sexta-feira, 22 de agosto de 2014
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Anselmo Borges: O trabalho, o ócio, festas e férias
Texto de Anselmo Borges no DN de sábado passado (retirado daqui).
domingo, 29 de julho de 2012
Preparando as férias
Tchekov disse: "Se tens medo da solidão, não te cases". Eu diria: se tens medo da solidão, não viajes. A literatura de viagem mostra os efeitos da solidão, umas vezes desolada, mais frequentemente enriquecedora, de vez em quando inesperadamente espiritual".
Paul Theroux, "A Arte da Viagem" (Quetzal), pág. 8.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Oração para o tempo de férias, de José Tolentino Mendonça
Senhor, seja este o tempo de nos relançarmos em aliança mais pura com o real convictos daquilo que a hospitalidade paciente e fraterna do mundo em nós revela Que saibamos apreciar a imediatez flagrante em que a vida se dá, mas também as suas camadas profundas, escondidas, quase geológicas. Que no instante e na duração saibamos escutar, hoje e sempre, o vivo, o desperto, o fremente e o seu esperançoso trabalho. Recebe, de nós, a aurora e o verde azulado dos bosques. Recebe o silêncio intacto dos espaços. Recebe a música oceânica do vento. Mas recebe igualmente a marcha desencontrada da história, o desenho inacabado da nossa conversa terrena, esta espécie de parto que, entre dor e alegria, nos une. Sejam os nossos quotidianos gestos mergulhados na vivacidade da troca, abertos ao que de todos os pontos da humanidade e do mundo converge, impelido pelo teu Espírito. Que a frágil chama de amor hoje acesa Ilumine tudo por dentro: desde o coração da menor partícula à vastidão das leis mais universais. E tão naturalmente invada cada elemento, cada mola, cada liame, florescendo e amadurecendo toda a vida que em nós vai germinar. José Tolentino Mendonça (copiado daqui) |
sábado, 9 de julho de 2011
Quem não trabalha não coma, dizia S. Paulo
- Não vais tirar férias este ano, pois não?
- Não, não vou.
- Compreendo. Eu vou porque estou mesmo a precisar de descansar.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Douro com arte sacra
sábado, 14 de agosto de 2010
Anselmo Borges: O trabalho e as férias
Quando se fala de trabalho, é preciso ter em atenção algumas questões prévias, fundamentais.
Primeiro, o trabalho deve ser visto no seu sentido amplo. Assim, tanto trabalha o agricultor como o operário, o engenheiro, o estudante, o médico ou o professor.
Depois, é interessante observar como, apesar de tudo, mesmo etimologicamente, há diferença entre tipos de trabalho. Perguntamos a alguém que está no labor de uma investigação ou na redacção de um trabalho científico: como vai o seu trabalho? Podem dizer-nos: gosto do que faço, o meu trabalho realiza-me. Mas também: meti-me em trabalhos. No quadro do trabalho duro, diz-se mesmo trabalho - de tripalium, o tal instrumento romano de tortura -, mas referimo-nos ao trabalho criativo como obra: alguém deixou uma obra, publicou as suas obras completas - a raiz é o grego ergon, como pode ver-se no alemão Werk. Mas também se diz: anda nas obras.
Sobretudo não se pode ignorar que, dada a revolução tecnocientífica, cada vez mais o trabalho vai tornar-se um bem escasso, que será necessário repartir de modo justo e com todas as consequências. É aqui que me vêm à mente duas referências que já aparecem no meu livro Religião: Opressão ou Libertação? Há muito que o matemático e filósofo Bertrand Russell, Prémio Nobel da Literatura, escreveu que bastaria trabalhar quatro horas por dia e o físico Hans Peter Dürr, Prémio Nobel Alternativo, também disse que, para produzirmos o que é realmente importante, precisaríamos apenas de um terço do nosso tempo de trabalho. O resto do tempo seria para a cultura, para o ócio da criação. Portanto, não há aqui de modo nenhum a apologia da preguiça - do preguiçoso diz a Bíblia: "O preguiçoso é semelhante a uma pedra cheia de lodo; é semelhante a um punhado de esterco; quem lhe tocar sacudirá as mãos." É de um horizonte outro de vida que se trata.
