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sexta-feira, 12 de maio de 2017
Fátima... Lopes e outras alucinações
Li no Público online que junto ao palco da TVI em Fátima, o plateau, o pessoal amontoa-se para mandar beijinhos ao Marco Paulo, ao Goucha ou a Fátima... Lopes. Concorrência desleal a Nossa Senhora. Texto de Paulo Mendes Pinto.
Também ouvi na rádio dois estudiosos do fenómeno de Fátima, muito estudiosos, mas não crentes. E muito admiradores do Papa Francisco. Dizem, até, que o Papa ao vir como peregrino de certa forma descompromete-se de dizer se Fátima tem algo de sobrenatural, porque não pode ter, dizem. É contrução. Não tem como origem a igreja católica, mas esta aproveitou-se das "alucinações" (era o termo usado) de Lúcia (é curioso Lúcia ter alucinações - tudo a ver com luz). Na perspetiva dos comentadores, o Papa Francisco é porreiro, pá, é ótimo, é o maior, até diz coisas que nós, não crentes, há muito pensamos da Igreja Católica, por isso é que nós, não crentes, gostamos tanto dele, que até diz que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Esta é a lógica. Infelizmente o jornalista que está a moderar a conversa não lhes pergunta: "Podemos concluir, portanto, que o Papa vem canonizar duas crianças mentirosas". Ou "duas crianças alucinadas". Ou "duas crianças manipuladas". Ou duas "crianças enganadas". Ou "duas crianças erradas".
sexta-feira, 31 de março de 2017
Deus é uma confusão de fios em que não se encontra a ponta da meada
Os sumérios tinham uma definição curiosa de Deus, curiosa e cética:
Deus é uma confusão de fios em que não se encontra a ponta da meada.
Já os católicos têm a Nossa Senhora Desatadora de Nós, tão da devoção do Papa Francisco.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Como Nossa Senhora salvou o melhor filme de sempre
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Google Earth apanha Jesus e Maria
O Google Earth apanhou isto e dizem que é (leia-se: parece) "Jesus e Maria" (aqui). Jesus e Maria? Ou antes José e Maria?
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O véu é obrigatório quando se dá de mamar, como mostra fotógrafo luso-francês
O título é grego "Amalthée", remete para a infância de Zeus, mas as imagens são inspiradas obviamente nos quadros da Virgem, como o de cima. O autor a série de fotos, como a de baixo, que pode ser vista aqui, é um luso-francês, Georges Pacheco. Diz que é para fomentar e homenagear a amamentação. Indispensável o uso de véu, pois.
sábado, 7 de setembro de 2013
"A Virgem é mais importante dos que os apóstolos"?
O Papa diz que a "a Virgem é mais importante dos que os apóstolos". Vem na crónica de hoje de Anselmo Borges (ver entrada anterior).
Não duvido da importância que Nossa Senhora (gosto mais desta expressão do que "Virgem", embora "Nossa Senhora" possa fazer um protestante dar saltos na cadeira) tem na versão católica do cristianismo. Mas "mais importante do que os apóstolos" numa Igreja que é apostólica? Algo me parece dissonante nesta medida de importância.
Não duvido da importância que Nossa Senhora (gosto mais desta expressão do que "Virgem", embora "Nossa Senhora" possa fazer um protestante dar saltos na cadeira) tem na versão católica do cristianismo. Mas "mais importante do que os apóstolos" numa Igreja que é apostólica? Algo me parece dissonante nesta medida de importância.
terça-feira, 11 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Felizes sereis quando vos perseguirem
Pode-se não concordar com o que o bispo de Bruxelas diz e
pensa (é criticado pela gestão dos casos de pedofilia e por afirmações sobre a
homossexualidade, como a que diz que é algo de “abnormal”), mas nem sequer
deixá-lo falar numa universidade ou noutro lugar qualquer é daquelas coisas que
não aceito de modo nenhum. E ainda mais num grupo que se diz defensor de direitos
humanos e femininos.
