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domingo, 2 de junho de 2013

Tu, quem és?

Messias, Verbo de Deus, Filho de Deus, Salvador, Rei, Cordeiro de Deus... Por uma vez, queria abafar esta litania, aproximar-se desse Homem, sem prestar atenção a estas etiquetas, que de certo ele não ostentava sobre o seu peito como outras tantas condecorações, queria aproximar-se dele e ver a sua vida. Simplesmente, como vive, anda, sorri, sente. Então, perguntar-lhe-ia: Tu,quem és?

A. M. Bernard

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Prelatura para os lefebvrianos

Bernard Fellay, líder da Fraternidade Sacerdotal São Pio X


A Santa Sé oferece uma prelatura pessoal (será a segunda, depois da do Opus Dei) aos lefebvrianos (Fraternidade Sacerdotal São Pio X), desde que estes aceitem o II Concílio do Vaticano - o que me parece um pedir-lhes que neguem o que essencialmente são.


Talvez se consiga - e o caminho tem vindo a ser feito por muitos responsáveis eclesiais - uma interpretação tão larga e geral do concílio que os lefebvrianos acabem por entrar sem mudarem grande coisa. Esses serão os lefebvrianos católicos. Restarão os lefebvrianos lefebvrianos, aqueles que apesar das concessões, continuarão a recusar abertamente o concílio, pelo que trilharão o seu próprio caminho até daqui a uns anos  se criar uma nova prelatura para o neocisma dos novos lefebvrianos.


Há duas maneiras básicas de olhar para este esforço da Igreja, principalmente de Bento XVI:


- A união é na Igreja de Cristo é prioritária. Como a Igreja tem uma portas muito largas, todos cabem. E o pastor, o Papa, tem de ir ao encontro da ovelha perdida, ainda por cima, uma ovelha de bons princípios e boas famílias. E as luvas vermelhas, os mantos de sete metros e os celebrantes de costas para o povo têm adeptos entre os católicos.


- A união na Igreja de Cristo é outra coisa. É à volta de Cristo, não de uma igreja. Os lefebvrianos trilhem o seu próprio caminho, porque qualquer concílio deixa sempre meia dúzia de irredutíveis descontentes. A união da Igreja de Cristo é uma união de amizades, com luteranos, presbiterianos, anglicanos e, por que não?, lefebvrianos, quando eles perderem os tiques de seita.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mesa redonda à volta de livro de Timothy Radcliffe

Um debate à volta de um dos melhores livros que li este ano e do qual tantas passagens copiei para este blogue só pode ser, passe lá o adjectivo tão desinteressante, interessante.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O melhor que temos na Igreja

José António Pagola

Decorridos vinte séculos, qualquer pessoa que se aproxime interessada e honestamente da figura de Jesus, fica confrontada com esta pergunta: “Quem é Jesus?” A resposta tem de ser pessoal. Sou eu quem tem que responder. Pergunta-se-me sobre o que é que eu digo, não sobre aquilo que os concílios disseram, ao formularem os grandes dogmas cristológicos, nem sobre o que explicaram os teólogos, nem sobre as conclusões a que chegaram aos exegetas e investigadores acerca de Jesus.
(…)
O primeiro que se deve fazer é colocar a Jesus no centro do cristianismo. Tudo o resto virá depois. Que poderá haver de mais urgente e de mais necessário para os cristãos do que despertar entre nós a paixão pela identidade de Jesus? É o melhor que temos na Igreja. É o melhor que podemos oferecer e comunicar ao mundo de hoje.

José Antonio Pagola, nas páginas 481-482 de “Jesus. Uma abordagem histórica” (Gráfica de Coimbra 2, 2008)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Eduardo Lourenço: De Ourique a Fátima



Na "Visão" de quinta-feira, 13 de Maio, Eduardo Lourenço ensaiava sobre a transição de Fátima de "altar do mundo" para "palco da Europa" e o capital divino como "fiador de uma promessa de sobrevivência histórica" - o que faz lembrar o cântico mariano que diz que "enquanto houver portugueses, Tu serás o seu Amor". Ontem viu-se que sim.

sábado, 8 de maio de 2010

Jesus: de direita ou de esquerda? - Pergunta Anselmo Borges

“A pergunta decisiva não é então se Jesus é de direita ou de esquerda, mas quantos católicos tentam ser cristãos”. Anselmo Borges no DN de hoje (08-05-2010).

Determinamos o espaço a partir da nossa posição corporal: lá em cima, lá em baixo, atrás, à frente, à esquerda, à direita.

Porque a maior parte das pessoas tem mais maleabilidade e força na mão direita, a parte direita ficou privilegiada. Deve-se entrar com o pé direito, dá-se a direita à pessoa mais importante, Cristo está sentado à direita de Deus... Justo deve ser o Direito. Antes dos avanços da neurologia, a situação dos esquerdinos não foi feliz. De alguém radicalmente maléfico, diz--se que é uma pessoa sinistra (do latim: mão esquerda). As seguradoras devem tratar dos sinistros.

Em termos escandalosamente genéricos, diria que, em política, a direita andava ligada aos valores ditos tradicionais, como a família, por exemplo, à ordem e ao capitalismo e a esquerda, a valores que se diziam de esquerda, como mais justiça, por exemplo, à revolução e ao socialismo. Hoje, quando impera a lógica aparentemente triunfante do capitalismo neoliberal e do pensamento único e se julga que a história chegou ao fim, sem lugar para mais revoluções, as fronteiras estão muito esbatidas.

E Jesus?

Logo à partida, dão que pensar as razões que o levaram à morte. Morreu como blasfemo, condenado pela classe sacerdotal, e como socialmente perigoso. Foram os interesses de Jerusalém e de Roma em coligação que o crucificaram.

