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quinta-feira, 22 de março de 2012

Deus criou vários povos e quis oferecer-lhes os mandamentos...

Deus criou vários povos e quis dar-lhes os mandamentos. Ofereceu-os aos egípcios, que perguntaram:
- E o que temos de fazer?
 - Adorar um único Deus.
- Então, não queremos.
Ofereceu-os aos persas, que perguntaram:
- O que preceituam esses mandamentos?
- Que não podem mentir.
- Então, não queremos.
Ofereceu-os aos árabes, que perguntaram:
- E o que implicam os mandamentos?
- Implicam que cada homem só se pode casar com uma única mulher.
- Então, não queremos.
- Por fim, Deus ofereceu-os aos judeus, que perguntaram:
- E quanto custa essa tábua com os mandamentos?
 - Não custa nada. É de graça.
- Então, dê-nos duas.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desde Moisés que ninguém tinha visto uma montanha com esta grandeza

Rainer Maria Rilke escreveu à sua mulher, Clara, sobre o quadro de Cézane intitulado "Mont Sainte-Victoire":
Desde Moisés que ninguém tinha visto uma montanha com esta grandeza... Só um santo conseguiria estar tão unido a Deus como Cézanne estava com a sua obra".
Mas a qual "Mont Sainte-Victoire" de Cézanne se referia Rilke? Pintou o monte dezenas vezes. Aqui ficam dez.











segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Moisés, o gestor, e Jetro, o consultor (Gestão 1)


Aprende-se muita religião e Bíblia com os livros de gestão. E o contrário: aprende-se gestão com a Bíblia.
Diz-se que a primeira metade da viagem do êxodo dos hebreus do Egipto para Israel demorou cerca de 35 anos. Então Moisés aconselhou-se com Jetro, sogro dele e talvez o primeiro consultor de gestão do mundo, acerca do modo de reorganizar os israelitas. E seguiu as suas recomendações. A Bíblia reconta a descoberta que Moisés fez de um organograma: "Escolheu em Israel homens capazes e colocou-os como chefes do povo: chefes de mil, de cem, de cinquenta e e dez" (Ex 18,15). A segunda metade da viagem demorou cinco anos.
Lido em "Capitalismo Karaoke. Gestão para a humanidade", de Jonas Ridderstrale e Kjell A. Nordstrom (autores na foto em cima, mas não sei qual é qual), Ed. Público, p. 141.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Como separar as águas do Mar Vermelho

Sobre a obrigação de os cristãos darem o primeiro passo, Timothy Radcliffe (pág. 280 de "Ser cristão para quê?") conta esta lenda talmúdica sobre Nachshon ben Amminadab, na versão do rabino inglês Hugo Gryn  (1930-1996):
Nachshon era um rapaz que estava com o seu povo nas margens do Mar Vermelho. Atrás deles vinham os egípcios a persegui-los, em frente estavam as águas profundas e perigosas. Quando Moisés instigou Israel a avançar tiveram medo e hesitaram. Mas Nachshon deu um pulo e foi só então que as águas se separaram.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quem são os ghost-writers de Deus?


Saiu no "i" de 19 de Outubro. Está on-line, aqui. Parece que a informática bem confirmar o que já se sabe, que muitos dos textos bíblicos foram escritos a várias mãos, são como as cidades antigas, com sucessivas construções e reconstruções.


A peça centra-se no Pentateuco (cinco primeiros livros do Antigo Testamento, que correspondem à Torá judaica). Fala de duas correntes, a "eclesiástica" e a "não eclesiástica". na realidade, é dado adquirido que no Pentateuco há quatro grandes tradições: a Javista (trata a Deus por Ihaweh), a Eloísta (trata a Deus por Elohim), a Sacerdotal (julgo que "eclesiástica" refere-se a esta) e a Deuteronomista (gosta muito de leis).


Por outro lado, embora sempre se atribuísse a Moisés a autoria moral do Pentateuco, sempre se duvidou da autoria material do mesmo. Veja-se o versículo 5 do capítulo 34 do Deuteronómio: "E Moisés, o servo de Deus, morreu ali, na terra de Moab, por determinação do Senhor".