André-Joseph Léonard (tem mais três irmãos que são padres)
foi atacado pelo grupo Femen. Para cúmulo, o grupo atirou-lhe água de garrafas
em forma de Nossa Senhora. Ao pé da atitude das Femen, o kitsch religioso das garrafas (água benta? água de algum santuário?) é irrelevante. Não se conquista a tolerância com intolerância.
sábado, 9 de março de 2013
Sobre a dita aparição mariana de Bento XVI
Na era supostamente científica, acho incríveis os episódios de
crença popular que são uma espécie de epifenómenos religiosos, de sucedâneos,
talvez. O que está a acontecer na Venezuela, com a canonização do ditador (pode
não ter sido formalmente um ditador, porque não aboliu nem manipulou as
eleições, mas modificou a lei para se perpetuar no poder e perseguiu a
imprensa, que, mesmo que seja má, é sempre um sinal das sociedades livres),
merece reflexão.
Outro episódio de que só há momentos tive conhecimento e que
é capaz de começar a fazer o seu percurso viral: diz-se que Bento XVI, um Papa
tão pouco mariano, teve uma aparição mariana para renunciar. Este boato – pelo
menos para mim assim é – está a fazer as delícias dos meios católicos mais
tradicionalistas, que, até prova em contrário, o inventaram, pois é deles que
vem a história.
Sem o dizerem abertamente, largos setores católicos ficaram
profundamente desgostosos com a decisão de Bento XVI. A suposta aparição
mariana (a renúncia aconteceu no dia de Nossa Senhora de Lourdes, 11 de
fevereiro, mas o texto foi assinado no dia 10) canoniza a decisão de Bento XVI. Torna-a mais digerível. Haverá sempre gente disposta a acreditar em tudo, seja na política, seja na
Igreja.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Da feminilidade da economia portuguesa
Mais uma que nos fizeram Lutero e Calvino. Ou antes, não fizeram. Artigo de Pedro Arroja no "Vida Económica". A economia portuguesa é feminina por causa da sua matriz católica, diz o gestor.
Não sei se este Pedro Arroja é o mesmo que lia em meados dos anos noventa no DN. Na altura, apreciava q.b. as suas opiniões liberais e heterodoxas. Agora parece que alinha por um catolicismo muito típico de certos meios (à falta da expressão adequada, escrevo "certos meios").
Este Pedro é o mesmo que no blogue "Portugal Contemporâneo" escreve:
Na minha opinião, um dos pilares centrais da tradição portuguesa e católica que vai ter de ser reposto é o ensino diferenciado entre rapazes e raparigas, pelo menos até à adolescência.
Numa cultura feminina como é a nossa, o ensino misto feminiliza os rapazes. Na cultura protestante, que é masculina, é ao contrário, o ensino misto masculiniza as raparigas.
Na nossa cultura feminina, quando se põem rapazes e raparigas, homens e mulheres, sob o mesmo tecto, mais cedo ou mais tarde as mulheres controlam e dominam o ambiente. O ensino misto em Portugal é um ónus sobretudo para os rapazes, tolhe o desenvolvimento da sua masculinidade.
Em Inglaterra, 80% das melhores escolas são escolas diferenciadas. E, sendo assim no estrangeiro, pode estar certo que aquilo que eu disse é verdade. O ensino misto em Portugal feminiliza os rapazes.
Está aqui uma das razões por que o Joaquim acha os jovens de hoje tão passivos (aqui).
E agora já se compreende mais o conteúdo da expressão
"certos meios".
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso
Quando os pastores ouviram os anjos cantar a incarnação de Cristo,
correram para junto do seu Bom Pastor, a contemplar o Cordeiro recém-nascido no
colo de Maria. Exultaram, cantando:
Alegra-te, mãe do Cordeiro e do Bom Pastor
Alegra-te, redil onde as ovelhas se reúnem
Alegra-te, proteção contra os lobos que as arrebatam
Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso
Alegra-te, pois os céus rejubilam com a terra
Alegra-te, pois os homens exultam com os anjos
Alegra-te, pois tu dás segurança à palavra dos apóstolos
Alegra-te, pois tu dás força ao testemunho dos mártires
Alegra-te, coluna firme que nos seguras a fé
Alegra-te, pois tu conheces o esplendor da graça
Alegra-te, pois que por ti os infernos se esvaziaram
Alegra-te, pois, por ti, nos cobrimos de glória
Alegra-te, Esposa não desposada.
