sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Seis ideias contrárias ao pensar comum a propósito das bruxas
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Polémica com judeus do Porto
No "i" de hoje. Lendo o que está na notícia, pois não tenho qualquer outro elemento sobre o assunto, lamentáveis parecem-me as atitudes e as palavras do líder da Comunidade Israelita do Porto. Até parece que eles, judeus, carregam para sempre o estigma de vítimas; enquanto nós, católicos, seremos sempre os verdugos. Como se eles tivessem o monopólio do sofrimento, quando a Inquisição também perseguiu católicos, protestantes e muçulmanos, e os católicos, seguidores do judeu que era judeu, tivessem o exclusivo da violência sobre os judeus.
E já que se cita Elias (do capítulo 21 de I Reis - "a vinha de Nabot"), convém citar outro profeta judeu, Ezequiel, que dizia que se devia abandonar o velho ditado segundo o qual os pais comem uvas verdes e os filhos é que ficam com os dentes embotados.
Não conheço o lider judeu do Porto, mas é bem sabido que alguns judeus não aceitam nunca o pedido de perdão dos católicos, mesmo de João Paulo II. Porque perdoar implica dar um passo em frente.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
João César das Neves sabe como detetar os novos hitleres
No seu recente livro “The Triumph of Christianity” (HarperOne, 2011) o reputado sociólogo da religião Rodney Stark faz um resumo de 40 anos de carreira e de uma impressionante lista de trabalhos de outros autores. O tema explícito é o paradoxo a que dedicou grande parte da sua atenção: "como foi possível que uma obscura seita judia se tenha tornado na maior religião do mundo?" (p.1). Só que, apesar de cobrir esparsamente os dois mil anos de história, pode dizer-se que o verdadeiro assunto do volume é bem diferente: derrubar uma enorme quantidade de mitos, erros e manipulações que a historiografia dos últimos séculos acumulou sobre a Igreja.
Mas é assustador pensar no enorme poder que alguns pseudocientistas têm, se usarem a sua posição de prestígio e influência para veicular dogmas pessoais. Voltaire e Gibbon, como hoje Richard Dawkins ou Peter Berger, são um perigo para a liberdade maior que Napoleão, Hitler ou Mugabe. Manipular a mente é pior que controlar leis e polícias.
O Google não apresenta outros Peter Berger. E aponta o blogue deste teólogo e sociólogo, aqui. Não o leiam. “Manipular a mente é pior que controlar leis e polícias”, avisa César das Neves. Fui ler. Por sinal, por estes dias, a propósito do furação Sandy, o sociólogo-teólogo lembra o terramoto de Lisboa, quando os católicos diziam que foi um castigo de Deus por causa de haver alguns protestantes em Lisboa enquanto no norte da Europa diziam que era castigo divino por causa de os portugueses serem católicos (texto de 21 de novembro). Tem razão o professor César das Neves. “Manipular a mente é pior que controlar leis e polícias”. E parece que Peter Berger concorda.
domingo, 28 de outubro de 2012
Como a justiça da Igreja inspira as condenações de hoje
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Barretes amarelos
Diz-se que, em 1773, [o Marquês de Pombal] ficara irritado com uma proposta de D. José I; tal como os reis que o antecederam e os que se lhe seguiram, sugerira que quem tivesse antepassados judeus devia usar um barrete amarelo. Uns dias depois, Pombal entrou no paço real com três barretes debaixo do braço. Como era de prever, D. José mostrou-se admirado e perguntou para que serviam; Pombal respondeu que estava apenas a obedecer às ordens reais. «Mas por que me trazeis três?», teria perguntado D. José, ao que o ministro respondeu: «Um é para mim, outro para o inquisidor-geral e o terceiro é para o caso de Nossa Majestade desejar cobrir a cabeça».
