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sábado, 20 de agosto de 2016
domingo, 2 de novembro de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Santa liberdade
Podem sempre dizer que o ocidente é isto e aquilo, geralmente, capitalista, consumista e decadente. Ao ver o que vem do oriente, seja do oriente europeu, com Putin a invadir a Ucrânia (que quer ser ocidental e em parte é católica), seja do Médio Oriente, com a instauração do califado (é assustador o que se vê nesta reportagem sobre o Estado Islâmico, incluindo a destruição de uma igreja cristã, pelo minut0 31), mais aprecio a liberdade do ocidente dito decadente. As alternativas são arrepiantes.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
El comandante
A notícia diz que o...
Governo da Venezuela proíbe notícias sobre escassez de bens
Mas eu olhei foi para a imagem que tem um Senhor que querem fazê-lo "dos exércitos". Só que ele, como mostra a imagem, não é "dos exércitos". É "das vítimas".
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Liberdade sem sensatez
A nossa ruína reside na incapacidade de aproveitarmos ao máximo a liberdade que os nossos antepassados conquistaram para nós com tanta dificuldade ao longo de três séculos. Fartámo-nos de podermos fazer o que queremos sem sensatez suficiente para tirar partido da liberdade que usufruímos.
Alain de Botton na página 77 de "Religião para ateus"
Alain de Botton na página 77 de "Religião para ateus"
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
Anselmo Borges: "Já não há valores"
Texto de Anselmo Borges no DN de hoje:
Já não há valores! Aí está uma afirmação que se ouve constantemente, vinda de ex-presidentes da República, bispos, professores, padres, pais e mães, educadores. De quase toda a gente.
A afirmação, porém, não é verdadeira. Evidentemente, continua a haver valores. Não é possível viver sem valores. Não há sociedade sem valores. O que se passa é que mudou a escala de valores. A hierarquia dos valores, agora, é outra.
Abraham Maslow estabeleceu uma famosa pirâmide: a pirâmide das necessidades humanas. Segundo o psicólogo norte-americano, essas necessidades têm uma hierarquia ascendente, que vai, portanto, da base até aos níveis superiores. As necessidades básicas confundem-se com as necessidades fisiológicas, condição de sobrevivência: respirar, comer, beber, dormir, reproduzir-se. No segundo patamar, encontra-se a necessidade de segurança, que tem a ver com a integridade do corpo, da saúde, a salvaguarda dos bens e da propriedade. As necessidades de pertença estão no terceiro plano e referem-se à necessidade de identidade e de afecto; daí, a importância da amizade, do amor, da vida familiar e grupal. O quarto nível é ocupado pelas necessidades de estima, tanto no que se refere a si mesmo - auto-estima - como confiança nos outros: estimar-se a si e aos outros e ser estimado e respeitado pelos outros. No quinto nível, temos a realização pessoal, com tudo o que isso implica de criatividade, ética, vida interior, sentido e transcendência.
Evidentemente, esta escala é discutida e discutível, pois pode não ser tão universal como pode parecer, não tendo na devida conta a sua determinação histórica e cultural. No entanto, como escreveu Frédéric Lenoir, parece possível "considerar estes cinco tipos de necessidades como sendo todos, e com a mesma dignidade, condições do bem-estar, da felicidade, da realização de si".
A esta escala de necessidades corresponde uma escala de valores. É claro que as necessidades biológicas são as mais urgentes - sem a sua satisfação, não se sobrevive -, mas isso não significa que sejam as mais humanas, já que são partilhadas com os outros animais.
Valor vem de valere - vale, valete era a saudação romana: passa bem!, passai bem! -, que significa ser forte, ter saúde, passar bem, estar de saúde. E está em conexão com perguntas como: quanto custa isto?, quanto vale?, qual o seu preço? No contexto desta conexão, percebe-se que rapidamente venha à ideia a ligação ao dinheiro.
E não é o dinheiro um valor? A questão é saber se é o valor primeiro - é o mais urgente, pois dele depende a salvaguarda da vida -, mas é o mais humano, aquele que determina verdadeiramente a nossa realização humana?
