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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Papa fictícios

No romance "Lázaro", de Morris West, o Papa Leão XIV sucede a Gregório XVI, que tinha sucedido a Cirilo I. Alguém conhece outros papas fictícios, da literatura (além do Celestino VI)?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cinco escritores que se inspiram na Bíblia

Erri De Luca, Sergio Ramírez, Emmanuel Carrère, Ricardo Menéndez Salmón e Amos Oz são cinco autores contemporâneos que usam a Bíblia como matéria-prima. Artigo de Berna González Harbour no El País de 23-11-2015, lido no IHU.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O que é o inferno


Leio na "Ler" que Jón Kalman Stefánsson escreveu uma trilogia em que "a procura de sentido para a ideia da existência de um Deus bom e todo-poderoso que permite o sofrimento dos homens, quando Lhe seria tão fácil evitá-lo, é a bússola" que o guia.

Dessa trilogia estão publicados em português os títulos "Paraíso e Inferno" (2013) e "A Tristeza dos Anjos" (2014).

Não sei onde foi buscar a ideia de que seria tão fácil a Deus evitar o sofrimento dos homens. Nunca foi fácil. Pelo menos pelos critérios humanos, está patente. Deve vir da afirmação da omnipotência de Deus a ideia da facilidade de fazer tudo. Não sendo Deus omnipotente, ainda pode ser Deus? Talvez Deus tenha dito que é omnimpotente e quem ouviu percebeu mal. E Deus, na sua omnimpotência, não percebeu que o perceberam mal. E gerou-se o equívoco.

Mas concordo com Stefánsson: "O Inferno é ter braços mas ninguém para abraçar". 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Autor e Deus

Um autor no seu trabalho deve ser como Deus no Universo, presente em toda a parte, visível em parte alguma.

Flaubert

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Só com grandeza

Dizia R. M. Rilke a F. X. Kappus:

Mas se notar que ela é grande, alegre-se, pois o que seria uma solidão (faça esta pergunta a si mesmo) sem grandeza?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Génios da literatura - do santo ao ateu

As minhas cem figuras, desde Shakespeare até ao recentemente falecido Ralph Ellison, representam talvez cem atitudes diferentes para com a espiritualidade, abrangendo todo o espetro desde São Paulo e Santo Agostinho até ao secularismo de Proust e de Calvino.

Harold Bloom, "Génio", Temas e debates

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

depois dos quais não se teme mais nenhum príncipe deste mundo


No primeiro texto de "Alfabetos", depois de apontar alguns livros que o influenciaram, Claudio Magris escreve que

 "(...) acima de todos, estavam o Antigo e o Novo Testamento, depois dos quais não se teme mais nenhum príncipe deste mundo e se compreende que a pedra mais vil, aquela desprezada pelos construtores, é a verdadeira pedra angular".

Estamos em comunhão.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Tolentino Mendonça entrevista Deus

Este é o entrevistador

Na "Revista" ("Expresso") de hoje, o Padre José Tolentino Mendonça conversa com Deus. Li a primeira coluna e não resisti a vir aqui dizer que vale a pena. Começa assim: "Conversando com Deus não se dá pelo tempo..."

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Interesses


Quando trabalhamos com grande energia, é porque Deus e o Diabo têm grande interesse no resultado.

Norman Mailer, numa entrevista a J. Michael Lennon para a biografia "Norman Mailer: A Double Life". Lido na "Ler" n.º 130.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Bênção

As jóias perdidas da antiga Palmira,
Os metais desconhecidos, as pérolas do mar,
...
São tão-só espelhos escurecidos e plangentes.

Baudelaire

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Já não cuido do meu gado

...
Já não cuido do meu gado,
Nem já tenho outro ofício,
...

João da Cruz, antepenúltimo e penúltimo verso do "Cântico Espiritual"

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um brinde a C. S. Lewis


Faz amanhã 50 anos que morreu C. S. Lewis e ainda não pensei na forma como vou assinalar a data. Mas beber um cálice de Porto até é uma boa sugestão.


Numa conversa com empregados da Electric and Musical Industries Ltd., em Heyes, Middlesex (Inglaterra), no dia 18 de Abril de 1944, perguntam-lhe a C. S. Lewis:

Qual das religiões do mundo confere aos seus seguidores maior felicidade?

