O National
Catholic Reporter escolheu como figura do ano 2011 a teóloga, freira, Elizabeth
A. Johnson, que em 2007 publicou o livro “Quest for the Living God: Mapping Frontiers
in the Theology of God”. Esta obra foi condenada pelos bispos dos EUA,
num processo em que a autora não foi ouvida, o que constitui uma queixa
recorrente neste tipo de conflitos. Ver caso do teólogo José María Castillo, no
“Público” de ontem e reproduzido neste blogue.
E de que fala o livro de Johnson, que é também autora de um
clássico da teologia feminista (“She Who Is: The Mystery of God in Feminist
Theological Discourse”, com edição brasileira na Vozes, “Aquela que É: O Mistério
de Deus no Trabalho Teológico Feminino”)? Diz o semanário católico
norte-americano:
Grande parte de "Quest" é uma reapresentação do que outros
teólogos bem respeitados disseram e continuam dizendo sobre "o Deus
vivo" hoje. Tomando emprestado do falecido teólogo alemão jesuíta Karl
Rahner, Johnson escreveu em seu refutação aos bispos que o objetivo da teologia
é "buscar o sentido da fé a fim de acreditar, esperar e amar mais
profundamente". Esperar que os buscadores de Deus simplesmente repitam
velhas fórmulas negligencia a realidade e as ricas ofertas que chegaram à mesa
católica no último meio século dos avanços na teologia. Johnson, por sua vez,
ofereceu imagens poderosas do divino. Elas falam aos buscadores de todos os
lugares. A incomum popularidade de "Quest for the Living God" confirma isso.
Por baixo da polêmica e da visão de Johnson, repousa uma
questão emergente inegavelmente mais ampla que todos os líderes da nossa Igreja
devem abordar honestamente: o fantasma feminino/masculino que obscurece muitas
discussões sobre a autoridade eclesial. Sem dúvida, alguns dos maiores
redespertares na teologia cristã na última metade de século vieram com o
advento das teólogas mulheres. Até meados do século XX, a teologia católica,
com poucas e notáveis exceções, era um mundo de homens, quase inteiramente um
mundo de padres. Séculos de representações de Deus foram pintadas através dos
olhos masculinos. Por muito tempo ausentes, as intuições femininas acompanharam
as mulheres nas escolas de teologia, onde elas começaram a estudar e a examinar
Deus através de novas lentes. Infelizmente, essas preciosas intuições femininas
ainda ameaçam alguns. Não deveria ser assim. Deus criou homem e mulher; Deus
criou ambos à imagem de Deus e deu a ambos mentes para explorar o divino.
Lido
aqui.