Mostrar mensagens com a etiqueta Mito. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mito. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de abril de 2011

26 de Abril de 1986. Dá-se o acidente nuclear de Chernobil, que está na origem de um mito bíblico


O pior acidente nuclear da história deu-se no dia 26 de Abril de 1986, em Chernobil, actual Ucrânia, que na altura fazia parte da União Soviética. As autoridades comunistas esconderam o acidente e só o deram a conhecer quando a Suécia alertou para os elevados níveis de radioactividade que as suas estações estavam a medir.

Diz-se – e é esse o motivo para invocar este acidente nas minhas efemérides – que Chernobil quer dizer “Absinto” e que o acidente estava previsto neste versículo do Apocalipse: “Quando o terceiro anjo tocou a trombeta, caiu do céu uma grande estrela que ardia como uma tocha chamejante. Caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as nascentes das águas. O nome da estrela é «Absinto»” (Ap 8,10s).

Acontece que Chernobil não quer dizer absinto. Não há nenhum dicionário que tal afirme (os conspiracionistas dizem o governo mandou retirar a palavra dos dicionários!). No final dos anos 90, uma série televisiva similar à dos “Ficheiros Secretos” (julgo que era um sucedâneo) fazia referência a este mito. Talvez fosse mesmo a origem da confusão.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

24 de Fevereiro de 1607. Estreia da ópera “Orfeu”, de Monteverdi

Cláudio Monteverdi

“Orfeu”, uma das primeiras óperas, de Cláudio Monteverdi, estreou-se no dia 24 de Fevereiro de 1607, no Palácio Ducal de Mântua, Itália.

A ópera encena o mito grego de Orfeu e Eurídice. O músico Orfeu desce ao Hades para resgatar a sua mulher, Eurídice, que morreu mordida por uma serpente.

Nos primeiros séculos, os cristãos usaram este mito na literatura e na arte. Orfeu representava Cristo que resgatava a humanidade da morte.

Desconheço se Montverdi dá uma interpretação cristã ao mito, o qual, em muitos outros pontos se afasta da mensagem cristã.

Orfeu rodeado de animais, Museu Cristão-Bizantino, em Atenas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Público 1: A Igreja defendeu a literalidade da Bíblia, "mas isso passou-lhe"


No P2 de hoje, Ana Gerschenfeld entrevista o biblista Francolino Gonçalves (foto do "Público"), frade dominicano, investigador da Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém há 50 anos. A parte final da entrevista:

Vê o que a Bíblia conta como uma lenda?

Há duas leituras. A leitura que eu faço é histórico-crítica e, portanto, tento situar esses textos. E para nós é evidente hoje que o relato dos começos do Livro do Génesis é mítico. E quando dizemos mítico, não estamos a depreciar. O mito é provavelmente das formas mais sublimes que nós temos para expressar certas verdades, certas realidades - sobre a própria humanidade, sobre a relação da humanidade com o Cosmos e tudo isso.

Mas aquilo que parece história, é óbvio que é uma história criada. Pode haver - e há com certeza - certos acontecimentos históricos que estão por detrás, mas que se tornaram lendários e que são apresentados só pelo sentido religioso que têm. É um testemunho de fé e um testemunho de fé é partidário por definição. Portanto, faz parte de um relato que não é necessariamente histórico e que não pretende ser um relato objectivo.

A Igreja Católica já não defende a Bíblia como sendo uma realidade, uma verdade histórica?

Não. Defendeu, defendeu, defendeu. Mas isso passou-lhe [ri-se]. Mas no século XX, defendeu.

Mas há pessoas que ainda hoje interpretam a Bíblia à letra - nomeadamente os criacionistas.

Penso que isso vem de uma espécie de medo perante a razão e de uma preocupação em sacralizar as formas de expressão, que os impede de descobrir o sentido dessas expressões, a verdadeira mensagem que está por detrás. Fixam-se na materialidade do linguístico e do imagético e pensam que isso é canónico, normativo. E isso impede-os de aceder ao verdadeiro sentido dos relatos, à sua verdadeira mensagem. Parece infantil.