Jesus disse que havia incompatibilidade entre Deus e o Dinheiro: "não podeis servir a dois senhores, a Deus e ao Dinheiro; ou a um ou a outro." É evidente que Jesus não condena o dinheiro enquanto tal, isto é, enquanto meio. Ele próprio teve de servir-se dele, ganhando a sua vida através do trabalho. O que se passa é que a palavra utilizada no Evangelho para dizer este dinheiro é Mamôn, isto é, o Dinheiro divinizado e fim em si mesmo. De facto, não é possível servir o Deus da Vida, que quer a vida de todos, e o Dinheiro enquanto ídolo. Quem faz do dinheiro e da riqueza o objectivo essencial da sua vida de certeza que fará muitas vítimas pelo caminho e impedirá muitos de viver.
Continua a haver valores. Mas a sua hierarquia transtornou-se e o que é meio tornou-se fim. E aí está o culto do bezerro de ouro, o egoísmo feroz, a avareza, a ganância sem limites. Mas são o dinheiro e a riqueza a finalidade última da vida? Os gregos apresentaram sabiamente a famosa lenda do rei Midas: tudo o que tocasse transformar-se-ia em ouro. Ora, quem ele tocou primeiro foi a filha. Depois, quando levava algo à boca para comer, também se transformava em ouro. E viu a sua desgraça trágica.
Precisamos é de repor uma escala decente de valores. Comecemos pela justiça, em ligação com a verdade e a igualdade; junte-se-lhe a liberdade, coroada pelo amor. Afinal, há gente riquíssima que é infeliz e quem viva feliz na sobriedade.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Bento Domingues: As religiões não são todas iguais
A resignação do Papa foi um vórtice que engoliu tudo. Eu, por, exemplo, esqueci-me de pôr aqui o texto de Bento Domingues. Começa com esta tirada impagável:
Na polémica com os liberais, o católico ultramontano Louis Veuillot (1813-1883) assumiu uma posição que ficou célebre: "Quando estou em situação desfavorável, em nome dos vossos princípios, exijo a liberdade; quando estou em posição forte, em nome do meu antiliberalismo, nego-vos a liberdade".
Louis Veuillot, o antipatrono da liberdade
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Bento Domingues: "As religiões não são todas iguais"
As religiões não são todas iguais e nem tudo é santo nas
religiões, diz Bento Domingues no seu texto de hoje no “Público”.
O dominicano começa por citar um ultramontano, Louis
Veuillot (1813-1883), que disse algo que hoje tem perfeita aplicação em muitos
muçulmanos, talvez mais nos líderes, que querem liberdade religiosa nos países
de minoria muçulmana, mas odeiam-na nos países árabes: "Quando estou em
situação desfavorável, em nome dos vossos princípios, exijo a liberdade; quando
estou em posição forte, em nome do meu antiliberalismo, nego-vos a
liberdade".
E aponta o edificante – o adjetivo é a minha opinião –
exemplo norueguês:
A Noruega não parece disposta a aceitar a chantagem terrorista. O Governo norueguês aceita a construção de mesquitas no seu território. Não admite, porém, que a Arábia Saudita e os seus homens de negócios entrem com milhares de milhões para financiar esplendorosas mesquitas e continuem a impedir a construção de igrejas cristãs no seu país. Exige reciprocidade.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jonas Gahr Stor, levará esta exigência ao Conselho da Europa.
Bento Domingues conta ainda como Jesus não respeitou a
integridade da Sagrada Escritura, o mesmo é dizer a relação das religiões com a
violência. Esse é mais um dos motivos para admirar, se de mais não formos
capazes, Jesus Cristo. O texto na íntegra estará por cá amanhã.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Não obedecerás a dois senhores, ao Papa e ao grande timoneiro
Universidade em Pequim. Uma delas
O Partido Comunista Chinês declarou guerra ao cristianismo
nas universidades porque, diz num documento de maio de 2011 mas só agora
divulgado, esta religião é uma doença, “uma conspiração política para dividir e ocidentalizar a China”. O documento tem como título “Sugestões para resistir bem ao uso da
religião por indivíduos estrangeiros para ser infiltrarem em institutos de
ensino superior e para evitar o evangelismo nos campus universitário”. Li no “Público”
de hoje, embora duvide do título do documento e do plural de campus, que deve
ser campi. Entre as medidas preconizadas pelas autoridades chinesas está “aumentar
a propaganda e a educação sobre a visão marxista da religião e os princípios do
partido”.
