínculo comparável ao que une os familiares e, desta maneira, “não é justo” impor-lhe a obrigação da denúncia à justiça nos casos de abusos sexuais.

Não faz sentido aplicar a obrigação da denúncia “a pessoas da Igreja relacionadas por um vínculo que resulta digno de consideração até para as autoridades civis” (li aqui).

E D. Manuel Martins, bispo, emérito de Setúbal – sabe com certeza o que significa ser bispo para os padres – escreveu no “Página 1” (17-09-2010), da Rádio Renascença: “O bispo vê-se nos seus padres, gosta deles como filhos ou irmãos, procura todos os meios para estabelecer com os padres uma relação de natural e agradável amizade, dá-lhes sempre o primeiro lugar no calendário das suas preocupações. Ele sabe que nos seus planos pastorais pode ter que deixar muitas alíneas para se encontrar pessoalmente com os seus padres. Os encontros canónicos podem ser pouco. A maior desgraça que pode acontecer a um pai é perder o coração do filho. Se as coisas acontecerem assim, o padre sente o bispo consigo, gosta de encontrar, não foge dele”.

Perante isto há solução possível para a crise da pedofilia? O que o Papa disse serve? A meu ver, não. Com uma igreja clerical que exige a consagração da sexualidade dos seus pastores, o bispo não pode ser polícia do padre a quem impõe as mãos e consagra. Esta crise mina a identidade sacerdotal católica.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Autocarro - 1: Pope Benedict - Ordain Woman Now!

Depois do autocarro dos ateus, o autocarro dos que pedem a ordenação das mulheres na Igreja católica. Não acontecerá, estou convencido, no tempo de Bento XVI. Mas há-de acontecer. Enquanto isso não acontece, quem perde não são as mulheres, é a Igreja. No DN de hoje (31 de Agosto de 2010).

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A ordem estabelecida


Elisabeth Schüssler-Fiorenza
Joseph Ratzinger não dizia que “a ordenação é uma submissão” mas antes que a “ordenação é subordinação”, citando a teóloga Elisabeth Schüssler-Fiorenza. Copio das páginas 164-165 de “O Sal da Terra” (ed. Multinova, 1997).
Ainda acrescentaria uma informação que me parece ser muito interessante. É um diagnóstico sobre este problema, feito por uma das feministas católicas mais importantes, Elisabeth Schüssler-Fiorenza. É alemã, uma exegeta conhecida, que estudou exegese em Münster, se casou lá com um italo-americano e que hoje ensina na América. Começou por participar fortemente na luta pela ordenação das mulhares, mas actualmente diz que se tratou de um objectivo errado. A experiência feita com mulheres ordenada na Igreja Anglicana levou-a a reconhecer: ordination e not a solution (“a ordenação não é solução”), não é o que queríamos. E também explica porquê. Diz: ordination is subordination, portanto, a ordenação é subordinação – significa inserir-se numa ordem estabelecida e subordinar-se, e é exactamente o que não queremos. E aí faz um diagnóstico correcto.
Entrar numa “ordo” significa sempre entrar numa relação em que uma pessoa se insere na ordem existente e se subordina. No nosso movimento de libertação, assim diz Elisabeth Schüssler-Fiorenza, não queremos entrar numa “ordo” nem numa “subordo”, numa subordination, mas é precisamente este fenómeno que queremos superar. A nossa luta – assim nos diz ela – não deve, portanto, visar a ordenação das mulheres; se é esse objectivo, fazemos o que está errado, mas a nossa luta deve visar que a ordenação acabe de todo e que a Igreja se transforme numa comunidade entre iguais em que só haja uma shifting leadership, portanto, uma liderança que mude. Viu isto correctamente, a partir das motivações anteriores, a partir das quais se luta pela ordenação das mulheres, em que, na realidade, se trata de participação no poder e de libertação da sujeição. É então preciso dizer que por detrás se esconde, realmente, a pergunta: o que é o sacerdócio? O sacramento existe ou deve apenas existir uma liderança que mude em que não seja dado a ninguém o acesso permanente do “poder”? Julgo que, neste sentido, a discussão talvez mude um pouco no decorrer dos tempos mais próximos.
(Fim de citação)


Comentário. Há que realçar que Ratzinger expôs, julgo eu, o essencial do pensamento de Schüssler-Fiorenza. Se citasse só o “ordination is subordination”, ficaríamos com uma ideia errada do que ela pretenderia dizer. Contudo, Ratzinger é retorcido no seu pensamento. Cita um autor para defender um ponto com que esse autor não concorda, pelo menos dessa forma. E não concorda, ele próprio, cardeal, com o que a teóloga diz. É um tipo de raciocínio comum em Ratzinger (lembro-me de três ou quatro casos – um deles está no polémico e muito referido discurso de Ratisbona). Geralmente irrita o interlocutor, porque se aproxima das técnicas sofistas.

Se a teóloga afirma que o objectivo da ordenação das mulheres está errado é porque é um equívoco, em si, a ordenação, seja de homens ou de mulheres. Ela vai mais além e põe em causa, digamos, o sistema. Usar as suas palavras para manter a “ordem estabelecida” (expressão de Ratzinger) é manipular a sua intenção. Elisabeth não deve ter gostado.

Este texto retoma um assunto iniciado aqui.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ordenação de mulheres e pedofilia no mesmo saco

Notícia do “Público” de hoje. Esqueçamos os erros. Não se diz “ordenamento” mas "ordenação". Nem “laicos”, neste contexto, mas leigos. Mas notemos a observação da especialista em religião do “The Guardian”. Juntar num mesmo documento a condenação da ordenação de mulheres (não vale a ena uma boa discussão do tema, sequer?) e a do crime de pedofilia é “uma catástrofe de relações públicas do Vaticano”.

O sítio da agência Ecclesia, no entanto, refere apenas as normas sobre os abusos sexuais (aqui).

quarta-feira, 14 de julho de 2010

14 de Julho de 1570. Pio V publica o Missal Romano

Após o Concílio de Trento (1545-63), Pio V publicou no dia 14 de Julho de 1570 o Missal Romano com a bula “Quo Primum Tempore” (“Desde o primeiro momento”). A bula torna obrigatória a “missa tridentina”, excepto onde se celebrava a missa segundo outro rito há mais de dois séculos, como era o caso das dioceses de Milão (rito ambrosiano) e Braga (rito bracarense) e de congregações como os cartuxos e os carmelitas, só para referir alguns exemplos.

O Missal Romano esteve em vigor até ao II Concílio do Vaticano (1963-65), ou melhor, até ao Missal de João XXIII (1962), que é uma revisão do de Pio V e continua em vigor, embora se use mais o de Paulo VI, da reforma litúrgica de 1970.

Em 2007, com o motu proprioSummorum Pontificum cura (“A preocupação dos Sumos Pontífices”)”, de 7 de Julho, Bento XVI veio afirmar que a missa tridentina (em latim, mas não necessariamente de costas para o povo – depende da disposição do altar –, sem concelebrações, com partes ditas em silêncio e admitindo apenas a oração eucarística romana), na versão de João XXIII, nunca foi ab-rogada e pode ser usada na celebração litúrgica “como forma extraordinária”.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Casamento católico no "Expresso"

"Admira-me é que haja tantos casamentos que dão certo", diz Bento Domingues, no "Expresso" de sábado passado.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...