E ele respondeu:  "Qual das religiões do mundo confere aos seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou a abordar o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso à procura da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se vocês quiserem uma religião que vos faça felizes, não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que será de maior utilidade. Mas quanto a isso, não sei como vos ajudar.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

100 anos de Camus

Faz hoje 100 anos que Camus nasceu. A notícia que aqui reproduzo é do "Público" deste 7 de novembro.

É muito difícil pensar a fé e o sentido da vida - duas coisas intrinsecamente ligadas - sem aludir a Camus e a obras como "O mito de Sísifo", "A peste", "O homem revoltado".

Camus, que, como o texto diz, não é figura consensual, tinha uma grandeza moral e coerência que não encontrávamos (o "nós" é do grupo do seminário de filosofia sobre o existencialismo, no início da década de 1990) em Sartre.

Sartre dizia que o "inferno são os outros". Com Camus sabíamos que o inferno podia estar dentro de nós. Ele defendia que, se alguma redenção houvesse, viria pela arte. O que não chegava, mas já era algo. E os seus livros, com os títulos envoltos num azul turquesa (naquela coleção da Livros do Brasil), sobre o absurdo, ainda fazem sentido.



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O rouxinol e a rosa

(...) Mas o espinho ainda não atingira o seu coração, e assim o coração da rosa continuava branco, pois somente o sangue do coração de um rouxinol pode tornar vermelho o coração de uma rosa.

Lido ontem. Do conto "O rouxinol e a rosa", de Oscar Wilde, que é impossível ler sem encontrar paralelos com o sacrifício e autossacrifício cristão, ainda que "amor" possa ter sentidos diferentes no conto e na mensagem cristã.

sábado, 13 de abril de 2013

Anselmo Borges: "Óscar Lopes e o Transcendente"

Texto de Anselmo Borges no DN de hoje.


Figura cimeira da cultura portuguesa do século XX, Óscar Lopes deu contributos fundamentais para a linguística, a crítica literária, a história da literatura. Falámos várias vezes. Em 1970, convidei-o para uma "mesa redonda" sobre "a crise da fé hoje", na qual também participou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes. O que aí fica é uma homenagem ao pensador e professor, a partir dessa "mesa redonda".


D. António Ferreira Gomes, que tinha chegado havia pouco tempo do exílio, revelou que tinha "uma cartinha muito breve do Sr. Dr. Óscar Lopes (não combinámos nada), em que diz que a sua participação seria "um depoimento na primeira pessoa do singular acerca daquilo que durante 50 anos julgo ter crido a partir de um fervoroso catolicismo de infância. Apenas desejaria descobrir o melhor de mim mesmo no melhor catolicismo de hoje, e contribuir para tudo aquilo que deveras nos transcende"." E o bispo do Porto acrescentou: "Nós sabemos que a maior parte da nossa boa gente não transcende. Muitas vezes para o povo a religião no geral não significa nada de transcendente." E, depois de denunciar a religião das promessas, a religião utilitária, afirmou: "A religião cristã, entretanto, o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para aquilo que o transcende, seja o outro neste mundo, seja o outro absoluto (a relação ao outro absoluto é exactamente também a relação ao irmão). Por conseguinte, eu tenho para mim que quem procura pôr-se deveras em relação com aquilo que nos transcende está numa atitude religiosa. Desculpe, Senhor Doutor, se o ofendo." E Óscar Lopes: "De modo algum."

Para Óscar Lopes, que deixou de ser cristão por causa da afirmação do inferno, a virtude da fé bem como a da esperança são "inseparáveis do simples facto de se ser vivo e consciente". Citou o amigo Mário Sacramento: "Sim, é com Fé que todos somos homens, quando o somos."

Mas, para ele, a fé e a esperança não implicavam a fé em Deus e na sua Promessa. Confessava-se ateu, no quadro do materialismo dialéctico: "chamo "matéria" àquilo que corresponde ao conceito-limite daquilo donde provenho e daquilo para que tende o objecto do meu conhecimento e das minhas aspirações, quando esse conhecimento e essas aspirações se tornam mais adequadas." Numa linha comparável ao pensamento de Ernst Bloch, o materialismo significava progressismo e disponibilidade potencial de avanço sem fim no sentido da libertação plena: há uma esperança contínua, que está sempre para lá das nossas realizações à vista na História.