Como é o seu dia-a-dia?

Trabalho nesta casa, passo semanas sem ir à rua. Os dias são absolutamente iguais. Houve uma altura em que viajava muito mais, mas agora saio pelo menos duas vezes por ano (vou estar em Portugal em Março-Abril e depois normalmente volto no Verão, em Agosto-Setembro). De resto, estou aqui, passo o dia a trabalhar. Isto também é uma comunidade religiosa e sou religioso, também tenho a minha vida conventual normal. Trabalho e neste semestre vou ter um seminário sobre as imagens proféticas no Livro de Jeremias.

O Livro de Jeremias enxameia de profetas por todo o lado, mas há cinco ou seis imagens de profetas, de tipos de profetas. Eu costumo dizer a brincar que o Livro de Jeremias é o atelier onde se esculpiram ou se pintaram as imagens proféticas que povoam o nosso imaginário ocidental.
Ler tudo aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

"Jonas e Cassandra", por Anselmo Borges

Jonas, por Miguel Ângelo, na Capela Sistina

Anselmo Borges escreve sobre "Jonas e Cassandra". Jonas, do Antigo Testamento, representa a possibilidade de mudança. Cassandra, da mitologia grega, representa o fatalismo.

1. O livro de Jonas, na Bíblia, enquadra-se no chamado género literário midráshico, portanto, sem pretensão de narrar acontecimentos históricos, mas com intenção didáctica. No caso, essa intenção é a superação do particularismo da salvação e a proclamação do amor e misericórdia universal de Deus. Ficou no imaginário popular e artístico sobretudo por causa dos três dias e três noites que Jonas passou no ventre de um peixe.

Jonas começou por não querer cumprir a ordem de Deus, que o enviou a Nínive: "Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e anuncia-lhe que a sua maldade subiu até à minha presença". Mas, depois de o peixe o ter vomitado em terra firme, Jonas foi, entrou na cidade e andou um dia inteiro a apregoar: "Dentro de quarenta dias Nínive será destruída". Ora, diz a Bíblia, "os habitantes de Nínive acreditaram em Deus, ordenaram um jejum e vestiram-se de saco, do maior ao menor. A notícia chegou ao conhecimento do rei de Nínive; ele levantou-se do seu trono, tirou o seu manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza". E publicou um decreto para que "cada um se convertesse do seu mau caminho e da violência que há nas suas mãos".

Então, "Deus viu as suas obras, como se convertiam do seu mau caminho, e, arrependendo-se do mal que tinha resolvido fazer-lhes, não lho fez". Aí, Jonas sentiu-se atraiçoado, pois a sua profecia não se cumpria. Andara a fazer o quê? "Ficou profundamente aborrecido com isto e, muito irritado, pediu ao Senhor: 'Peço-te que me mates, porque é melhor para mim a morte que a vida'".

2. Cassandra, a bela filha de Príamo, rei de Tróia, recusou os amores de Apolo, que, por isso, lhe impôs um castigo terrível: mesmo sabendo e proclamando a verdade, ninguém acreditaria nela. Assim - profetisa inútil -, foi em vão que previu a desgraça que ia cair sobre a sua cidade bem como as suas próprias amargas desventuras. Assistiu impotente à guerra e à ruína de Tróia e, conhecendo a sua própria desgraça, nada pôde fazer para evitá-la: acabou por ser violada por um guerreiro brutal, Ájax, foi entregue como escrava ao chefe inimigo, Agamémnon, e morta pela vingança de Clitemnestra. O seu destino foi patético e trágico.

O famoso filósofo Ernst Bloch juntou as duas figuras, para mostrar como a Bíblia se encontra sob o desígnio da liberdade - a profecia de Jonas não se cumpriu, porque é sempre possível arrepiar caminho e mudar -, enquanto o universo grego clássico é comandado pela fatalidade do destino.


