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quarta-feira, 24 de julho de 2013

O que é surpreendente

O que é surpreendente, para nós que acreditamos que Jesus era o Cristo, não são os milagres da vida pública, mas a ausência de milagre durante a vida oculta.

Mauriac

segunda-feira, 22 de julho de 2013

David vencido

Deus gigante! Vê, envergonhada, fraca e nua,
Esta criança que te desafia: nem sua funda tem pedra
E seus joelhos estão feridos por antigas orações,
O meu desejo - este David que quer ser vencido.

François Mauriac

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1 de Setembro de 1970. Morre François Mauriac


François Mauriac morreu no dia 1 de Setembro de 1970, quase a completar 85 anos. Foi um grande escritor católico, Nobel da Literatura em 1952, “pela intuição espiritual profunda e pela intensidade artística com que, em seus romances, penetrou no drama da vida humana”. Ver algumas frases dele aqui. Após a II Guerra Mundial, batalhou pela abolição da pena de morte em França, tendo escrito um ensaio sobre o assunto.

Recentemente, levantou-se a questão de ter sido homossexual. Era casado e teve dois filhos, Jean e Claude. Jean Mauriac, um antigo jornalista da France Presse, actualmente com 87 anos, confirma que o seu pai era homossexual, não no sentido de ter tido relações com homens, mas de ter amizade com jovens que andavam à volta dele e povoar a sua obra literária de jovens fogosos e maridos frustrados. Era um homossexual platónico. Jean Mauriac adianta ainda que se deve aos bonitos olhos do activista Robert Barrat (não confundir com o actor homónimo) o seu empenho pela independência das colónias africanas.

À “France catholique” Jean Mauriac disse em 2009:
Conheço bem os amigos do meu pai, aqueles por quem François Mauriac sentiu amizade, afeição, ternura, por vezes uma verdadeira paixão: na sua maioria eram homens casados, «homens de mulheres» («hommes à femmes» no original; será “mulherengos”?)”, como se diz vulgarmente. Fico triste quando evoco esta questão, porque o meu pai sofreu muito. Ele julgou – mais ou menos, é verdade – dever esconder os seus sentimentos por causa da religião (sempre ela), da sua família, das suas origens provincianas, da sua reputação. Mas não esqueçamos: sem este verdadeiro drama interior, sem esta terna afeição (…), jamais François Mauriac teria podido escrever a obra romanesca dilacerante, sofrida, sôfrega, trágica que escreveu. Ler aqui.

domingo, 27 de março de 2011

Caminho numa tarde em que tudo parecia perdido

Quem de nós não conhece a pousada de Emaús? Quem não percorreu esse caminho numa tarde em que tudo parecia perdido?
                            
François Mauriac (1885-1970)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Criatura


O cristianismo sustenta-se inteiramente nesta incrível novidade de que a criatura é amada pelo seu criador e, o que é mais espantoso ainda, é que ela também, por mais miserável que seja, se acha capaz de amar o seu Criador. Que estranho, quando pensamos nisso, amar o Ser infinito, chamar ao ser infinito: «Pai Nosso».

François Mauriac (1885-1970)

domingo, 5 de setembro de 2010

Resistência


Neste universo enlouquecido onde tudo acaba por se confundir, eu tenho a impressão de que o próprio Deus resiste e diz-nos: "Eu estou aí. Não temais".

François Mauriac (1885-1970)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Quem ouve quem?

Nós cremos muitas vezes que Deus não ouve as nossas perguntas, mas somos nós que não ouvimos as suas respostas.

François Mauriac (1885-1970)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Deus e os imbecis

"Que Deus prefere os imbecis é um boato que os imbecis fazem correr há dezanove séculos".

François Mauriac (1885-1970)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Incrível novidade da criatura amada

O cristianismo sustenta-se inteiramente nesta incrível novidade de que a criatura é amada pelo seu Criador, e, o que é mais espantoso, ainda, é que ela também, por mais miserável que ela seja, se acha capaz de amar o seu Criador. Que estranho, quando pensamos nisso, amar o ser infinito, chamar ao ser infinito: “Pai Nosso”.

François Mauriac (1885-1970)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

23 de Fevereiro de 1955. Morre Paul Claudel

"Paul Claudel", por Jean Bernard

Paul Claudel, poeta, dramaturgo e diplomata, grande escritor católico francês, a par de Bernanos e Mauriac, nasceu no dia 6 de Agosto de 1868 e morreu no dia 23 de Fevereiro de 1955. Há 55 anos.