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Poder de Deus
Terá a Inquisição considerado que o portuense limitava o poder de Deus ou tê-lo-á julgado como anticlerical?
terça-feira, 24 de abril de 2012
24 de abril de 1585. É eleito Sisto V
segunda-feira, 2 de abril de 2012
As afinidades entre a Inquisição e a atual guerra ao terrorismo
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
23 de Maio de 1555. É eleito Paulo IV, o papa que não hesitaria em queimar o seu pai hereje
quinta-feira, 31 de março de 2011
O último condenado à morte pela Inquisição em Portugal
Como a Inquisição promoveu a falta de higiene
31 de Março de 1821. Extinção da Inquisição em Portugal
Era licito a toda pessoa, por mais perversa que fosse, ser denunciante, ou accusador. Toda a pessoa por mais virtuosa que fosse, era subjeita a estas accusações: nem o sexo eximia, nem a idade. As accusações erão recebidas apezar da incoherencia das testemunhas: nada importava que huma testemunha allegasse hum facto acontecido em Coimbra, e outra o mesmo facto acontecido em Lisboa, não se achava incoherencia. Nada importava que se asseverasse que o facto tinha passado hum anno, ou dez annos depois. Parece que se não queria senão ter victimas para atormentar. Admittida a accusação, procedia-se logo á prisão desculpadas, ou dos reos. Hia-se a sua casa; todas as Justiças, toda a força armada era obrigada a executar as ordens da Inquisição: era o preso transportado para as prisões da Inquisição, toda a sua familia era posta fora da casa, a casa ficava trancada, e a familia abandonada á sua sorte. Transportado o preso ás prisões da Inquisição, entrada em huma habitação muito pequena inteiramente escurecida, em hum espaço muitas vezes menor do que aquelle em que se põe os mortos. Alli passava mezes, e annos sem ser perguntado, sem chegar ás mesas dos inquisidores. Quando era perguntado não da para se oppôr á sua accusação, era para addivinhar quem tinhão sido os seus accusadores. Se depois de denunciar por accusadores seus filhos, ou seus pays, seus collegas, seus parentes, todos os seus amigos, seus conhecidos, todas as pessoas do mundo de quem sabia os nomes, assim mesmo não acertava com seus accusadores, em submettido aos tormentos. Estes tormentos erão polés, cavalletes, fenos em braza, e outras cousas que a Arte descreve, e sabe imaginar. Assistião a estes tormentos os Deputados da Inquisição, assistião Facultativos para ver se os desmayos que os atormentados mostravão, erão verdadeiros, ou fingidos: quando lhes parecião verdadeiros davão-lhes confortos para torna-los ávida, por medo de que escapassem as victimas. Quando de pois destes tormentos elles não acertavão senão com parte de seus accusadores, erão classificados de diminutos. Quando acertavão com todos seus accusadores, erão simplesmente condemnados (simplesmente) a gales, e a degredos para presídios. Quando acertavão com parte só, já disse, que erão olhados como diminutos, e sómente erão condemnados a garrote, e depois a serem queimados, e depois a serem suas cinzas deitadas ao Tejo, ou aos males. Ora quando absolutamente não addivinha vão seus accusadores, erão julgados impenitentes, e erão queimados vivos, e suas cinzas espalhadas como disse. Depois destas Sentenças proferidas, entregavão os seus processos ás Relações, aos Tribunaes Civis, e estes, sem exame nenhum, as manda vão executar. A' execução disto chamavão ao Auto da Fé.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Galileu disse: "Eppure, si muove?"
No “Público” de hoje António Pinheiro Torres escreve (a propósito das presidenciais e de uma candidatura, inexistente, do centro-direita, mas isso não interessa aqui): “(…) Eppure, si muove (no entanto, move-se), como terá dito Galileu, depois de levado a retractar-se em 1633 da sua posição de que a terra se movia em torno do sol…”
Na realidade, não está provado que Galileu tenha dito tal frase (naturalmente, não se pode provar que a não tenha dito). Os documentos da altura sobre o processo, abundantes, não a referem. A frase surgiu pela primeira vez na “Italian Livrary”, publicada em Londres em 1757, volvidos mais de cem anos sobre a condenação da Inquisição.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
15 de Setembro de 1765. Nasce Bocage
O poeta Manuel Maria de Barbosa du Bocage nasceu no dia 15 de Setembro de 1765, em Setúbal, e morreu no dia 21 de Dezembro de 1805, em Lisboa. Andou pelo Rio de Janeiro e pela Índia, foi preso pela Inquisição, foi convidado para a Nova Arcádia, tendo adoptado o pseudónimo Elmano Sadino. Deixou-nos sonetos, odes, elegias e outras composições poéticas. As suas sátiras irritaram muita gente. Viveu os últimos anos em Lisboa sob a protecção de um frade brasileiro, Frei José Mariano da Conceição Veloso. Recordo o poeta sadino (hoje é feriado em Setúbal) com um soneto, o mais autobiográfico, e um dos seus epigramas satíricos.
