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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Óscar Afonso: "Pensamento económico do Papa Francisco"

No "i" de hoje. É mais pertinente esta análise dos que as inflamações por causa de afirmações isoladas do Papa. Mesmo que inteiras.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

sábado, 14 de junho de 2014

Relendo a "Caritas in veritate"

Relendo a "Caritas in veritate", de Bento XVI. Temos aqui o melhor documento para o panorama económico e financeiro da atualidade. Não tem tantos chavões, frases fortes, lugares-comuns, parangonas. Mas tem o equilíbrio que não leva ao repúdio impulsivo. Bem sei, para os tempos das reações instantâneas e epidérmicas não serve. É mais fácil ler (ou ouvir) quatro palavras e não pensar do que ter de refletir.
(N.º 65) Em seguida, é preciso que as finanças enquanto tais — com estruturas e modalidades de funcionamento necessariamente renovadas depois da sua má utilização que prejudicou a economia real — voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produção de riqueza e o desenvolvimento. Enquanto instrumentos, a economia e as finanças em toda a respectiva extensão, e não apenas em alguns dos seus sectores, devem ser utilizadas de modo ético a fim de criar as condições adequadas para o desenvolvimento do homem e dos povos. É certamente útil, se não mesmo indispensável em certas circunstâncias, dar vida a iniciativas financeiras nas quais predomine a dimensão humanitária. Isto, porém, não deve fazer esquecer que o inteiro sistema financeiro deve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento. Sobretudo, é necessário que não se contraponha o intuito de fazer o bem ao da efectiva capacidade de produzir bens. Os operadores das finanças devem redescobrir o fundamento ético próprio da sua actividade, para não abusarem de instrumentos sofisticados que possam atraiçoar os aforradores. Recta intenção, transparência e busca de bons resultados são compatíveis entre si e não devem jamais ser separados. Se o amor é inteligente, sabe encontrar também os modos para agir segundo uma previdente e justa conveniência, como significativamente indicam muitas experiências no campo do crédito cooperativo.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Anselmo Borges: "Francisco e o 25 de Abril"

Texto de Anselmo Borges no DN de 12 de abril (aqui):


1. A fotografia percorreu mundo: o Papa Francisco de joelhos, diante de um padre no confessionário, a confessar-se à vista de quem estava. Sabia-se que o Papa também peca e portanto se confessa. Mas agora está mesmo lá a confessar-se normalmente, como qualquer católico. Afinal, também é pecador, como repete constantemente, e tem dúvidas e engana--se como toda a gente, não é infalível. É simplesmente um homem, que acredita no perdão de Deus. E quer melhorar a sua vida, tanto mais quando tem uma imensa responsabilidade perante a humanidade inteira.

Pouco depois, na semana passada, Francisco deu uma entrevista a um grupo de cinco estudantes católicos belgas de comunicação. E foi-lhes dizendo, textualmente: "Enganei-me e engano-me. Diz-se que o ser humano é o único animal que cai duas vezes no mesmo sítio. Os erros foram grandes mestres de vida. Não diria que aprendi com todos os meus erros; com alguns, não, também sou casmurro. Mas aprendi com muitos outros erros e isso faz-me bem." Entre os equívocos na sua vida recorda que, quando ainda jovem, com 36 anos foi nomeado superior da Companhia de Jesus, cometeu erros "com o autoritarismo". Depois, deu-se conta de que "é preciso dialogar, escutar o que os outros pensam".

Já ouviu dizer : "Este Papa é comunista!", por causa do seu discurso sobre os pobres, mas esclarece que não. "Não, esta é a bandeira do Evangelho, a pobreza sem ideologia, os pobres estão no centro do anúncio de Jesus."

Confessa que é feliz, com uma grande paz, apesar dos problemas. "Sempre houve problemas, mas esta felicidade não vai embora com eles." Lamenta é que "neste momento da história o ser humano foi retirado do centro", sendo o seu lugar ocupado "pelo poder e pelo dinheiro". Referindo o desemprego dos jovens, arremete contra "uma cultura do descartável": o que não serve a globalização reinante deita-se fora: "Os jovens são expulsos, são expulsas as crianças, não queremos filhos, só famílias pequenas, e são expulsos os velhos, muitos deles morrem com uma eutanásia oculta, porque não se cuida deles." Mas está confiante: ainda na Argentina, falou com muitos políticos jovens e comprovou que, de direita ou de esquerda, falam "com uma nova música, um novo estilo de política". E faz uma pergunta: "Onde está o teu tesouro?" Porque, "onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração", como diz o Evangelho. E responde: pode estar no "poder, no dinheiro, no orgulho" ou na "bondade, na beleza, no desejo de fazer o bem".

