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quarta-feira, 29 de maio de 2013

29 de maio de 1453. Queda de Constantinopla


No dia 29 de maio de 1453, termina o cerco de Mehmed II a Constantinopla. Ele conquista-a. Cai a "Roma do Oriente", termina a Idade Média. Na realidade, muitos anos antes diversos sábios bizantinos tinham fugido do império, procurando guarida na península itálica. Sabiam grego e eram altamente valorizados na Europa. Com as obras que trouxeram, reforçaram, sem dúvida, o Renascimento.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"Jornal de Negócios" atento à viagem do Papa ao Líbano


É uma viagem importante, a de Bento XVI, às "Suíça do Médio Oriente", na próxima sexta, sábado e domingo. Mas importante todas as do Papa devem ser, porque ele não tem tempo a perder. Veio no "Jornal de Negócios" desta quarta-feira. De assinalar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

28 de fevereiro de 870. Termina o IV Concílio de Constantinopla


O IV Concílio de Constantinopla, o oitavo reconhecido como ecuménico pela Igreja Católica (mas não pelos ortodoxos, que dizem que o IV é o de 879-880), começou no dia 5 de outubro de 869 e terminou no dia 28 de fevereiro de 870.

Neste concílio, convocado pelo imperador bizantino Basílio I pelo Papa Adriano II, estiveram em discussão principalmente dois assuntos: a condenação do Patriarca Fócio (que defendia mais poder para Constantinopla e, supostamente, uma curiosa teoria das duas almas, uma terrena e mortal e outra celeste e imortal) e a confirmação da veneração de imagens, assunto que já vinha de Niceia II, contra a iconoclastia.

Fócio é condenado (mas mais tarde é reabilitado pelos ortodoxos e venerado como santo até aos dias de hoje) e o poder de Constantinopla sai reforçado sobre os outros patriarcados orientais (Alexandria, Jerusalém e Antioquia).

sábado, 22 de outubro de 2011

George Harrison mudou a forma como nós acreditamos?



George Harrison mudou a forma como nós acreditamos? Um artigo do sítio Religion News Service diz que sim. E se pensarmos que o fascínio pelo Oriente vem muito de uma certa fase dos Beatles, talvez haja motivos para concordar. Mas de um mogo geral, parece-me que se trata de uma influência muito localizada em alguns estratos sociais.

Fala-se disso porque surgiu um livro e um documentário, ambos intitulados “Living in a Material World” (sítio oficial aqui). O livro foi escrito por Olivia, a viúva do segundo “beatle” a falecer. O documentário foi realizado por Martin Scorsese. Passa hoje e amanhã no DocLisboa (Cinema São Jorge, Sala Manoel de Oliveira, 22h).

terça-feira, 15 de março de 2011

"Consegui desarmar-me"

Consegui desarmar-me.
Participei nesta guerra. Durante anos e anos.
Foi terrível. Mas agora estou desarmado.
Já não tenho medo de nada, porque “o amor afugenta o medo”.
Estou desarmado da vontade de prevalecer,
De me justificar à custa dos outros.
Já não estou alerta,
Zelosamente apegado às minhas riquezas.
Acolho e partilho.
Não me importam especialmente as minhas ideias, os meus projectos.
Se me propõem outros melhores, aceito-os de bom grado.
Quer dizer, não os melhores, mas os bons.
Bem sabem, renunciei ao comparativo…
O que é bom, verdadeiro, real, esteja onde estiver,
É o melhor para mim.
Por isso já não tenho medo.
Quando nada se possui, já não se sente medo.
“Quem nos separará do amor de Cristo?”
Mas, se nos desarmarmos, se nos despojarmos,
Se nos abrirmos ao Deus homem que renova todas as coisas,
Então é Ele que apaga o passado mau
E nos devolve um tempo novo,
Onde tudo é possível.

Patriarca Atenágoras

Atenágoras I foi Patriarca de Constantinopla de 1948 a 1972 e, portanto, o maior representante da Igreja Ortodoxa. Aristokles Spyrou (nome de baptismo) nasceu no dia 25 de Março de 1886, em Epiro (Grécia), e morreu em Istambul (Turquia), no dia 7 de Julho de 1972. O Papa Paulo VI e o Patriarca de Constantinopla encontraram-se três vezes (no Vaticano, no decorrer do Concílio; em Jerusalém (na foto em cima, 5 de Janeiro de 1964 ); e durante a viagem papal a Istambul, Éfeso e Esmirna), lançando as bases para um entendimento entre a Igreja Católica e a Ortodoxa, separadas desde 1054. Atenágoras e Paulo VI levantaram as excomunhões mútuas que recaíam sobre a catolicidade e a ortodoxia desde o séc. XI.

terça-feira, 1 de março de 2011

1 de Março de 2006. Bento XVI renuncia ao título de “Patriarca do Ocidente”

O título de “Patriarca do Ocidente” figurou no “Anuário Pontifício” até 2005. Em 2006 já não apareceu. Bento XVI renunciou a ele, no que foi interpretado como um “sinal de sensibilidade ecuménica” em relação aos ortodoxos.