Mas o trabalho implicará sempre esforço, sacrifício, cansaço. Daí também a necessidade do ócio, da festa, do jogo, do tempo livre, das férias. Que palavra mágica: férias, ir de férias!... Feria (no plural, feriae) tem o sentido de "descanso, repouso, paz, dias de festa". No século III, a Igreja assumiu os dias da semana como dias de "comemoração festiva", enumerando-os como prima feria, secunda feria, tertia feria, quarta feria, quinta feria, sexta feria. Ao contrário de outras línguas, como o espanhol ou o francês, que adoptaram a classificação romana baseada na divinização de um planeta: Lunes, Martes, Lundi, Mardi, etc., o português, ao seguir a terminologia eclesiástica, designou os dias da semana como segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira - o Sábado aparece vinculado ao hebraico e o Domingo (de Dominus), ao latim e designando o Dia do Senhor.
Até do ponto de vista histórico e etimológico, aí fica o carácter festivo associado às férias. Esta associação é tanto mais significativa quanto isso está presente noutras línguas, a partir de vias etimológicas diferentes. Veja-se vacaciones (espanhol) e vacances (francês), que têm o seu étimo no latim vacatio, com o sentido de isenção, dispensa de serviço. Os ingleses em férias estão on holidays, isto é, em dias santos. Os alemães têm Ferien e Urlaub, sendo a raiz de Urlaub Erlaubnis, com o sentido de dias livres de serviço e trabalho.
Na Bíblia, diz-se que Deus trabalhou seis dias e ao sétimo descansou e mandou que o homem tivesse um dia santo, sem trabalho, em cada semana. Para o gáudio da festa, do repouso e da liberdade.
O homem é homem no trabalho e na festa. É preciso reencontrar a alegria da transcendência, da criação, do estar repousado consigo próprio, da quietude contemplativa, do silêncio, da exaltação com o mistério das coisas, do fluir parado do tempo, da plenitude da música e da poesia, do perfume de uma rosa sem porquê, como disse o místico Angelus Silesius. Também a alegria da viagem, não para, depois, martirizar os amigos com fotografias e vídeos narcisistas, mas para o encontro de culturas outras e outros modos de ser homem e mulher e dialogar e aprender. Porque o homem é faber, mas também é festivus; laborans, mas também ludens.
domingo, 25 de julho de 2010
Bento Domingues: leituras de férias
Anedota contada por Bento Domingues no “Público” de hoje:
Certo domingo, a mãe acordou o filho com uma sacudidela e disse-lhe que estava na hora de ir para a igreja.
- Ó mãe, não me apetece! É tão aborrecido! Porque é que hei-de chatear-me?
- Por duas razoes; sabes muito bem que deve ir à igreja ao domingo e, em segundo lugar, és o bispo da diocese.
Mais textos de Bento Domingues só em Setembro.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Oração pelas férias
Dá-nos, Senhor,
depois de todas as fadigas
um tempo verdadeiro de paz.
Dá-nos,
depois de tantas palavras
o dom do silêncio
que purifica e recria.
Dá-nos,
depois das insatisfações que travam
a alegria como um barco nítido.
Dá-nos,
a possibilidade de viver sem pressa,
deslumbrados com a surpresa
que os dias trazem pela mão.
Dá-nos
a capacidade de viver de olhos abertos,
de viver intensamente.
Dá-nos
de novo a graça do canto,
do assobio que imita
a felicidade aérea
dos pássaros,
das imagens reencontradas,
do riso partilhado.
Dá-nos
a força de impedir que a dura necessidade
esmague em nós o desejo
e a espuma branca dos sonhos
se dissipe.
Faz-nos
peregrinos que no visível
escutam a melodia secreta
do invisível.
José Tolentino Mendonça
Fonte: SNPC (clicar em "Umbrais")
Sinodalidade e sinonulidade
Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...
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Respondendo a alguns leitores, deixo aqui um artigo de Ariel Álvarez Valdés sobre a distinção, nos evangelhos, entre diabo e demónio. O tex...
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O que aqui vou deixar não é um tratado nem sequer um artigo académico sobre a questão. Trata-se simplesmente de dicas recolhidas de outros...
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Karl Rahner Quem acompanha este blogue sabe que tem andado por aqui e aqui uma discussão sobre o diabo e outras questões diabólicas. ...