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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dinheiro 1 - O boicote à Páscoa


Notícia do JN de ontem. “Paroquianos sem missa ameaçam boicotar Páscoa”. Só pelo título poderíamos fazer muitas leituras. Se os paroquianos não têm missa, que é uma celebração pascal, porque haverão de ter Páscoa?  Como será possível a Páscoa cristã sem missa? E ainda: como é que o desejo de missa, que é algo que, entre outras coisas, deve levar à fraternidade, pode provocar uma retaliação, uma vingança (o boicote)? Na realidade, o que ameaçam boicotar é o compasso pascal, a visita pascal, que, como se sabe, principalmente no norte, acaba por ser a principal fonte de receitas da paróquia (a côngrua). Ou seja, dinheiro.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"Aleluia" dos ex-Trovante, mais ou menos




"Aleluia" é um dos temas do álbum "Missa Brevis", dos Cantate (João Gil, Luís Represas, Manuel Rebelo, Manuel Paulo e Diana Vinagre), que tem o apoio da Renascença. O disco é uma edição da Genius y Meios, empresa do grupo r/com - renascença comunicação multimédia, e estará disponível a partir de Outubro de 2012 (lido e ouvido aqui).

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Vattimo: Durante muito tempo levantei-me cedo para ir à missa



Durante muito tempo levantei-me cedo, para ir à missa, antes da escola, do escritório, das aulas na universidade. Assim poderia começar este livro, talvez acrescentando o fácil calembour de que se trata de uma «busca do tempo perdido». Mas poderei autorizar-me não diria já ao calembour mas ao discurso na primeira pessoa? Dou-me conta de que nunca escrevi assim, a não ser quando se tratava de discussões, polémicas, cartas ao diretor. Nunca nos ensaios e nos textos de carácter «profissional», crítico ou filosófico. Aqui a questão coloca-se porque as páginas que se seguem retomam os temas de uma longa entrevista a dois, juntamente com Sergio Quinzio, feita o ano passado para "La Stampa" por Claudio Altarocca, em que se falava na primeira pessoa, e ainda porque o tema da religião e da fé parece requerer uma escrita necessariamente «pessoal» e comprometida; embora ela não seja essencialmente narrativa e talvez não tenha sempre muito claramente como referência um narrante-crente.

Gianni Vattimo, "Acreditar em acreditar", ed. Relógio d’Água, 1998 (original de 1995), pág. 7.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ou temos missa ou vamos para tribunal


Notícia do "Correio da Manhã" de hoje. Reproduzo-a aqui por causa da ameaça judicial. O que acontecerá se os fiéis recorrerem ao tribunal? Suponho que não se trata do tribunal eclesiástico. Os tribunais declarar-se-ão incompetentes para deliberar sobre tal matéria. Mas seria curioso o tribunal encher-se de fiéis a pedir missa. E a Igreja a dizer que não a dava. E a decisão a prolongar-se anos e anos. E a Igreja - o padre, a Diocese de Coimbra - a usar as artimanhas em que o direito português é tão fértil para que a acção prescrevesse.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Adaptem a missa às audiências?

O estudo que faltava para aumentar as audiências da missa. No "Público" desta terça-feira. Só parece esquecer que no dia em que JC não for "loucura para os gentios e escândalo para os judeus" (judeus e gentios, hoje, somos todos) não valerá a pena ir à missa. 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rito latino da missa não permite acólitas

A Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei” veio esclarecer que as meninas não podem servir ao altar na forma latina da missa (o chamado rito tridentino, pré-reforma do Vaticano II).
É muito estranho – e lamentável, na minha opinião – este esclarecimento, como, aliás, toda esta concessão aos tradicionalistas, que é o regresso a este rito. Com mais um esforço, a comissão ou alguém por ela ainda é capaz de descobrir que as mulheres não podem ser baptizadas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Poder incendiário do Evangelho


Annie Dillard, citada por Timothy Radcliffe (pág. 90 de “Ir à Igreja porquê?”), sobre a coisa arriscada que é (devia ser) escutar do evangelho:
“As Igrejas são crianças que brincam no chão com os seus estojos de química, misturando um lote de TNT mortífero, no domingo de manhã. É uma tolice levar à Igreja chapéus de palha e de veludo de senhora; deveríamos todos utilizar capacetes de protecção. Os porteiros deveriam distribuir protectores de vida e sinais luminosos”.
É um bom texto para meditar em contraste com a realidade aqui descrita por José Antonio Pagola.