Os Patriarcas do Oriente são os de Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, cidades de onde irradiou o cristianismo (como Lisboa, que por isso é patriarcado). Antes do cisma ortodoxo, reconheciam a primazia do Bispo de Roma.

Agora, o Papa é Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Arcebispo Metropolita da Província Romana e Soberano do Estado da Cidade do Vaticano.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Deus não é mesmo cristão. Felizmente"

No P2 de hoje vem uma entrevista a Elias Chacour, arcebispo católico-melquita da Galileia, feita por António Marujo. É útil para compreender o que se passa com os cristãos e os palestinianos em Israel, já que as informações que de lá nos chegam quase sempre sofrem na passagem do filtro ideológico anti ou pró-Israel. Deixo alguns excertos que apreciei de modo especial. A entrevista pode ser lida toda aqui. Como dentro de algum tempo fica inacessível, está também nas imagens ao fundo.

(…) Deus não é melquita nem católico nem ortodoxo?
Até diria mais: Deus não é mesmo cristão. Felizmente. Senão, que cristão seria? Um cristão reformado, re-reformado ou ainda não reformado? Deus está acima disso. (…)

Os católicos, em Israel, são árabes mas não muçulmanos, israelitas mas não judeus, católicos mas não de rito latino, orientais mas não ortodoxos. Minoritários em tudo...
Sim, mas se perdermos o tempo a perguntar o que não somos, será uma existência muito triste. Se perguntarmos o que podemos fazer no interior desta grande diversidade, em vez de ver o negativo, começamos a ver o potencial. É belo ser diferente mas complementar. (…)

A questão, em 1940, não foi a de criar dois estados, no início?
Ninguém pensava em dois estados. Ninguém pensava mesmo no Estado de Israel. Israel expulsou os palestinianos das suas cidades, das suas terras e propagandeou que os palestinianos não existiam. Mas nós estávamos cá, eles preferiram ser míopes. Há a famosa frase de Theodore Herzl: "Uma terra vazia deve pertencer a um povo que não tem Estado." A assistente dele disse-lhe que a Palestina era superpovoada. Ele respondeu: "Devemos ser míopes, fazer como se não houvesse ninguém". (…)

Não há líderes comprometidos com a não-violência?
Os líderes que podem representar os palestinianos estão na prisão, seja nas prisões árabes, seja nas prisões israelitas. Não nos faltam líderes, falta-nos liberdade para que os líderes possam agir, falta liberdade de expressão dos palestinianos.

Falta uma figura como Mandela, Gandhi, Luther King, Desmond Tutu?
Talvez. São figuras de referência. Uma vez, estive com Tutu, num jantar com o [então] Presidente [norte-americano James] Carter. Ele disse-me subitamente: "Padre Chacour, tenho muito mais sorte que o senhor, porque sou um negro da África do Sul. Os brancos não queriam expulsar-nos, queriam que fôssemos seus escravos e nós recusámos. A vocês, Israel não queria que vocês fossem os seus escravos, queria que desaparecessem. Por isso temos mais esperança". E ele tinha razão. (…)

Na Igreja Melquita, há pessoas casadas que se tornam padres...
A nossa é uma igreja oriental, bizantina. Estamos em comunhão com Roma. Mas temos 17 padres, num total de 30, que são casados. São muito bons, muito dedicados. Sinto-me muito orgulhoso deles.

Num dos seus livros, diz que o seu ideal é secar as lágrimas a cada judeu, cada muçulmano, cada cristão. Continua a ser?
Desejo verdadeiramente não ver nenhum judeu, nenhum muçulmano ferido ou a chorar. Porque quem chora é um homem, que é imagem de Deus. Queria colocar um sorriso no lugar do medo, um sorriso de esperança no lugar do desespero.

E essa esperança é possível ainda? Em breve?
Claro que sim. Espero que o mais cedo possível.


sábado, 29 de janeiro de 2011

Anselmo Borges: 711-2011. 1300 anos depois

Régis Debray

Texto de Anselmo Borges no DN deste sábado.

Na noite de 31 de Dezembro passado, a explosão de uma bomba diante de uma igreja cristã copta, em Alexandria, à saída da celebração do Ano Novo, causou 23 mortos e 79 feridos. Um grupo ligado à Al-Qaeda no Iraque, responsável pelo ataque sangrento da catedral de Bagdad em Outubro, já tinha apontado os coptas como alvo. Independentemente de quaisquer considerações ideológicas, políticas ou religiosas, é legítimo perguntar-se pelas consequências do incêndio que alastraria pelo mundo inteiro, se algo de semelhante acontecesse, diante de uma mesquita, no Ocidente.

