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segunda-feira, 11 de março de 2013

Efeito Bento XVI no meu blogue

Foi há um mês que Bento XVI anunciou a resignação. A notícia, penso que a com mais impacto em 2013, até ao momento, notou-se no número de visitas deste blogue.

O mês de janeiro tinha sido  razoável, com cerca de 10500 visitas mensais (o que dá mais de 300 por dia), mas o mês de fevereiro estava a ser mais fraquinho. Certamente ficaria abaixo das 10 000 visitas se não fosse Bento XVI. Acabou por ficar nas 11 524. No gráfico nota-se bem como este blogue foi mais procurado de 11 de fevereiro em diante.

O melhor mês de sempre, contudo, continua a ser o de março de 2012. Pelo que vou vendo, há quatro meses em que este blogue é mais consultado: março, maio, outubro e novembro, meses sem férias escolares (março, em 2013, tem).

sábado, 5 de maio de 2012

Anselmo Borges: Ética de mínimos e ética de máximos

Adela Cortina

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):



Para lá da síntese que aqui apresentei, na semana passada, do estudo sobre "Identidades Religiosas em Portugal: Representações, Valores e Práticas - 2011", da Universidade Católica, há outros dados significativos sobre os quais é importante reflectir.

Apesar da descida de 7,4% nos últimos 12 anos, 79,5% da população continua a afirmar-se católica em Portugal (quatro em cada cinco portugueses). Quanto à prática religiosa, 31,7% dizem que vão à missa pelo menos uma vez por semana. Somando os 14% que dizem ir pelo menos uma ou duas vezes por mês, o total perfaz 45,7%. Esta percentagem, por razões que a sociologia explica, deve ser exagerada. Seja como for, quase metade dos católicos considera-se não praticante (43,9%).

Quanto às práticas orantes, a sondagem mostra que, juntando os que dizem rezar todos os dias e os que rezam algumas vezes na semana, obtemos o total de 59,7%.

No domínio referente ao lugar das crenças religiosas no sistema de valores, sobressaem as proposições que afirmam a religião enquanto proporcionando sentido para a vida (36,3%), dando capacidade de perdoar (28,9%), aceitação da dor e da morte (18,7%), desejo de ser melhor (24,5%), valor à família (27,0%); quanto à moral humanitária, 32,7% dizem que a religião contribui para o desejo de ajudar os outros, e 27,9% para preocupar-se com a pobreza, a guerra e a fome. Note-se ainda que 46,5% e 29,0%, respectivamente, concordam total ou parcialmente com a proposição "sem a Igreja católica, em Portugal, muitos (idosos, doentes) ficariam mais sós" e 38,7% e 26,9%, respectivamente, concordam total ou parcialmente com a proposição "sem a Igreja católica, em Portugal, muitos não encontrariam um sentido para a vida".

Já quanto às proposições relativas ao contributo da religião para a dimensão cívico-política as percentagens são tremendamente baixas: "competência no trabalho": 9,6%; "honestidade no pagamento de impostos": 7,9%; "participação na vida cívica e política": 6,7%.

Aqui, é preciso parar e reflectir. Que se passa, se Jesus foi morto como blasfemo religioso e subversivo social e político? Afinal, o que é ser praticante, se Jesus anunciou o Reino de Deus, que começa já neste mundo? Que significa praticar liturgicamente, se não há consequências na praxis social e política?

É fundamental distinguir entre ética, direito, política e religião. Mas não se percebe por que é que a religião não há-de influenciar e motivar positivamente os crentes para uma praxis humanista e competente nestes domínios.

Neste contexto, há muito que a filósofa Adela Cortina chama a atenção concretamente para a relação entre ética e religião, apelando para a distinção entre ética de mínimos e ética de máximos.

Numa sociedade pluralista, impõe-se, no quadro de uma argumentação racional, uma ética de mínimos, que consiste em dar a cada um o que lhe corresponde, que é a exigência da justiça, do mínimo decente humano.

Isto hoje concretiza-se na obrigação por parte da sociedade de "garantir a cada um o exercício dos direitos: 1) da primeira geração, isto é, das chamadas 'liberdades de' (liberdade de consciência, de expressão, de imprensa, de associação, de participação no poder político e de iniciativa económica; 2) dos direitos da segunda geração, agrupados sob a expressão 'liberdades em relação a' ou 'libertação' (libertação da fome, da necessidade, da ignorância, da doença, que só pode conseguir-se satisfazendo o direito à educação, a um meio de vida digno, a uma certa segurança em casos de doença, desemprego ou velhice); 3) dos direitos da terceira geração, que exigem, ainda mais do que os restantes, a solidariedade internacional (direito à paz e a um meio ambiente sadio)".