Diz ainda a notícia – e nunca tinha pensado nesta perspetiva
– que a China é o sétimo país do mundo em número de católicos. Não diz quantos
são em número absoluto, mas diz que são 3,1 por cento da população, o que dá
mais de 40 milhões de católicos para uma população de 1,3 mil milhões. (Quais
os seis com mais católicos? Penso que estes: Brasil, México, EUA, Filipinas,
Itália e a seguir um destes três, mas não sei qual: Espanha, França, Polónia).
Mais uma vez, o medo de os católicos, principalmente esses, obedecerem a um outro soberano, o Papa, e não ao líder da China. Como se o dilema se pusesse habitualmente na mente de qualquer católico.
Por outro lado, é sabido que as autoridades chinesas não querem aplicar os princípios
marxistas a outros âmbitos que o das crenças, como a economia ("é glorioso enriquecer", disse o sucessor de Mao Zedong). Se quisessem, a
religião cristã e concretamente a fé católica poderiam sair prejudicadas. É que
a China é a maior produtora mundial de Bíblias e de imagens de Nossa Senhora de
Fátima.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Liberdade
A liberdade deve ser de um valor incomensurável para que o Eterno tenha assumido o risco de no-la conceder! Sem ela seríamos autómatos. Tomai cuidado! Com ela temos a capacidade de amar. Ou de recusarmos a amar. Ele arrisca nisso a sua glória...
Abbé Pierre, 1965
Abbé Pierre, 1965
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
Anselmo Borges: Martini, "Um Papa da frente"
Bela prosa de Anselmo Borges sobre Padre Carlo Maria Martini. Tirei do DN de hoje.
Segundo o protocolo, um cardeal é tratado por Eminência. O cardeal Carlo Maria Martini recusava esse tipo de tratamento: "Chame-me Padre Carlo Maria Martini."
Até nisto era eminente. Por isso, denunciava vícios impregnados na Igreja. Para ele, "o vício clerical por excelência" é a inveja. Mas há outros pecados capitais na Igreja: a vaidade e a calúnia. "Que grande é a vaidade na Igreja! Ela tem essa tendência para a ostentação, o alarde." E há o "terrível carreirismo" clerical, especialmente na Cúria Romana, "onde todos querem ser mais". Precisamente por causa do carreirismo é que muitos se calam: "certas coisas não se dizem, porque se sabe que bloqueiam a carreira." Isso é "péssimo na Igreja". A verdade brilha pela ausência, pois "procura-se dizer o que agrada ao superior e age-se como cada um imagina que o superior gostaria, prestando deste modo um fraco serviço ao Papa".
Cardeal Martini em Jerusalém
Especialista em ciências bíblicas, Martini era um intelectual reconhecido mundialmente, com vários doutoramentos e falando muitas línguas. Foi Director do Instituto Bíblico de Roma e Reitor da Universidade Gregoriana. Depois, esteve à frente da arquidiocese de Milão durante 22 anos e presidiu ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Quando completou 75 anos, retirou-se para Jerusalém - não quis ficar perto do Vaticano: "Jerusalém é a minha pátria. Antes da pátria eterna."
Falava com liberdade interior limpa, em sincera sintonia com os problemas dos homens, das mulheres e dos jovens, e tinha convicções e coerência de vida. Não receava discutir com Deus e fazer-lhe perguntas - não disse Heidegger que "a pergunta é a piedade do pensamento"? "Como bispo, perguntei frequentemente a Deus: porque não nos dás ideias melhores, porque não nos fazes mais fortes no amor, mais corajosos ao lidar com as questões actuais?" Não conseguia compreender porque é que Deus deixou morrer o seu Filho na cruz. "Combati com Deus", "porque, quando vejo o mal do mundo, fico sem alento e entendo os que chegam à conclusão de que Deus não existe".
Não era de modo nenhum partidário de propostas tíbias, e criticava a nossa sociedade, que não sabe viver com a dificuldade e, "no fundo, se baseia no espectáculo e no aparecer", mas ousou enfrentar com realismo e valentia questões de ética, nomeadamente no domínio sexual, como a homossexualidade, a contracepção, o preservativo, o problema dos divorciados recasados -"prevejo que a Igreja deva encontrar soluções para estas pessoas"-, e propugnava reformas profundas na estrutura da Igreja, como mais participação de todos, fim do celibato obrigatório, ordenação de mulheres - "os homens de Igreja têm de pedir perdão às mulheres".