Quem não anda completamente distraído já notou que há muito se observa um plano para acabar com os cristãos no Médio Oriente. Quem mais tem denunciado a situação são intelectuais ateus ou agnósticos, como Bernard-Henri Lévy ou Régis Debray. O último número de "Philosophie Magazine" faz notar que o novo objectivo da Al-Qaeda parece ser o de pôr as comunidades religiosas umas contra as outras, "passando por cima dos Estados". Começou no Iraque e estende-se ao Egipto e à Nigéria. Nesta estratégia, os cristãos do Oriente - "ângulo morto da nossa visão do mundo", segundo R. Debray - representam "um alvo ideal". Pela sua própria existência - "árabes não muçulmanos" -, "desmentem" a ideia de um choque entre civilizações fundadas na religião. Os cristãos "desempenham um papel insubstituível de traço de união e de mediador entre o exterior e o interior, o Ocidente e o Oriente", afirma Debray. Mas, por este andar, por quanto tempo?

A maior perseguição religiosa no mundo, hoje, é aos cristãos. Lembrando o atentado de Alexandria e a perseguição de diferentes comunidades cristãs, Nicolas Sarkozy, num discurso de Ano Novo perante as autoridades religiosas de França, declarou: "Não podemos tolerar o que cada vez mais parece ser um plano particularmente perverso de depuração religiosa no Médio Oriente".

Esquece-se frequentemente que esses cristãos nada têm a ver com as cruzadas ou outros tipos de perseguição ocidental, pois são originários desses países, aí presentes desde os tempos do cristianismo primitivo. Foi o que o Presidente francês também lembrou: "No Iraque como no Egipto, os cristãos do Oriente estão na sua casa e a maioria deles há 2000 anos", acrescentando: "Não se pode aceitar que essa diversidade humana, cultural e religiosa, que é a norma na França, na Europa e na maior parte dos países ocidentais, desapareça dessa parte do mundo". "Os direitos que estão garantidos na nossa casa a todas as religiões devem ser reciprocamente garantidos noutros países".

Preocupado com sondagens que mostram que mais de um terço dos franceses e dos alemães consideram os muçulmanos como uma ameaça, Sarcozy pediu que se combata esse sentimento "irracional" com "o conhecimento mútuo e a compreensão do outro". "O islão nada tem a ver com o rosto repugnante desses loucos de deus que tanto matam cristãos como judeus, sunitas e xiitas. O terrorismo fundamentalista também mata muçulmanos."

Lembro que, há precisamente 1300 anos, os muçulmanos entraram na Península e é inegável que se impôs um razoável espírito de tolerância entre muçulmanos, cristãos e judeus. Não é com esse espírito que é preciso avançar para o futuro? Levo comigo um sonho - um sonho acordado: que um dia a catedral de Córdova possa ser partilhada com os muçulmanos e a basílica de Santa Sofia (Hagia Sophia) em Istambul, partilhada com os cristãos. Dir-se-á que é mero "wishfull thinking", utopia irrealizável. Mas eu estou com Ernst Bloch, que, citando livremente Heraclito, escreveu: "Quem não espera o inesperado não o encontrará".

N. B.: É possível que a redacção do texto do sábado passado tenha levado alguns leitores a pensar que a história bárbara com o gato se passou com Juan Masiá. Quem o conhece sabe que isso nunca poderia acontecer. No texto, onde se lia "o missionário estrangeiro", deveria ler-se: "um missionário estrangeiro". Fica aqui um pedido de desculpa ao Prof. Juan Masiá e aos leitores.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

19 de Janeiro de 1458. A Universidade de Paris começa a ensinar Grego

Tomada de Constantinopla

No dia 19 de Janeiro de 1458, a Universidade de Paris atribuiu a primeira cadeira de Grego a Gregório, um erudito bizantino fugido de Constantinopla a quando da queda da cidade às mãos do sultão otomano Mehmet II, em Maio de 1453.

Gregório, como muitos outros sábios, refugia-se no Ocidente. A maior parte deles vai para a Itália, onde o Renascimento atingirá os picos mais elevados. Os sábios fugidos de Constantinopla são o veículo para os ocidentais descobrirem os clássicos gregos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

1 de Janeiro de 379. Morre Basílio de Casareia, criador dos hospitais

Basílio de Cesareia (Cesareia Mazaca, na Capadócia, Turquia), um dos quatro grandes padres do Oriente, doutor da Igreja, morreu no dia 1 de Janeiro de 379.

Além da defesa da fé de Niceia (contra Ario), Basílio notabilizou-se pelos seus escritos pneumatológicos (sobre o Espírito Santo) e por ter criado uma extensa obra social que incluía “sopa dos pobres”, centro de acolhimento para pobres e peregrinos, hospício e hospital. Chamou-se basilíada a esta cidade da caridade que pode bem ser considerada antecessora dos hospitais.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...