Com este mínimo conjuga-se uma ética de máximos, que tem a ver com a felicidade, no quadro de projectos livres, religiosos, agnósticos ou ateus. Aí, estamos já no domínio do razoável, da narrativa, do dom e da graça.

sábado, 28 de abril de 2012

Anselmo Borges: Menos católicos mais católicos?

Texto de Anselmo Borges no DN (aqui):

Foi publicada há dias uma síntese do estudo sobre "Identidades religiosas em Portugal: identidades, valores e práticas - 2011", realizado pela Universidade Católica.

A primeira nota a realçar é o nível científico do estudo, destacado por todos os peritos na matéria. Deve--se também sublinhar o patrocínio da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e a transparência da publicação, apesar de os resultados não serem favoráveis à Igreja.

No estudo, mostra-se que o número dos católicos em Portugal caiu, entre 1999 e 2011, de 86,9% (1999) para 79,5% (2011). O número dos católicos diminuiu, mas aumentou a percentagem de pessoas com outra religião: de 2,7% em 1999 para 5,7% em 2011, sendo a posição dos protestantes e dos evangélicos a que mais cresceu: de 0,3% para 2,8%. Aumentou também o número dos sem religião: de 8,2% para 14,2% (neste universo dos que não têm religião, todas as categorias apresentam um acréscimo percentual: indiferentes, de 1,7% para 3,2; agnósticos, de 1,7% para 2,2%; ateus, de 2,7% para 4,1%).

Como conclui o relatório assinado por Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas, da UC, referindo-se à reconfiguração da pertença religiosa em Portugal, "pode observar-se um decréscimo relativo da população que se declara católica e um incremento da percentagem relativa às outras posições de pertença religiosa, com um particular destaque para o universo protestante (incluindo os evangélicos)". "Globalmente, o crescimento relativo dos sem religião em relação ao número de católicos é mais pronunciado do que o crescimento do número dos pertencentes a outras denominações religiosas. Isto é particularmente relevante no caso da categoria 'crentes sem religião'" (4,6%). O conjunto constituído pelos não crentes concentra-se na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Como escreveu Vasco Pulido Valente, a diminuição percentual dos católicos "não se pode tratar como uma catástrofe" (já a sua afirmação de que "o católico típico português, como se esperaria, é hoje uma mulher da província e de meia-idade, longe de qualquer cidade importante e sem educação escolar (ou sem quase educação escolar)" é uma caricatura apressada). De qualquer modo, dizer, como fez o porta-voz da CEP, que "o que é essencial é a qualidade e não a quantidade" pode ser uma resposta preguiçosa.

As explicações para a situação são múltiplas, e a Igreja não é a única responsável. Assim, não se pode esquecer a secularização da consciência nem o materialismo e o hedonismo da nossa cultura bem como a abertura maior do mercado religioso, também por causa da imigração. O sentido de mais autonomia, maior prosperidade e a escolarização poderão contribuir para a indiferença religiosa, o ateísmo e a crença sem pertença. Mas, por parte da Igreja, não poderá ignorar-se a influência negativa dos escândalos da pedofilia, a ostentação do Vaticano, a hierarquização, que não favorece a real participação dos fiéis e nomeadamente das mulheres, a quebra no dinamismo pastoral do clero, a inadaptação aos novos tempos, concretamente no domínio sexual, que conduz a fracturas face à doutrina oficial.

As comunidades católicas vivas assentam em três pilares. O primeiro tem que ver com uma fé viva e esclarecida, capaz de dar razões. Neste domínio, penso que a Universidade Católica poderia cumprir melhor as suas responsabilidades. O outro diz respeito à prática do amor. Não há dúvida de que os católicos tanto a nível institucional como a nível individual e familiar têm sido exemplares no atendimento às carências dos mais desfavorecidos. Mas não basta: não deixa de impressionar que, se, quanto ao sentido da vida e à moral humanitária ou aos valores altruístas, a influência da religião se manifesta forte, é débil quanto ao sentido cívico-político, o que leva à pergunta: são só os 20% não católicos os responsáveis pela actual crise dramática do País? O terceiro pilar tem que ver com as celebrações: aqui, impõe-se um enorme investimento a fazer tanto nas homilias como na música, na sua dignidade e beleza.

sábado, 21 de abril de 2012

Vasco Pulido Valente: Desventuras da Igreja


Opinião de Vasco Pulido Valente no "Público" de hoje. Onde estão as opiniões crentes, por exemplo de teólogos, padres e bispos, sobre o tal inquérito?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não católicos já são três milhões


No "Correio da Manhã" de hoje. Outra leitura possível: Em Portugal ainda há sete milhões de católicos (a sério?). 1,8 milhões de fiéis ainda vão à missa ao domingo. Outra leitura: Ainda faltam muitos ateus e protestantes para que o catolicismo seja opção em vez de tradição.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Católicos suíços suicidam-se menos

Estudos das universidades de Berna e de Zurique mostram que as taxas de suicídio entre pessoas que não pertencem a nenhuma religião são maiores do que nas que integram igrejas reconhecidas. E entre estas, os católicos são os que menos cometem suicídio.