De um hino bizantino à Mãe de Deus (séc. VII)
sábado, 15 de dezembro de 2012
Como Umberto Eco começou com as listas
Tive uma educação católica e, consequentemente, habituei-me
a recitar e a ouvir litanias. As litanias são por natureza repetitivas.
Normalmente são listas de frases laudatórias, como as Litanias da Virgem: «Sancta
Maria», «Sancta dei genitrix», «Sancta Virgo virginum», «Mater Christi», «Mater
divinae gratiae», «Mater purissima», etc.
As litanias, como as listas telefónicas e os catálogos, são
um tipo de lista. São casos de enumeração.
Umberto Eco nas "Confissões de um jovem escritor" (ed. Livros Horizonte), pág. 91.
sábado, 8 de dezembro de 2012
Anselmo Borges: A mulher mais importante de Portugal?
Rainha de Portugal (imagem de Vila Viçosa)
Uma vez, numa entrevista na rádio, um jornalista atirou-me: "qual é a mulher mais importante de Portugal?" E eu, naquela perplexidade de quando somos apanhados de surpresa: "Penso que é Nossa Senhora, Maria, a mãe de Jesus."
À distância e mais reflectidamente, julgo que respondi bem, pois é mesmo isso: Maria, a mãe de Jesus, Nossa Senhora, é, muito provavelmente, a mulher mais importante de Portugal e, possivelmente, até a mais influente. Pergunto a mim próprio o que seria a Igreja em Portugal sem Fátima e mesmo o que seria o país sem a Nossa Senhora. Frei Bento Domingues foi quem melhor definiu Fátima: "o cais de todas as lágrimas dos portugueses."
Assim, lá está Fátima e milhões de peregrinos, as romarias em todas as cidades, vilas e aldeias, uma devoção enraizada, mesmo para lá da prática religiosa oficial. Talvez porque a Igreja é profundamente masculina - Deus é Pai, Filho e Espírito Santo; a hierarquia é masculina: papa, bispos, padres, diáconos - e porque os portugueses interiorizaram uma imagem tradicional severa do pai, Maria aparece como almofada e afago, sobretudo em tempos dramáticos de crise, de guerra, de becos sem saída. É a Mãe.
Tem mesmo direito a dois dias santos de guarda, com feriado nacional. Um deles celebra-se hoje: a Imaculada Conceição. Ninguém sabe ao certo o que é que a maioria dos portugueses, mesmo católicos praticantes, entende por isso, isto é, o que se celebra na Imaculada Conceição Alguns pensarão na virgindade de Maria. Mas, de facto, o que se celebra tem a ver com a doutrina do pecado original, segundo a qual todos os seres humanos nascem em pecado, por causa do pecado de Adão e Eva. Maria, porém, constituiria uma excepção, pois foi concebida sem pecado.
Ora, é preciso confessar que precisamente aqui se concentra um nó de confusões. O Evangelho desconhece essa doutrina, que provém fundamentalmente de Santo Agostinho: em Adão, todos pecaram. Mas como sustentá-la, no quadro da evolução, quando ninguém sabe quem foram os primeiros humanos, já que a tomada de consciência foi lenta e progressiva?
E quem acredita sinceramente que os seres humanos são gerados em pecado? Uma vez, uma senhora, numa conferência, atirou-me que sempre era verdade que sou herege, pois nego o pecado original. Perguntei-lhe, porque é mãe de duas filhas, se acreditava sinceramente que elas tinham sido geradas em pecado e se ela tinha andado ao todo 18 meses com o pecado dentro dela. E ela, fulminante: "Nem pensar!" Conclusão: quando a fé não é reflectida como razoável, assistimos à dissonância entre o que se diz crer e o que realmente se crê. Afinal, o que está no Génesis é, decisivamente, em linguagem simbólica, outra coisa: o significado da passagem da animalidade à humanidade: como seres humanos, temos consciência de sermos únicos e mortais - cada um é ele/ela e sabe de si como único e mortal.