2. Pelo menos 80% dos portugueses ainda se consideram católicos, e é nesse pressuposto que faço uma breve reflexão.

Há uma herança indiscutivelmente imensa e positiva do 25 de Abril. A democracia, as liberdades, os direitos humanos, erradicação do analfabetismo, algum desenvolvimento, uma nova consciência de cidadania... são bens inestimáveis. Mas muita coisa correu mal, de tal modo que a gente pergunta como é que, tendo podido fundar um país moderno, se está onde nos encontramos. Incompetência e irresponsabilidade política, ganância desmesurada, anteposição de interesses próprios e partidários ao bem comum, cumplicidades entre partidos e negócios, investimentos irracionais, corrupção, justiça inoperacional, multiplicação cega de instituições de ensino superior e perda de autoridade nas escolas, consumismo hedonista leviano, um tsunami demográfico, abismo cada vez mais fundo entre os muito ricos e os pobres, incapacidade de pensar o futuro com um projeto viável para Portugal... eis alguns dos responsáveis.

Será preciso parar. Para pensar - do latim, pensare: pesar razões, também em conexão o penso para cura das feridas. Para confessar os erros e aprender com eles: é espantosa a "inocência" de comentadores que falam como se a maioria não tivesse estado no poder.

E a Igreja oficial precisa, tornando-se verdadeiramente livre, acima de interesses e partidos, de ser mais interventiva enquanto voz político-moral, iluminada e iluminante.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Bento Domingues: "Um Cristo formatado?"

John P. Meier, o padre diocesano que Bento XVI, no primeiro volume sobre Jesus, dizia ser jesuíta


Texto de Bento Domingues no "Público" de hoje:


1. “Esta é a definição da lei: algo que pode ser transgredido”. Assim falava, no seu gosto pelos paradoxos, o grande escritor católico, Gilbert K.Chesterton (1874-1936). Partindo da convicção de que a Deus nada é impossível, as comunidades cristãs, sobretudo as do primeiro século, elaboraram narrativas sobre o percurso de Jesus Cristo - desde a anunciação à ressurreição – que parecem contrariar, sem necessidade, as mais respeitáveis e inocentes leis da natureza.

A este respeito, importa não esquecer que a linguagem mítica e simbólica da liturgia do Natal não pretende dar aulas de biologia e astronomia, mas subverter as leis de um mundo dominado pela injustiça. Quando os Evangelhos são interpretados em registo literal, em vez de provocarem a inteligência, a imaginação e os afectos, paralisam-nos e tornam-se charadas absurdas, até naquilo que têm de mais belo e subversivo. A letra mata. O espírito livre vivifica.

Esta observação não desvaloriza, porém, a importância do método histórico-crítico aplicado aos escritos do Novo Testamento. Ao procurar esclarecer a produção dos textos bíblicos, nas suas diferentes etapas, descobre-se o ridículo das leituras fundamentalistas e que a pluralidade de interpretações não brota da arbitrariedade.

Passada a decepção com as “biografias liberais” de Jesus, do séc. XIX e os estudos pós-bultmanianos da década de 50 do século passado, vários exegetas célebres desenvolvem a “terceira vaga” de investigações sobre o “Jesus da história”. A obra monumental, de John P. Meier, “Jesus, um Judeu marginal”, impôs-se como referência incontornável. No entanto, como ele próprio confessa, o Jesus reconstruido pela investigação histórica – dada a natureza das fontes disponíveis – não pode sondar todas as dimensões da sua realidade. J. Meier alimenta a fantasia da reunião de um “conclave sem papa” e que ele próprio configurou: um católico, um protestante, um judeu e um agnóstico - todos historiadores honestos e bem informados sobre os movimentos religiosos do século I – ficariam trancados, na biblioteca da Harvard Divinity School, submetidos a uma dieta espartana e só lhes seria permitido reaparecer, quando tivessem elaborado um documento de consenso, sobre Jesus de Nazaré.