Nova confissão

- Por que é que não vais à missa ao domingo?
- Porque sou ausentista do sétimo dia.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Aprender a fazer homilias com a música



Timothy Radcliffe op sobre como devem ser as homilias, na página 97 de “Ir à Igreja porquê?”:

“The Shawshank Redemption” [Os Condenados de Shawshank], um filme rodado em 1994 por Frank Darabont, fala-nos de Andy, um banqueiro americano, preso depois de, por engano, ter sido condenado pelo assassínio da sua mulher. Esforça-se por manter viva a esperança neste mundo deprimente. Tendo-se tornado um preso de confiança, com liberdade excepcional, um dia, ocupa a torre de controlo e emite pelos altifalantes a música da ópera As Bodas de Fígaro de Mozart. Todos estacam e se transfiguram. A beleza abriu-lhes um outro mundo em que já não eram simples criminosos, mas podiam atrever-se a esperar, de novo, uma vida humana. Nenhum de nós consegue pregar tão bem como Mozart, ou mesmo de forma tão libertadores como aqueles músicos no clube de jazz; é por isso que sempre precisaremos de artistas para compartilhar o acontecer da graça. Johann Sebastian Bach celebrou, no seu Oratório de Natal, o nascimento do «mais belo de todos os seres humanos». Precisamos de descobrir a música para repartir esta beleza com os nossos contemporâneos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O grande acontecimento do mundo. Deste e do outro


Ir à Igreja porquê? O drama da Eucaristia

Timothy Radcliffe

Ed. Paulins

296 páginas


Se houvesse um top para os melhores livros católicos do ano, este estaria certamente num dos primeiros lugares. “Ir à Igreja porquê? O drama da Eucaristia”, do ex-mestre geral dos frades dominicanos, Timothy Radcliffe, é um espicaçar para a fé, um indutor de esperança, um tónico para o amor. E tudo isto servido com uma imensa dose de humor, cultura e inteligência. Não só o conteúdo é profundo e enriquecedor, como a forma, a escrita, é apaixonante, por vezes divertida, sempre estimulante.

O livro começa com uma anedota já contada neste blogue, a que várias vezes se alude ao longo das primeiras páginas e que expõe a finalidade da obra:

“Certo domingo, a mãe acordou o filho com uma sacudidela e disse-lhe que estava na hora de ir para a igreja. Sem resultado. Dez minutos mais tarde, insistiu:

- Sai imediatamente da cama e vai para a igreja.

- Ó mãe, não me apetece! É tão aborrecido! Porque é que hei-de chatear-me?

- Por duas razoes: sabes muito bem que deves ir à igreja ao domingo e, em segundo lugar, és o bispo da diocese”.

Claro que, como diz Timothy Radcliffe, “não são apenas os bispos que, por vezes, não têm desejo de ir à igreja”. Um jovem, a quem o seu bispo perguntou, no dia do Crisma, se iria à igreja todos os domingos, respondeu: “Iríeis também ver o mesmo filme todas as semanas?”

Este livro não é sobre como fazer missas criativas e espectaculares, como alguns gostam. Nem sobre a Teologia da Eucaristia. É sobre ir à Missa, sobre como na participação em qualquer Missa, da maior festa e com o padre mais bem falante à mais humilde celebração e no lugarejo mais remoto, se vive um drama. É “uma exploração (…) do modo como a Eucaristia se refere a tudo”. A Missa “representa o drama fundamental de toda a existência humana. Forma-nos como pessoas que crêem, esperam e têm caridade”. A tese deste livro é esta: “O nosso «sim» ao Corpo de Cristo transforma o modo como pertencemos uns aos outros e, por conseguinte, quem somos”.

