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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Na cama com Deus" - sobre romance de Graham Greene


Saiu no sábado, no "Público". Sobre Graham Greene e o seu romance "O Fim da Aventura", uma história de adultério, milagre, amor, morte e Deus na II Guerra Mundial. Penso que a entrada do texto está incorreta. O livro foi reeditado no final dos anos 90 (ou princípios de 2000), pela Asa, quando saiu o filme (que é de 1999).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os bons e os maus ateus



Ainda a propósito de Christopher Hitchens, veja-se este texto de Giacomo Galeazzi no “Vatican Insider”, aqui traduzido. Acontece, de facto, que os crentes são mais capazes de dialogar com os ateus abertos (alguém já lhes chamou “mancos”, porque lhes falta qualquer coisa e é nessa qualquer coisa que se encontram com os crentes) do que com os ateus missionários, os que combatem militantemente a fé/religião. Os bold são meus.

E Hitchens ficou de fora do Átrio dos Gentios. Faltou o convite do Vaticano para um intelectual anticonformista e um espírito livre. No post Consigli a un giovane ribelle do seu blog Parola & Parole, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura conta: "Eu não consegui convidar Hitchens para entrar no Átrio. Teria me agradado a ideia de dialogar com [ele] fora de polêmicas e atitudes preconcebidas, isto é, como methórios, assim como definia o sábio Filão de Alexandria".
E, acrescenta, "é precisamente essa a ideia do Átrio dos Gentios: um espaço aberto à luz, em que se encontram e se desencontram o absurdo e o mistério, a pura racionalidade e o 'Tu Desconhecido'. Espero que a morte tenha sido para ele 'uma porta que se escancara e irrompe o futuro', retomando o aforismo de Graham Greene que ele tanto gostava de citar. Seria, para ele, como entrar em uma nova infância".
O purpurado parte de uma referência a outro grande laico: "Para Mitterrand que perguntava: 'Em cinco minutos, diga-me a substância da sua experiência de filósofo', Jean Guitton respondia: 'É a escolha entre duas soluções: o absurdo e o mistério'". E, especifica o cardeal, "Christopher Hitchens tinha escolhido a primeira solução, denunciando a religião como 'a principal fonte do ódio neste mundo'. Insistia Mitterrand: 'Mas qual é a diferença? O mistério também parece absurdo'. E Guitton: 'Não, o absurdo é um muro impenetrável contra o nos batemos em um suicídio. O mistério é uma escada: sobe-se de degrau em degrau rumo à luz, esperando'", para depois concluir: "Como homem de fé, a minha esperança é de ver o jovem rebelde voltar-se à luz e subir de degrau em degrau até o oceano de amor em que todo o ódio do mundo imerge". 
Porém, com apenas dois meses de vida pela frente, o polemista britânico Christopher Hitchens desferiu um último e duro ataque contra o Vaticano, acusando-o de cumplicidade com os regimes totalitários dos anos 1930 na Europa. Hitchens, ateu militante até a sua morte na semana passada [15 de dezembro] por causa de um tumor no esôfago, defendeu, na última entrevista com Richard Dawkins na New Statesman, que todo governo fascista da Europa daquela época era, na realidade, um "partido católico de extrema direita". 
Para Hitchens, autor de Deus não é Grande, "quase todos esses regimes chegaram ao poder com a ajuda do Vaticano e com a compreensão da Santa Sé". O polemista defendeu as suas posições como uma batalha contra todo totalitarismo, seja de direita, seja esquerda: "O totalitarismo para mim é o inimigo: aquele que quer ter o controle sobre o que você pensa, não só sobre as suas ações e os seus impostos. E a origem disso é teocrática". 
Não foi apenas Hitchens que ficou de fora do Átrio dos Gentios. Outros ateus ilustres ficaram de fora: por exemplo, Richard Dawkins, Piergiorgio Odifreddi e Michel Onfray. Odifreddi também escreveu um longo artigo em que manifestou seu próprio desacordo: "Na visão não só de Ravasi, mas de toda a Igreja Católica – escreveu – há ateus 'bons' e ateus 'maus'. Os melhores dentre os bons são aqueles como Cacciari: isto é, aqueles que não são ateus por nada e servem como útil cobertura laicista nos debates entre aqueles que acreditam abertamente e aqueles que acreditam de forma escondida. Se esse juízo parece impiedoso, basta olhar no YouTube o recente vídeo de Massimo Cacciari e Piero Coda em diálogo. Aqui, diálogo significa, na realidade, monólogo do primeiro, inserido entre duas frases do segundo. E qualquer um pode julgar por si só se as palavras de Cacciari sobre a Trindade são as de um ateu ou de um perfeito crente, como, aliás, confirma a opinião do teólogo. É óbvio que o cardeal Ravasi prefere escolher como interlocutores, para a passarela do Átrio dos Gentios, filósofos crentes em vez de matemáticos ateus. Até porque com os primeiros ele pode livremente desviar o discurso sobre assuntos como vida e morte, bem e mal, amor e dor, verdade e mentira, liberdade, solidariedade, bioética, medicina, economia".

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Deus e os sapos

Se Deus se parecesse com um sapo, teria sido fácil suprimir todos os sapos, mas desde o momento em que Deus é semelhante a vós, não serve de nada destruir as imagens de pedra. Teríeis que vos suicidar no meio dos túmulos.