Um requisito essencial desse documento seria o de basear-se em fontes e argumentações puramente históricas. As suas conclusões deveriam ser abertas à verificação de todas e quaisquer pessoas sinceras, com acesso aos meios da moderna pesquisa histórica. Esse documento não teria a pretensão de apresentar uma interpretação completa, final e definitiva sobre Jesus, a sua obra e as suas intenções. Poderia, no entanto, proporcionar uma base comum e um ponto de partida academicamente respeitáveis para o diálogo entre pessoas de várias crenças ou sem crença alguma. J. Meier talvez goste de um Jesus marginal, mas não muito!

2. Esse empreendimento pode ter a sua utilidade, sobretudo para enfraquecer os delírios teológicos estacionados em definições dogmáticas, como alfândegas da fé. Mas não estou nada interessado num Jesus normalizado, formatado e em repouso num museu da história do cristianismo. Os escritos cristãos falam da sua presença clandestina, onde e quando menos se espera, baseados na promessa de que Ele não desertará da nossa vida.

Muito se escreveu acerca do mundo em que Jesus nasceu e cresceu, e onde se difundiram as comunidades cristãs dos séculos primeiro e segundo. Funcionavam “em rede”. Quando o Imperador Constantino entrou em cena, no séc. III, foi porque ele próprio se deu conta que mais valia ter os cristãos do seu lado do que persegui-los.

Os monges não foram para o Deserto por terem desistido da evangelização do mundo, mas porque se consideravam marginais em relação a uma cristandade adulterada por privilégios. Em vez de se instalarem no Poder, preferiram recusá-lo. Sabiam que ao esquecer o Cristo crucificado na carne dos sacrificados pelos interesses dos poderosos, acabariam na adoração de um Deus do Poder que tudo justifica.

3. O Papa Francisco denunciou os efeitos da economia que mata. Muitos se apressaram a dizer que ele não percebia nada de economia e a sua “Exortação Apostólica” era gravemente desmobilizadora quando já estavam à vista os belos frutos da austeridade, que importa não abrandar. Paul Krugman, Prémio Nobel de economia, em 2008, mostrou, no passado Domingo (cf. El País), as consequências desastrosas, nos EUA, da correlação entre os cortes nos programas sociais, o crescimento das desigualdades e o aumento da dívida. São os interesses e preconceitos de uma elite económica, cuja influência política disparou ao mesmo tempo que a sua riqueza, que procuram ocultar essa realidade. Pretender despolitizar o discurso económico e torná-lo tecnocrático e apartidário é um embuste. A classe social e a desigualdade modelam e distorcem o debate.

Será possível uma economia amiga das pessoas? Manuela Silva mostra que sim (cf. rev. Communio, XXX (2013).


Bom ano!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Francesco: «L'ideologia marxista è sbagliata"


No "Público" (a foto também), para quem tem dúvidas:
O Papa Francisco assegura que não é marxista, mas afirma que não se sente ofendido quando o denominam como tal, numa entrevista publicada hoje pelo “La Stampa”. O líder da igreja católica mostra-se preocupado com a "tragédia da fome no mundo".
 "A ideologia marxista está equivocada, mas na minha vida conheci muitos marxistas boas pessoas, por isso não me sinto ofendido", reconhece o papa.
Ler tudo aqui. Ou aqui, em italiano.

La Stampa - Alcuni brani dell'«Evangelii Gaudium» le hanno attirato le accuse degli ultra-conservatori americani. Che effetto fa a un Papa sentirsi definire «marxista»?

Papa - «L'ideologia marxista è sbagliata. Ma nella mia vita ho conosciuto tanti marxisti buoni come persone, e per questo non mi sento offeso». Le parole che hanno colpito di più sono quelle sull'economia che «uccide»... «Nell'esortazione non c'è nulla che non si ritrovi nella Dottrina sociale della Chiesa. Non ho parlato da un punto di vista tecnico, ho cercato di presentare una fotografia di quanto accade. L'unica citazione specifica è stata per le teorie della “ricaduta favorevole”, secondo le quali ogni crescita economica, favorita dal libero mercato, riesce a produrre di per sé una maggiore equità e inclusione sociale nel mondo. C'era la promessa che quando il bicchiere fosse stato pieno, sarebbe trasbordato e i poveri ne avrebbero beneficiato. Accade invece che quando è colmo, il bicchiere magicamente s'ingrandisce, e così non esce mai niente per i poveri. Questo è stato l'unico riferimento a una teoria specifica. Ripeto, non ho parlato da tecnico, ma secondo la dottrina sociale della Chiesa. E questo non significa essere marxista».