Quem são os ghost-writers de Deus? Só se sabe que são muitos.

sábado, 9 de julho de 2011

Anselmo Borges: Os Dez Mandamentos

Wim Wenders também acha que os Dez Mandamentos continuam actuais

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje (aqui):

Em todas as épocas, há quem julgue estar-se num momento decisivo. Também para se dar importância.

Desta vez, porém, é mesmo a sério: encontramo-nos num cotovelo, num momento obscuro e decisivo, imprevisível, da História. A crise é imensa, de contornos não bem definidos, global. O que se segue pode ser pura e simplesmente o caos. As suas causas são múltiplas. Aliás, quanto aos fenómenos sociais, deve-se desconfiar das explicações monocausais.

A crise é, evidentemente, financeira, económica, política, social, religiosa, moral, de valores. Sim, de valores. De valores vinculantes.

Implantou-se o princípio do ter e do prazer e impera o individualismo descomprometido e consumista. Como já aqui escrevi, o célebre sociólogo Zygmunt Bauman, professor jubilado da Universidade de Leeds, caracterizou a situação como "modernidade líquida". Os laços, íntimos e sociais, são frágeis. Há o receio de compromissos a longo termo. Tudo deve ficar em aberto, para não fechar possibilidades.

Baumann dá o exemplo do amor e da sua vivência contraditória, dolorosa. Por um lado, num mundo incerto e instável, " tem-se mais necessidade do que nunca de um parceiro leal e dedicado, mas, por outro, fica-se aterrado com a ideia de compromisso (para já não falar de compromisso incondicional) com este tipo de lealdade e dedicação". Há o receio de perder a liberdade e oportunidades. "E se o parceiro/a fosse o/a primeiro/a a decidir que está farto/a, de modo que a minha entrega acabasse no caixote do lixo? Isto leva então a tentar realizar o impossível: ter uma relação segura, mas permanecendo livre, para poder acabar com ela a cada instante. Melhor: viver um amor verdadeiro, profundo, durável, mas revogável a pedido... Tenho o sentimento de que muitas das tragé- dias pessoais derivam desta contradição insolúvel."

No fundo, é a recusa do sacrifício. De facto, querer salvar o amor do turbilhão da 'vida líquida' é inevitavelmente custoso, como é custosa e difícil a vida moral. Entregar-se a outro ser humano no amor traz felicidade real e duradoura, mas "não se pode recusar o sacrifício de si e esperar ao mesmo tempo viver o 'amor verdadeiro' com que sonhamos".

Na nossa sociedade, tende-se a substituir a noção de 'estrutura' pela de 'rede'. É que, "ao contrário das 'estruturas' de outrora, cuja razão de ser era vincular com laços difíceis de desfazer, as redes servem tanto para ligar como para desligar". Por isso, Baumann contrapõe 'liquidez' e 'solidez' das instituições. Afinal, "instituições sólidas, no sentido de duráveis e previsíveis, constrangem, mas ao mesmo tempo tornam possível a acção dos agentes".

Pessoalmente, mais do que a imoralidade preocupa-me a amoralidade. Porque, quando tudo vale, nada vale, pois tudo é igual. Uma sociedade sem convicções e valores comuns partilhados não tem futuro, porque lhe falta horizonte e sentido. Por isso, fonte maior de mal-estar hoje está na falta de critérios de valor e de orientação.

Neste contexto, a revista alemã Stern publicou um dossier subordinado à pergunta: "Os Dez Mandamentos estão ultrapassados?" Significativamente, políticos como o actual ministro federal das Finanças, W. Schäuble, realizadores como Wim Wenders, filósofos como Peter Sloterdijk, declararam que eles continuam vivos e actuais. De facto, quem negará actualidade a preceitos como: "Não farás imagens de Deus, mas respeitarás a dignidade de todos os seres humanos, sua imagem", "Não matarás", "Não cometerás adultério", "Amarás os filhos e respeitarás os pais", "Não roubarás", "Não viverás à custa dos outros", "Serás justo com todos", "Protegerás a natureza", "Assumirás as tuas responsabilidades"?