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento
E somente no altar amando os frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Rechonchudo franciscano
Desenrolava um sermão;
E defronte por acaso
Lhe ficara um beberrão.
Tratava dos bens celestes,
Proferindo: "Ouvintes meus,
Que ditas, que imensa glória
Para os justos guarda um Deus!
Falsos, momentâneos gostos
Há neste mundo mesquinho:
Mas no Céu há bens sem conto...
Pergunta o bêbado: - "E vinho?"
domingo, 5 de setembro de 2010
Comer sem ofender a Deus
Alheira grelhada
Ao almoço, a mãe italiana diz ao filho:
- Se não comeres a sopa toda, eu mato-te.
A mãe judaica diz:
- Se não comeres a sopa toda, eu mato-me.
A anedota é contada por Elena Loewenthal, num artigo do “La Stampa” (03-09-2010) sobre o livro de Giuliana Ascoli Vitali-Norsa, “La cucina nella tradizione ebraica” [“A cozinha na tradição hebraica”] (Ed. La Giuntina, 416 páginas). Lido aqui.
Como se sabe, a Bíblia está cheia de regras alimentares, o que levou os judeus (os cristãos aboliram-nas) a usar toda a criatividade na cozinha de modo a não faltarem ao texto bíblico. “(…) Foram justamente os vínculos que atraíram a fantasia e despertaram o talento da dona de casa que, destrincando-se nessa selva de proibições, soube criar nos quatro cantos do mundo não uma, mas milhares e diversas cozinhas judaicas, ricas de sabores e de perfumes”, diz Elena Loewenthal.
“A comida hebraica é, de fato, tão delimitada pelas proibições quanto capaz de se difundir na geografia física e humana: em todos os lugares em que chegou, a diáspora de Israel absorveu usos, sabores e ingredientes. Os judeus da Europa Central, exterminados pelo nazismo, alimentavam-se com bortsch [sopa de beterraba] e guisados, gengibre e a inevitável gelatina de pé de vitelo com ricas doses de alho”.
Em Portugal é inevitável pensar nas alheiras, aqueles enchidos feitos de carne de galinha (ou de outras aves), mas com temperos tão apurados que se assemelham aos enchidos de porco – o que era óptimo para enganar a Inquisição no teste da prova de carne de porco.
domingo, 22 de agosto de 2010
22 de Agosto de 1241. Morre o Papa que não gostava de gatos
Gregório IX (Ugolino di Conti) foi papa de 19 de Março de 1227 até 22 de Agosto de 1241. Gregório IX continuou a política de centralização e supremacia papal em relação aos principais reinos europeus, às heresias (criando a inquisição papal – já existia uma versão da inquisição no sul de França para combater os cátaros) e aos judeus (decretando a doutrina da submissão dos judeus).
Canonizou Domingos de Gusmão, fundador dos dominicanos, António de Lisboa e Francisco de Assis, fundador dos franciscanos, tendo sido amigo pelo menos destes dois últimos.
Numa carta de 1232, “Vox in Rama”, Gregório IX escreveu que os gatos são instrumento do mal, símbolo de heresia, o que, além de ser mau para os gatos, foi péssimo para os humanos. Os ratos que espalharam as pulgas com bactérias da peste negra encontraram as populações europeias pouco apetrechadas de gatos.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
14 de Junho de 1966. É abolido o Index
Edição portuguesa de 1597
No dia 14 de Junho de 1966, o Papa Paulo VI assinou a extinção do Index Librorum Prohibitorum (Índice ou Lista dos Livros Proibidos). No dia seguinte, a Notificação ("Notificatio de Indicis librorum prohibitorum conditione") foi publicada no “Osservatore Romano”.
O Index foi criado em 1559, durante o Concílio de Trento, para listar os títulos das obras que ninguém devia ler. No início tinha em vista, principalmente, combater o protestantismo.
A última edição do Index, a 32.ª, em 1948, continha quatro mil títulos.