Maria não é importante por ser mãe de Jesus, mas, como diz o Evangelho, por tê-lo acompanhado, mesmo quando não compreendia. Procurou entender e seguiu-o até à cruz. E tornou-se sua discípula, convertendo-se ao Deus que Jesus anunciou: o Deus-amor, que não nos abandona, nem mesmo na morte, que é próximo de todos, que quer a libertação de todos, a começar pelos mais fracos, humilhados e ofendidos - entre estes estão as mulheres.
Como escreveu o biblista Xabier Pikaza, numa longa e densa investigação sobre o Evangelho, "Jesus não quis algo de especial para as mulheres. Quis, para elas, o mesmo que para os homens. Não procurou um lugar especial para elas, mas o mesmo lugar de todos, isto é, o dos 'filhos de Deus'". Depois, veio a traição: "Ao transformar-se em instituição de poder religioso e social, deixando de ser um movimento messiânico de libertação, a Igreja teve de aceitar as estruturas normais de poder, que tinha estado (e estava) nas mãos de homens. Logicamente, os homens justificaram depois essa situação (domínio patriarcal) com pseudo-argumentos religiosos, que vão contra o espírito de Jesus".
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Nobel da Paz para a União Europeia. Concordo, tanta paz é milagre
Nobel da Paz para a União Europeia. Sem entrar nas políticas atuais, acho que é mais do que merecido pelos 50 anos de paz. Nações que durante um milénio só estiveram umas décadas em paz (se contarmos os conflitos internos e internacionais das grandes nações como Alemanha, França, Itália, Espanha, Inglaterra), há 50 anos que discutem e discordam sem nunca pegar em armas. Se não é milagre num conjunto de países que tem uma bandeira de Nossa Senhora, não sei o que é.
Notícia do "Público" aqui.
Sobre a "bandeira de Nossa Senhora", leia-se:
Origem da bandeira.
Os protestantes que não gostam da bandeira.
domingo, 2 de setembro de 2012
E o que disse ela?
Conta-se que São Bernardo estava a rezar diante de um altar de Nossa Senhora. De repente Maria abre a boca e começa a falar. "Cala-te! Cala-te!", grita Bernardo, desesperado. "As mulheres não podem falar na Igreja".
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Calendário de 2012 beneficia diabo
Notícia do JN de sábado, 25 de agosto. A festa realiza-se na sexta anterior ao último sábado de agosto. Algumas pessoas pensam que é na última sexta de agosto. Daí o título. Em 2012, a festa teve menos gente.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
M. de Maio e de Maria
Se portanto falarmos de símbolo, não diremos que a Virgem Maria é o símbolo acabado do Eterno Femino. Diremos antes que este Eterno Feminino deve ser entendido, na sua essência pura, como o símbolo da Virgem Maria.
Henri de Lubac
Henri de Lubac
domingo, 8 de abril de 2012
Bento Domingues: As mulheres na Páscoa
Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje.
Na revista "2", do mesmo jornal, um texto de António Marujo fala de cinco mulheres na vida de Jesus: Maria de Nazaré, Maria Madalena, Maria de Betânia, a Samaritana e a Pecadora de Betânia. Comprem hoje o jornal, mesmo que amanhã encontrem aqui os textos.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Gonzaléz Faus reflete sobre o FMI
Opinião de Gonzaléz Faus sobre o FMI:
La infalibilidad del papa (que sólo vige en circunstancias muy limitadas, casi impracticables) se queda pequeña al lado de la infalibilidad del FMI, aunque haya que concederle a éste una gran ventaja sobre Roma y es la existencia de esa Oficina independiente de evaluación que hemos citado y que Roma no tolera de ningún modo. Pero resulta incomprensible que haya tantas gentes que, no creyendo en la infalibilidad del papa, creen en la infalibilidad del FMI que es mucho más peligrosa: porque no se ciñe a temas celestiales como la asunción de María, sino a cuestiones muy terrenas y serias que ponen en juego la vida de muchas personas.
Ler tudo aqui.
Gosto mais do teólogo do que do político e economista Gonzaléz Faus. Mas se é verdade que toda a boa teologia é necessariamente pastoral, prática, como dizia Karl Rahner, é também política.
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