O autor ilustra a sua obra, dividida em três grandes partes sobre a fé, a esperança e o amor (que remetem para a Liturgia da Palavra, a Oração Eucarística e a Comunhão), com pequenos casos pessoais ou da história, trechos de romances e de poemas e alusões a filmes, o que constitui uma excelente ponte cultural para o mundo em que vivemos.

Refira-se, por último, como grande sinal de ecumenismo, que este livro foi encomendado pelo arcebispo Rowan Williams, primaz da igreja anglicana (que também é um grande poeta), e adoptado como o seu Livro da Quaresma para 2009.

Como dizia um padre, para andar limpo não é preciso conhecer a composição química da água. Basta lavar-se. Para participar na Eucaristia, não será necessário ler livros sobre a Missa. Mas quem ler este, vai tornar-se mais consciente do grande dom de Cristo à sua comunidade e ao mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Homilias que matam pessoas

Ando a ler um extraordinário livro. Já antes me tinha rido com ele, sem nunca lhe ter tocado, ao ler a crónica dominical de Bento Domingues (aqui). É sobre a Missa, escrito pelo frade dominicano Timothy Radcliffe. “Ir à Igreja Porquê? O drama da Eucaristia” (Paulinas).

A cultura do frade é colossal em termos literários. Em termos teológicos e históricos não é admirar.

O capítulo sobre a homilia começa assim:

“Segue-se, então, a homilia, o "Webster’s Dictionary" define pregar (preach) como «dar conselhos morais ou religiosos, sobretudo de uma forma enfadonha». E assim acontece com demasiada frequência. No livro “Barchester Towers”, Anthonny Trollope lamenta-se:

Talvez não haja, agora, maior infortúnio infligido à humanidade nos países civilizados e livres do que a necessidade de ouvir sermões. Ninguém, a não ser um clérigo pregando, tem nestes domínios o poder de obrigar uma audiência a estar sentada em silêncio e ser atormentada. Ninguém, excepto um clérigo pregador, se pode entreter em lugares comuns, truísmos e não truísmos e, no entanto, receber, como privilégio indiscutível, o mesmo comportamento respeitoso como se palavras de eloquência apaixonada ou lógica persuasiva jorrassem dos seus lábios… Ele é o frete do século, o velho de quem nós, Sindbads, não conseguimos livrar-nos, o pesadelo que perturba o nosso remanso dominical, o íncubo que sobrecarrega a nossa religião e torna rebarbativo o culto de Deus.

A pregação aborrecida foi sempre uma provação. S. Paulo discursou de modo tão monótono e durante tanto tempo que Eutico adormeceu, caiu da altura de três andares e morreu (Act 20,9). Ao ver o homem que luta com grande bocejos, quando prego em Blackfriars, consolo-me pelo facto de a minha pregação ainda não o ter morto. Quando S. Cesário de Arles pregava, as portas da igreja tinham de ser fechadas para que as pessoas deixassem de fugir ao tédio. John Donne, o teólogo anglicano do século XVII, disse que os puritanos pregavam durante tanto tempo que só paravam quando a congregação de novo acordava.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Missas sem padre

Numa paróquia, à hora da missa, o padre não está presente. As pessoas começam a ficar preocupadas, até que alguém recebe um telefonema. O padre está retido numa complicação de trânsito. A assembleia decide, mesmo assim, fazer a celebração. Pede-se a um leigo mais acostumado às coisas da Igreja que dirija o culto. O leigo começa:

- Já que hoje não temos padre, rezemos a Deus…

sábado, 4 de dezembro de 2010

Documento da reforma litúrgica

O “Público” de hoje, na secção “No passado” lembra que foi no dia 4 de Dezembro de 1963 que Paulo VI assinou o documento “Sacrosanctum Concilium”. Saída do Concílio Vaticano II, a constituição sobre a “sagrada liturgia” introduzia a possibilidade de celebrar os sacramentos na língua vernácula. Tal significou, praticamente, o fim da missa em latim. No entanto, assiste-se hoje ao crescimento da missa em latim entre os grupos católicos tradicionalistas.

“Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes” (n.º 36, parágrafo 2 da "Sacrosanctum Concilium").

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vamos à missa ou ao shopping?

Folha.com - Qual é a saída para toda essa ansiedade?

Gilles Lipovetsky - As compras. Antes as pessoas iam à missa, agora elas vão ao shopping center. Comprar, ir ao shopping, viajar -são as terapias modernas para depressão, tristeza, solidão. Você pode comprar "terapias de desenvolvimento pessoal". Um fim de semana zen, um pacote de massagens. Todas as esferas de vida estão subjugadas à lógica do mercado.

Li aqui.

sábado, 17 de julho de 2010

Fé laranja dá suspensão ao padre

No dia da final Espanha-Holanda, 11 de Julho, o Pe. Paul Vlaar e a sua comunidade católica de Obdam, na diocese de Haarlem-Amsterdão, não hesitaram em mostrar a fé na selecção laranja. A acção mereceu a suspensão temporária do padre. Comunicado da diocese aqui.

sábado, 1 de maio de 2010

Anselmo Borges: Católicos em autogestão?

No DN de hoje (aqui), Anselmo Borges escreve sobre os católicos portugueses. Não responde a "o que é ser católico", ao contrário do que dá a entender na primeira frase. Mas questiona sociologicamente os católicos portugueses. "Católico" tanto é adjectivo como substantivo. Parece-me que Anselmo Borges pega no "católico" enquanto adjectivo, como qualificativo de cristão. O mais importante está na base, no ser cristão, segundo a sua visão. Mas quem quer saber o que é ser católico talvez não esteja muito interessado em saber primeiro o que é ser cristão. Aliás, por absurdo que pareça, no limite podemos colocar a questão: pode haver católicos que não sejam cristãos? Temo que sim.


Pessoas da política e dos media pediram-me para escrever um texto sobre o que é ser católico. Porque por vezes "discutem entre si, acusando-se mutuamente: quem é o católico?"

Apesar da dificuldade, fica aí uma tentativa simples, quase ingénua.

Afinal, o católico é antes de mais o cristão baptizado na Igreja Católica. O acento tem de estar no "cristão". Ora, quem é o cristão?

O fundamento da espiritualidade cristã não se encontra em dogmas por vezes incompreensíveis nem numa grande teoria ou num sistema eclesiástico. O modelo de vida cristão - Hans Küng insiste justamente nisto - é pura e simplesmente Jesus de Nazaré como o Messias, o Filho de Deus. Na vida e na morte, o fundamento da autêntica espiritualidade cristã é Jesus Cristo, um desafio vivo para a nossa relação com os homens e com o próprio Deus, que se tornou orientação e critério para milhões de homens e mulheres em todo o mundo. Cristão é aquele ou aquela que na sua vida e também na morte se esforça por orientar-se na prática por este Jesus Cristo e o seu Evangelho do Reino de Deus. A cruz só se entende à luz da sua vida e dos conflitos que criou. Mas os cristãos são transportados pela convicção de fé de que a sua morte não foi o fim: a ressurreição significa que Jesus está em Deus, que morreu não para o nada, mas para a Realidade mais real, isto é, foi recebido na vida eterna de Deus. Ele é, assim, o modelo cristão de vida em pessoa.

