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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Mateus de Caravaggio e o Pai de Lucas

Leio no Equinócio de Outono (aqui, mas em 16/11/2009)...:

No princípio do século XVII foram encomendados a Caravaggio
três quadros sobre S. Mateus (1600-1602) para a Capela Cantarelli, na Igreja de S. Luís dos Franceses, em Roma: não houve qualquer objecção em relação à Vocação de S. Mateus ou ao Martírio, mas não pareceu decoroso às autoridades eclesiásticas um terceiro quadro que apresentava o apóstolo "sentado com uma perna sobre a outra, e os pés nus, grosseiramente expostos à vista do povo". Esse facto obrigou Caravaggio a pintar uma segunda versão de S. Mateus e o Anjo. As duas versões foram pintadas em 1602. A primeira foi destruída em Berlim, em 1945, no contexto da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

...E penso na parábola do filho pródigo que nem é de Mateus, mas de Lucas 15. Um "homem bem" a ter que arregaçar a túnica para correr em direcção ao filho que o tratou mal, mas que regressa a casa, porque, afinal, lá não se passa fome. Não dá jeito nenhum correr de saias compridas. Mas, arregaçando a túnica, fere-se a sensibilidade mais escrupulosa. Mostrar as pernas nuas é um atentado ao pudor. O pai do filho pródigo quer lá saber se fica mal no retrato. Quem é abraçar o filho. Que para ele nunca esteve perdido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Filho Pródigo

Cada dia acrescentou a minha fuga
E o desvio aproximou-me do perigo.
Além do que mereço, além, agora
Queria ser deserto e trabalhar nos campos
Abençoando a foma quanto ceifo o trigo.

Daniel Faria

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Série de patifarias


J. A. Azeredo Lopes, presidente do conselho regulador da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social), no “Público” de hoje escreve uma crónica que começa assim: “Quase todos conheceremos, suponho, a parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), das mais difíceis de «aceitar» à luz de critérios puramente racionais. Na verdade, por que motivo tanta alegria por uma boa acção conseguir apagar, de uma penada, uma série de patifarias? Talvez seja essa, admito, a grandeza da mensagem”.

Com este texto, Azeredo Lopes quer atingir José Pacheco Pereira, habitual crítico da ERC. Li por alto o texto do presidente da ERC e não encontrei mais nada de interessante para referir aqui. Mas é suficiente o que diz da parábola. “Tanta alegria… por… uma série de patifarias…” É a alegria de Deus não pelas patifarias, mas pelo regresso dos humanos. Tem toda a razão. Vai contra os critérios racionais.

O pai, que para correr em direcção ao filho tem de levantar a túnica e mostrar os pés, torna-se motivo de troça. “Olha o Sr. Fulano de Tal a mostrar os pés, os tornozelos… Que vergonha. E ainda por cima vai fazer uma festa ao filho que tanto o desonrou”. O filho que regressa ao pai. O filho que inverte o caminho de autodestruição. O pai que aguarda e recompensa o filho. O irmão invejoso (e justo). Os critérios racionais esgotaram-se na atitude do filho querer a herança em vida. Nada mais lógico. “Agora é que preciso da herança”. A partir daí tudo é graça. E a graça não é necessariamente racional.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...