Referindo-se-lhes como um compêndio da sabedoria humana, acumulada ao longo de séculos, o grande escritor Thomas Mann disse que eles são "manifestação fundamental e rocha da decência humana", "o ABC da conduta humana".

sábado, 4 de junho de 2011

4 de Junho de 1313 a.C. Moisés sobre ao Sinai pela primeira vez



A  tradição judaica diz que foi num dia correspondente a 4 de Junho de 1313, antes de Cristo, segundo o calendário cristão, que Moisés subiu ao monte Sinai pela primeira vez e ouviu de Deus:
"(...) Se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é minha a terra inteira (...)" (Ex 19,4-6).
Este dia é celebrado como o "Dia da Distinção".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As sete maiores contribuições judaicas para a humanidade

Os sete judeus mais influentes:

Abraão, ao pressentir que tudo deve servir a um só Deus. 
Moisés, ao afirmar que tudo deve estar submetido à lei.
Jesus, ao dizer que tudo reside no amor.
Marx, ao estabelecer que tudo é dominado pelo dinheiro.

Freud, ao descobrir que tudo é comandado pelo sexo.
Bergson, ao declarar que tudo pode ser objecto de riso.
Einstein, ao concluir que tudo é relativo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Antepassados

Um jovem americano conversa com um amigo judeu:
- Sou descendente de uma das primeiras famílias que se instalaram na Nova Inglaterra e um dos meus antepassados assinou a Declaração de Independência.
- E depois? – pergunta-lhe o amigo. – Um dos meus antepassados assinou os Dez Mandamentos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Da necessidade da madeira


A salvação sempre veio pelo madeiro. Com efeito, no tempo de Noé, a vida foi conservada pela arca de madeira. No tempo de Moisés, ao ver o seu bastão, o mar intimidou-se diante daquele que o golpeava. Teve, então, tanto poder o bastão de Moisés e será ineficaz a cruz do Salvador? O madeiro, no tempo de Moisés, abrandou a água. E do lado de Cristo, a água correu sobre o madeiro. A água e o sangue constituíram o primeiro dos sinais de Moisés; o mesmo ocorreu no último sinal de Jesus. Primeiro, Moisés mudou o rio em sangue; Jesus, no fim, deixou correr de seu lado água e sangue.

Cirilo de Jerusalém (315-386)

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A maldição de Jacques Maritain


Jacques Maritain escreveu no seu “Carnet de notes”, no dia 5 de Outubro de 1910:
Enlouquecedora influência da teoria do agrupamento. Lema da hierarquia de França: «Agrupemo-nos!» – Agrupemos as almas, os cães, os porcos! Agrupemos os mortos! Agrupemos os proprietários cristãos! – «A união faz a força». Este lema só pode ter um sentido para o cristão: a união com Deus faz a força.
E no entanto seremos mais fortes se estivermos unidos. Mas se pensarmos, por exemplo, no que seria uma união católica, rapidamente chegaremos à conclusão de que estamos unidos no desacordo.


Os católicos não votam num único partido, quando votam. Não acreditam todos na vida depois desta vida, quando não acreditam, por exemplo, na reencarnação. Não sabem, na sua maioria, que há um pensamento, uma doutrina, sobre as questões sociais, políticas e económicas. Não estão unidos na defesa da vida no seu princípio e fim. Uns querem latim, outros nem ouvi-lo. Uns são todos pró social, outros, se pudessem, não saiam de dentro do templo. Uns são marianos e papistas; outros, bíblicos e proféticos.


Na sociedade portuguesa, dita maioritariamente católica, exceptuando a conferência episcopal (e mesmo ela com tensões interiores entre norte e sul, opositores declarados às políticas oficiais e moderados, tradicionalistas e progressistas), não há grupos que falem e actuem como católicos. Vive-se como na anedota que diz que se Deus tivesse nomeado uma comissão em vez de mandar Moisés libertar o povo de Israel, ainda hoje lá estariam (no Egipto). Ou então é a maldição de Maritain.

sábado, 30 de outubro de 2010

Pacheco Pereira andou a ler a Vulgata no iPad

José Pacheco Pereira comprou um iPad e conta no “Público” de hoje:

“Por falar em livros, duvido que alguma vez utilize o iPad como ebook. Enchi-o logo com uma série de «aplicações», que incluem a Vulgata, as fábulas de Fedro, Shakespeare, Dante e Tolstoi completos e umas antologias de poesia. Mas se consulto os textos não os leio no iPad. O mais longe que fui em extensão de texto lido foi com a Vulgata, mas mais pelo fascínio do texto latino que me levou a ler o Genesis todo, em que praticamente cada frase é uma citação conhecida”.