De qualquer modo, o cristianismo explicita-se numa doutrina, e aí há, como reconheceu o Concílio Vaticano II, uma hierarquia de verdades. Por exemplo, a infalibilidade papal ou a virgindade de Maria não pertencem ao seu núcleo. A ressurreição, que não é a reanimação do cadáver, mas a confissão de fé de que, na morte, o homem não encontra o nada, mas a vida em Deus, sim. Ora, ainda há dias se publicava um estudo no qual se conclui que cerca de 25% dos portugueses não acreditam na vida para além da morte e entre eles estão 10% de católicos que vão por regra à Missa e 26% dos que o fazem ocasionalmente.

A prática do culto, concretamente a participação na Eucaristia ao Domingo, anda por pouco mais de 20%. Daí, a expressão vulgar de tantos se afirmarem católicos não praticantes, entendendo-se por isso que ainda baptizam os filhos e têm referências católicas, mas não vão à Missa nem se confessam.

A expressão "católico não praticante" é tremendamente equívoca, porque, significando a não prática cultual, suporia a prática dos valores apresentados por Cristo. Ora, precisamente aqui, começam perguntas tremendas, que mostram que, afinal, tanto no domínio doutrinal como no cultual e praxístico, a grande maioria dos católicos em Portugal vive em autogestão.

As estatísticas dizem que 88% dos portugueses se afirmam católicos.

Então, no plano da praxis, são inevitáveis muitas perguntas, de que se dá exemplos. Parta-se do princípio de que um católico, no referendo, poderia ser favorável à descriminalização (não à liberalização) do aborto e de que é legítimo o uso responsável de anticonceptivos e do preservativo. Pergunta-se: a irresponsabilidade de tantos milhares de abortos, pagos pelo contribuinte, é um exclusivo dos 12% não católicos?

A corrupção que campeia é um exclusivo desses 12%? É da sua única responsabilidade o não funcionamento da Justiça? E o abismo cada vez mais fundo entre os muito ricos e os muito pobres também? E os salários e prémios escandalosos de gestores? E a situação desgraçada na educação?

Fala-se muito na crise de valores, no relativismo moral e cultural, na perda de referências. Jesus disse que não se pode adorar o Dinheiro, que aparece agora como motor quase exclusivo da vida. Perdeu-se o hábito do trabalho, mente-se descaradamente em todas as instâncias, afundamo-nos no consumismo alarve. Passados 36 anos do 25 de Abril, há quem tema o pior: numa democracia triste e impotente, estar-se a chegar ao point of no return na caminhada para o abismo, no plano económico, social, político. Os únicos responsáveis são os tais 12%?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A primeira missa no Brasil foi assim

Pero (ou Pedro) Vaz de Caminha lê a Pedro Álvares Cabral e Frei Henrique Coimbra a carta que escreveu a El-Rei D. Manuel

“Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu e mandou a todos os capitães que aprestassem os batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperável e dentro dele um altar muito bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que eram todos ali. A qual missa, sendo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.

Ali era com o capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada da parte do Evangelho.

Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, e no fim dela tratou de nossa vinda e achamento desta terra, conformando-se com o sinal da cruz, sob cuja obediência viémos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção”.

In Carta de Pero Vaz de Caminha sobre o descobrimento do Brasil.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um "Kyrie" de Palestrina

Quatro minutos de génio.
O "Kyrie" ("Senhor, tende piedade de nós") da "Missa do Papa Marcelo", de Palestrina (para ouvir sem imagem, que é sempre a mesma).

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

2 de Setembro de 1973. Morre Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien, mais conhecido por J.R.R. Tolkien, morreu há 36 anos. Sentia-se ele próprio um hobbit. Apreciava a rotina e as coisas simples como bebericar cerveja e fumar cachimbo.

Tolkien não gostou de algumas mudanças do II Concílio do Vaticano. Era católico e assim continuou, mesmo quando a liturgia passou a celebrar-se nas línguas vernáculas.

Conta o seu neto que ia à missa com o avô e o ouvia a dar as respostas em latim, baixinho, quando já todos respondiam em inglês.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...