Marxista filiado no Partido Comunista, repudiava absolutamente "toda a forma de ateísmo de Estado e toda a forma de perseguição". O que nos une é o resgate de todos os males. O diálogo entre crentes e descrentes é necessário e fecundo para os dois lados: "Não é a mim que compete a apologética da Igreja, mas desejo com a maior sinceridade que ela vença a sua crise institucional de hoje, que ela leve a cabo o seu já hoje tão sensível esforço de desmitificação, de purificação e de dignificação. Se os teólogos mais avisados hoje vêem o ateísmo como uma teologia negativa que aumenta o grau de exigência quanto a qualquer concepção ou representação, sempre necessariamente inadequada, de Deus, os ateus como eu vêem qualquer religião que progrida como uma antítese indispensável para que o nosso materialismo se não converta, ele próprio, numa religião degradada, com o seu ritual, as suas fórmulas estereotipadas, a sua fúria catequística e uma grande suficiência incrítica."

Não acreditava na promessa cristã da ressurreição dos mortos, à sua espera. Mas, perguntado sobre a morte, concluiu: "Eu acredito numa sobrevivência. Há simplesmente esta pergunta: o que é que de mim desejo eu que sobreviva? E a esta pergunta eu não sou capaz de responder. Para mim existe apenas uma esperança para essas aspirações, de que a religião dá aproximações em mitos. Para mim, fica sempre a esperança, mas uma esperança que, em sinceridade, não sou capaz de tematizar, quer dizer, de reduzir a um símbolo, a uma imagem."

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Tolentino sobre Ruy Belo


Na "Ler" 121, de fevereiro de 2013. Um texto de Tolentino Mendonça. Eu gosto do que Tolentino Mendonça escreve e gosto de Ruy Belo, embora conheça pouco deste poeta. Gastei umas tardes, maravilhado, a ouvir "A margem da alegria", sobre Inês de Castro, porque me ofereceram o poema em CD (duplo). Corria o ano de 2004 e desde então deu para perceber, eu, porque outros já perceberam há muito, que Ruy Belo está no lote dos maiores poetas portugueses do séc. XX (reparei agora que este blogue tem um poema Ruy Belo).

Como tem sido habitual nos últimos tempos, este texto vai gerar mais comentários negativos sobre Tolentino Mendonça. É pena. Principalmente porque anónimos. Mas já vou estando habituado cá por estes lados. É Tolentino, é Bento, é Anselmo, é Opus, é... Ninguém gera consensos absolutos, claro está. Mas eu desejaria que ao menos não se gerasse maledicência gratuita. Crítica, com certeza, mas com rosto.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dinheiro 4 - A Nobel generosa

Da última página do "Público" de hoje. Ela, que dizia que não se deve amar a humanidade, mas sim as pessoas (aqui). 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sucessão de bispos num mundo pequeno e em forma de bola


Ontem, um leitor deixou um comentário um pouco escatológico sobre o trabalho dos jornalistas dizendo que o título era “Papa nomeia substituto de bispo que saiu por pedofilia”, dando uma ideia errada, já que o que aconteceu foi que Donald Murray se demitiu em 2009 por ter encoberto abusos sexuais (no comentário aqui). Não saiu por pedofilia. Saiu por encobrir pedofilia.

Pois bem, hoje vem na “Bola” uma breve que, à partida, na sua concisão, não tem imprecisões. Obrigado, “Bola”, pela excelente informação religiosa. Bem sabemos que és um órgão confessional, mas também falas das outras fés de vez em quando. Como agora.



O que me chama a atenção, no entanto, não é o bispo mas a diocese para onde vai, Limerick. É a cidade da universidade de um autor muito apreciado cá por estes lados, David Lodge. É na Universidade de Limerick que se passa o romance “O mundo é pequeno” (Asa). Hoje, de facto, existe uma universidade em Limerick, mas não existia quando o católico reticente escreveu a obra. O romance é de 1984. A universidade é de 1989 (evoluiu de um instituto superior). Vi na Wikipédia, mas cruzei os dados e parece-me que estão corretos.

(Em “Pensamentos secretos”, na Asa, Lodge fala da Universidade de Gloucester, que também não existia quando escreveu a obra, mas agora existe como University of Gloucestershire. A obra foi publicada originalmente em 2001; nesse mesmo ano o instituto de mecânica tornou-se universidade.)

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...