Era um judeu piedoso, mandou rezar e rezava intensamente, em meditação, a Deus seu Pai, mas escalpelizou de modo virulento a beatice hipócrita. "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, sepulcros caiados", etc.

No Reino de Deus, centro da sua mensagem, estavam todos incluídos, mesmo aqueles que a sociedade e a religião excluíam, o que constituiu o mais fundo escândalo. Foi a uma samaritana, mulher, estrangeira, herética, a caminho do sexto marido, que se revelou como Messias, e vários episódios mostram como as mulheres, ao contrário da doutrina oficial, também tinham lugar privilegiado como discípulas. Contra o mau exemplo do sacerdote e do levita, foi também um samaritano que, na parábola, foi próximo do desgraçado que, depois de espancado pelos salteadores, tinha ficado semimorto no caminho.

Por causa da sua abertura ao novo, as crianças, que então não tinham significado social, foram apresentadas como modelo da entrada no Reino de Deus. E ai de quem as escandalizasse: "Mais valia atá-lo à mó de um moinho e lançá-lo ao mar". Logo ao nascer, o primeiro anúncio foi para os mais pobres entre os pobres: os pastores. E veio para Israel e para todos os outros: tal é o sentido da história dos reis magos. A quem se escandalizava por comer com os pecadores públicos lembrou o dito do profeta: "Ide aprender: eu não quero sacrifícios, mas misericórdia".

Mas, neste novo Reino, não vale tudo. Sobre Zaqueu, um desses pecadores, não se diz que tenha mudado de profissão, mas arrependeu-se e disse: "Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e a quem roubei vou restituir quatro vezes mais". Declarou mal-aventurados os ricos sem ponta de misericórdia. Lá está a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro, que nem às migalhas da mesa tinha direito. O Reino é-o da graça, da misericórdia, mas não pertence ao facilitismo. O perdão requer arrependimento: "Vai em paz, não voltes a pecar", dizia ao pecador/a, e é preciso estar vigilante e pôr os talentos a render.

No fim, o que estará em julgamento é a justiça e o amor: "Destes-me de comer, de beber, de vestir, fostes visitar-me à cadeia e ao hospital." "Sempre que o fizestes a um qualquer foi a mim que o fizestes".

O que é mais: para tratar de seres humanos em dificuldade, transgrediu a lei sagrada do Sábado. "O Sábado é para o homem, não o homem para o Sábado." Afinal, toda a lei, mesmo a lei de Deus, fica subordinada ao bem do homem. No limite, agora, só o homem e a sua dignidade são sagrados.

Neste enquadramento, a pergunta decisiva não é então se Jesus é de direita ou de esquerda, mas quantos católicos tentam ser cristãos.

(Fim)

Nota: Em Dezembro de 2009, a revista "Visão" perguntou a várias pessoas se Jesus é de direita ou de esquerda. Ver resumo aqui.

sábado, 3 de abril de 2010

Meditação no início do sábado santo: Indiferença e diferença cristã

"A indiferença de quem está desiludido com o fim das ideologias, a indiferença de ex-crentes frustrados nas suas expectativas de uma renovação eclesial, a indiferença do homo technologicus, convencido de poder dominar tudo através da técnica, apresenta-se aos olhos dos cristãos como um fenómeno enigmático e um grande inimigo.

Contudo, é um estímulo para a interrogação: porque razão o Cristianismo deixou de interessar a muitos? E os cristãos estarão verdadeiramente «evangelizados», de molde a poderem ser «evangelizadores» eficazes? Saberão verdadeiramente exprimir e comunicar o seu carácter peculiar, a sua “diferença”? Não esqueçamos que a indiferença vai crescendo na medida em que for desaparecendo a diferença!

O Cristianismo é uma proposta e não uma imposição, e tampouco pretende deter o monopólio da felicidade, embora afirme que a encontra vivendo segundo Jesus Cristo. Assim, o facto de haver ateus só serve para reforçar a opção de liberdade que se encontra na base de uma vida cristã. Esperamos é que não sejam os próprios cristãos e as Igrejas a produzir ateus, com as suas atitudes desumanas e intolerantes, com a sua auto-suficiência e incapacidade de escutar os outros".

Enzo Bianchi, in “A diferença cristã”, Ed. Paulinas

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Religiões e aplinismo

"As religiões e os saberes humanos não são como caminhos que trepam, por diferentes encostas, as colinas de uma montanha única. Comparam-se melhor, quanto aos seus respectivos ideais, a vários picos separados por abismos, e o peregrino que se desvia da direcção certa e se perde no pico mais alto, arrisca-se a ser de todos o que se encontra mais longe do fim. Afinal, é nos picos mais altos que se esclarecem os grande conflitos".

Henri de Lubac

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O que é o cristianismo?

“O cristianismo não é, em última análise, uma doutrina da verdade ou uma interpretação da vida. É isso, também. Mas de forma alguma se encontra aí o núcleo do seu ser. Este é constituído por Jesus de Nazaré, pela sua existência concreta, obra, destino; logo, por um personagem histórico. Quem quer que veja um ser humano assumir uma importância decisiva para si, experimenta um pouco do que corresponde a esta situação. Não se importa mais com a «humanidade» ou com o «humano», mas sim com essa pessoa. Esta determina tudo o resto, e tão mais profunda e totalmente quanto for a intensidade da relação. Esta relação pode tornar-se tão poderosa que todas as coisas, o mundo, o destino, as tarefas, se reflectem no ser amado; que ele esteja contido em tudo, expresso em tudo, que a tudo dê o seu sentido, na experiência do grande amor, o mundo inteiro concentra-se no «tu e eu» e qualquer acontecimento torna-se parte desta relação”.

Romano Guardini

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...