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pensando a economia do Papa Francisco

Quando o Papa escreve que “Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa” (EG 53), está certamente a lamentar as vítimas do sistema económico a preconizar mudanças. Mas a questão é:

- estas mudanças são uma mudança de sistema (da economia de mercado para outra)? Ou mesmo “estruturalmente”, como escreve Teresa Toldy no JL, por exemplo?

ou

- estas mudanças são limites éticos, normas, códigos, valores, dentro da economia de mercado?

Imagino que alguém pode fazer o mesmo tipo de afirmação, por exemplo, em relação aos acidentes rodoviários. “Este sistema rodoviário mata. Não é possível que a morte por atropelamento de idoso ou uma criança não seja notícia, enquanto o é o lançamento de um novo modelo de automóveis”. (Na realidade, os atropelamentos são notícia, tal como o é, ainda que nem sempre, a morte de um sem abrigo - dependerá muito do tipo e âmbito do órgão de informação.)

Uma eventual chamada da atenção para as vítimas da estrada estaria a preconizar um novo sistema rodoviário (carros com seis rodas, motos com três, sentidos desnivelados, velocidade máxima de 10 km/h) ou simplesmente a exigir que se cumpram as regras legais e éticas de tal sistema? Por outras palavras, há sistema alternativo à economia de mercado? Qual? A alternativa ao sistema rodoviário é ficar em casa.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Efeitos estranhos das palavras económicas do Papa

Efeitos estranhos das palavras do Papa quando fala da economia atual (volta ao assunto na mensagem para o Dia Mundial de Paz, hoje divulgada).

Quando ouço um anticapitalista (que em Portugal é quase sinónimo de anti-austeridade) a louvar o Papa, só penso: "Não, o Papa não pode ter dito aquilo". Ou: "Não foi aquilo que o Papa quis dizer".

Mas quando ouço um capitalista fervoroso a perorar contra o Papa (há vídeos desses, de norte-americanos, por aí), penso: "Mas estavas à espera de quê?" Ou: "Poderia dizer o contrário?"

Como já alguém disse, e parece-me a melhor chave de leitura para o que o Papa diz no capítulo da economia, o tom de Francisco não é marxista, nem comunista, nem socialista, nem capitalista ou anticapitalista. É profético.

Adriano Moreira: "Todos podem inspirar-se na doutrina da Igreja"

Na entrevista que hoje dá à "Visão", a propósito do livro "Memórias do Outono Ocidental - Um século sem bússola", Adriano Moreira fala do Papa Francisco. E também gostei muito da última resposta da entrevista. Aqui fica a última coluna da entrevista.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A austeridade está a violar os direitos humanos?

Para o ex-ministro Alfredo Bruto da Costa, "uma pessoa com fome não é livre". Para o empresário Salvador de Mello, "a haver violação dos direitos humanos é da responsabilidade de quem acumulou tamanha dívida". Para o missionário Abel Bandeira, a Igreja precisa "de estar solidária" e vigilante.

Vale a pena ler o que pensam um missionário, um empresário e o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre a austeridade e os direitos humanos, num trabalho de Filipe d'Avillez, na RR. Aqui. A minha visão assemelha-se mais à do empresário. Alfredo Bruto da Costa não olha a montante. O missionário, como muitos, pensa (digo eu, também pelos breves meses que passei na Guiné-Bissau): "Quem dera que o terceiro mundo fosse explorado pelo capitalismo como Portugal dizem que é".