O resto, sobre a actualidade portuguesa, pode se lido aqui.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ainda o Laocoonte de ontem

Cópia da estátua de "Laocoonte e os seus filhos", incluindo os braços e pedaços das serpentes, que faltavam. O braço direito de Laocoonte está conforme o que se pensava ser o original até à descoberta de 1957.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O fim do mito tolstoiano

Tolstoi é um dos mitos com pés de barro que Paul Johnson estilhaça em “Intelectuais” (ed. Guerra & Paz). Depravado, viciado em jogo, desprezando os filhos, temendo o progresso, Tolstoi tem uma imagem de si próprio tão exagerada que leva Johnson a afirmar que o escritor russo se julgava “irmão de Deus, o seu irmão mais velho, aliás”.

Johnson cita passagens do “Diário” de Tolstoi, como estas: “Li um livro sobre a caracterização literária do génio hoje em dia e esse livro despertou em mim a convicção de que sou um homem notável no que se refere à capacidade e vontade de trabalhar”. “Nunca até hoje, conheci um homem que fosse moralmente tão bom como eu e não me lembro de uma única ocasião, em toda a minha vida, em que não me sentisse atraído por aquilo que é bom e não estivesse pronto a sacrificar qualquer coisa por isso”.

E lembra alguns dos dizeres do escritor, que era seguido por muitos como um guru ou profeta. Sobre a vacina contra a varíola, diz: “Não vale a pena tentarmos fugir à morte. Um dia ou outro, de qualquer forma, acabamos por morrer”. Sobre as mulheres: “O mundo seria muito melhor se as mulheres falassem menos…” Educação. “As crianças não precisam de educação, seja ela de que tipo for… Estou convencido de que quanto mais culto um homem é, mais estúpido fica”. Livros: “Ignorai toda a literatura dos últimos 60 anos”…

E o cristianismo de Tolstoi?

“O facto de Tolstoi falar de «Deus» e de se intitular cristão era muito menos importante do que se poderia pensar. A Igreja ortodoxa excomungou-o em Fevereiro de 1901, o que não foi surpresa nenhuma, visto negar a divindade de Jesus Cristo e afirmar, ainda por cima, que chamar-lhe Deus ou rezar-lhe era a «maior das blasfémias». A verdade é que seleccionou, entre os ensinamentos de Cristo e da Igreja do Novo e Velho Testamentos, só os excertos com que concordava, rejeitando tudo o resto. Não era um cristão sob qualquer ponto de vista significativo por que se encarasse a palavra. Se acreditava ou não em Deus é algo pouco mais difícil de concluir, uma vez que definiu «Deus» de diversas formas em diversas épocas da sua vida. No fundo, «Deus» seria, aparentemente, aquilo que Tolstoi queria que acontecesse, a reforma total, o que é um conceito secular e não religioso. Quanto ao Deus Pai tradicional, era, quando muito, um seu igual, que teria de ser cuidadosamente observado e criticado, o outro urso que vivia na sua jaula”.

sábado, 4 de julho de 2009

Imaginários contemporâneos na "Communio"


COMMUNIO - Revista Internacional Católica

“Imaginários contemporâneos”

Out/Nov/Dez 2008


Da Apresentação:

“No mundo ocidental, desde a época das Luzes, vivemos um poderoso movimento iconoclasta e de desmitologização: venera-se a «positividade», os factos históricos, a máquina, o racional. Ironicamente, ao querer-se superar os «obscurantismo» do mito cria-se um outro mito – o do positivismo. Deu-se, depois, o movimento contrário: o ressurgimento do imaginário, em geral, e do mito, em particular. Ora, os produtos que emergem da imaginação humana exercem uma atracção bastante disseminada pelas várias formas de expressão cultural”.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...