A Vulgata, note-se, é a Bíblia traduzida para latim por S. Jerónimo. O texto mais lido e mais influente no Ocidente. A versão oficial da Bíblia durante a maior parte da história da Igreja Católica. Até nos erros. Dois exemplos curiosos.

* Se se diz que o fruto do pecado é a maçã, é somente que porque maçã e mal e mau são palavras parecidas, homónimas em alguns casos (malum, i - mal; malum, i; maçã; malus, a, um, mau).

* Se Miguel Ângelo representou Moisés com dois chifres, foi porque S. Jerónimo traduziu "raios de luz", que segundo o livro do Êxodo saíam da cabeça de Moisés após o encontro com Deus, por "chifres", que nas culturas antigas eram símbolo de poder. Não foi só Miguel Ângelo que representou Moisés desse modo. Na fachada do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, também há um Moisés com chifres. Já o procurei e não o encontrei. Mas garantiram-me que está lá.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Grandes figuras da Bíblia segundo Carreira das Neves

“É facto que os católicos, ao contrário dos protestantes, lêem pouco a Bíblia, porque, na tradição da Igreja Católica, a Bíblia não é uma entidade «divina» de per se, mas um meio – o maior e absolutamente necessário entre outros – para chegarmos a Deus, à fé cristã e à compreensão da Igreja”, escreve P.e Joaquim Carreira das Neves na “Introdução” de “As grandes figuras da Bíblia”.

Hoje, com tantos meios à disposição, se um católico desconhece o fundamental da Bíblia, a responsabilidade é exclusivamente dele, ainda que a Igreja em geral e as comunidades cristãs em especial pudessem fazer mais pela promoção da sua leitura.

Neste livro, o padre franciscano e professor de Teologia Bíblica traça “retratos” e “biografias” de protagonistas bíblicos, “em escrita corrida, sem descer a muitos pormenores filológicos, culturais e históricos”. “A intenção é apresentar um livro que todos os leitores possam entender”, por isso, deixou de lado “as argúcias exegéticas dos grandes comentadores da Bíblia, que enchem bibliotecas e revistas da especialidade”.

São 15 as grandes figuras da Bíblia, segundo o P.e Carreira das Neves. Algumas são inseparáveis do seu par e uma é colectiva, os profetas. As figuras estão distribuídas por 12 capítulos. Só uma é do Novo Testamento: Jesus Cristo.

Figuras: 1. Deus; 2. Adão e Eva; 3. Caim e Abel; 4. Noé; 5. Abraão; 6. Moisés; 7. David; 8. Salomão; 9. Profetas; 10. Elias e Eliseu; 11. Isaías; 12. Jesus.

domingo, 26 de setembro de 2010

Por que é que não foste Zoussya?

Já quase no fim da vida, o rabi Zoussya, mestre hassídico admirado por Elie Weisel, disse:
- No mundo futuro, a questão que se me vai colocar não é: por que é que não foste Moisés? Não. A verdadeira questão é: por que é que não foste Zoussya?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Moisés no Twitter

Ontem copiei para aqui uma anedota sobre a mãe de Moisés. Hoje leio que estão a reescrever a Bíblia (800 mil palavras) para o Twitter. E exemplifica-se com Moisés.

Chris Juby, de Durham (Inglaterra), escreve 1190 tweets diários. Há outros projectos semelhantes na Europa e nos EUA. Um deles é o Twible, de Jana Riess. Consiste em reescrever o Antigo Testamento em forma de piadas. A história de Moisés, por exemplo, no Êxodo, capítulo dois, é reduzida para: “É porreiro descer o Nino num cesto, mas quem é esta rapariga egípcia a quem é suposto que eu chame mãe?”

A ideia, diz Jana Riess, começou quando se interrogou sobre o que o jornal humorístico “The Onion” teria a dizer a respeito da Bíblia.

A notícia está em português do Brasil aqui e em inglês aqui.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Quem foi a mãe de Moisés?

A mãe testa os conhecimentos do seu filho, que anda na catequese:

- Quem foi a mãe de Moisés?

- A filha do faraó.

- É isso que te ensinam na catequese? Vê se fixas de uma vez por todas que a filha do faraó foi a mulher que o salvou das águas.

- Ó mãe, então não percebeste que isso foi o que ela contou?

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...