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Alberto Gonçalves, a economia, a esquerda e Francisco

Alberto Gonçalves escreveu no DN de ontem:

O reino dos céus
Perante as críticas do Papa Francisco ao capitalismo e aos "mercados", as pessoas que gostam do Vaticano recordam que isso não é mais do que a costumeira doutrina social da Igreja. As pessoas que abominam o Vaticano acham que a retórica é novidade e não só vai arrasar o capitalismo e os "mercados" como, se a coisa correr pelo melhor, arrasará a Igreja. Eu, neutro na matéria, prefiro notar que, apesar do aparente embaraço de uns e do evidente entusiasmo dos outros, o próprio Papa talvez fizesse melhor em começar por comentar o desemprego, a pobreza e a fome nos felizardos países sem inclinações capitalistas e nos quais os mercados se limitam aos lugares onde o povo compra, quando consegue comprar, hortaliças e galinhas. Se a devoção materialista tem muitos defeitos, uma virtude ninguém lhe nega: não se confunde com nenhuma das maravilhosas alternativas disponíveis.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Viriato Soromenho-Marques: "Um cristão em Roma"


Viriato Soromenho-Marques no DN de hoje. Anda meio mundo encantado com as tiradas economicossociais do Papa Francisco. Gostava de ter ideias mais claras sobre o que o Papa pensa da economia (e de outros assuntos, mas esses outros dois não são para aqui chamados) para lá dos apelos à ética. Tenho impressão que a Doutrina Social da Igreja é bem mais equililibrada. Digo mesmo: não tão panfletária. Havemos da falar disso.

domingo, 25 de agosto de 2013

António Borges: A Doutrina Social da Igreja é "muito inspiradora"

António Borges (1949-2013)

Excerto de uma notícia da Agência Ecclesia, em 25 de fevereiro de 2013 (daqui):
O economista António Borges considera que a Doutrina Social da Igreja é “muito inspiradora” para o momento de crise que se vive em Portugal. 
Após a conferência que fez, este sábado, em Castelo Branco, sobre o tema ‘Gestor e Católico, um duplo desafio de responsabilidade social’, o economista e professor da Universidade Católica Portuguesa disse à Agência Ecclesia que existe “uma consciência cada vez maior” que os temas de responsabilidade social e justiça social são “centrais à política económica”.
O antigo diretor do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional defende que ser gestor e católico em simultâneo “é possível e dá outra qualidade à gestão”.

Morreu o economista António Borges. Católico


Morreu o economista António Borges. Tinha 63 anos. Cancro no pâncreas. Por ser da direita liberal, era demonizado em muitos setores (ver aqui comentários na notícia da sua morte), inclusive por católicos. Mas ele era católico. E ao que sei (por um amigo padre, próximo da família), de convicção.

Porque me revejo numa visão mais liberal da economia (o que não quer dizer "sem ética"; sei que alguns dos que leem este blogue estão em quadrantes contrários) e porque na Igreja católica há lugar para muitas sensibilidades, da liberalizante à socializante, com diversas matizes, confesso a minha tristeza com a morte de António Borges.

domingo, 5 de maio de 2013

Bento Domingues: "Ditadura do medo"


Bento Domingues no “Público” de hoje.

Importa que a DSI passe a ser reelaborada com o contributo de especialistas das ciências sociais. Qual é o papel da Doutrina Social dos Papas nas Universidades Católicas e das investigações das Universidades Católicas na elaboração da DSI? Mas, para se poder chamar, com verdade, DSI tem de seguir a eclesiologia do Vaticano II (Lumen Gentium, 36 e a Gaudium et Spes). A Igreja é constituída pelas mulheres e homens que se reconhecem em Jesus Cristo. Todos juntos, não teremos medo.

Texto na integra, aqui, a amanhã.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Como Lutero deveria agradecer às indulgências



No livro “Adapte-se. O sucesso começa sempre pelo fracasso”, Tim Harford, que muitos conhecerão do livro “O economista disfarçado”, diz a certa altura (pág. 23) que a “Bíblia de Gutenberg foi um projeto desastroso que levou o seu autor à falência”. A indústria gráfica, no início, fez-se de muitas falências, enquanto não encontrou o modelo de negócio lucrativo. “A dada altura, diz Harford, lá acabou por encontrar um: a impressão de perdões de castigo divino, pré-embalados sob a forma de indulgências religiosas”.

Fiquei assim a saber que as mal-afamadas indulgências foram cruciais para o desenvolvimento da imprensa de caracteres móveis.

Anos mais tarde, Lutero (nasceu 15 anos depois da morte de Gutenberg), ao escrever que…
A impressão é o último dom de Deus e o maior. Por seu intermédio, Deus quer dar a conhecer a verdadeira Religião a toda a terra e expandi-la em todas as línguas. É a chama que brilha antes da extinção do mundo
…estava, afinal, a elogiar uma indústria tornada viável pelas indulgências.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...