Alguns romancistas que em algum momento tiveram obras no Index: Daniel Defoe, Victor Hugo (“Os Miseráveis” e “Nossa Senhora de Paris”!), Honore de Balzac, Alexandre Dumas Pai, Gustave Flaubert, Gabriele D'Annunzio, Nikos Kazantzakis.
Alguns ensaístas e pensadores com obras no Index: Hobbes, Descartes, Montaigne, Espinosa, John Milton, John Locke, David Hume, Jean-Jacques Rousseau, Edward Gibbon, Blaise Pascal, Kant, John Stuart Mill, Ernest Renan, Henri Bergson.
Primeira edição do Índex aqui.
Autores e obras da última edição aqui.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Em louvor da Inquisição
Matthias Heine, protestante, escreve no “Die Welt” de 03 de Março de 2010 que a Igreja Católica precisa de uma nova Inquisição para lidar com os clérigos pedófilos, uma Inquisição que recupere o nome da antiga e excomungue os violadores de crianças.
Já aqui havia referido o texto. Veio na edição de Maio do "Courrier internacional". Está escrito com algum humor, mas não com ironia, e faz o que nunca um católico poderia fazer: uma defesa da Inquisição antiga, ainda que se refira à medieval, a que tinha como finalidade extirpar a heresia que surgia no interior do cristianismo, anterior à espanhola e portuguesa. Imaginemos um católico a dizer o mesmo…
O autor do texto, crítico de teatro no “Die Welt”, para lá da questão do assunto principal da pedofilia, adianta uma idiossincrasia do protestantismo logo a abrir o texto: “Se há coisa que os protestantes conservadores secretamente admiram na Igreja Católica é o rigor e a determinação com que ataca os seus inimigos. Na cultura protestante do diálogo, sonhamos às vezes com uma autoridade que dê um murro em cima da mesa e diga num tom categórico: «És um herege, vade retro!»” Uns parágrafos à frente, escreve que os próprios protestantes esperam que a limpeza de faça na Igreja católica, “já que a maioria neopagã e ateia considera todas as religiões responsáveis pelo que se passa entre os católicos. Há mesmo quem abandone o protestantismo «por causa do Papa»”.
Sobre a Inquisição, lembra três aspectos inovadores. Faz um elogio da Inquisição, algo que está nos antípodas da mentalidade comum (ia a escrever “mentalidade anticatólica”, mas mesmo entre os católicos existem tais convicções – por isso mesmo é que o católico não se aventura a defender a Inquisição, exceptuando num ou noutro aspecto histórico). São estes, não por esta ordem:
1) A Inquisição surgiu para controlar excessos da justiça popular. Heine aponta que em 1143, em Colónia, um grupo de hereges foi mandado para a fogueira pela populaça, contra a vontade do bispo.
2) A Inquisição abria inquéritos mesmo quando não havia queixa formada, desde que houvesse suspeitas. Tal situação, diz o crítico, era um procedimento ultramoderno que mais tarde os sistemas judiciais adoptaram.
3) A Inquisição iniciou o arquivo de dados. “O procedimento actual, que obriga o juiz de instrução e as autoridades policiais a interrogar testemunhas, a comparar depoimentos e a classificar testemunhos para consulta posterior, é uma invenção do Santo Ofício”.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
4 de Junho de 1798. Morre Casanova, o informador da Inquisição
De Giacomo Casanova (Veneza, 2 de Abril de 1725 – Dux, República Checa, 4 de Junho 1798) sobressai a vida de aventureiro e sedutor. No final da vida escreveu nos 28 volumes de memórias que tinha seduzido cento e tal mulheres e alguns homens (não é assim tanto para os padrões actuais; um conhecido cantor rock, recém-entrado na reforma, na terra de Sua Majestade, diz ter dormido com mais de duas mil, suponho que não com homens).
Mas o curioso é que Casanova chegou a iniciar carreira militar e eclesiástica. E mais curioso, ainda, é que trabalhou como informador da mesma Inquisição que por vezes o perseguiu. Escreveu cerca de 50 relatórios em que acusa nobres e banqueiros de adultério, vida devassa, posse de livros proibidos.
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Karl Rahner Quem acompanha este blogue sabe que tem andado por aqui e aqui uma discussão sobre o diabo e outras questões diabólicas. ...