Graham Greene (1904-1991)

sábado, 27 de março de 2010

27 de Março de 1923. Nasce Shusaku Endo, escritor japonês


Shusaku Endo (Tóquio, 27 de Março de 1923 – 29 de Setembro de 1996) foi baptizado em 1935, aos 12 anos, após a conversão da mãe, que se separara do pai em 1933. Endo estudou Literatura Francesa em Lyon e deixou uma obra romanesca marcada pelo catolicismo. Comparam-no a Graham Greene pelas temáticas. Em Portugal, estão publicadas pelo menos duas dobras, “Uma vida de Jesus” (na Asa) e “Silêncio” (na D. Quixote).
“Silêncio” aborda a história do missionário português Cristóvão Ferreira, líder dos jesuítas no Japão, que apostatara nas perseguições de Tokugawa, e a subsequente investigação dos missionários Sebastião Rodrigues, Francisco Garrpe e Juan de Santa Maria. Trata-se de um romance sobre a fé e a dúvida, com base em acontecimentos reais.
Há tempos correu a notícia de que Martin Scorsese estava a realizar um filme sobre esta história com Daniel Day-Lewis, Gael García Bernal e Benicio Del Toro nos principais papéis. Até a Rádio Vaticano falou do assunto (aqui).

sábado, 10 de outubro de 2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

Graham Greene, a garrafa de vinho e o café de Tunes


A revista The Strand Magazine vai começar a publicar um romance inacabado de Graham Greene (1904-1991) que foi encontrado recentemente. Publica-o ao longo de cinco edições, um capítulo por semana, esperando que um autor ou os próprios leitores o completem.
O romance chama-se The Empty Chair, A Cadeira Vazia, e conta a história de um assassinato misterioso. A notícia vem no "Público" de hoje, na última página. “O enredo começa quando Alice Lady Perriham, uma actriz casada com um aristocrata, dá uma festa em sua casa, onde os convidados encontram o corpo do «taciturno, mal-humurado, bruto» Richard Groves, com uma faca espetada no peito”.
Trago-a para aqui por dois motivos, um que tem a ver com o espírito deste blogue e outro de ordem pessoal (mas que se alicerça no primeiro).
O primeiro: O romance foi iniciado em 1926, quando Greene tinha 22 anos. Foi nesse ano que Graham Greene “se converteu ao catolicismo, começou a trabalhar como subeditor no jornal londrino Times e decidiu tornar-se um escritor de sucesso”, diz o "Público". Para este romancista, o catolicismo é importante tanto para a vida (em todos os sentidos, incluindo o mais contraditório, porque abundam referências sobre as suas incoerências entre fé professada e fé vivida, no que diz respeito ao adultério e a outras vivências de cariz sexual) como para a arte. Sem a fé católica não se compreendem os romances “O Poder e a Glória”, “O Fim da Aventura” ou “Monsenhor Quixote”. E talvez por essas mesmas referências católicas se explique o facto de este ser um escritor esquecido, porque, como diz Clara Ferreira Alves (estou a pensar numa crónica do "Expresso"), está preocupado com dilemas que já não lembram a ninguém: o pecado e a graça, o desejo e a fidelidade, a perdição e a salvação… Já não lembram a ninguém, diz ela.
O segundo: Interessei-me por este autor, em finais da década de 1980, por um dia ter lido que em “Monsenhor Quixote” a Trindade era "explicada" à base de garrafas de vinho. Tinha uma vaga noção do catolicismo do autor e isso levou-me a ler durante uns tempos tudo o que encontrava dele, a começar pelo cómico “Monsenhor” (papel amarelo da Europa-América), passando pelo “Nosso Agente em Havana” e os outros acima referidos. Em ambiente de faculdade, eu era pelo Graham Greene, um colega era pelo Morris West e um outro pelo Unamuno. (A seguir vieram os católicos franceses, Bernanos, Mauriac…, mas isso já é outra história). Foi uma fase de tal modo greeniana, que sei onde estava no dia seguinte à morte do romancista inglês. Estava num café que há (havia?) ao pé da estação CP de Tunes, a caminho do Algarve. Nesse Março ou Abril de 1991, com mais alguns escuteiros, ia para uma actividade que o Agrupamento 115 intitulara de “Na Rota do Infante”. Enquanto esperávamos pelo comboio, à noite, li no “Correio da Manhã” do café que Graham Greene tinha morrido. Não sei se posso dizer que fiquei abalado. Mas senti que alguém que me era próximo desaparecia e eu não podia fazer nada. Greene era-me próximo, de uma proximidade feita de ler as suas palavras, uma proximidade que só se consegue quando a leitura raia a obsessão, uma proximidade que eu só viria a sentir em relação a mais três autores (até hoje – um deles também é romancista inglês e é considerado discípulo de Greene). Greene morrera e entretanto chega o comboio e temos de prosseguir viagem. Já com o comboio em andamento, lembro-me de que não paguei a despesa do café. Foi só uma bica, mas ainda um dia destes hei-de voltar ao café de Tunes para saldar a dívida. Graham Greene vai-me lembrando que tenho uma pena a expiar.
Graham Greene morreu no dia 3 de Abril de 1991, informa a Grande Teia. O episódio do café de Tunes deve ter acontecido no dia 4 de Abril de 1991, se o antigo espião tiver morrido antes do fecho da edição daquele Correio da Manhã.

Sinodalidade e sinonulidade

Tenho andado a ler o que saiu no sínodo e suas consequências nacionais, diocesanas e paroquiais. Ia para escrever que tudo se resume à imple...