Era amigo dos teólogos Jean Daniélou e Henri de Lubac. “Tal como Deus diz às coisas para que elas sejam, o poeta rediz o que elas são”, escreveu.

Autor de “O anúncio a Maria”, escreveu também a peça “Le soulier de satin” (“O sapato de cetim”), que deu origem a um filme de Manoel de Oliveira, em 1985. A peça dura oito horas, pelo que poucas vezes foi representada. O filme dura sete.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Graham Greene, a garrafa de vinho e o café de Tunes


A revista The Strand Magazine vai começar a publicar um romance inacabado de Graham Greene (1904-1991) que foi encontrado recentemente. Publica-o ao longo de cinco edições, um capítulo por semana, esperando que um autor ou os próprios leitores o completem.
O romance chama-se The Empty Chair, A Cadeira Vazia, e conta a história de um assassinato misterioso. A notícia vem no "Público" de hoje, na última página. “O enredo começa quando Alice Lady Perriham, uma actriz casada com um aristocrata, dá uma festa em sua casa, onde os convidados encontram o corpo do «taciturno, mal-humurado, bruto» Richard Groves, com uma faca espetada no peito”.
Trago-a para aqui por dois motivos, um que tem a ver com o espírito deste blogue e outro de ordem pessoal (mas que se alicerça no primeiro).
O primeiro: O romance foi iniciado em 1926, quando Greene tinha 22 anos. Foi nesse ano que Graham Greene “se converteu ao catolicismo, começou a trabalhar como subeditor no jornal londrino Times e decidiu tornar-se um escritor de sucesso”, diz o "Público". Para este romancista, o catolicismo é importante tanto para a vida (em todos os sentidos, incluindo o mais contraditório, porque abundam referências sobre as suas incoerências entre fé professada e fé vivida, no que diz respeito ao adultério e a outras vivências de cariz sexual) como para a arte. Sem a fé católica não se compreendem os romances “O Poder e a Glória”, “O Fim da Aventura” ou “Monsenhor Quixote”. E talvez por essas mesmas referências católicas se explique o facto de este ser um escritor esquecido, porque, como diz Clara Ferreira Alves (estou a pensar numa crónica do "Expresso"), está preocupado com dilemas que já não lembram a ninguém: o pecado e a graça, o desejo e a fidelidade, a perdição e a salvação… Já não lembram a ninguém, diz ela.
O segundo: Interessei-me por este autor, em finais da década de 1980, por um dia ter lido que em “Monsenhor Quixote” a Trindade era "explicada" à base de garrafas de vinho. Tinha uma vaga noção do catolicismo do autor e isso levou-me a ler durante uns tempos tudo o que encontrava dele, a começar pelo cómico “Monsenhor” (papel amarelo da Europa-América), passando pelo “Nosso Agente em Havana” e os outros acima referidos. Em ambiente de faculdade, eu era pelo Graham Greene, um colega era pelo Morris West e um outro pelo Unamuno. (A seguir vieram os católicos franceses, Bernanos, Mauriac…, mas isso já é outra história). Foi uma fase de tal modo greeniana, que sei onde estava no dia seguinte à morte do romancista inglês. Estava num café que há (havia?) ao pé da estação CP de Tunes, a caminho do Algarve. Nesse Março ou Abril de 1991, com mais alguns escuteiros, ia para uma actividade que o Agrupamento 115 intitulara de “Na Rota do Infante”. Enquanto esperávamos pelo comboio, à noite, li no “Correio da Manhã” do café que Graham Greene tinha morrido. Não sei se posso dizer que fiquei abalado. Mas senti que alguém que me era próximo desaparecia e eu não podia fazer nada. Greene era-me próximo, de uma proximidade feita de ler as suas palavras, uma proximidade que só se consegue quando a leitura raia a obsessão, uma proximidade que eu só viria a sentir em relação a mais três autores (até hoje – um deles também é romancista inglês e é considerado discípulo de Greene). Greene morrera e entretanto chega o comboio e temos de prosseguir viagem. Já com o comboio em andamento, lembro-me de que não paguei a despesa do café. Foi só uma bica, mas ainda um dia destes hei-de voltar ao café de Tunes para saldar a dívida. Graham Greene vai-me lembrando que tenho uma pena a expiar.
Graham Greene morreu no dia 3 de Abril de 1991, informa a Grande Teia. O episódio do café de Tunes deve ter acontecido no dia 4 de Abril de 1991, se o antigo espião tiver morrido antes do fecho da edição daquele Correio da Manhã.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...