Os dados:
39 suicídios por 100 000 pessoas sem ligação a igrejas;
28,5 suicídios por 100 000 protestantes;
19,7 suicídios por 100 000 católicos.

A notícia pode ser lida aqui (obrigado, FCO, pelo alerta).

Seria interessante perceber por que é mais baixa entre os católicos, num país onde o suicídio assistido é legal. Será porque a doutrina católica é mais dura na condenação do suicídio e da eutanásia? Será porque as igrejas criam laços humanos que tendem a prender mais as pessoas à vida? Será porque os crentes têm outro acompanhamento nos últimos anos?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Números e tendências católicas nos EUA e na Itália

Quatro estudos sobre a Igreja católica e os católicos. A revista “Il Regno”, dos dehonianos, diz que os católicos podem vir a ser uma minoria na Itália, “de católica a genericamente cristã”. Isso nota-se com a ténue identificação dos nascidos após 1981 com a Igreja católica.

Um outro estudo, nos EUA, da Associated Press-Univision, diz que os latinos mais jovens dos Estados Unidos, e aqueles que falam mais inglês do que espanhol, são menos propensos a se identificar com a Igreja Católica, enquanto os dados do Pew Forum diz que em 2030 os brancos não serão uma maioria estatística da população católica dos EUA.

Por fim, a Thomson Reuters, “uma fonte de dados empresariais e profissionais laica e com fins lucrativos, revela que os sistemas de saúde católicos são os melhores nos EUA.

Tudo isto numa análise de John L. Allen Jr., publicada no “National Catholic Reporter” de 13-08-2010 e aqui traduzida em português.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Somos muitos ou somos poucos?

Em "A Criação. Um apelo para salvar a vida na Terra" (apelo de um cientista aos crentes para que cuidem mais do planeta; por enquanto há uma imagem deste livro ali ali ao lado), de E. O. Wilson, escreve-se a certa altura que a biomassa humana é "invisivelmente pequena". "É matematicamente possível empilhar todas as pessoas que existem na Terra num único contentor cúbico com 1,6 km de lado e enfiá-lo longe da vista numa parte remota do Grand Canyon" (pág. 45). Diz também que o ser humano tornou-se uma força geofísica (daí o problema ecológico). Mas realço o ponto: cabemos todos num espaço muito pequeno.

Aplicando ao nosso país, reparo que se formos 7 mil milhões (7 000 000 000 - mas ainda não somos tantos; os relógios da população mundial dizem que somos uns 6,8 mil milhões) cabemos todos no Alentejo, se a cada um for dado um metro quadrado de superfície. Aliás, cabemos todos e mais 21 mil milhões. Num país como Portugal, caberia a população toda 13 vezes. Ou, por outros números, 92 mil milhões de pessoas, já que temos 92 mil quilómetros quadrados de superfície.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Arte aborígene e a Paixão de Cristo

"Aquando de uma viagem à Austrália, fiquei particularmente sensibilizado com a experiência de vida dos aborígenes, não aqueles, hoje praticamente dizimados pelo álcool e pela civilização, mas os que viveram nessas terras antes dos ocidentais aí desembarcarem. Ora, o que faziam eles? No imenso deserto australiano, nómadas como eram, prosseguiam a sua exploração avançando sempre em círculos. Ao cair da noite, capturavam um lagarto, uma serpente, de que faziam a sua refeição e de manhã voltavam a partir. Se, em lugar de avançar em círculo, tivessem prosseguido em linha recta, teriam chegado ao mar onde os aguardava um festim. Em todos os casos, hoje como ontem, a sua arte é feita de círculos que nos evocam uma espécie de pintura abstracta, aliás bastante bela. Um dia, durante essa viagem, chegámos a uma reserva onde havia uma igreja cristã como o seu sacerdote. Este mostra-nos um grande mosaico ao fundo do edifício, onde naturalmente apenas se vêem círculos. O sacerdote diz-nos que esses círculos, segundo os aborígenes, representam a Paixão de Cristo, embora não saiba explicar porquê. O meu filho, então adolescente e sem grande educação religiosa, apercebe-se de que os círculos são em número da catorze. Trata-se, evidentemente, das catorze estações da Via Crucis.

Para eles, o caminho da cruz era representado como um tipo de movimento perpétuo e circular, pontuado por catorze estações. Assim, não podiam desligar-se dos seus próprios motivos, do seu imaginário".

Umberto Eco, pág. 101 de “A Obsessão do Fogo", de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière (Difel).

O Papa e os seus botões

Há dias, numa fotografia a corpo inteiro do Papa (com o pulso engessado), contei o número de botões da túnica. Nesta também é possível contar.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...