Era um místico, que confiava radicalmente em Deus. "Talvez, ao morrer, alguém segure a minha mão. Desejo nesse momento poder rezar. Durante toda a vida reflecti sobre Deus e sobre o além; neste momento, não sei nada a não ser que eu próprio na morte também me sinto acolhido. Isto é também a minha esperança." No seu último escrito no Il Corriere della Sera, escreveu: "Deus quis que passássemos por esta 'dura viela' que é a morte e que entrássemos na escuridão que mete sempre um pouco de medo. A morte obriga-nos a confiar totalmente em Deus."
Gostava da expressão "a concupiscência da criatividade" e declarava-se um enamorado da justiça, "o atributo fundamental de Deus." Reclamava coragem para si e para Igreja, também porque "a vida me demonstrou que Deus é bom", um Deus que sentia "nas estrelas, no amor, na música, na literatura e na palavra da Bíblia". "O assombro pode levar a Deus."
Homem de diálogo, criou em Milão a "Cátedra dos não crentes" e, reportando-se a um pensamento de Norberto Bobbio, dizia: "O que me interessa é a diferença entre pensantes e não pensantes. Quero que todos vós sejais pensantes. Depois, escutarei as razões de quem crê e as de quem não crê."
A quem o acusava de ser anti-Papa, respondia: "Serei um 'ante-Papa' (um Papa da frente), alguém que se adianta ao Santo Padre como seu colaborador e que trabalha para ele."
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Bento XVI contra os sofismas dos lefebvrianos
Futebol lefebvriano, como antes do Vaticano II, exceto a bola e as chuteiras. Será que os lefebrivanos seguem as alterações recentemente aprovadas pela FIFA?
No sábado passado, lefebvrianos emitiram um comunicado que
diz a certa altura:
Sobre todas las innovaciones del Concilio Vaticano II que permanecen manchadas de errores y sobre las reformas que de él han salido, la Fraternidad sólo puede continuar adhiriendo a las afirmaciones y enseñanzas del Magisterio constante de la Iglesia; ella encuentra su guía en este Magisterio ininterrumpido que, por su acto de enseñanza, transmite el depósito revelado en perfecta armonía con todo lo que la Iglesia toda ha creído siempre y en todo lugar.
Isto foi no sábado. No domingo, o Papa foi a Frascati, a
diocese que mais Papas deu depois de Roma, reafirmar o Vaticano II.
Notícia da Ecclesia:
Bento XVI defendeu hoje a necessidade de as comunidades católicas voltarem a ler, aprofundar e “colocar em prática” os ensinamentos saídos do Concílio Vaticano II (1962-1965).
“Os documentos do concílio contêm uma riqueza enorme para a formação das novas gerações cristãs. Releiam-nos, com a ajuda de sacerdotes e catequistas”, pediu, na homilia da missa a que presidiu (…).
Sobre esta visita, Giacomo Galeazzi escreveu no “La Stampa”
de 16 de julho:
Nem corvos nem cismáticos irredutíveis perturbam o verão "conciliar" de Joseph Ratzinger. Do quartel general suíço dos lefebvrianos, chegam nuvens escuras, mas em Frascati, na Itália, o sol resplandece. Bento XVI antecipa o provável "não" da Fraternidade São Pio X ao retorno à Igreja Católica com uma orgulhosa defesa apaixonada daquele Concílio Vaticano II que, há meio século, o viu empenhado como jovem teólogo, mas que continua sendo obstinadamente rejeitado pelos seguidores do arcebispo tradicionalista Marcel Lefebvre.
(…) Nada parece mais distante dos sofismas dos lefebvrianos e dos venenos do Vatileaks do que o afeto espontâneo das pessoas pelo seu papa. "Estamos contigo", repetem as faixas em todos os cantos.
Neste último excerto gostei especialmente da expressão
“sofismas dos lefebvrianos”. Sim, eles são muito lógicos (reparem como há
frases tão repetidas nos comentários deste bloque em relação a certos assuntos:
A Fraternidade São Pio X "sólo puede continuar adhiriendo a las
afirmaciones y enseñanzas del Magisterio constante de la Iglesia; ella
encuentra su guía en este Magisterio ininterrumpido que, por su acto de
enseñanza, transmite el depósito revelado en perfecta armonía con todo lo que
la Iglesia toda ha creído siempre y en todo lugar) mas têm uma grande falta de
imaginação. Lógica sem imaginação e intenção de procurar a verdade sempre
incompleta dá sofismo e, se quiserem, fundamentalismo. Lembro-me se alguns
raciocínios que já vinham do próprio Lefebvre: Se Cristo é a verdade, todas as
demais religiões são erro. Se durante tanto tempo foi assim (latim, batinas,
rendas, poderes, ritos…), porque temos de mudar de um dia para o outro? Se
sabemos onde está a verdade, porque havemos de querer liberdade para errar? Se
sempre jogamos à bola de batina, porque havemos de jogar de calções, essa
inovação do Vaticano II (este último raciocínio só se encontra nos apócrifos de
Lefebvre).
Cardeal Castrillón Hoyos, que tem sido figura importante no diálogo com os lefebvrianos (foto acrescentada no dia 24 de julho)
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Capas da "Titanic" e o papel da Igreja no mundo
A revista “Titanic” mudou de capa, no sítio eletrónico, após a proibição. Fui dar uma vista de olhos por outras capas desta publicação e reparei que Jesus Cristo deve ser a figura mais presente na primeira página. Uma das capas transformada em portal eletrónico (aqui):
Embora a imagem possa escandalizar algum leitor, a mim,
lembrou-me um encontro de jovens acólitos no final da década de 1980. O padre,
animador, perguntava à malta, no interior de uma capela no cimo de um monte:
- Qual é o papel da Igreja no mundo?
O pessoal estava relativamente calado, pelo que o padre
insistia:
- É papel de parede? Só serve para enfeitar?
Não sei qual a resposta pretendida, mas a certa altura diz
um dos jovens, com nome de poeta épico:
- Papel higiénico. Serve para limpar a porcaria do mundo.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Religião do futuro absoluto
O Cristianismo é religião do futuro absoluto. Não pode
realizar diretamente projetos e prognósticos intra-históricos de futuro. Não se
encontra também imediatamente em concorrência com semelhantes projetos intra-históricos
de futuro. Mas entra em conflito mortal com eles, se pretendem absolutizar-se e
tornar-se totalitários perante a liberdade humana. Enquanto religião do futuro
absoluto, o Cristianismo é a crise da arrogância (hybris) humana. Surge também
como encorajamento para a ação em vista a um futuro histórico melhor. Se é
verdade que o amor permanece sempre (1 Co 13,8), também as obras do amor persistirão
sempre e tudo o que brota do amor ficará para sempre incrustado na consistência
da realidade.
Walter Kasper, “Introdução à fé”, pág. 180
sexta-feira, 6 de julho de 2012
O cristianismo torna possíveis os novos começos
Com o anúncio, aparentemente fora de moda, sobre o perdão dos pecados, o cristianismo pretende ser a possibilitação de um novo começo e libertação para o futuro. Enquanto dom de um início qualitativamente novo, constitui, ao mesmo tempo, a força e a coragem para conduzir à novidade não-derivada, a despeito dos poderes estabelecidos. Ele é o futuro dos nossos esforços pelo futuro, vindo corresponder à profunda necessidade e perplexidade da nossa época; constitui a resposta às intenções últimas dos movimentos de contestação, de que somos atualmente testemunhas.
Walter Kasper, "Introdução à fé", pág. 175
Walter Kasper, "Introdução à fé", pág. 175
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Fé e futuro - 3
A dúvida sobre o futuro da fé cristã constitui uma das mais
difíceis contestações da fé. O homem é um ser de futuro. Na sua liberdade,
reside o poder de ir além de tudo o que é dado. Nos factos, isto é, no que
acontece no passado e se pode agora comprovar, já não há espaço para a
liberdade e para a fantasia criadora. O que sucedeu apenas de pode constatar.
Só o futuro surge como o reino das possibilidades abertas, como o campo da
liberdade.
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Sinodalidade e sinonulidade
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